Sustentabilidade
Época de semeadura da soja no Sul do Brasil – MAIS SOJA

A época de semeadura é um dos principais fatores determinantes do potencial de produtividade de uma lavoura, pois define as condições ambientais que a cultura enfrentará em cada fase do seu desenvolvimento. Assim, a escolha da data de semeadura deve considerar quatro pilares agronômicos essenciais: a ecofisiologia da planta (crescimento e desenvolvimento), o risco climático, o sistema de produção predominante na região e as legislações vigentes.
Com o objetivo de determinar a janela ideal de semeadura em lavouras irrigadas e de sequeiro para a macrorregião Sojícola 1, que abrange as regiões edafoclimáticas (REC´s) 101, 102, 103 e 104 (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e metade do Paraná), a equipe FieldCrops conduziu um estudo baseado na análise de dados de 824 lavouras no Rio Grande do Sul (RS). O trabalho identificou diferentes janelas de semeadura e a intensidade das perdas associadas ao atraso na implantação da lavoura em função do grupo de maturidade relativa (GMR).
Os resultados mostraram que cultivares com GMR ≤ 5.5 apresentaram uma faixa ideal de semeadura mais restrita, entre 20 de setembro e 3 de novembro. Após essa data, observou-se uma redução de 30 kg ha⁻¹ por dia de atraso (Figura 1A). Para cultivares com GMR entre 5.6 e 6.4, a janela de semeadura que assegurou as maiores produtividades se estendeu até 15 de novembro, com perdas de 25 kg ha⁻¹ dia⁻¹ em semeaduras posteriores (Figura 1B). Já para cultivares com GMR ≥ 6.5, as produtividades máximas se mantiveram até 20 de novembro, sendo observada perda de 25 kg ha⁻¹ dia⁻¹ e semeaduras após essa data (Figura 1C).
Figura 1. Produtividade (t ha-1) de soja no Sul do Brasil em relação à época de semeadura (dias após 20 de setembro) para diferentes faixas de GMR. GMR ≤ 5.5 (A), GMR 5.6 a 6.4 (B) e GMR ≥ 6.5 (C). Círculos azuis representam experimentos irrigados e círculos amarelos experimentos sem irrigação. A linha sólida preta representa a função limite.
Referências bibliográficas.
WINCK, J. E. M. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 3, 2025

Sustentabilidade
O milho no Brasil: produção, usos e relevância cultural – MAIS SOJA

Omilho é um dos grãos mais estratégicos para a segurança alimentar global, destacando-se por
sua adaptabilidade ao cultivo em diferentes escalas — desde pequenas áreas familiares até grandes lavouras tecnificadas. No Brasil, mais de 1 milhão de produtores estão envolvidos com essa cultura, distribuídos por praticamente todos os municípios do país. A produção varia de sistemas de subsistência, com baixo uso de insumos, até operações de alta tecnologia voltadas à exportação.
Exportação
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, com uma produção estimada em 128
milhões de toneladas em 2025, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Um exemplo que evidencia essa relevância é o estado de Mato Grosso, que deverá colher cerca de 50 milhões de toneladas, volume equivalente a toda a produção da Argentina. No cenário internacional, o Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores exportadores do grão, com cerca de 34 milhões de toneladas embarcadas.
Ao contrário da soja, cuja exportação se concentra fortemente na China, o milho brasileiro possui um perfil de e exportação diversificado. Entre os principais destinos estão Egito (África), Irã (Oriente Médio), Japão (Ásia) e Espanha (Europa), o que demonstra sua competitividade e versatilidade no mercado global.
Internamente, o milho apresenta uma ampla gama de usos, abrangendo consumo humano, alimentação animal e aplicações industriais. Aproximadamente 60% do milho consumido no Brasil é destinado à produção de ração animal, com destaque para o setor avícola, que utiliza cerca de 32% desse volume, e o setor de suínos, responsável por 15%. Um segmento em crescimento constante é o de alimentação pet, que já responde por cerca de 1,7% do consumo interno. O dado é relevante, considerando que o Brasil possui a segunda maior população de animais de estimação do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Etanol de milho
Outro setor que vem se destacando é o da produção de etanol a partir do milho. Em 2013, a
produção nacional era de apenas 30 mil metros cúbicos. Dez anos depois, esse volume ultrapassou 8 milhões de metros cúbicos, e a expectativa é de que dobre até 2030. Atualmente, existem 25 usinas de etanol de milho em operação no Brasil, distribuídas nos estados de Mato Grosso (11), Goiás (7), Mato Grosso do Sul (3), Alagoas (1), Maranhão (1), Paraná (1) e São Paulo (1). Um aspecto importante dessa cadeia é a produção de subprodutos, como o DDG (Distillers Dried Grains), um farelo proteico utilizado na alimentação animal.
DDG
Atualmente, o Brasil produz cerca de 5 milhões de toneladas de DDG, das quais aproximadamente 3 milhões são originadas no Mato Grosso. Embora a maior parte seja consumida internamente, a assinatura de um acordo em maio de 2025 permitiu a exportação de DDG para a China, abrindo novas oportunidades de mercado e reforçando a sustentabilidade econômica do setor de biocombustíveis.
A indústria também se beneficia da versatilidade do milho. Estima-se que mais de 500 produtos industriais utilizem o grão como matéria-prima. Entre os exemplos estão o ácido lático, o ácido cítrico e o sorbitol, amplamente utilizados nas indústrias farmacêutica e cosmética. O amido de milho é empregado na fabricação de papel, tecidos e alimentos, enquanto o ácido polilático (PLA), extraído do milho, é usado na produção de plásticos biodegradáveis. Além disso, compostos derivados do milho integram a formulação de pneus, contribuindo para aumentar o atrito com o solo.
Consumo
Apesar dessa diversidade de aplicações, o consumo direto de milho pela população brasileira ainda é relativamente baixo, representando apenas 3% do consumo interno total. O consumo per capita no Brasil é de cerca de 12 kg por habitante ao ano, enquanto na China o índice chega a 30 kg, nos Estados Unidos a 28 kg, na União Europeia a 42 kg, e no México a 63 kg por habitante ao ano.
Isso indica um amplo espaço para crescimento no consumo humano direto do cereal, especialmente considerando seus benefícios nutricionais. O milho é fonte de fibras, ajuda na regulação do intestino, contribui para o controle da glicemia e do colesterol, é energético e fortalece o sistema imunológico.
Valor cultural do grão
Além dos aspectos produtivos e industriais, o milho tem profundo valor cultural para a sociedade
brasileira. Cultivado nas Américas muito antes da chegada dos europeus, seu ancestral, o teosinto, foi domesticado há cerca de 9 mil anos no atual território do México. A planta espalhou-se pela América Central, chegou ao norte da América do Sul há cerca de 6 mil anos, e foi levada à Europa, África e Ásia após o início da colonização.
No Brasil, o milho tem papel central nas festas juninas, sendo a base de pratos típicos como pamonha, canjica, curau, bolo, pipoca, milho cozido e cuscuz, além de estar associado a danças, trajes e músicas tradicionais. A
festa, além de celebrar a colheita, reforça laços comunitários e preserva tradições que atravessam gerações.
O milho também está fortemente ligado à herança africana no Brasil. Durante o período colonial, era base da alimentação nas senzalas. A sabedoria culinária africana transformou o milho em alimento nutritivo e símbolo de resistência, por meio de pratos como mingaus, pamonhas, bolos e cuscuz, muitos dos quais permanecem vivos na culinária popular brasileira. Essa herança reforça o valor simbólico e histórico do milho como alimento de identidade nacional.
Agricultura familiar
Por fim, destaca-se o papel da agricultura familiar na produção de milho. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), aproximadamente 70% dos produtores de milho no Brasil pertencem à agricultura familiar, cultivando uma área total de cerca de 3,2 milhões de hectares.
A produção nesses estabelecimentos é geralmente voltada ao autoconsumo, à alimentação animal e à comercialização local, especialmente na forma de milho verde. O milho, nesses contextos, é elemento essencial para a segurança alimentar e para a manutenção do sistema produtivo rural, sustentando criações de galinhas, suínos e bovinos, além de gerar renda nas pequenas feiras regionais.
Outra diferença observada entre as produções de larga escala e da agricultura familiar é a adoção da biotecnologia. Ainda que não haja nenhuma restrição para sua utilização na agricultura familiar, ainda há uma prevalência no uso de sementes crioulas. As tecnologias modernas aplicadas à genética do milho, como os eventos transgênicos, contribuem significativamente para o aumento da produtividade, a redução do uso de defensivos químicos e a maior resistência a pragas, doenças e estresses climáticos, como seca e calor.
Isso se traduz em maior eficiência no uso de recursos naturais e maior estabilidade na produção, especialmente em áreas de grande escala. Diante desse panorama, o milho se consolida como um produto estratégico não apenas pelo seu peso econômico, mas também por seu valor cultural, nutricional, social e ambiental, com papel
decisivo no fortalecimento da agricultura familiar e na construção da soberania alimentar no Brasil.
Artigo escrito pelo Diretor Técnico, Daniel Rosa.
Sustentabilidade
StoneX revisa para cima produção brasileira de grãos 25/26

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima suas estimativas para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja. Segundo relatório divulgado nesta semana, a consultoria agora projeta a colheita da oleaginosa em 181,6 milhões de toneladas, avanço de 4 milhões de toneladas em relação à estimativa anterior.
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O crescimento da produção decorre de ajustes tanto na área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare. De acordo com a StoneX, o cenário segue favorável, mesmo com algumas regiões apresentando maior variabilidade ao longo do ciclo.
“Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, destaca a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.
Milho também tem revisão positiva
Para o milho de primeira safra, a consultoria também elevou suas projeções. A produção do ciclo 2025/26 pode alcançar 26,6 milhões de toneladas, alta de 2,3% frente à estimativa anterior e pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do volume registrado na safra 2024/25.
A revisão foi motivada, principalmente, por ajustes positivos de produtividade em estados do Nordeste e no Paraná. No Sul do país, a expectativa é de rendimento médio elevado, podendo atingir 11,5 toneladas por hectare na safra paranaense. Já no milho verão, os estados do Norte e Nordeste seguem com ciclo mais tardio, mantendo o clima como ponto de atenção.
No caso do milho segunda safra, a revisão foi mais moderada. A produção estimada passou de 105,8 milhões para 106,3 milhões de toneladas. Houve aumento de área no Tocantins e no Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução, reflexo da cautela dos produtores em relação ao período ideal de plantio.
Oferta, demanda e estoques
No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalteradas as estimativas de consumo de soja para o ciclo 2025/26. Ainda assim, com o avanço da colheita, a expectativa é de que as compras chinesas da oleaginosa brasileira ganhem relevância nos próximos meses.
“O maior importador mundial cumpriu os termos iniciais do acordo com os Estados Unidos, mesmo com a soja norte-americana menos competitiva. A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explica Ana Luiza.
Com isso, o aumento da produção de soja deve resultar em estoques finais mais elevados, já que não houve crescimento correspondente da demanda.
Em relação ao milho, as projeções de consumo também permaneceram inalteradas, mas o impacto do aumento da produção foi compensado pela redução dos estoques iniciais, reflexo do forte ritmo de exportações no ciclo anterior.
“Com o encerramento do ano-safra 2024/25 no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem somar cerca de 42 milhões de toneladas, com dados oficiais previstos para divulgação no início de fevereiro”, conclui a especialista.
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Sustentabilidade
Casos de ferrugem-asiática em lavouras comerciais chegam a 260 na safra 2025/2026 – MAIS SOJA

Os casos de ocorrência da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) em lavouras comerciais de soja na safra 2025/2026 já somam 260. A maioria dos casos foram relatados em soja em estádio reprodutivo do desenvolvimento, principalmente no período do enchimento de grãos (R5).
Figura 1. Ocorrência de ferrugem-asiática em soja por estádio de desenvolvimento. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 2 de fevereiro de 2026.
O mapa de dispersão dos casos de ferrugem-asiática (Figura 2) evidencia a predominância de ocorrências na Região Sul do Brasil, com destaque para o estado do Paraná. Na sequência, o Mato Grosso do Sul registra 63 casos e o Rio Grande do Sul, 52 casos, este último apresentando tendência de aumento no número de ocorrências da doença, conforme ilustrado na Figura 3.
Figura 2. Mapa de dispersão dos casos de ocorrência da ferrugem-asiática em lavouras de soja na safra 2025/2026. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 2 de fevereiro de 2026.

Figura 3. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2025/2026 com base no Estado de ocorrência. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 2 de fevereiro de 2026.

O avanço dos casos de ferrugem-asiática, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a maioria das lavouras de soja ainda se encontra nos estádios de desenvolvimento vegetativo, florescimento e enchimento de grãos, reforça a necessidade de intensificar o monitoramento e os tratos fitossanitários, sobretudo em áreas próximas aos focos de ocorrência da doença.
Embora a intensidade dos danos varie em função da suscetibilidade da cultivar, da severidade da doença e do estádio fenológico em que a soja é acometida, em situações mais severas podem ser observadas perdas de produtividade de até 90% (Godoy et al., 2024).
Vale destacar que dada a importância econômica da ferrugem-asiática e a agressividade da doença, todas as medidas de controle da ferrugem, incluindo a aplicação de fungicidas, devem ser adotadas de forma preventiva e/ou o mais cedo possível no ciclo da doença. Além disso, visando o manejo da resistência do fungo a fungicidas, deve-se preconizar a rotação de modos de ação e princípios ativos de fungicidas, bem como inserir fungicidas multissítios no programa de manejo.
Acompanhe as atualizações do Consórcio Antiferrugem clicando aqui!
Referências:
CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 02/02/2026.
GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 02/02/2026.

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