Sustentabilidade
Quando controlar o tamanduá-da-soja? – MAIS SOJA

Embora considerada uma praga esporádica, o tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja (Sternechus subsignatus) apresenta elevada capacidade em causar danos à cultura. A praga ataca a haste e pecíolo da planta, provocando a interrupção ou redução da circulação de seiva através da haste principal, comprometendo a produtividade da planta, e em casos mais severos, pode até levar a morte da planta (Ávila et al., 2021).
Figura 1. Danos causados por tamanduá-da-soja A) Redução da população de soja; B) Quebra pela ação do vento e chuva; C) Tecidos cortados por ocasião do anelamento; D) Formação de galha.
Dependendo da densidade populacional da praga, perdas de produtividade de até 14 sc/ha podem ser observadas caso as devidas medidas de controle não sejam adotadas (Roggia et al., 2020). Considerando o impacto negativo que esse inseto pode causar na produtividade da lavoura, adotar estratégias de controle é fundamental para reduzir as perdas de produtividade em função da ocorrência do tamanduá-da-soja.
O período sensível da cultura ao ataque do tamanduá-da-soja vai até o estádio V6, após esse período, a haste da planta fica mais rígida e mais tolerante à praga, sem danos expressivos á produtividade. O manejo da praga começa pela amostragem no período anterior a semeadura da lavoura (Roggia et al., 2020).
Controle
Por interromper o ciclo da praga, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras tais como milho, milheto, sorgo e girassol constitui uma das principais estratégias de manejo do tamanduá-da-soja, reduzindo significativamente as infestações da praga. Embora o tratamento de sementes com inseticidas químicos contribua para a proteção durante a fase inicial do desenvolvimento da soja, caso seja constatada a presença da praga, especialmente em áreas que não recebam a rotação de culturas, medidas de controle devem ser adotadas para reduzir o impacto do tamanduá-da-soja na produtividade da lavoura.
O nível de ação para o controle da praga é de um adulto por metro de fileira, em plantas com até duas folhas trifolioladas (V3), e dois adultos por metro linear, em plantas de três a cinco folhas trifolioladas (V4-V6). Pulverizações realizadas entre 22h e 2h tendem a ser mais eficientes, pois nesse horário os adultos se concentram na parte superior das plantas (Roggia et al., 2020).
Tabela 1. Nível de ação para o tamanduá-da-soja.

Vale destacar que áreas com histórico de ocorrência da praga e/ou que não aderem a rotação de culturas devem receber atenção especial no monitoramento do tamanduá-da-soja, especialmente durante as fases iniciais do desenvolvimento da cultura. Atualmente 75 produtos apresentam registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária para o controle de Sternechus subsignatus na cultura da soja, contemplando os grupos químicos pirazol, organofosforados, neonicotinóide, peretróide, antranilamina e isoxazoline (Agrofit, 2025).
Veja mais: Distribuição da mosca-branca em soja

Referências:
AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministérios da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 21/08/2025.
ÁVILA, C. J. et al. PRAGAS DA SOJA NO CERRADO. Revista Plantio Direto & Tecnologia Agrícola, 2021. Disponível em: < https://www.plantiodireto.com.br/artigos/1526 >, acesso em: 21/08/2025.
HOFFMANN-CAMPO, C. B. TAMANDUÁ-DA-SOJA: ASPECTOS BIOLÓGICOS, DANOS E COMPORTAMENTO. Embrapa Soja, Londrina – PR, 1989. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/33678/1/tamandua.pdf >, acesso em: 21/08/2025.
ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa Soja, Sistema de produção, n. 17, Tecnologias de Produção de soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 21/08/2025.

Sustentabilidade
Proteína da soja começa a ganhar valor no mercado brasileiro – MAIS SOJA

A soja começa a ser olhada não apenas pelo volume produzido, mas também pelos atributos que carrega dentro do grão. Proteína, óleo e aminoácidos ganham importância em segmentos da cadeia produtiva, ampliando o interesse por características ligadas ao valor nutricional e industrial da matéria-prima — movimento que começa a despertar atenção também no Brasil.
Pesquisas conduzidas por José Marcos Gontijo Mandarino, pesquisador da Embrapa Soja, mostram que atributos como proteína e óleo têm influência direta sobre o valor industrial do grão, especialmente no rendimento do farelo utilizado na nutrição animal. A Embrapa Suínos e Aves também trata o tema com importância, pois o farelo de soja é uma das principais fontes proteicas para aves e suínos, podendo representar entre 65% e 70% da proteína das formulações nutricionais, dependendo do sistema produtivo.
Em mercados como Estados Unidos e Canadá, produtores já recebem bonificações por soja com características específicas, incluindo maior teor de proteína, variando entre 5% e 15%, a depender do contrato. No Brasil, embora essa remuneração ainda não seja uma prática consolidada, especialistas apontam que a qualidade intrínseca do grão tende a ganhar relevância econômica — movimento semelhante ao que ocorreu na cadeia do leite, onde atributos ligados à qualidade passaram a influenciar a remuneração do produtor.
“Durante muito tempo, a armazenagem foi vista quase exclusivamente como proteção de volume. Mas começa a crescer uma discussão sobre qualidade do grão entregue à indústria. Se atributos como proteína e aminoácidos passam a ter mais valor, armazenar bem deixa de ser detalhe operacional e passa a fazer parte da estratégia econômica do produtor”, afirma Elton Stadler, CEO da Provent Brasil, empresa fabricante do Sistema de Exaustão Cycloar.
Mas há um detalhe pouco percebido nessa mudança: não basta colher um bom grão. É preciso preservar sua qualidade depois da colheita. Em um Estudo da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apontou que, após seis meses de armazenagem, silos sem controle adequado do ambiente, apresentaram aumento de 58,4% nos grãos ardidos, 14,5% nos fermentados, além de redução no teor de proteína e maior perda de massa dos grãos. É nesse contexto que sistemas de exaustão contínua, como o Cycloar, vem ganhando espaço nas unidades armazenadoras, há mais de 30 anos. A tecnologia atua na redução do calor acumulado, da condensação e do excesso de umidade dentro dos silos, ajudando a preservar características importantes do grão ao longo do armazenamento.
“O produtor pode ter um ativo valioso nas mãos e não perceber. Se o mercado começa a olhar mais proteína e qualidade intrínseca, preservar isso dentro do silo passa a ter impacto direto no bolso do produtor”, conclui Stadler.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Cotações seguem pressionadas por ampla oferta – MAIS SOJA

Os preços do arroz em casca voltaram a recuar no Rio Grande do Sul, interrompendo a reação observada no início do mês. De acordo com o Cepea, a pressão esteve atrelada à ampla disponibilidade do cereal e às dificuldades na comercialização do arroz beneficiado, fatores que reduziram o suporte da demanda externa e dos mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Conab.
Segundo o Centro de Pesquisas, embora a demanda internacional tenha permanecido ativa, oferecendo alternativas de comercialização a parte dos produtores, seu impacto sobre os preços foi limitado. Ao mesmo tempo, as dificuldades na venda do arroz beneficiado continuaram a restringir a atuação compradora das indústrias, reforçando a pressão sobre o cereal em casca.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Preço interno segue mais vantajoso que paridade de exportação – MAIS SOJA

Pelo sexto mês consecutivo, os preços do algodão em pluma continuam em baixa no mercado doméstico, mas ainda apresentam vantagem quando comparados à paridade de exportação.
Neste contexto, segundo o Cepea, enquanto alguns vendedores se mostram capitalizados e focados no cumprimento dos contratos a termo, mantendo-se firmes em suas posições, outros aproveitam para liquidar o saldo remanescente da temporada 2024/25. Com a redução dos preços internacionais, parte dos agentes também adota uma postura mais flexível, em busca de novas negociações.
Pesquisadores do Cepea destacam que lotes da safra 2025/26 já começam a chegar ao mercado spot, com destaque para origens de São Paulo e da Bahia.
Do lado da demanda, de acordo com o Cepea, indústrias ainda buscam adquirir a matéria-prima a valores inferiores, fundamentados no baixo desempenho de suas vendas. Comerciantes, por sua vez, realizam fechamentos pontuais diante de uma postura cautelosa, buscando negócios “casados”.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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