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Falta de mão de obra desafia o agro de Mato Grosso

A modernização das propriedades rurais elevou a necessidade de profissionais preparados para operar máquinas e desempenhar diferentes funções no campo. Em Mato Grosso, porém, encontrar mão de obra qualificada continua sendo um dos principais entraves para o setor, em um momento em que a tecnologia exige trabalhadores cada vez mais capacitados.
Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, revela que mais de 62% dos produtores do estado enfrentam alta dificuldade para contratar novos funcionários. A maior demanda é por operadores de máquinas agrícolas, reflexo da crescente mecanização das atividades.
Diante desse cenário, muitas propriedades têm concentrado esforços na formação dos próprios colaboradores, criando oportunidades para quem chega ao campo sem experiência e demonstra interesse em construir uma carreira no agro.
Foi esse o caminho percorrido por Bruno Miguel Pancini Nunes. Formado em Direito, ele trabalhava na advocacia quando recebeu o convite para passar uma safra como motorista de caminhão em uma fazenda. A experiência temporária acabou se transformando em uma nova profissão.
Hoje, Bruno é gerente de produção da Fazenda Bom Princípio, em Nova Mutum, onde são cultivados soja, milho e feijão. Casado e pai de duas filhas, ele afirma que toda a renda da família vem da atividade rural. “Foi o primeiro emprego no agro e é onde eu estou até hoje. A renda sai 100% daqui”.
Crescimento profissional dentro da fazenda
O ingresso definitivo aconteceu poucos meses depois da primeira safra, quando surgiu uma vaga fixa na propriedade. A partir dali, a rotina passou a ser de aprendizado constante, acompanhando de perto todas as etapas da produção agrícola.
Sem qualquer contato anterior com a agricultura, Bruno aprendeu a profissão no dia a dia, com o apoio da equipe da fazenda. “Eu cheguei aqui e não tinha noção do que era uma plantação, uma lavoura. Com o tempo fui aprendendo, o Lucas foi me ensinando, também aprendi com o agrônomo da fazenda e fui pegando experiência”, diz ao Patrulheiro Agro.
Ao longo dos anos, passou por diferentes funções até assumir a gerência. A experiência prática fez com que dominasse atividades que vão além da administração da propriedade. “Hoje em dia eu planto, colho, puxo com caminhão, fazemos carregamentos. O agro não é uma coisa só. Todo dia você está fazendo uma coisa diferente”.
A mudança de área também não deixa espaço para arrependimentos. “Não, de jeito nenhum. O agro é muito melhor. Trabalhar com isso daqui é muito gratificante e a remuneração é muito melhor do que a advocacia”.
Investimento nas equipes ganha espaço
Na Fazenda Bueno, em Ipiranga do Norte, a estratégia para enfrentar a escassez de profissionais passa pelo desenvolvimento dos próprios colaboradores. A propriedade familiar entende que reter trabalhadores depende tanto da capacitação quanto da criação de um ambiente em que as pessoas tenham perspectivas de crescimento.
Responsável pelas áreas administrativa, financeira e de recursos humanos, a agricultora Edina Ferreira Bueno observa que o desafio começa antes mesmo da contratação. “Hoje isso é um grande desafio. Você trazer o pessoal da cidade para o campo, motivar as pessoas para elas ficarem aqui e criar um ambiente atrativo, com diferenciais que façam elas quererem permanecer”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
A fazenda conta com nove funcionários, além da participação do pai e de três irmãos da família. Em vez de buscar apenas profissionais já qualificados, a aposta tem sido identificar o potencial de quem ingressa na propriedade.
Um dos exemplos é um colaborador que chegou como trabalhador temporário durante a construção da unidade de armazenagem e, ao longo de quatro anos, ampliou as responsabilidades dentro da fazenda. “Hoje ele é tratorista, está fazendo habilitação para dirigir caminhão, opera pá carregadeira e já resolve um monte de problema. O negócio hoje é você investir na sua equipe”.
Para Edina, oportunidades existem para quem deseja seguir carreira no agro. “A pessoa que tem interesse, que gosta disso, tem muita oportunidade. Esse problema é geral. Todo produtor tem essa necessidade e falta profissional qualificado”.
Profissionais de outros estados ajudam a suprir a demanda
A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada na região tem levado produtores a ampliar a busca por trabalhadores em outros estados. Em algumas propriedades, a contratação de profissionais de fora se tornou uma alternativa para manter as operações durante os períodos de maior demanda.
É o que também acontece na Fazenda Bueno. Além da equipe fixa, trabalhadores vieram do Rio Grande do Sul, Maranhão e até do Paraguai para atender as necessidades da propriedade.
O agricultor Auri Antônio Ferreira Bueno conta ao Canal Rural Mato Grosso que encontrar profissionais na própria região nem sempre é possível. “A pessoa que vem colher para nós vem lá do Rio Grande do Sul. Dois aqui são do Maranhão que tocam o armazém. Um outro estava no Paraguai e veio morar para cá. Aqui é difícil encontrar”.
Mesmo com esse reforço, a participação da família continua sendo necessária nos períodos de colheita. “Na colheita da soja eu também ajudo a colher. Hoje a mão de obra não é fácil, então tem que ir se virando nós da família mesmo”.
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Conab instala linhas de vida móveis em unidades do RN e do PI

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) concluiu a instalação de linhas de vida móveis em dez unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí. Os equipamentos foram adotados para reforçar a segurança de empregados e terceirizados em atividades executadas a mais de dois metros do solo. A medida integra a adequação da estatal à Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), voltada ao trabalho em altura.
O sistema conecta o operador a um ponto seguro da estrutura e, em caso de desequilíbrio ou queda, atua para impedir o impacto contra o chão ou níveis inferiores. Segundo a Conab, a medida também fortalece a segurança jurídica nas relações de trabalho.
No Piauí, o investimento em seis conjuntos de linhas de vida móveis somou R$ 376 mil, por meio do Pregão Eletrônico nº 90.015/2025. As unidades de Floriano e Picos receberam um conjunto cada. Parnaíba recebeu dois equipamentos, sendo um para a unidade do município e outro para a Unidade Satélite de Vendas de Piripiri. Em Teresina, os dois conjuntos restantes foram instalados nas estruturas do 1º Distrito Industrial e do bairro Itararé.
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No Rio Grande do Norte, a aquisição contemplou as unidades de Assú, Caicó, Currais Novos, Mossoró, Umarizal e Natal Caiapós. O investimento foi de R$ 318 mil, viabilizado pelo Pregão Eletrônico nº 90.002/2026.
De acordo com o superintendente regional da Conab no Rio Grande do Norte, Sebastião José de Arruda Júnior, a falta de um sistema adequado de ancoragem limitava a altura das pilhas de sacarias a dois metros, o que restringia o aproveitamento total do espaço nos galpões. Com a instalação dos novos equipamentos, essa limitação foi superada.
Arruda Júnior afirmou que a mudança permite elevar as pilhas com segurança e ampliar a capacidade de armazenagem de milho, cestas de alimentos e outros produtos. Ele também destacou que o modelo móvel reduz em cerca de 80% o custo da ancoragem em relação às estruturas fixas convencionais, que exigem cabos de aço em todo o galpão.
Com a instalação das linhas de vida móveis, a Conab reforça a segurança no trabalho em altura em unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí e amplia o uso da capacidade operacional dos galpões.
Fonte: gov.br
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Roberto Rodrigues revela seu maior sonho para o agro

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues foi homenageado com o prêmio Semeador da Paz, durante o Fórum Planeta Campo 2026, realizado nesta sexta-feira (6), em São Paulo. O reconhecimento celebra a trajetória de um dos principais nomes do agronegócio brasileiro, que dedicou décadas ao fortalecimento do cooperativismo, à modernização da agricultura e à defesa da segurança alimentar.
Em um vídeo exibido durante a homenagem, Rodrigues relembrou momentos importantes de sua carreira e destacou o papel que o Brasil pode desempenhar na produção mundial de alimentos. Para ele, o desenvolvimento do agronegócio brasileiro representa também uma oportunidade de contribuir para a paz mundial.
“Se nós alimentarmos o mundo, nós seremos também, o Brasil será também o campeão mundial da paz. E esse é o único legado que eu sonho em deixar ainda”, afirmou.
A declaração resume uma das principais bandeiras defendidas pelo ex-ministro: transformar o potencial produtivo do país em uma estratégia nacional voltada à segurança alimentar.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também homenageou Roberto Rodrigues e destacou sua contribuição para transformar a agricultura brasileira em referência internacional.
“Roberto Rodrigues foi um dos personagens que mudou a agricultura brasileira, que a tornou referência para o mundo inteiro”, afirmou Alckmin.
Alckmin também falou sobre a atuação de Rodrigues em questões relacionadas às mudanças climáticas e ao combate à fome, além de sua trajetória nos setores público, acadêmico, industrial e científico.
Além disso, o vice-presidente agradeceu pelo trabalho desenvolvido em prol do Brasil e dos brasileiros.
Origem
A ligação de Roberto Rodrigues com a agricultura começou ainda na infância. Filho de um profissional ligado à pesquisa agrícola, ele cresceu na Estação Experimental de Cordeirópolis, no interior de São Paulo, onde seu pai trabalhava.
“A ligação com a agronomia e com a agricultura era muito íntima. Cresci na fazenda desde que nasci, na Estação Experimental de Cordeirópolis, onde meu pai era chefe, e passei a infância toda na roça, vivendo intensamente a vida rural”, recordou.
Entre 1961 e 1965, estudou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), instituição que considera determinante para sua formação pessoal e profissional. “A Esalq foi, na verdade, a grande escola da minha vida”, afirmou.
Sua trajetória ganhou projeção nacional com a atuação no cooperativismo e na articulação de entidades representativas do setor agropecuário.
À frente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodrigues participou, ao lado de Alysson Paolinelli, então presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e Flávio Telles de Menezes, que presidia a Sociedade Rural Brasileira (SRB), da criação da Frente Ampla da Agropecuária, que reuniu mais de 70 entidades.
“Acabei criando, por causa disso, a atual Frente Parlamentar da Agropecuária”, lembrou.
Participação na criação da Agrishow
Outro marco destacado no vídeo foi sua participação na criação da Agrishow, feira realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que se consolidou como um dos principais eventos de tecnologia agropecuária da América Latina.
Rodrigues relembrou as articulações para viabilizar o projeto, envolvendo a Secretaria de Agricultura de São Paulo e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
“Vamos fazer uma feira dinâmica lá em Ribeirão Preto. A Secretaria de Agricultura vai entrar com a estação experimental”, contou, ao recordar a proposta que deu origem ao evento.
A atuação no cooperativismo também levou Rodrigues ao cenário internacional. Ele se tornou o primeiro não europeu a presidir a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), além de representar pela primeira vez o segmento agrícola no comando da organização. “Levei o Brasil, a brasilidade para a ACI”, destacou.
Em 2002, assumiu a presidência da Abag, ampliando sua participação nas discussões sobre políticas públicas e desenvolvimento do agronegócio.
Modernização da agricultura brasileira
À frente do Ministério da Agricultura, Rodrigues participou de decisões relacionadas à modernização da produção agropecuária brasileira.
Entre os avanços destacados em seu depoimento está a aprovação da legislação de biossegurança, que estabeleceu regras para a utilização de organismos geneticamente modificados no país.
“Isso mudou o Brasil, gente. Se você olhar os gráficos de produção agrícola…”, afirmou, fazendo um gesto ascendente com a mão para ilustrar o crescimento da atividade.
O ex-ministro também relembrou a defesa de um modelo de produção baseado na integração entre lavoura, pecuária e floresta, associado a políticas de crédito rural e mecanismos de garantia de preços.
“Era um projeto para o Brasil, da integração entre lavoura, pecuária e floresta. Um projeto de política, crédito rural, preço de garantia, um projeto completo”, explicou.
Durante a retrospectiva, Rodrigues também prestou reconhecimento a Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura e um dos nomes associados à transformação da produção agropecuária brasileira.
“Eu devo dizer que o meu ídolo é o Alysson Paolinelli. Ele é que acendeu o farol do futuro, das expectativas”, declarou.
Uma história ligada ao Canal Rural
A trajetória de Roberto Rodrigues também está diretamente relacionada à história do Canal Rural, que completa 30 anos em 11 de novembro de 2026.
Inaugurado em 1996, o canal surgiu em um período de transformação da agropecuária brasileira, ampliando o espaço dedicado à informação, à tecnologia e aos desafios enfrentados pelos produtores rurais.
Rodrigues esteve entre os fundadores e primeiros apresentadores da emissora.
“O Canal Rural surge nesse contexto, o contexto da decolagem do Brasil para o primeiro mundo”, afirmou na época da inauguração.
Três décadas depois, sua trajetória permanece associada a iniciativas que contribuíram para a organização institucional, a representação política e a expansão da agricultura brasileira.
A homenagem com o prêmio Semeador da Paz reconhece essa contribuição e reforça a mensagem defendida pelo ex-ministro: a capacidade brasileira de produzir alimentos pode representar não apenas uma oportunidade econômica, mas também um instrumento para promover a segurança alimentar e a paz no mundo.
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Abertura oficial marca início da colheita do tabaco em Vera Cruz

A colheita do tabaco da safra 2026/2027 começou oficialmente nesta sexta-feira (6), em Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo. A 8ª Abertura Oficial da Colheita foi realizada na propriedade de Alceu e Eliane Tornquist, em Linha Progresso, com a presença de representantes do governo estadual e de entidades ligadas ao setor.
A propriedade da família Tornquist cultiva tabaco há quase 30 anos. Na área de 7,5 hectares, foram plantados 90 mil pés da cultura. Na safra 2025/2026, a produção superou 13 toneladas, o equivalente a 900 arrobas. Para a temporada atual, a projeção dos produtores é repetir resultado semelhante. Após a colheita do fumo, a área também é destinada à produção de grãos.
Participaram do evento o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, e o secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Alexandre Scheifler, além de representantes de instituições e entidades da cadeia produtiva. Segundo Madalena, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, mantida pela secretaria, atua como espaço de articulação entre produtores, indústrias, entidades representativas e instituições públicas para discutir desafios e perspectivas do setor.
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Scheifler afirmou que o tabaco tem importância para a agricultura familiar e para a economia de municípios como Vera Cruz, e citou temas como diversificação produtiva, negociação de preços, mitigação de riscos climáticos e exigências socioambientais.
De acordo com balanço final da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul somou 286.603 toneladas em 132.076 hectares, com 67.815 famílias produtororas e receita bruta de R$ 5,071 bilhões. Em 2025, as exportações gaúchas de tabaco e seus produtos alcançaram US$ 3,048 bilhões, com 513,6 mil toneladas embarcadas para 90 países. O produto ficou em terceiro lugar na pauta de exportações agropecuárias do Estado em valor, atrás do complexo soja e das carnes.
Em Vera Cruz, a produção chegou a 7.076 toneladas na safra 2025/2026, com 1.660 agricultores em 3.455 hectares. O município ocupou a 12ª posição entre os maiores produtores gaúchos e a 31ª no ranking nacional.
A abertura oficial da colheita reforçou o peso do tabaco na agricultura familiar do Vale do Rio Pardo e na pauta agropecuária do Rio Grande do Sul, em um cenário de forte participação do Estado na produção e nas exportações do produto.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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