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19 de junho de 2026

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São Paulo cria programa de melhoramento genético da raça guzerá

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Foto: Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) paulista lançou, recentemente, um programa que visa disponibilizar genética de ponta aos criadores de bovinos da raça guzerá.

Os primeiros animais serão selecionados em uma unidade da Diretoria de Assistência Técnica Integral (Cati) localizada no município de Manduri, a Fazenda do Estado Ataliba Leonel.

“O guzerá é uma raça que fala por números. Mesmo com um efetivo menor que outras raças zebuínas, apresenta desempenho destacado em provas de ganho de peso, eficiência produtiva e consistência genética ao longo das gerações”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

A iniciativa atende a uma demanda dos próprios criadores e segue a mesma linha de trabalho já desenvolvida com o Nelore Mocho, priorizando o melhoramento genético voltado tanto ao desempenho para corte quanto à manutenção das características leiteiras da raça.

O diretor da CATI, Ricardo Pereira, destaca que a escolha das raças Nelore e guzerá tem caráter estratégico para a pecuária paulista, já que ambas possuem ampla presença no estado.

Segundo ele, o objetivo é promover a melhoria do rebanho como um todo, democratizando e ampliando o acesso a touros puros de origem. “Queremos que pequenos e médios produtores tenham acesso à mesma excelência genética disponível aos grandes criadores”, ressalta.

Pereira acrescenta ainda que toda a rede da CATI está preparada para orientar os produtores interessados. As Casas da Agricultura e os técnicos regionais estão à disposição para esclarecer dúvidas, auxiliar na escolha da melhor genética e informar sobre o acesso aos materiais disponibilizados pela Secretaria, reforçando o compromisso com o fortalecimento da pecuária paulista.

O Programa Guzerá SP se encontra em fase de arrebanhamento, para ampliação do pool genético e formação de uma base sólida de matrizes e reprodutores, antes de dar início à seleção propriamente dita.

Gado guzerá
Foto: Secretaria de
Agricultura e Abastecimento

Raça guzerá

Um dos primeiros zebuínos a ter entrado no Brasil, seu nome se deve ao porto indiano de Guzerat, localizado na região oeste da Índia, de onde eram inicialmente embarcados.

Em seu país de origem é chamado de Kankrej e apresenta aptidão para leite e tração, já que, por ser um animal sagrado na cultura hindu, o consumo de sua carne é vetado. No Brasil, a raça seguiu um caminho diferente e é criada mais com finalidade de corte.

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Comissão da CNA avalia controle de pragas e proposta sobre cancro da videira

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta sexta-feira (19), em Brasília, uma reunião para discutir temas estratégicos da defesa fitossanitária da fruticultura brasileira. O encontro também serviu para alinhar as contribuições do setor produtivo à consulta pública sobre o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira. O material divulgado não informa prazo da consulta no texto fornecido.

Durante a reunião, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentaram um panorama das ações de defesa fitossanitária em andamento no país. Segundo o material, o foco esteve nas estratégias de prevenção, monitoramento e controle de pragas e doenças que afetam a produção de frutas.

Entre os temas listados estiveram o combate à mosca-da-carambola e à monilíase na região Norte, o enfrentamento ao greening dos citros, o controle do moko da bananeira e outras iniciativas conduzidas em parceria com as secretarias estaduais de defesa agropecuária. A apresentação, de acordo com a CNA, buscou atualizar as Federações de Agricultura sobre a execução dos programas nacionais e reforçar a atuação integrada entre o Sistema CNA/Senar, os estados e o Mapa.

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Outro ponto central foi a análise da proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira, submetida à consulta pública por meio da Portaria SDA nº 1.620, de 8 de maio de 2026. O representante do Mapa apresentou o histórico da regulamentação, os principais pontos da minuta e os aspectos que demandam maior atenção do setor.

A proposta estabelece estratégias diferenciadas conforme o status fitossanitário de cada unidade da Federação. Pelo texto discutido, os estados podem ser classificados como áreas com ocorrência da doença, sem ocorrência, áreas livres ou áreas sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR). Segundo a CNA, esse modelo busca direcionar as ações de monitoramento, vigilância e controle de forma mais ajustada à realidade regional.

Os integrantes da Comissão apresentaram sugestões, dúvidas e preocupações sobre a implementação da medida. As contribuições devem embasar um posicionamento consolidado do Sistema CNA/Senar a ser encaminhado ao Ministério. O texto original não detalha quais sugestões foram apresentadas nem informa estimativa de custo ou prazo de implementação.

Para a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Mari Anna, o fortalecimento da defesa fitossanitária depende do engajamento dos produtores na prevenção e na contenção de pragas e doenças. O material divulgado indica que o posicionamento do setor será encaminhado ao Mapa, mas não informa a data desse envio nem os desdobramentos previstos após a consulta pública.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Conhecido por dar origem à tequila, agave vira aposta para produção de bioenergia no Brasil

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Foto: Reprodução/Planeta Campo

Conhecido mundialmente por ser a matéria-prima da tequila no México, o agave ganha espaço no Brasil como aposta para produção de bioenergia em regiões de clima seco.

Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a planta, adaptada a altas temperaturas e baixa disponibilidade de água, pode abrir caminho para uma nova fronteira agrícola e industrial no semiárido.

O estudo integra o programa Brave (Brazilian Agave Development), desenvolvido em parceria entre a universidade e o Senai Cimatec, e busca estruturar toda a cadeia produtiva do agave voltada à geração de biocombustíveis.

Segundo o professor titular do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Gonçalo Pereira, o desafio global da energia passa pela capacidade de transformar luz solar em energia química, processo realizado naturalmente pelas plantas por meio da fotossíntese. Nesse cenário, culturas tradicionalmente utilizadas para energia, como cana-de-açúcar, milho e sorgo, enfrentam limitações em ambientes de altas temperaturas e restrição hídrica.

“É um tipo de planta que é muito conhecido no México porque ela dá origem a tequila. Você pode não conhecer o agave, mas a tequila é difícil você não conhecer. A tequila é uma espécie de cachaça. A cachaça do México, assim como a cachaça, uma bebida brasileira que vem da cana, no México eles tinham a tequila que vem do agave”, afirmou Pereira.

É justamente nesse ponto que o agave chama atenção. Adaptada às regiões semiáridas, a planta apresenta elevada eficiência no aproveitamento da radiação solar e consegue manter produtividade mesmo sob condições extremas.

Produção

Embora seja associado à produção de tequila, o agave possui características semelhantes às da cana em termos de rendimento por hectare. A diferença está na resistência climática e no tipo de açúcar armazenado.

Enquanto a cana acumula sacarose, o agave produz cadeias de frutose, compostos que ajudam na retenção de água e podem ser convertidos em biocombustíveis.

A proposta ganha relevância no contexto brasileiro, afinal, o sertão concentra o semiárido mais populoso do mundo, com cerca de 24 milhões de habitantes. Além disso, o Brasil já ocupa posição de destaque na produção de agave para fibras, especialmente com o cultivo do agave sisalana.

A implantação de biorrefinarias pode estimular a industrialização regional, gerando empregos, demanda por formação técnica e fortalecimento econômico local, processo semelhante ao observado em regiões impulsionadas pelo setor sucroenergético.

Próximos passos

Atualmente, o projeto já avançou na seleção das variedades mais promissoras e na definição dos processos de produção. A próxima etapa depende do tempo de desenvolvimento das plantas em escala de campo.

Mesmo antes da conclusão das pesquisas, uma empresa já decidiu investir no cultivo em larga escala, com previsão de implantação de uma área de 120 mil hectares destinada à produção de agave.

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Entidades contestam prazos de acordo sobre biomassa e alertam para impactos na indústria de MT

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cavaco biomassa Foto Viviane Petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

A transição da indústria mato-grossense para o uso de biomassa proveniente de florestas plantadas e manejo florestal sustentável tem gerado preocupação entre representantes do setor produtivo. A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) questionam os prazos estabelecidos no acordo firmado entre o Governo do Estado e o Ministério Público Estadual (MPE), que prevê a eliminação gradual da biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada.

O termo criou o Plano de Desenvolvimento Florestal de Mato Grosso e estabelece metas para ampliar as áreas de florestas plantadas e reduzir a dependência da madeira proveniente de áreas de desmatamento autorizado como fonte energética para a indústria.

Pelo cronograma definido, a substituição ocorrerá de forma progressiva até 2034, quando os grandes consumidores deverão utilizar apenas biomassa oriunda de florestas plantadas, manejo florestal sustentável e outras fontes renováveis.

Enquanto Governo e Ministério Público defendem a medida como uma estratégia para fortalecer a sustentabilidade e garantir o abastecimento futuro da indústria, entidades ligadas ao agronegócio e ao setor florestal afirmam que a transição proposta não acompanha a disponibilidade atual de matéria-prima no Estado.

Setor pede revisão dos prazos

A Abramilho afirma que reconhece a importância da expansão das florestas plantadas e da construção de uma matriz energética cada vez mais renovável. A entidade, porém, avalia que os prazos previstos no acordo desconsideram aspectos técnicos e produtivos da realidade mato-grossense.

Em nota, a associação destaca que “a transição para fontes dedicadas de biomassa é um objetivo legítimo e desejável. No entanto, a forma e os prazos estabelecidos precisam considerar a realidade técnica, econômica e produtiva do estado”.

Entre os pontos de preocupação está a exigência de que novos empreendimentos industriais passem a depender exclusivamente de fontes alternativas de biomassa. Na avaliação da entidade, a medida pode restringir investimentos, dificultar a expansão da agroindústria e comprometer projetos geradores de emprego e renda.

A associação também argumenta que a ampliação da oferta de madeira proveniente de florestas plantadas não ocorrerá no ritmo necessário para atender às metas estabelecidas. Segundo a entidade, um plantio de eucalipto realizado atualmente leva cerca de seis anos para atingir idade adequada para colheita.

Outro ponto questionado pelas entidades é o destino da biomassa gerada a partir da supressão vegetal autorizada.

A Abramilho sustenta que a madeira resultante de processos legalmente licenciados passa por fiscalização, compensações ambientais e monitoramento do poder público. Para a entidade, impedir seu uso energético significa abrir mão do aproveitamento de um recurso renovável que poderia contribuir para a geração de energia e para a competitividade industrial.

O Cipem segue a mesma linha e afirma que a medida gera insegurança jurídica ao restringir o uso de uma matéria-prima cuja exploração foi autorizada pelo próprio Estado.

“Ao proibir o aproveitamento, o Estado impede que uma atividade legal e legítima seja desenvolvida, provocando insegurança jurídica e instabilidade socioeconômica”, afirma a entidade.

O centro industrial também argumenta que o cavaco produzido a partir desses resíduos substitui combustíveis fósseis em diversos processos industriais e contribui para a redução das emissões de carbono.

Oferta insuficiente preocupa setor

Na avaliação do Cipem, a principal dificuldade está na capacidade atual de abastecimento por florestas plantadas.

De acordo com a entidade, Mato Grosso possui aproximadamente 120 mil hectares de florestas plantadas, enquanto apenas as usinas de etanol de milho já instaladas demandariam cerca de 380 mil hectares para suprimento energético.

O setor também ressalta que o ciclo do eucalipto pode chegar a sete anos entre plantio e colheita. Diante desse cenário, questiona a retirada gradual da biomassa proveniente de supressão legal.

“As caldeiras não podem esperar. A oferta de cavaco de floresta plantada é insuficiente para a demanda industrial do estado. Então, por que proibir a única fonte complementar legal e ambientalmente correta disponível?”.

Como alternativa, a Abramilho propõe que empreendimentos novos, em operação ou em expansão possam utilizar biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada pelos próximos seis anos, prazo considerado necessário para a ampliação efetiva da base florestal do Estado.

Governo defende segurança para o abastecimento futuro

Ao anunciar o acordo, o Governo de Mato Grosso destacou que a medida busca estimular o reflorestamento, ampliar a oferta de matéria-prima renovável e dar maior previsibilidade ao crescimento industrial.

O plano estabelece metas para expandir as florestas plantadas para mais de 700 mil hectares até 2040 e ampliar as áreas de manejo florestal sustentável para pelo menos 6,5 milhões de hectares.

Conforme o governador Otaviano Pivetta, a proposta cria um período de adaptação para o setor e representa uma oportunidade de desenvolvimento econômico sustentável.

A secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que o objetivo é promover uma transição gradual para reduzir a dependência da biomassa oriunda de supressão autorizada e fortalecer alternativas renováveis de fornecimento.

Já a procuradora de Justiça Ana Luiza Peterlini avaliou que a iniciativa incentiva a ampliação da produção florestal no Estado e contribui para tornar mais sustentável o abastecimento dos grandes empreendimentos industriais.


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