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Sustentabilidade

Câmara aprova reforma do Imposto de Renda com garantias para o produtor rural – MAIS SOJA

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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1) o parecer favorável do deputado Arthur Lira (PP-AL) ao Projeto de Lei nº 1.087/2025, que altera a legislação do Imposto de Renda (IR) e estabelece mudanças na tributação de pessoas físicas. A proposta, de autoria do Poder Executivo, amplia a faixa de isenção para pessoas físicas e cria uma tributação mínima para quem recebe altas rendas.

Durante a tramitação da proposta na Casa, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou diversas emendas para adequar o texto à realidade do setor agropecuário. Três delas foram incorporadas pelo relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), vice-presidente da FPA no Nordeste, e aprovadas em Plenário.

O primeiro trata da tributação da atividade rural com base no lucro e não no faturamento, medida que evita distorções em anos de safra negativa ou de altos custos de produção.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (PP-PR), explicou que a regra “respeita a realidade da atividade agrícola, marcada por riscos e volatilidade, e garante que o imposto incida sobre o resultado efetivo do produtor”.

Outro ponto garantido foi a exclusão, da base de cálculo da tributação mínima, dos rendimentos obtidos com instrumentos financeiros do agronegócio, como LCA, CRA, CDCA, CDA/WA e CPR. De acordo com Lupion, “a manutenção desses títulos fora da base é essencial para que o agro continue contando com mecanismos de financiamento que sustentam a produção no país”.

O terceiro ajuste incluído estabelece um redutor para evitar a bitributação, de forma que a soma da alíquota da pessoa jurídica e da pessoa física não ultrapasse os limites já previstos em lei. Para o vice-presidente da FPA na casa, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o dispositivo “traz equilíbrio e previsibilidade, e evita que produtores e investidores arquem com uma carga maior do que a estabelecida no sistema financeiro”.

Reforma do IR

A medida prevê que contribuintes com rendimentos tributáveis mensais de até R$ 5.000 tenham o imposto zerado, enquanto quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 tenha redução gradual do tributo. Para o ajuste anual, a redução será aplicada a quem recebe até R$ 88.200 por ano, para garantir que contribuintes de renda média paguem menos Imposto de Renda.

Tributação mínima para altas rendas

O projeto também institui uma tributação mínima para pessoas físicas com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil ou recebimento mensal de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil de uma mesma empresa. A alíquota máxima aplicada será de 10%, com regras que evitam a redução do tributo por incentivos fiscais já existentes para as empresas.

Compensação a Estados e municípios

Para mitigar possíveis perdas de receita nos entes federativos, a lei prevê compensações trimestrais a Estados, Distrito Federal e Municípios, com recursos da União. Além disso, qualquer arrecadação excedente será destinada a cálculo da alíquota de referência da Contribuição de Bens e Serviços no ano seguinte.

Próximos passos

A lei entra em vigor na data de sua publicação e passa a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2026. O governo federal ainda deverá regulamentar detalhes como a aplicação da tributação mínima e a forma de cálculo do redutor para lucros e dividendos.

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para análise no Senado.

Fonte: Agência FPA



 

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Sustentabilidade

Resiliência da agricultura do Rio Grande do Sul – MAIS SOJA

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Por José Eloir Denardin e Álvaro Augusto Dossa, da Embrapa Trigo

A expressão popular “chover no molhado”, amplamente consagrada no imaginário coletivo, é usualmente empregada para designar a repetição do óbvio – aquilo que já é sabido e, portanto, considerado redundante. Contudo, ao transpor essa metáfora para o cenário da gestão de risco na agricultura, diante da imprevisibilidade do regime pluviométrico, revela-se um paradoxo inquietante.

A distribuição e o volume das chuvas, em suas dimensões temporal e espacial, constituem variáveis críticas e potencialmente disruptivas, com efeito direto sobre o desempenho das safras em distintos ambientes de produção. Essa é uma realidade amplamente reconhecida e de domínio técnico evidente e consolidado. Ainda assim, a persistente negligência na adoção de estratégias preventivas para mitigar os impactos de excesso ou da escassez de chuvas sobre a produtividade e a rentabilidade das lavouras evidencia, por um lado, fragilidade estrutural dos sistemas produtivos, no que tange à gestão integrada de riscos. Por outro, expõe lacunas relevantes tanto nas políticas públicas voltadas ao reconhecimento, valorização e incentivo de práticas agronômicas preventivas e resilientes, quanto na transferência dessas tecnologias ao produtor rural pelos serviços de consultoria e assistência técnica – lacunas que, embora não invalidem os esforços já empreendidos, sugerem que a intensidade, a qualidade e a efetividade das ações requerem aprimoramentos de modo a fortalecer, de forma consistente, a mitigação de riscos de natureza pluviométrica no setor agrícola.

Insistir na obviedade da necessidade de planejamento e diversificação tecnológica frente à instabilidade do regime de chuvas, sem promover mudanças efetivas na condução dos sistemas agrícolas e no suporte institucional, é, ironicamente, “chover no molhado”.

A agricultura é, por sua própria natureza, altamente vulnerável a fatores que escapam ao controle direto do produtor rural e dos demais agentes da cadeia produtiva. Os produtores são tomadores de preço de insumos, de máquinas e de equipamentos, e sua “indústria” opera literalmente a céu aberto, com reduzida capacidade de mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos. Diante dessas limitações estruturais, é possível – e necessário – adotar medidas técnicas e gerenciais que viabilizem a resiliência dos sistemas produtivos, ainda que impliquem custos adicionais. Nesse sentido, há tecnologias consolidadas e acessíveis capazes de subsidiar projetos e orientar o produtor na mitigação dos impactos decorrentes da imprevisibilidade pluviométrica.

De acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, o estado do Rio Grande do Sul apresenta, em 86,7% de seu território, clima subtropical úmido, caracterizado por verões quentes e precipitação distribuída ao longo do ano. Nos 13,3% restantes, predomina o clima temperado oceânico, com verões mais amenos e precipitação igualmente distribuída durante todo o ano. Essas classes climáticas apresentam regimes altamente dinâmicos e instáveis, com comportamento irregular e imprevisível, principalmente da pluviosidade, resultante da interação entre massas de ar tropicais e polares e de fenômenos oceânico-atmosféricos de escala global – El Niño e La Niña (Alvares et al., 2013). Embora o excesso de chuva seja mais frequente nos anos de El Niño e a escassez nos anos de La Niña, essas oscilações pluviométricas podem ocorrer, até mesmo, ao longo de uma mesma safra. Por essa razão, esse regime pluviométrico se consolida como o principal fator de risco intempestivo à produção agropecuária regional.

Assim, as recorrentes interferências das irregularidades pluviométricas na atividade agrícola – em especial os episódios de déficit hídrico que comprometem a expressão do potencial produtivo das culturas de milho e soja –, foram registradas, respectivamente, em 65% e 73% das 49 safras analisadas nas séries históricas compreendidas entre 1977 e 2025, como pode ser inferido dos dados da Conab (2025), registrados na Figura 1. As reduções de produtividade, visíveis na Figura 1 a partir dos anos em que se verificaram ganhos históricos de rendimento, revelam não apenas a magnitude das perdas produtivas, mas também os impactos adversos sobre a rentabilidade, com desdobramentos de ordem econômica, ambiental e social.

A imprevisibilidade do regime de chuvas no Rio Grande do Sul – seja por excesso, escassez ou mesmo por padrões considerados normais – garante que alternância de eventos pluviais adversos e favoráveis continuará a ocorrer. Nessa abordagem, o ditado “chover no molhado” ressurge como advertência oportuna à gestão de riscos nos estabelecimentos rurais, reforçando a necessidade premente de adoção de tecnologias indutoras de resiliência e sustentabilidade na agricultura do Estado.

A expressiva magnitude e frequência desses eventos evidenciam a vulnerabilidade dos sistemas produtivos diante da ausência de estratégias robustas de gestão de riscos, tanto intempestivos (de natureza climática e ambiental) quanto não intempestivos (de ordem econômica, jurídica, social e operacional), com destaque para o manejo do solo e das culturas. O panorama reforça a urgência de reconfigurar os mecanismos que viabilizam maior resiliência ao setor agrícola do Estado, diante da imprevisibilidade pluviométrica e da complexidade dos desafios estruturais.

Figura 1. Séries históricas de produtividade de grãos de milho e soja no Rio Grande do Sul, no período de 1977 a 2025, evidenciando os efeitos da recorrente instabilidade pluviométrica. 

Fonte: Conab (2025)

Riscos são inerentes aos processos produtivos e, por sua própria natureza, não podem ser completamente eliminados ou evitados. Ainda que risco e incerteza não sejam conceitos equivalentes – sendo a incerteza, por definição, não mensurável (Ghadge et al., 2017; Kolmar, 2017) –, o risco pode ser gerenciado por meio de ações estruturadas de mitigação.

No contexto agrícola, e especialmente diante dos riscos associados à irregularidade das chuvas, Brick e Visser (2015) ressaltam que tais ações devem envolver medidas administrativas de cunho comercial (como vendas antecipadas), jurídica (contratos e créditos), atuariais (seguros) e tecnológicas-operacionais (práticas de manejo de solo e de culturas). Embora frequentemente percebidas como custos adicionais e dispensáveis em anos de normalidade climática, essas medidas se justificam plenamente e revelam sua eficácia nos períodos de adversidade.

Este artigo propõe uma reflexão fundamentada sobre os eixos estratégicos que devem permitir a resiliência agrícola do Estado frente à imprevisibilidade pluviométrica, destacando práticas gerenciais, administrativas e operacionais que podem e devem ser incorporadas como parte de uma abordagem sistêmica, integrada e proativa de adaptação.

Práticas gerenciais e administrativas para mitigação de riscos

A propriedade rural é, muitas vezes, percebida como uma extensão da residência do produtor, sobretudo quando se trata de pequenas áreas conduzidas predominantemente por membros da família. Ainda assim, é essencial compreendê-la como uma empresa rural, que demanda práticas consistentes de gestão. Nunes e Scarpelli (2001) já destacavam, há mais de duas décadas, a necessidade de que o empreendimento rural moderno seja suficientemente flexível para se ajustar às constantes mudanças que o afetam. Nesse sentido, torna-se imprescindível a adoção de um modelo de gestão organizado e funcional, que contemple a geração sistemática de dados da própria propriedade (custos, séries históricas de produtividade, variabilidade entre talhões, histórico da fertilidade do solo etc.), a elaboração de informações úteis, o planejamento formal de curto, médio e longo prazo, além de uma logística de operações bem estruturada.

Mesmo assim, um bom modelo de gestão, por si só, pode não ser suficiente. A prática mais simples de gestão de riscos – e, paradoxalmente, uma das mais complexas – consiste na constituição de reservas financeiras. A formação de poupança não é amplamente difundida entre brasileiros em geral: pesquisa realizada pelo DataFolha em 2023 indicou que sete em cada dez brasileiros não possuem reservas, enquanto pesquisa realizada pelo Federal Reserve (2025) mostrou que 55% dos adultos norte-americanos dispõem de recursos suficientes para cobrir ao menos três meses de despesas. Peter Drucker, referência mundial em Administração, enfatiza que organizações bem geridas constroem reservas e capacidades estratégicas antes dos períodos de turbulência. Dispor de recursos para custeio de ao menos uma safra à frente pode resultar em uma grande diferença diante da ocorrência de um sinistro. No setor agropecuário, há registros recentes de produtores do Cerrado brasileiro que mantêm reservas capazes de custear até quatro safras. Os produtores do Rio Grande do Sul, de modo geral, necessitam avançar nessa direção.

O controle de custos talvez seja a prática gerencial mais necessária – e, simultaneamente, uma das mais negligenciadas. Muitos produtores delegam integralmente esse acompanhamento aos técnicos ou o realizam de forma superficial. Adicionalmente, a aquisição de pacotes tecnológicos padronizados e calendarizados, frequentemente incentivados por vendedores e revendedores, pode transmitir a impressão de eficiência técnica-operacional ou de descontos vantajosos, sem necessariamente resultar em viabilidade técnica ou econômica quando considerados cenários de instabilidade climática ou de oscilação de preços. Cada propriedade, como cada família e cada empresa, apresenta singularidades – modelos de produção, cultivares e híbridos adotados, características e propriedades edáficas, região de produção, regime climático e costumes e hábitos, até mesmo, étnicos – que influenciam de maneira decisiva a tecnologia a ser empregada. A adoção de insumos ou práticas desnecessárias eleva custos e, consequentemente, amplia riscos. Assim, a utilização indiscriminada de pacotes tecnológicos pode tornar o produtor dependente de gastos incompatíveis com momentos que exigem contenção de custos, sem que haja ganhos reais proporcionais.

Outro elemento frequentemente negligenciado na mitigação de riscos é o investimento em capacitação. Não apenas o técnico responsável necessita manter-se atualizado: o produtor e seus colaboradores também devem receber formação contínua nas práticas que empregam, de modo a maximizar o aproveitamento dos recursos disponíveis. Não é racional adquirir uma máquina ou implemento agrícola de elevado valor e não explorar plenamente suas funcionalidades. Nesse mesmo sentido, impõem-se reflexões: considerando os juros vigentes, os custos de produção e os preços de mercado, é realmente necessário investir em máquinas e implementos de grande porte e tecnologia avançada? As funcionalidades embarcadas nesses equipamentos são, de fato, indispensáveis para a realidade em pauta? Essa racionalidade deve ser estendida ao conjunto dos custos da lavoura: este insumo é realmente imprescindível? A análise de solo justifica a aplicação deste fertilizante? Há indicação técnica da necessidade de aplicação desse fungicida, mesmo que o pacote tecnológico padronizado e calendarizado assim o recomende? É compreensível que muitos produtores respondam “sim”, considerando a mitigação de riscos como parte de sua estratégia de decisão – afinal, a percepção de que “é melhor prevenir do que remediar” é intuitiva. No entanto, permanece a questão central: tais escolhas são técnica e administrativamente adequadas? E, sobretudo, como responderão a cenários de excesso ou escassez de chuvas?

Ainda nessa mesma categoria de mitigação de riscos, a diversificação das estratégias de comercialização dos produtos gerados constitui prática amplamente recomendada e ainda pouco explorada na agricultura do Rio Grande do Sul e do Brasil. A dependência de um único modelo de comercialização acentua os riscos inerentes à atividade agrícola. Em países como o Reino Unido, estratégias de comercialização são discutidas com produtores em dias de campo, da mesma forma que cultivares ou práticas de manejo. Além da venda à vista na colheita, recomenda-se a combinação de modalidades antecipadas, tais como: contrato de venda a termo (venda antes da colheita), venda antecipada por equivalência de produto (troca de parte da safra plantada e colhida), Cédula de Produto Rural (CPR), venda com preço antecipado (uma forma de hedging), venda com preço a fixar e venda em venda em comum (pooling) (Mendes e Júnior, 2007).

Ao firmar contratos de venda com preço pré-fixado, parte da exposição à volatilidade de preços é reduzida, conferindo previsibilidade de receita e facilitando o planejamento econômico da safra. Entretanto, recomenda-se prudência: a dependência exclusiva de um único instrumento de comercialização pode revelar-se contraproducente perante choques de mercado. A diversificação de mecanismos comerciais – combinando contratos a preço fixo, contratos futuros, vendas à vista em momentos oportunos e utilização de estoques estratégicos – constitui uma estratégia robusta de gerenciamento de risco, na lógica de não concentrar posições. Empresas e consultorias especializadas já prestam suporte técnico para o desenho e a implementação dessas estratégias de comercialização. Produtores que dispõem de capacidade própria de armazenagem, seja em silos convencionais ou em silos-bolsa, ampliam seu poder de barganha ao postergar a venda para janelas de preço mais favoráveis (Mendes & Júnior, 2007). Todos esses instrumentos, contudo, implicam custos operacionais, exigências logísticas e riscos específicos – aspectos que devem ser avaliados por meio de análises técnico-econômicas rigorosas e acompanhados de programas de formação e capacitação continuada, de modo a assegurar sua aplicação adequada e contextualizada aos sistemas produtivos locais.

No âmbito nacional, talvez a mais robusta ferramenta de mitigação de riscos seja o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Esse instrumento considera culturas, regiões e janelas de plantio adequadas, orientando o produtor na redução de perdas decorrentes de eventos climáticos adversos. Seguir o ZARC é essencial, e sua integração com o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (PROAGRO) e com o Seguro Agrícola (SA) constitui um de seus pilares operacionais. De forma objetiva: produtores que não observam o zoneamento podem perder acesso ao crédito e ao seguro rural.

Entretanto, estudo de Colle (2025), apresentado no 63º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), evidencia que os produtores do Rio Grande do Sul vêm se afastando dessas proteções – não por falhas do ZARC, mas pela não adesão ao SA ou ao PROAGRO. Entre 2020 e 2024, a área de trigo amparada reduziu-se de 96% para 51%. No milho, a cobertura caiu de 59,3% em 2021 para 32,5% em 2024. Na soja, o quadro é ainda mais preocupante: em 2021, 48% da área contava com proteção; em 2024, apenas 16,4%.

Nos últimos anos, o aumento dos custos (prêmios) do seguro reduziu expressivamente a demanda por esse sistema de mitigação de risco. Tanto o sistema público quanto o privado têm oferecido proteção aquém das necessidades, mesmo dispondo de uma ferramenta robusta como o ZARC.

Em um contexto marcado pela recorrência de excesso e escassez de chuvas, essa realidade torna-se particularmente alarmante. Cabe aos diversos agentes do setor – especialmente aos engenheiros agrônomos responsáveis por consultorias e pela assistência técnica aos produtores rurais – adotar posturas cada vez mais fundamentadas em evidências, pautadas por rigor técnico e critérios objetivos.



Práticas tecnológicas e operacionais para mitigação de riscos

No Rio Grande do Sul, o manejo da matriz produtiva de grãos e forragens encontra-se majoritariamente ancorado na técnica do Plantio Direto, e não na abordagem abrangente e sistêmica que caracteriza o Sistema Plantio Direto. Essa distinção, embora aparentemente sutil em termos operacionais, revela-se decisiva sob a ótica agronômica: compreender que Plantio Direto e Sistema Plantio Direto não são equivalentes é condição essencial para fortalecer a resiliência agrícola estadual diante da imprevisibilidade pluviométrica, marcada pela alternância entre excesso, escassez e regularidade de chuvas.

Em sua operacionalização, o Plantio Direto restringe-se a dois preceitos conservacionistas: a mobilização mínima do solo, limitada à linha de semeadura, e a manutenção permanente da cobertura superficial do solo. O Sistema Plantio Direto, por sua vez, amplia substancialmente esse escopo. Além de incorporar esses dois princípios básicos do Plantio Direto, exige a diversificação sistemática de culturas, incluindo plantas de serviço dotadas de sistemas radiculares capazes de gerar, manter e estabilizar atributos estruturais do solo agronomicamente desejáveis. Essas espécies desempenham papel central na construção biogênica de uma estrutura edáfica de qualidade – notadamente formação de agregados granulares estáveis, incremento da porosidade funcional e promoção da conectividade e continuidade dos poros. Tais atributos são indispensáveis para os fluxos de água, ar, calor e nutrientes no perfil, bem como para a penetração e o pleno desenvolvimento radicular das culturas em sucessão, independentemente da textura do solo (Denardin et al., 2012; Ologunde et al., 2025). Nesse sentido, impõe-se um axioma agronômico: toda planta pode cobrir o solo, mas somente algumas são capazes de construir, manter e estabilizar uma estrutura edáfica funcional, agronomicamente desejável.

Todavia, o modelo produtivo vigente no Estado, estruturado pelas técnicas restritivas do Plantio Direto, não contempla, entre as plantas de serviço, espécies dotadas de atributos radiculares capazes de induzir melhorias na estrutura do solo. Sob esse manejo, os 8,83 milhões de hectares, atualmente, destinados à produção de grãos e forragens permanecem, durante o inverno, com 78,7% da área ocupada por uma combinação de pousio vegetado espontaneamente e cultivo de espécies utilizadas exclusivamente para cobertura do solo – estimativas derivadas de dados da Conab (2025). Embora tal prática apresente certo caráter conservacionista, não gera fitomassa radicular em quantidade, qualidade e frequência suficientes para induzir a estruturação física desejável.

Nessa perspectiva, o Plantio Direto, assim conduzido, não se mostra eficaz como substituto das práticas mecânicas convencionais de preparo – como aração e gradagem – no que se refere ao condicionamento físico indispensável ao desenvolvimento radicular das culturas. Aplicado como estratégia predominante na matriz produtiva de grãos e forragens do Rio Grande do Sul, o Plantio Direto compromete a funcionalidade física-estrutural do perfil edáfico, ampliando a vulnerabilidade das lavouras à recorrente oscilação entre excesso e escassez de chuvas.

A adoção generalizada do Plantio Direto acumula ainda aspectos adicionais impeditivos à maximização da produtividade e da rentabilidade, comprometendo igualmente a resiliência da matriz produtiva de grãos e forragens no Rio Grande do Sul.

A adubação corretiva das deficiências de fósforo, potássio e da acidez do solo – prática destinada a mitigar limitações edáficas de natureza química, de origem geológica – não se consolidou como tecnologia efetivamente integrada ao Plantio Direto. A incorporação adequada dos corretivos, ao menos na camada de 0 a 20 cm do perfil, foi abandonada e permanece negligenciada, apesar de ser reiteradamente recomendada como necessária e indispensável pelo Núcleo Regional Sul da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, conforme registrado no Manual de Calagem e Adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (SBCS, 2016).

A aplicação de calcário por centrifugação, embora reconhecida pela distribuição heterogênea do corretivo na superfície do solo e pela consequente indução de variabilidade horizontal nos indicadores químicos da fertilidade, continua sendo amplamente utilizada em detrimento do método gravitacional. Esse fator impede a maximização da produtividade e da rentabilidade da lavoura, com ênfase em anos com escassez de chuvas.

O somatório dessas inadequações frente às diretrizes estabelecidas em SBCS (2016) e por Kochhann e Denardin (2000), Denardin et al. (2012) entre outras publicações, ao desencadear tal sequência concatenada de processos, contribui de forma inequívoca para a intensificação dos riscos intempestivos impostos pela imprevisibilidade pluviométrica característica do Rio Grande do Sul.

Nesse contexto, a análise de 336 amostras de solo, coletadas nas camadas de 0 a 10 cm e 10 a 20 cm de profundidade em lavouras manejadas sob Plantio Direto, nos anos de 2021 a 2024, abrangendo as Regiões Fisiográficas das Missões, do Planalto Médio e dos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, e do Planalto Serrano, em Santa Catarina, evidenciou que 79% dos solos apresentavam desequilíbrio nos indicadores químicos da fertilidade – pH, fósforo, potássio, bem como demais variáveis dependentes do pH. Esse resultado foi caracterizado pela ocorrência de deficiência dos indicadores químicos da fertilidade concomitante nas duas camadas ou pela suficiência restrita à camada superficial de 0 a 10 cm.

Em adição a esses aspectos incongruentes às recomendações da SBCS (2016) e às orientações técnicas publicadas por CNPT-Embrapa, Fundacep-Fecotrigo e Fundação ABC (1993), bem como por Kochhann e Denardin (2000), Denardin et al. (2012) e outros autores, observa-se que, em larga escala, o Plantio Direto não preconiza a adoção de práticas conservacionistas complementares como a semeadura em contorno e o terraço agrícola para o manejo da água pluvial incidente sobre a superfície do solo.

A omissão dessas tecnologias configura causa primária do escoamento superficial e da erosão hídrica, resultando em perdas substanciais de água, solo, matéria orgânica, corretivos, fertilizantes e nutrientes, além da remoção de frações expressivas da camada superficial, frequentemente evidenciada em sulcos que marcam a paisagem. Tais processos acarretam prejuízos diretos aos sistemas de produção e danos aos ecossistemas circundantes, cujas consequências, na prática, revelam-se incalculáveis.

O descaso a esse complexo de práticas conservacionistas tem imposto severas limitações técnicas à maximização da produtividade e da rentabilidade agrícola, mesmo em anos com regime hídrico regular. Além disso, tem ampliado as perdas por déficit hídrico em períodos de escassez de chuvas e agravado a perda de insumos em anos de chuva excessiva, em razão da intensificação do escoamento superficial. Do ponto de vista econômico, tem contribuído para o aumento dos custos de produção, a estagnação da produtividade e a redução da rentabilidade dos sistemas agrícolas. Em adição, tem comprometido a estabilidade financeira do produtor, fragilizado o abastecimento de matéria-prima para as diversas cadeias agroalimentares sustentadas pela agricultura e, sobretudo, colocado em risco a disponibilidade financeira para os investimentos indispensáveis à contínua modernização do setor.

Em síntese, o manejo praticado sob a égide do Plantio Direto – dissociado da abordagem sistêmica que fundamenta o Sistema Plantio Direto – tem conduzido a matriz produtiva de grãos e forragens no Rio Grande do Sul a uma rota de colisão com a capacidade de suporte do solo enquanto recurso natural. Todavia, o comportamento humano da culpabilização – ou projeção de culpa – manifesta-se com frequência como mecanismo de defesa destinado à preservação da autoimagem, mediante a transferência de responsabilidade por falhas operacionais ou estratégicas a agentes externos, evitando-se, assim, o enfrentamento das causas reais.

No contexto da matriz produtiva estadual, essa projeção de culpa é recorrentemente dirigida à irregularidade pluviométrica – seja pelo excesso, seja pela escassez de chuvas –, funcionando como racionalização inconsciente da impotência percebida ou da ineficiência metodológica e/ou operacional diante da complexidade edafoclimática regional.

Esse processo é ainda reforçado pela substituição progressiva da linguagem técnico-científica, fundamentada em evidências, por formas discursivas de natureza ideológica, persuasiva ou mesmo obscurantista, utilizadas na interpretação da funcionalidade dos recursos naturais e frequentemente permeadas por pressões comerciais associadas à oferta de tecnologias agrícolas promovidas como soluções milagrosas – mais consultoria vinculada ao insumo comercializado, menos assistência técnica orientada ao manejo integral do sistema de produção.

À luz desse quadro, torna-se imprescindível resgatar a centralidade da ciência agronômica e da gestão integrada do sistema de produção como condição para reverter a degradação progressiva dos recursos edáficos, reequilibrar a relação entre a matriz produtiva e a capacidade de suporte do solo, restabelecer a racionalidade técnico-operacional, há mais de 30 anos preconizada pelo Sistema Plantio Direto, e, assim, fortalecer a resiliência da agricultura do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, é pertinente considerar, na gestão dos riscos impostos pela irregularidade pluviométrica, resultados de pesquisa consolidados a partir de meados da década de 1980, referentes à diferenciação entre Plantio Direto e Sistema Plantio Direto e à descrição cronológica, passo a passo, das técnicas indispensáveis para a implementação do Sistema Plantio Direto. Destacam-se, nesse âmbito, as publicações CNPT-Embrapa, Fundacep-Fecotrigo e Fundação ABC (1993), Kochhann e Denardin (2000), Denardin et al. (2012), Denardin et al. (2025), entre outras.

O resgate proposto implica, fundamentalmente, na gestão do processo de transição do Plantio Direto para o Sistema Plantio Direto. Esse procedimento requer, de forma estruturada, o diagnóstico dos indicadores físicos e químicos da fertilidade do solo, bem como a análise crítica do modelo de produção vigente aplicado à matriz produtiva de grãos e forragens no Rio Grande do Sul. A partir desse diagnóstico, procede-se à prescrição de um plano de ação orientado para o alcance do prognóstico delineado. Esses procedimentos encontram-se descritos em inúmeras publicações, como CNPT-Embrapa, Fundacep-Fecotrigo e Fundação ABC (1993), Kochhann e Denardin (2000) e Denardin et al. (2012), com ênfase na mais recente contribuição de Denardin et al. (2025).

Denardin et al. (2025) destacam e priorizam, nessa transição do Plantio Direto para o Sistema Plantio Direto, a correção dos indicadores físicos e químicos da fertilidade do solo, mediante incorporação dos corretivos ao menos na camada de 0 a 20 cm, seguida, imediatamente, por um plano de diversificação de culturas aplicado à matriz produtiva de grãos e forragens do Estado. Esse cenário preconiza, de modo obrigatório, o cultivo sistemático e calendarizado de plantas de serviço com funcionalidade para gerar, manter e estabilizar atributos estruturais do solo agronomicamente desejáveis. Esse plano se concretiza pela implementação de um terceiro cultivo anual, intercalado entre as safras de verão e de inverno, ao menos uma vez a cada dois anos.

As culturas apropriadas para essa finalidade, considerando a classificação climática do Rio Grande do Sul – umidade e temperatura –, são as gramíneas de verão como capim-sudão, milheto, milho, sorgo, e braquiária, todas cultivadas como plantas de serviço, com densidade muito superior àquela indicada para a produção de renda direta e o menor espaçamento possível entre as linhas de semeadura. Essas espécies possuem raízes fasciculados, abundantes, espessas e lignificadas, com elevada relação C/N (carbono/nitrogênio) e, consequentemente, baixa taxa de mineralização. A reduzida taxa de mineralização é essencial e necessária para a geração, manutenção e estabilização da estrutura do solo, marcada por agregados granulares estáveis, com porosidade funcional, conectada e contínua ao longo do perfil.

Concluindo, o Sistema Plantio Direto – associado ao conceito que o fundamenta como de natureza genuinamente brasileira – está consolidado e é reconhecido internacionalmente como a mais conservacionista estratégia de manejo de solo e de culturas anuais dentre aqueles praticados nos demais países dos continentes americano, asiático e europeu, bem como da região mediterrânea do norte da África (Lahmar et al., 2007).

A adoção do Sistema Plantio Direto constitui-se, inequivocamente, na ação primordial, essencial e indispensável para a gestão de riscos intempestivos de origem pluviométrica.

Sua implementação orienta-se para a maximização da expressão do potencial genético das culturas, mediante a otimização da oferta ambiental e da qualidade biológica, física e química do solo. Adicionalmente, potencializa maior economicidade do sistema produtivo, reduz impactos sobre ecossistemas adjacentes e contribui para o bem-estar social, configurando-se como vetor de revitalização da resiliência da agricultura no Rio Grande do Sul e materializando o tripé da sustentabilidade agrícola.

Considerações finais

O produtor rural não pode ser concebido como uma entidade desprovida de racionalidade. Ao contrário, suas decisões são fundamentadas em conhecimento técnico, experiência prática e em condicionantes econômicos e ambientais. Compreender a lógica que orienta essa tomada de decisão é, portanto, elemento-chave para o aprimoramento da gestão e do manejo da propriedade, inclusive no que se refere à identificação e à mitigação dos riscos inerentes à atividade agrícola. A atualização permanente desses fundamentos é premissa da agronomia e encontra seu melhor desdobramento na assistência técnica orientada à gestão do sistema de produção, não na consultoria circunscrita ao manejo de insumos e equipamentos.

Não existem garantias de safras favoráveis nem de apoio governamental permanente. Nesse cenário de incerteza, cabe ao produtor adotar decisões estratégicas e ajustar suas operações de modo proativo, orientando-se sempre pela necessidade de mitigar riscos. Essa postura deve ser mantida mesmo em anos de pluviometria regular, funcionando como mecanismo de redução da vulnerabilidade e de prevenção de perdas em períodos adversos – afinal, insistir na prevenção pode parecer “chover no molhado”, mas é precisamente essa atitude que se revela como a única alternativa capaz de minimizar riscos diante da imprevisibilidade pluviométrica do Rio Grande do Sul.

Artigo na íntegra publicado na revista da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Porto Alegre (AEAPA), em dezembro de 2025, sob o título “Resiliência da agricultura do Rio Grande do Sul diante da imprevisibilidade do excesso e da escassez de chuvas – Gestão de Risco”.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo

Site: Embrapa

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Cuidados com a dessecação pré-colheita da soja – MAIS SOJA

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A dessecação pré-colheita da soja é uma estratégia de manejo que permite aumentar a uniformidade das plantas para a colheita, antecipá-la e controlar espécies daninhas no final do ciclo da soja. Em termos gerais, a realização adequada da dessecação pré-colheita da soja pode antecipar em até quatro dias a colheita, sem prejuízos à produção (França-Neto et al., 2016). No entanto, para que danos são sejam observados em função da realização dessa prática, alguns cuidados necessitam ser adotados.

Principais cuidados com a dessecação pré-colheita da soja

Caso seja realizada de forma inadequada, a dessecação pré-colheita da soja pode resultar em perdas de produtividade superiores a 30% (Lamego et al., 2013; Adegas et al., 2018). Para reduzir essas perdas e usufruir dos benefícios dessa prática, alguns cuidados necessitam ser adotados, como:

  • Uso de produtos registrados

Os herbicida utilizados para a dessecação pré-colheita da soja necessitam estar registrados no MAPA para tal prática na cultura da soja. Além disso, deve-se seguir as orientações do fabricante quanto a dose do herbicida e intervalo entre pulverização e colheita. Os herbicidas mais utilizados para a dessecação pré-colheita da soja o Glufosinato de Amônio e o Diquat.

Sem dúvidas um dos maiores cuidados relacionados a dessecação pré-colheita da soja é o ponto de pulverização. Para evitar as perdas de produtividade em função da época da dessecação pré-colheita, recomenda-se que a dessecação seja realizada no subperíodo R7.3, período conhecido como maturidade fisiológica, em que há acima de 75% das folhas e vagens amarelas.

Visualmente, em R7.3 os legumes de soja aparentam colocação amarela uniforme. Deve-se levar em consideração a porcentagem de legumes amarelos para definir esse estádio, que no caso, é de 75% ou mais.

Figura 1. Estádio ideal para a dessecação em pré-colheita da soja (R7.3).
Foto: Gazolla, A.

As condições ambientais para pulverização devem ser levadas em consideração ao realizar a dessecação pré-colheita da soja, especialmente ao utilizar o herbicida glufosinato de amônio. Esse herbicida é considerado fotodependente (necessita de luz para funcionar). Neste contexto, é importante a observação de alguns aspectos relacionados a sua utilização, destacando-se que as aplicações devem ser realizadas de preferência em horários durante o dia que poderão possibilitar maior exposição à luz solar após a pulverização (Braz et al., 2025).

  • Intervalo entre pulverização e colheita

Ainda que possa variar em função do herbicida utilizado e dose aplicada, de modo geral, orienta-se respeitar o intervalo de pelo menos 10 dias após a dessecação pré-colheita da soja para realizar a colheita da cultura. Dependendo do herbicida, esse intervalo pode variar de 7 a 10 dias. Respeitar esse intervalo é crucial para evitar a contaminação por resíduos de agrotóxicos na soja colhida.

Vale destacar que se deve sempre seguir as orientações presentes na bula do herbicida quando a dose, uso de adjuvantes, volume de calda e período de carência. Mesmo se tratando da dessecação pré-colheita da soja, doses abaixo do recomendado, podem resultarem má eficácia no manejo.


Veja mais: Formulação de glufosinate interfere na eficiência da dessecação pré-colheita da soja?


Referências:

ADEGAS, F. S. et al. EFEITOS DA ÉPOCA DE DESSECAÇÃO DE PRÉ-COLHEITA NA PRODUTIVIDADE DA SOJA. VIII Congresso Brasileiro de Soja, 2018. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1093898/1/Efeitosdaepocap.903905.pdf >, acesso em: 04/02/2026.

BRAZ, G. B. P. et al. CAPIM-PÉ-DE-GALINHA: FUNDAMENTOS E RECOMENDAÇÕES PARA MANEJO. FEPAF, Cap. 7, Cuidados com a tecnologia de aplicação para o êxito no controle químico de capim-pé-galinha, 2025. Disponível em: < https://www.fepaf.org.br/loja/fepaf/livro-virtual-e-book/capim-pe-de-galinha-fundamentos-e-recomendacoes-para-manejo/ >, acesso em: 04/02/2026.

FRANÇA-NETO, J. B. et al. TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA DE ALTA QUALIDADE. Embrapa, Documentos, n. 380, 2016. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/151223/1/Documentos-380-OL1.pdf >, acesso em: 04/02/2026.

LAMEGO, F. P. et al. DESSECAÇÃO PRÉ-COLHEITA E EFEITOS SOBRE A PRODUTIVIDADE E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE SOJA. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 31, n. 4, p. 929-938, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pd/v31n4/19.pdf >, acesso em: 04/02/2026.



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Sustentabilidade

Com Chicago e dólar em queda, mercado brasileiro de soja segue esvaziado – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de soja deve seguir esvaziado nesta quarta-feira, com os dois principais formadores de preços operando em queda. A Bolsa de Mercadorias de Chicago tem perdas moderadas, em meio à ampla oferta global. Já o dólar abriu com fraqueza frente ao real, voltando a se aproximar de R$ 5,20. Neste cenário, a comercialização fica em segundo plano.

Na terça-feira, o mercado brasileiro de soja teve pouco reporte de negócios ao longo do dia, com saída de alguns lotes no porto a preços melhores, registrados nas máximas das cotações. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, de maneira geral as cotações ficaram mistas, com poucas oscilações.

Segundo ele, a Bolsa de Chicago apresentou movimentos de alta, acompanhando os ganhos expressivos do óleo de soja, mas encerrou a sessão sem altas relevantes. “O dólar recuou na maior parte do tempo, e os prêmios apenas ajustaram esse cenário”, observa o analista, acrescentando que isso limitou movimentos mais amplos no mercado.

Silveira destaca ainda que o produtor mantém o foco na colheita e segue sem interesse em comercializar nos níveis atuais.

No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 122,00 para R$ 123,00, enquanto em Santa Rosa (RS) avançou de R$ 123,00 para R$ 124,00. Em Rondonópolis (MT), as cotações permaneceram em R$ 106,00, enquanto em Dourados (MS) recuaram de R$ 108,00 para R$ 107,00. Já em Rio Verde (GO), a saca caiu de R$ 109,00 para R$ 108,00.

Nos portos, Paranaguá (PR) subiu de R$ 125,00 para R$ 127,00 por saca, enquanto no terminal de Rio Grande (RS) os preços seguiram em R$ 126,00.

CHICAGO
  • A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera com baixa 0,30% na posição março/26, cotada a US$ 10,62 1/2 por bushel.
  • O mercado retomou sua recente rotina de perdas, com a ampla disponibilidade do produto novamente no foco dos investidores. A oleaginosa acumulou perdas em três das últimas quatro sessões.
CÂMBIO
  • O dólar comercial registra baixa de 0,33%, a R$ 5,2301. O Dollar Index registra alta de 0,10% a 97,539 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
  • A maioria das bolsas da Ásia encerra em alta. China, +0,85%. Japão, -0,78%.
  • As principais bolsas na Europa operam em alta. Paris, +1,61%. Frankfurt, +0,05%. Londres, +1,38%.
  • O petróleo opera em alta. Março do WTI em NY: US$ 63,39 o barril (+0,28%).

AGENDA

Quarta-feira (4/02)

  • EUA: A posição dos estoques de petróleo até sexta-feira da semana passada será publicada às 12h30 pela EIA.
Quinta-feira (5/02)
  •  A petrolífera britânica Shell publica seus resultados trimestrais.
  • Reino Unido: A decisão de política monetária será publicada às 9h pelo BOE.
  • Eurozona: A decisão de política monetária será publicada às 10h15 pelo BCE.
  • Exportações semanais de grãos dos EUA – USDA, 10h30.
  • Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura, na parte da tarde.
  • Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 15hs.
  • O Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e Serviços divulga, às 15h, os dados consolidados de janeiro, seguidos por coletiva de imprensa.
  • Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
Sexta-feira (6/02)
  • Alemanha: A produção industrial de dezembro será publicada às 4h pelo Destatis.
  • Alemanha: O saldo da balança comercial de dezembro será publicado às 4h pelo Destatis.
  • A FGV divulga, às 8h, o IGP-DI referente a janeiro.
  • EUA: O número de empregos criados ou perdidos pela economia (payroll) e a taxa de desemprego de janeiro será publicado às 10h30 pelo Departamento do Trabalho.
  • Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA, 16h.

Fonte: Agência Safras



 

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