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como filtrar informações e manter o foco

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Vivemos um tempo de excesso. Excesso de notícias, de opiniões, de análises e de previsões. Para o produtor rural, acostumado a lidar com riscos climáticos, oscilações de preços e incertezas de mercado, essa enxurrada de informações pode ser mais prejudicial do que útil.

A grande questão é: como se proteger do ruído, manter a mente clara e continuar tomando decisões racionais em meio ao turbilhão?

Filtrar para não se afogar

O excesso de informação funciona como uma tempestade: barulho por todos os lados, mas pouca luz. O produtor precisa aprender a filtrar. Isso significa escolher poucas fontes consistentes e confiáveis, que historicamente se mostraram úteis. Instituições de pesquisa, associações de classe, boletins técnicos sérios: esse deve ser o filtro.

Antes de absorver uma notícia, é necessário fazer uma pergunta simples: isso interfere na minha decisão prática de hoje ou dos próximos meses? Se a resposta for não, essa informação é apenas ruído.

Outro ponto é criar uma rotina de atualização. Não é produtivo acompanhar, minuto a minuto, a avalanche de dados. Definir momentos específicos para se informar ajuda a preservar a clareza mental e evita reações impulsivas.

É igualmente necessário evitar ambientes que alimentam indignação sem apontar caminhos. Muitos grupos de WhatsApp se especializaram em amplificar problemas, atacar o sistema e compartilhar links sobre desastres políticos ou econômicos iminentes. Isso não resolve nada: só tira o foco, aumenta a ansiedade e desgasta a energia do produtor. Informação que não aponta soluções é apenas combustível para a paralisia.

Como transmitir confiança aos jovens?

A nova geração que chega ao campo muitas vezes oscila entre dois extremos: otimismo exagerado ou pessimismo apressado. Cabe aos mais experientes mostrar que confiança verdadeira não é fechar os olhos para os riscos, mas sim enxergar oportunidades com preparo e cautela.

Histórias de crises passadas são fundamentais. Contar como o setor atravessou dificuldades em décadas anteriores mostra que turbulências são cíclicas, mas que sempre houve recuperação. Essa narrativa cria senso de continuidade e resiliência.

Mais do que isso, é preciso ensinar a arte do planejamento. Confiança se constrói com planos alternativos: A, B e C. Ter reservas, diversificar riscos e avaliar cenários é o que transforma otimismo em confiança sólida. A cautela não é inimiga da coragem; é o que dá sustentação a ela.

Manter o foco em meio ao caos

O produtor não pode se deixar paralisar pela incerteza. Em momentos conturbados, é fácil perder-se em discussões macroeconômicas ou previsões globais. Mas a solidez nasce daquilo que está ao alcance das mãos: a lavoura bem conduzida, a gestão de custos, o cuidado com a qualidade do produto.

A disciplina emocional se torna um ativo. Quando a ansiedade coletiva aumenta, quem mantém a calma, negocia de forma racional e resiste à pressão acaba garantindo margens melhores e respeito no mercado.

E há uma ferramenta poderosa e muitas vezes subestimada: o cuidado com o corpo. Exercícios regulares e caminhadas ao ar livre equilibram a química do nosso cérebro, reduzem o estresse e melhoram a clareza mental. O produtor que reserva tempo para cuidar da própria saúde física ganha mais disposição e serenidade para enfrentar as pressões do dia a dia.

Outro ponto essencial é a comunidade. Ninguém precisa enfrentar crises isolado. Estar próximo de associações, grupos técnicos e colegas de profissão fortalece a visão coletiva e ajuda a separar percepções reais do simples alarmismo.

Por fim, é importante manter o olhar estratégico. Crises sempre escondem oportunidades. Muitos dos que hoje são referências no agro souberam atravessar momentos turbulentos com disciplina e foco, colhendo frutos maiores quando o ciclo virou.

O Brasil e o mundo vivem tempos conturbados. Mas o produtor rural, acostumado a lidar com a imprevisibilidade da natureza, sabe que nenhuma tempestade dura para sempre. A chave está em filtrar o que realmente importa, evitar distrações que inflamam sem resolver, ensinar às novas gerações que confiança anda de mãos dadas com cautela, e manter o foco inabalável naquilo que está sob controle.

Cuidar da mente e do corpo, seja pela disciplina da rotina, seja pela prática de exercícios e caminhadas que renovam as energias, é tão estratégico quanto acompanhar o mercado.

Crises não são apenas obstáculos: são também filtros que separam os que se distraem dos que se fortalecem. E no agro, quem mantém os pés no chão e o olhar no horizonte sempre encontra o caminho para atravessar.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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CNA e entidades discutem desafios para a produção de arroz

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Foto: Freepik

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, no fim da última semana, em sua sede na capital federal, com representantes da cadeia produtiva do arroz para discutir o cenário atual da atividade e definir prioridades para o setor. O encontro abordou temas como custos de produção, preços, importação, consumo doméstico e instrumentos de política agrícola.

Participaram da reunião a coordenadora de Produção Agrícola da CNA, Ana Lenat, o assessor técnico Tiago Pereira, o presidente da Câmara Setorial do Arroz do Ministério da Agricultura e Pecuária, Henrique Dornelles, e representantes de entidades da orizicultura.

Henrique Dornelles relatou que o mercado do arroz enfrenta baixa remuneração ao produtor, com a saca de 50 quilos comercializada a R$ 53, valor abaixo do preço mínimo definido pela Companhia Nacional de Abastecimento, de R$ 63.

Segundo ele, os preços pagos ao produtor também estão abaixo do custo de produção, estimado em mais de R$ 90 por saca. Além disso, o produto nacional enfrenta concorrência do arroz importado no mercado interno, o que pressiona ainda mais as cotações.

Fernando Rechsteiner, diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, destacou a redução da área cultivada no Estado, principal produtor do país, diante das atuais condições de mercado e produção.

Roberto Fagundes, vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, afirmou que a classificação do grão é um ponto central da cadeia produtiva. Segundo ele, o modelo atual impacta o produtor por meio de descontos e não garante que as informações sobre qualidade sejam repassadas de forma clara ao consumidor nas embalagens.

O assessor técnico da CNA, Tiago Pereira, informou que a Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas acompanha os temas apresentados e avaliará a inclusão das demandas como prioridades na agenda de trabalho.

Ana Lenat destacou que a entidade atuará junto ao Poder Executivo nas discussões relacionadas à qualidade do produto e à promoção do arroz brasileiro.

As entidades definiram o aprofundamento de estudos técnicos sobre custos de produção, instrumentos de política agrícola, critérios de classificação e competitividade internacional, com o objetivo de estruturar propostas voltadas ao fortalecimento da orizicultura.

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‘Fruta do amor’ ganha espaço na agricultura de São Paulo

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Foto: Pixabay

Conhecida como “fruta do amor”, a lichia tem ampliado seu espaço no mercado na região de Avaré, deixando de ser uma fruta restrita às festas de fim de ano. Novos métodos de conservação, processamento e o cultivo de variedades tardias permitem aos produtores estender o período de comercialização. A estratégia também reduz perdas e diversifica as fontes de receita ao longo do ano.

Tradicionalmente associada ao consumo entre novembro e janeiro, a fruta passa por mudanças na dinâmica produtiva. Técnicas de congelamento e liofilização ganham relevância, sobretudo para aproveitar frutos fora do padrão exigido pelo mercado externo. A adoção dessas práticas ocorre em paralelo ao investimento em diversificação varietal.

No município de Itaí (SP), propriedades de agricultura familiar concentram parte desse movimento. Com apoio técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), produtores ampliaram áreas cultivadas e introduziram novas variedades. Além da bengal, comum nos mercados do Sudeste, outras opções vêm sendo exploradas, como gigante, coração, crocante, fogo, ouro, tutti-frutti e laranja.

A diversificação impacta características comerciais do produto. Enquanto a Bengal apresenta peso médio em torno de 20 gramas, a variedade gigante pode alcançar 40 gramas por fruto. Já a variedade coração se diferencia pela facilidade de abertura da casca, atributo valorizado pelo consumidor.

A expansão para o mercado internacional trouxe ajustes operacionais. A exigência por padronização estética elevou o descarte de frutas com pequenas imperfeições visuais. Para contornar o problema, produtores intensificaram o processamento da polpa, destinada ao congelamento em ultra-congeladores. Parte da produção também é liofilizada, originando produtos com maior prazo de validade.

Além do consumo in natura, a fruta passa a integrar novos segmentos. A polpa processada abastece indústrias de alimentos, enquanto derivados ampliam o portfólio comercial. Entre os produtos desenvolvidos estão snacks, geleias e bebidas destiladas.

O avanço produtivo ocorre dentro do contexto da Cadeia Produtiva Local (CPL) da lichia, que reúne municípios do sudoeste paulista. Em 2025, o projeto recebeu recursos estaduais voltados ao fortalecimento de pequenos produtores. Segundo técnicos da CATI, a região apresenta condições favoráveis à fruticultura e calendário de colheita distinto de outros polos globais.

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a produção fora da janela tradicional de mercados internacionais cria oportunidades comerciais. A oferta em períodos de menor disponibilidade global contribui para ampliar a competitividade.

Origem do título “fruta do amor”

A lichia possui forte simbolismo histórico na China. Registros remetem à Dinastia Tang, no século VIII, quando o fruto era associado a gestos de prestígio e devoção. A tradição cultural ajudou a consolidar a imagem da fruta como símbolo de sorte e prosperidade.

Atualmente, o consumo no Brasil mantém perfil sazonal, mas o avanço tecnológico altera gradualmente essa característica. O uso de técnicas de conservação e processamento amplia a presença do produto ao longo do ano e abre novas possibilidades de mercado.

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Agro Mato Grosso

Chuvas provocam 3 acidentes envolvendo veículos de carga no mesmo dia em MT

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Três acidentes envolvendo caminhões e carretas foram registrados nesta quinta-feira (12) em ruma rodovia e outras duas estradas de Mato Grosso, após trechos ficarem escorregadios e em más condições por causa da chuva. Os casos ocorreram nas rodovias MT-100, MT-235 e E-60, em diferentes regiões do estado.

Os tombamentos deixaram animais mortos, motorista ferido e pistas tomadas por lama e carga espalhada. Confira os casos abaixo:

🐂 MT-100

 

O caminhão que transbordava gado acabou tombando devido as condições da estrada, deixando três animais mortos e cinco feridos. O veículo transbordava cerca de 55 animais, e a queda ocasionou um prejuízo de cerca de R$150 mil reais.

O representante da empresa que realizava o transporte afirmou que a estrada está em um estado crítico de conservação.

“É uma estrada muito crítica, né? Como choveu e existe uma má conservação da estrada, facilita o tombamento. No local tinha muito barro, estava muito lisa. A carreta foi tombando para o lado, chegou em um barranco e tombou”, afirmou o representante da empresa.

Em nota, a prefeitura de Araguaiana afirmou que enviou equipes para auxiliar no resgate e que obras já estavam sendo realizadas no trecho.

“Informamos que assim que tomamos conhecimento do ocorrido, na tarde de ontem (12), enviamos imediatamente uma equipe ao local para averiguar a situação e prestar todo o apoio necessário. Ressaltamos que, desde o início da semana, a Secretaria de Obras já vinha realizando trabalhos de apoio e manutenção das estradas, com o objetivo de facilitar a retirada do gado do município e garantir melhores condições de trafegabilidade”, afirmou.

 

🛣️ MT- 235

 

Com o tombamento, resíduos de soja se espalharam pelo acostamento. O material se misturou à água acumulada na pista, formando lama e dificultando o resgate. — Foto: Reprodução

Com o tombamento, resíduos de soja se espalharam pelo acostamento. O material se misturou à água acumulada na pista, formando lama e dificultando o resgate. — Foto: Reprodução

A pista da MT-235, ficou completamente cheia de lama após um caminhão de soja tombar próximo ao Rio Sucuruína, em Campo Novo do Parecis, a 402 km de Cuiabá, nesta quinta-feira (12). Com o tombamento, resíduos de soja se espalharam pelo acostamento. O material se misturou à água acumulada na pista, formando lama e dificultando o resgate do motorista, que ficou com a perna presa na cabine.

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso foi acionado por volta das 13h para atender à ocorrência. No local, os militares encontraram o motorista consciente e orientado, mas preso às ferragens.

O motorista apresentava um corte na cabeça e recebeu curativo para conter o sangramento. Com apoio de terceiros e o uso de um caminhão, os bombeiros elevaram a cabine e conseguiram liberar a perna da vítima.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estava no local e assumiu o atendimento médico. Após ser estabilizado, o motorista foi levado para uma unidade de saúde.

🛣️Rodovia E-60

A rodovía E60 que dá acesso à comunidade indígena da reserva do Xingu ficou alagada em MT

Uma carreta tombou na rodovia E60, que dá acesso à zona rural e a uma comunidade indígena da reserva do Xingu, entre os municípios de Peixoto de Azevedo e Matupá, no norte de Mato Grosso. O acidente ocorreu nesta quinta-feira (12), após a estrada ficar alagada.

A prefeitura de Matupá, à 696 km de Cuiabá, responsável pela manutenção do trecho, decretou situação de emergência no município devido às fortes chuvas que comprometeram as estradas rurais e escolas da região.

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Agro MT