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7 de agosto de 2026

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arroz brasileiro perde espaço no próprio mercado

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Enquanto as exportações, de forma frágil, sustentam os preços e mantêm o mercado do arroz respirando, o consumo interno enfraquecido, a ameaça das importações e a iminente colheita nos Estados Unidos criam um paradoxo, gerando incertezas para o futuro do setor.

Nas últimas semanas, a comercialização interna permaneceu quase estática, com liquidez mínima e negociações da mão para boca. Orizicultores seguram estoques, principalmente de arroz nobre, esperando condições mais atrativas; indústrias, por sua vez, compram apenas o necessário para reposição imediata.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, cotações seguem entre R$ 60 e R$ 62/saca para o parboilizado, R$ 65 a R$ 67/saca para o padrão indústria (acima de 58% de inteiros) e até R$ 75/saca para o grão nobre. Sem uma virada de chave no panorama atual, o mercado tende a enfrentar nova pressão de baixa no médio prazo, tornando pouco provável a sustentação de preços acima de R$ 70/saca ainda nesta temporada.

O protagonismo absoluto das exportações é, ao mesmo tempo, salvação e risco. Salvação porque tem impedido uma queda mais acentuada das cotações. Risco porque essa sustentação está ancorada em uma janela curta, que pode se fechar em setembro com a entrada da safra norte-americana e o consequente redirecionamento da demanda dos principais compradores das Américas.

O superávit comercial do arroz registrado neste ciclo é positivo, mas simbólico (pouco mais de 11 mil toneladas) — e insuficiente para reverter um histórico de vulnerabilidade estrutural. Com uma meta inicial de exportar 2 milhões de toneladas (base casca), o setor agora vê, com sorte, o arroz atingir 1,5 milhão de toneladas nesta temporada.

Nos bastidores, entidades e lideranças se movimentam. Federarroz, Irga e ApexBrasil realizam encontros para desenhar projetos conjuntos voltados à abertura e consolidação de novos mercados, com foco em inteligência comercial e promoção do arroz brasileiro. A Federarroz também solicitou ao governo gaúcho que os recursos da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) sejam direcionados ao escoamento da produção, visando aliviar a pressão de oferta e sustentar preços.

Outro ponto de destaque foi o decreto nº 58.296, em vigor de 1º/08/2025 a 28/02/2026, que concede crédito presumido de ICMS para indústrias que comercializam arroz beneficiado produzido no próprio estabelecimento em embalagens de até 5 kg (exceto arroz polido). As alíquotas aplicáveis são 2% para São Paulo, 3% para Minas Gerais e 3% para os demais estados, de forma opcional, substituindo a base reduzida anterior.

Para além dessas questões, o Brasil precisa atacar os gargalos que corroem a competitividade: custos de produção aviltantes, fretes internos cada vez mais caros, pedágios, tributos, entre outros. A forte dependência rodoviária — vulnerável a más condições das estradas e eventos climáticos como as enchentes de 2024 — eleva custos logísticos, reduzindo margens e dificultando acesso ao porto, muitas vezes já sobrecarregado pela soja.

O déficit de armazenagem no país força produtores a vender na colheita, com perdas na rentabilidade que podem superar os 30%, enquanto a baixa integração multimodal (rodoviário, ferroviário e hidroviário) encarecem o frete e muitas vezes atrasam embarques.

A concorrência regional cresceu: Argentina, Uruguai e Paraguai hoje oferecem arroz mais competitivo, ampliando a perda de espaço do produto gaúcho. O Paraguai, por exemplo, consolidou-se como principal fornecedor brasileiro, com custo de produção quase 50% menor e acesso desonerado pelo Mercosul.

Na temporada comercial 2025/26, o país projeta exportação de aproximadamente 1,35 milhão de toneladas (base casca), sendo cerca de 80% deste volume destinado ao Brasil, funcionando como “segundo estoque” nacional. Hoje, a nação guarani produz três vezes mais que há uma década, com as cotações mais atrativas do continente, logística favorável e vendas ágeis. Essa competitividade pressiona a cadeia produtiva brasileira, desloca parte da demanda interna e amplia a dependência do cereal importado. Para o Brasil, a saída é fortalecer urgentemente as exportações e reduzir custos, sob risco de perda estrutural de mercado.

Do campo à prateleira, a palavra-chave é coordenação. Produtores, indústrias e exportadores precisam alinhar volumes, tempos de oferta e estratégias comerciais para evitar vendas desordenadas e quedas abruptas nas cotações do cereal. O varejo, por sua vez, deve ser parceiro na comunicação do custo real de reposição, diluindo aumentos de forma gradual para não travar o consumo.

Se o objetivo é pleno desenvolvimento e sustentabilidade de todos os elos, o arroz brasileiro precisa sair da lógica reativa e abraçar uma estratégia nacional integrada — que valorize qualidade, agregue valor e transforme oportunidades passageiras em pilares permanentes de competitividade.

O tempo é curto e a janela pode se fechar rapidamente. A diferença entre avançar e regredir estará na capacidade do setor de agir agora, de forma coordenada e inteligente.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Colheita de café no Brasil alcança 84% da safra 26/27, mas segue atrasada

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Foto: Pixabay.

A colheita da safra brasileira de café 2026/27 atingiu 84% da área estimada até o dia 5 de agosto, segundo levantamento divulgado pela Safras & Mercado. O avanço foi de seis pontos percentuais em relação à semana anterior, impulsionado pelo predomínio do tempo seco nas principais regiões produtoras.

Apesar da evolução dos trabalhos, o ritmo da colheita permanece abaixo do observado no mesmo período de 2025, quando 94% da safra já havia sido colhida. O desempenho também está inferior à média dos últimos cinco anos (2021-2025), de 90%.

No segmento de café canéfora (conilon/robusta), a colheita está praticamente concluída, com 99% da produção já retirada das lavouras. O índice está em linha com o registrado no mesmo período do ano passado e acima da média histórica de 98%.

Já a colheita do café arábica apresentou avanço significativo na última semana, alcançando 77% da produção. As condições climáticas mais secas favoreceram a intensificação dos trabalhos, mas o ritmo segue abaixo dos 91% registrados na mesma época de 2025 e da média dos últimos cinco anos, de 85%.

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Preços do boi gordo sobem no atacado com consumo aquecido na semana do Dia dos Pais

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Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar valorização nesta quinta-feira (6). Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o movimento de alta segue sustentado pela posição das escalas de abate, que permanecem entre cinco e seis dias úteis na média nacional.

O mercado atacadista de carne bovina também confirmou a tendência de valorização ao longo da semana. A maior demanda provocada pela proximidade do Dia dos Pais, somada à entrada dos salários na economia, foi apontada como principal fator para o avanço dos preços.

Para a próxima semana, a expectativa é de uma reposição mais moderada entre atacado e varejo, com possível perda desse efeito de impulso na demanda. Ainda assim, permanece o cenário de menor competitividade da carne bovina frente a proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango.

De acordo com Iglesias, o ritmo diário dos embarques de carne bovina recuou em julho, com média de 9,9 mil toneladas por dia. A China, principal destino da carne brasileira, importou 82 mil toneladas de carne bovina in natura no período, o menor volume registrado nos últimos meses. Por outro lado, as vendas para outros mercados, como os Estados Unidos, apresentaram desempenho positivo e contribuíram para um resultado satisfatório das exportações.

Preços da arroba do boi gordo

  • São Paulo: R$ 352,17 por arroba, na modalidade a prazo
  • Goiás: R$ 333,93 por arroba
  • Minas Gerais: R$ 335,29 por arroba
  • Mato Grosso do Sul: R$ 341,82 por arroba
  • Mato Grosso: R$ 332,42 por arroba

Atacado

No atacado, o quarto dianteiro foi precificado em R$ 21,50 por quilo, com alta de R$ 0,50. A ponta de agulha permaneceu cotada em R$ 20,00 por quilo, enquanto o quarto traseiro atingiu R$ 27,00 por quilo, também com valorização de R$ 0,50.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,48%, negociado a R$ 5,1051 para venda e R$ 5,1031 para compra. Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0905 e a máxima de R$ 5,1270.

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Surto de salmonela nos EUA é ligado a pimentas jalapeño do México

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Autoridades federais dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (6) que pimentas jalapeño associadas a um surto de salmonela em múltiplos Estados foram rastreadas até um produtor em Sinaloa, no México. Ao menos 345 pessoas em 27 Estados relataram infecção pela cepa ligada ao produto. Não houve mortes, mas 36 pessoas precisaram ser hospitalizadas.

A maior parte dos casos foi registrada em Minnesota e Colorado. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), as pimentas foram importadas para os Estados Unidos pela Coast Citrus Distributors.

A distribuidora recolheu o produto e iniciou a notificação de clientes, entre eles grandes redes de restaurantes de comida mexicana. A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

A Food and Drug Administration (FDA) informou que, entre 191 pessoas entrevistadas na investigação, 177 relataram ter consumido refeições em restaurantes de estilo mexicano entre 14 de junho e 14 de julho. Esse grupo representa 93% dos entrevistados. Entre os estabelecimentos citados estão Chipotle Mexican Grill e Qdoba.

O Chipotle informou que retirou as pimentas jalapeño de algumas unidades. A Qdoba anunciou a remoção preventiva do ingrediente em todos os restaurantes da rede. Após essas medidas, o CDC afirmou em nota que nenhum dos dois estabelecimentos é considerado um risco contínuo para os consumidores no surto atual.

A FDA também apura se parte das pimentas foi distribuída para supermercados e avalia novas ações de recall.

O surto está ligado a pimentas jalapeño importadas do México, com 345 casos registrados em 27 Estados norte-americanos e 36 hospitalizações. As autoridades sanitárias mantêm a investigação sobre a distribuição do produto e possíveis medidas adicionais de recolhimento.

Fonte: Estadão Conteúdo

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