Agro Mato Grosso
De MT ao Pará: os desafios do caminho da soja até o porto

Motoristas enfrentam desafios, estradas longas e logística para garantir que o grão mato-grossense chegue ao mercado internacional.
A soja colhida nos campos de Mato Grosso percorre uma longa e estratégica jornada até alcançar os portos do Pará, onde embarca rumo ao mercado internacional. Esse trajeto, que envolve milhares de caminhões, exige organização, tecnologia e resistência especialmente dos motoristas que cruzam o país com o grão que alimenta o mundo.
O motorista Everaldo Baeta, com 20 anos de experiência no percurso até o porto de Miritituba, no Pará, conhece cada curva e desafio da estrada. Segundo ele, quando o caminhão chega no armazém, tem uma lista com os nomes e placas dos veículos que devem seguir para o carregamento.
Everaldo contou que, antigamente, levava dias para fazer o trajeto entre Ipiranga do Norte (MT) até Miritituba em Itaituba (PA). Atualmente, com a estrada asfaltada, ele leva até 23 horas para chegar ao destino, seguindo o cronograma com pausas para refeições e descanso.
“Antigamente, levava até seis dias. Ficávamos parados esperando o sol secar os morros para seguir viagem”, disse.
Everaldo ressaltou que mesmo com as estradas asfaltadas, alguns desafios persistem, como buracos traiçoeiros, fumaça à noite e curvas perigosas. Muitos acidentes acontecem com motociclistas em alta velocidade.
A rotina exige disciplina e é preciso uma boa programação. A fiscalização tem cobrado para que os motoristas realizem as paradas para descansar, já que quando negligenciado colocam não só a vida de um, mas de todos que transitam na estrada.
“Eu tomo café às 7h, almoço entre 11h e 13h, banho e descanso às 19h. Uso mais a cozinha do caminhão quando acontece um atraso ou eu estiver no meio da estrada, mas paro em restaurantes sempre que dá”, contou.
Ao chegar em Miritituba, os motoristas enfrentam filas gigantes para fazer o descarregamento, mesmo com os motoristas chegando no prazo do agendamento, podem ficar dias esperando. Para Everaldo, trechos sem asfalto, chuvas e a superlotação dos caminhões são as principais causas.
“A estrada até o terminal tem trechos sem asfalto e, com chuva, não dá para chegar. Além disso, mandam mais caminhões do que o porto consegue descarregar, o terminal tem espaço para 200 e eles mandam o dobro”, relatou.
Ao chegar a vez, os motoristas montam na balança, entregam os documentos e recebem o ticket para seguir até a moega — uma espécie de funil metálico ou de concreto, onde os caminhões despejam os grãos que serão classificados, pesados e posteriormente embarcados em trens, navios ou embarcações.
Em entrevista à imprensa, o coordenador administrativo do terminal, Marcelo Henrique Souza, informou que o porto recebe cerca de 340 veículos por dia, o que é equivalente a 16 mil toneladas.
“Despejamos em média 28 mil toneladas por dia nas barcaças, o que representa cerca de 560 caminhões carregados”, contou.
Depois de descarregada, a soja é colocada em embarcações que seguem pelos rios até os portos com saída para o mar. De lá, o grão é exportado para diversos países.
Em 2024, o Brasil exportou quase 100 milhões de toneladas de soja, sendo que Mato Grosso respondeu por 25% desse volume. Os portos do Arco Norte, incluindo Miritituba, escoaram cerca de 35% da produção nacional.
O caminho da soja é uma operação complexa, que envolve tecnologia, logística e muito esforço. Cada etapa do carregamento à navegação é essencial para que o grão mato-grossense continue alimentando o mundo.
Agro Mato Grosso
Propriedades do Soja Legal mostram que é possível conciliar campo e natureza em Mato Grosso

Programa auxilia produtores a identificar pontos fortes e adequações em suas propriedades
Mato Grosso é reconhecido nacionalmente como um dos maiores produtores de alimentos do país. Ao mesmo tempo, o estado mantém grande parte de seu território preservado. Esse equilíbrio entre produção e conservação ambiental é resultado do compromisso de produtores rurais, adotando práticas sustentáveis em suas propriedades, como os participantes do programa Soja Legal, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).
De acordo com o vice-presidente da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Sustentabilidade, Luiz Pedro Bier, o Brasil se destaca mundialmente por conseguir produzir em larga escala sem abrir mão da preservação ambiental.
“O Brasil, diferente de todos os outros grandes produtores agrícolas do mundo, consegue preservar o meio ambiente e produzir uma grande quantidade de alimentos com alta eficiência. E o melhor exemplo disso é o Mato Grosso, onde nós temos a agricultura mais profissional do Brasil. Em torno de 25% de toda a floresta nativa do território brasileiro pertence a produtores rurais”, destaca.
Segundo Bier, o cumprimento do Código Florestal é apenas o ponto de partida. No dia a dia, os produtores adotam atitudes que ampliam esse compromisso com a sustentabilidade.
“Hoje, mais do que nunca, o produtor faz diversas atitudes que são sustentáveis e trazem eficiência ecológica e agronômica. Uma delas é o uso de bioinsumos. O Brasil é disparado o maior consumidor de biológicos, tanto para fungicidas quanto para inseticidas no campo. São atitudes que fazem bem ao meio ambiente e não prejudicam a produtividade”, afirma.
Ele também ressalta investimentos em biodigestores e o aumento da produtividade em áreas menores como práticas que reduzem a necessidade de novas conversões de áreas. “Produzir mais em menor área também é sustentabilidade. Quanto mais se produz em uma área, menor é a pressão sob a vegetação nativa para alimentar a população mundial”, completa.
Na prática, os resultados desse compromisso podem ser vistos em propriedades como a Fazenda Estrela, em Querência. O produtor rural Osmar Inácio Frizzo conta que todas as ações adotadas seguem os princípios do programa Soja Legal.
“Todas as práticas que a gente faz é pensando justamente na sustentabilidade e preservação ambiental. Desde a devolução correta das embalagens, adequação no local certo para não poluir, contenção de óleo na lavagem de máquinas, tudo isso contribui para a preservação”, explica.
Além da preservação, Osmar ressalta que a organização e o planejamento impactam diretamente na produtividade. “Tudo que você fizer melhor é pensando na produção. Criar procedimentos, organizar e planejar contribui para produzir melhor. São técnicas simples, mas que dão resultado depois de anos utilizando”, avalia.
Outro exemplo vem do Vale do Guaporé, na Fazenda Rio Sabão, do produtor Paulo Adriano Gai Cervo. Ele destaca que sua propriedade está localizada no bioma amazônico, onde a legislação exige a preservação de 80% da área.
“Nós temos orgulho de dizer que na nossa propriedade nem os 20% estão abertos. Temos mais de 80% preservados como área de reserva legal e APP. Respeitamos a lei e fazemos isso com responsabilidade”, afirma.
Além disso, Paulo Adriano explica que a fazenda não utiliza fogo em nenhuma atividade agrícola e mantém aceiros conservados para prevenir incêndios. A propriedade conta com equipe treinada e equipamentos adequados para combate a focos de fogo.
A fazenda também preserva mananciais importantes, como os córregos Pacovinha e Sabão, além de um trecho de 17km do Rio Guaporé. “Temos projetos de recuperação das margens desses córregos para aumentar ainda mais as áreas de preservação permanente”, acrescenta.
No campo da produção sustentável, Paulo Adriano destaca o investimento em treinamento da equipe, uso correto de EPIs, destinação adequada de embalagens, segregação de resíduos e manejo consciente do solo. “Fazemos 100% de plantio direto sobre palhada, integração lavoura-pecuária, agricultura de precisão, taxa variável de insumos, tudo para usar apenas o que é necessário”, explica.
Entre os projetos futuros estão a implantação de uma biofábrica, biodigestores para geração de gás e produção de fertilizante orgânico. “Nosso objetivo é reduzir a dependência externa e produzir parte do fertilizante que usamos. Tudo isso melhora a produtividade, o resultado financeiro e a qualidade de vida das famílias que vivem aqui”, afirma.
As ações desenvolvidas nas propriedades participantes do Soja Legal mostram que é possível produzir com responsabilidade, respeitando o meio ambiente e contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso. Um exemplo de que o campo pode, sim, ser aliado da preservação.
Luiz Pedro Bier enfatiza ainda o papel da Aprosoja MT no apoio aos produtores com incentivo a uma produção cada vez mais sustentável. “A Aprosoja atua em várias frentes. Uma delas é a legislativa, apoiando leis que trazem segurança jurídica ao produtor. Também temos a Central de Informações do Cadastro Ambiental Rural, que auxilia na regularização ambiental. E a estrela da companhia é o Soja Legal, onde capacitamos o produtor na legislação trabalhista, segurança do trabalho e fazemos análises ambientais para identificar pontos de melhoria. A sustentabilidade é um tripé: social, econômico e ambiental”, finaliza.
Agro Mato Grosso
Pesquisas voltadas à realidade do Vale do Guaporé serão tema do 1º Giro de Pesquisa da região

Realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e pelo Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), o 1º Giro de Pesquisa do Vale do Guaporé será realizado no dia 11 de fevereiro, em Pontes e Lacerda. O evento é gratuito e tem como objetivo promover a aproximação dos produtores rurais com as pesquisas científicas desenvolvidas na região, fortalecendo a troca de informações e o acesso ao conhecimento técnico no campo.
O vice-presidente Oeste, Gilson Antunes de Melo, destaca que as pesquisas desenvolvidas no Vale do Guaporé são de extrema relevância, uma vez que a região possui especificidades de solo e altitude diferentes de outras áreas do estado. Segundo ele, a realização de pesquisas direcionadas à realidade local contribui significativamente para a tomada de decisão do produtor rural.
“A adaptação de variedades e cultivares, do número de plantas, do uso de fungicidas e das práticas de manejo específicas para a região contribui significativamente para que o produtor tenha informações concretas em mãos e se torne mais assertivo nas decisões adotadas em sua propriedade”, destaca ele.
Ao comentar o papel da Aprosoja MT na disseminação de informações técnicas aos produtores, Gilson destaca a importância da transmissão de dados confiáveis.
Segundo ele, as entidades têm experiência técnica consolidada em pesquisa, com diversos centros tecnológicos e uma equipe de pesquisadores altamente qualificada. “Trata-se de uma pesquisa com alto nível de assertividade, que transmite mais confiança ao produtor para aplicação no dia a dia da propriedade”, finaliza ele.
O Giro de Pesquisa do Vale do Guaporé terá sua estreia às 07h30, com credenciamento a partir das 07h, no VSL Centro de Pesquisa Agronômica, localizado na Rodovia 174B, Gleba Scatolin 195, Zona Rural de Pontes e Lacerda.
Agro Mato Grosso
Soja em Lucas do Rio Verde: Preço cai abaixo de R$ 100 com avanço da colheita em MT

O mercado da soja em Mato Grosso vive um momento de forte movimentação nas lavouras, mas de pressão negativa nos preços. Com o estado liderando o ritmo de colheita no país — atingindo entre 19,7% e 25% da área total trilhada — a maior oferta do grão tem impactado as cotações nas principais praças produtoras.
Em Lucas do Rio Verde, o preço da saca de soja sofreu uma retração de 3,86%, sendo reportado nesta segunda-feira (2) a R$ 99,70. O valor coloca o município em um patamar de preços similar ao de vizinhos como Sorriso (R$ 99,11) e Nova Mutum (R$ 100,28).
Panorama em Mato Grosso
A liderança mato-grossense no campo é evidente, mas a comercialização segue um ritmo cauteloso. Enquanto regiões como Rondonópolis (R$ 107,00) e Primavera do Leste (R$ 105,30) ainda conseguem segurar patamares acima dos cem reais, o Médio-Norte sente com mais força o peso da colheita acelerada.
Enquanto Mato Grosso corre para tirar o grão do campo, outros estados apresentam cenários distintos:
- Paraná: Registra uma produtividade extraordinária de até 80 sc/ha, mas também enfrenta queda nos preços (R$ 117,59 em Cascavel).
- Mato Grosso do Sul: A colheita ainda está no início (2% da área), com preços em Dourados na casa dos R$ 113,00.
- Sul do Brasil: No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a comercialização segue travada, com preços em portos variando entre R$ 128,00 e R$ 129,00.
O que esperar para os próximos dias em Lucas?
Com a colheita avançando rapidamente em Lucas do Rio Verde e região, a tendência de curto prazo é que a liquidez continue baixa, com produtores aguardando melhores oportunidades de venda, enquanto o mercado logístico se prepara para o pico do escoamento da safra 2025/2026.
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