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10 de junho de 2026

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Produtor de soja dos EUA pede que Trump garanta compras da China

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A Associação Americana de Soja (ASA, na sigla em inglês) pediu na terça-feira (19), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, priorize a oleaginosa nas negociações comerciais com a China.

Em carta enviada à Casa Branca, a entidade afirmou que os agricultores dos Estados Unidos estão em um “precipício comercial e financeiro” diante da ausência de compras chinesas para a safra 2025/26. A ASA exige remoção imediata das tarifas retaliatórias impostas por Pequim e compromissos formais de aquisição.

“Os produtores de soja estão sob extrema pressão financeira. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos agricultores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos”, disse o presidente da ASA, Caleb Ragland, na correspondência. “Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, complementou.

Maior compradora de soja

A China responde por 61% de toda a soja importada mundialmente. Historicamente, os EUA eram o fornecedor preferencial de Pequim. Essa posição mudou após a guerra comercial de 2018, quando o país asiático retaliou tarifas norte-americanas e deslocou a maior parte da demanda para a América do Sul.

“Devido à retaliação tarifária em curso, nossos clientes de longa data na China se voltaram e continuarão a se voltar para nossos competidores na América do Sul para atender sua demanda”, afirma a carta. O documento destaca que “o Brasil pode atender a essa demanda devido ao aumento significativo da produção desde a guerra comercial anterior com a China”.

“O país sul-americano ampliou a capacidade produtiva nos últimos anos e hoje consegue suprir sozinho o volume que Pequim necessita”, diz trecho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produziu 42% mais soja que os EUA em 2024/25, totalizando 112 milhões de toneladas exportáveis, volume equivalente à demanda chinesa total.

Tarifas pagas à China

A desvantagem competitiva dos americanos está na tarifa. Atualmente, a soja dos EUA paga uma tarifa retaliatória de 20%, além da tarifa de Nação Mais Favorecida (MFN) de 3% e do imposto sobre valor agregado (VAT), que juntos elevam a alíquota total a 34% em 2025.

Embora a nova tarifa seja 5 pontos porcentuais menor que a aplicada durante a guerra comercial de 2018, o diferencial mantém a soja norte-americana mais cara que a sul-americana, limitando novos negócios.

Um estudo da ASA reforça a preocupação. Segundo o documento, Pequim já contratou volumes recordes do Brasil para os próximos meses e ainda firmou negócios inéditos com a Argentina para fornecimento de farelo. Os EUA, em contrapartida, têm zero embarques vendidos da nova safra, situação inédita às vésperas da colheita.

Em anos normais, pelo menos 14% das compras chinesas já estariam confirmadas até agosto, com picos de 27% em safras recentes. A sazonalidade também favorece o Brasil: enquanto o país domina as vendas entre abril e setembro, os norte-americanos tradicionalmente atendem Pequim de outubro a março.

A ausência da demanda chinesa já pressiona as cotações em Chicago. Entre 18 de julho e 6 de agosto, o contrato novembro 2025 caiu US$ 0,51 por bushel (5%) para US$ 9,84/bushel, bem abaixo do custo médio de produção estimado em US$ 12,05/bushel. No cinturão do Norte, a situação é pior: perdas acima de US$ 1,20/bushel em Dakota do Norte.

Cenário semelhante ao 1º mandato de Trump

O cenário atual remete ao episódio de 2018/2019. Durante a primeira guerra comercial, os agricultores americanos perderam em média US$ 9,4 bilhões por ano em exportações de soja, valor que correspondeu a 71% do prejuízo agrícola total com tarifas.

“Agora, o quadro pode ser ainda pior”, avalia a ASA, “pois a China demonstra disposição de manter a dependência do fornecedor brasileiro”.

As perdas vão além do campo. Menor renda agrícola reduz o reinvestimento em comércio, serviços e infraestrutura nas comunidades rurais. A queda nos embarques do principal produto agrícola exportado pelos EUA também amplia o déficit comercial do setor e atinge diretamente a economia de 30 estados.

O apelo de Ragland a Trump teve tom pessoal. “Senhor Presidente, o senhor tem apoiado fortemente os agricultores e os agricultores têm apoiado fortemente o senhor. Precisamos da sua ajuda”, escreveu. A mensagem foi enviada também a líderes do Congresso e membros do gabinete, incluindo os secretários do Tesouro, Comércio e Agricultura.

Cobrança por reabertura de mercado

A ASA cobra que Washington obtenha um acordo que reabra o mercado chinês, seja pela eliminação das tarifas retaliatórias, seja por cotas específicas de importação. “Quanto mais avançarmos no outono sem chegar a um acordo com a China, piores serão os impactos para os produtores de soja dos EUA”, alerta a carta.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após postagem recente de Trump no Truth Social. No dia 11 de agosto, o presidente pediu publicamente que a China “quadruplique rapidamente” suas compras de soja dos EUA, ressaltando a robustez da safra americana. A mensagem foi bem recebida pelos produtores, mas a ASA reforçou que, até o momento, não há contratos firmados com o país asiático.

Para a associação, a consolidação brasileira como principal fornecedor representa risco estratégico duradouro. Com a colheita americana iniciando em setembro, cada semana sem progresso nas negociações reduz ainda mais as chances de recuperação do mercado perdido para o Brasil.

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Café, leite e crédito impulsionam expansão das cooperativas em Minas Gerais

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Foto gerada por IA.

Mesmo diante de juros elevados, instabilidade financeira e desafios climáticos, o cooperativismo em Minas Gerais avançou em ritmo muito superior ao da economia estadual em 2025. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, as cooperativas movimentaram R$ 184 bilhões no período, crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior — quase 12 vezes acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que cresceu 1,4%.

Os números serão apresentados nesta quarta-feira (10), durante o seminário de lançamento do anuário, considerado o principal censo anual do setor no estado.

Atualmente, o cooperativismo responde por 15,9% do PIB mineiro, estimado em R$ 1,1 trilhão. O setor reúne 788 cooperativas, 4,2 milhões de cooperados e 64,1 mil empregados diretos em Minas Gerais.

Entre os segmentos do cooperativismo, o ramo agropecuário foi um dos grandes destaques de 2025. As cooperativas ligadas ao agro movimentaram R$ 66,8 bilhões, alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O avanço representou mais da metade de todo o crescimento econômico registrado pelo cooperativismo mineiro no período.

O setor agropecuário também lidera em número de cooperativas no estado. São 196 organizações, o equivalente a uma em cada quatro cooperativas mineiras. Juntas, elas reúnem 228,8 mil cooperados e geram 21,3 mil empregos diretos.

Cooperativismo agropecuário amplia peso no agro mineiro

Os dados mostram a força crescente das cooperativas no agronegócio de Minas Gerais. Em 2025, o ramo cooperativista agropecuário passou a representar 26,5% do PIB do agronegócio mineiro.

De cada R$ 100 movimentados pelo cooperativismo no estado, aproximadamente R$ 36 vieram diretamente das cooperativas agropecuárias, de acordo com o levantamento.

Em cinco anos, a movimentação econômica do segmento quase dobrou, passando de R$ 36 bilhões em 2021 para R$ 66,8 bilhões em 2025 — avanço de 85,6%.

Além da expansão financeira, o setor também teve forte impacto na geração de empregos. Somente em 2025, as cooperativas agropecuárias criaram 1.010 novos postos de trabalho, o equivalente a 36% de todas as vagas abertas pelo cooperativismo mineiro no período.

Café e leite reforçam protagonismo das cooperativas

As cooperativas também consolidaram presença estratégica em cadeias relevantes do agro mineiro, especialmente no café e no leite.

Segundo o levantamento, 63,6% do café produzido em Minas Gerais passou por cooperativas mineiras em 2025. Em nível nacional, isso significa que, a cada 100 xícaras de café produzidas no Brasil, 29 passaram por cooperativas do estado.

Na cadeia leiteira, as cooperativas responderam por 18,3% da produção mineira e por 5,1% da produção nacional.

Crédito cooperativo fortalece produtores rurais

Outro destaque do levantamento foi o desempenho das cooperativas de crédito, que seguem ampliando presença no interior e fortalecendo o financiamento ao agro.

O ramo movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, alta de 12,3% sobre o ano anterior. As cooperativas financeiras repassaram R$ 14,4 bilhões em crédito rural para pequenos e médios produtores mineiros, crescimento de 5,8% em relação a 2024.

Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em 84,4% dos municípios mineiros e são a única instituição financeira com atendimento físico em 84 cidades do estado.

Cooperativismo cresce acima da média e amplia geração de renda

O levantamento também mostra avanço na geração de empregos e renda. As cooperativas mineiras criaram quase 2,8 mil vagas em um ano, crescimento de 4,6% — desempenho três vezes superior à média estadual.

O salário médio pago pelas cooperativas chegou a R$ 4.059,97, valor 36,2% maior que a média do setor privado em Minas Gerais.

As mulheres também ampliaram participação no setor. Elas representam 54,9% do quadro funcional das cooperativas mineiras e ocuparam seis em cada dez novas vagas criadas em 2025.

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Brasil apresenta marco regulatório de bioinsumos na GreenTech Amsterdam 2026

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, nesta terça-feira (9), na GreenTech Amsterdam 2026, na Holanda, os avanços do Brasil no marco regulatório dos bioinsumos. O tema foi abordado durante painel sobre sustentabilidade na agricultura brasileira, com participação do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart. Segundo o ministério, a agenda também incluiu reuniões com empresas, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

A apresentação ocorreu durante o painel Bio Inputs and Sustainability in Brazilian Agriculture, em um evento realizado entre os dias 9 e 11 de junho, em Amsterdã. De acordo com o Mapa, o foco da participação brasileira foi mostrar medidas voltadas à ampliação da oferta de tecnologias biológicas, ao estímulo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da agropecuária.

Durante a exposição, Carlos Goulart afirmou que o país avançou na construção de um ambiente regulatório para dar segurança jurídica ao setor e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O conteúdo divulgado, no entanto, não detalha quais normas, instrumentos ou etapas regulatórias foram efetivamente apresentadas no evento.

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Também integraram a agenda oficial o coordenador de Cooperação Internacional do Departamento de Promoção do Agronegócio, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Francisco Sadi Santos Pontes; a diretora do Departamento de Serviços Técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Graciane Castro; e a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia.

Segundo o ministério, a delegação brasileira realizou interlocuções com empresas, pesquisadores e integrantes do setor produtivo para discutir cooperação e intercâmbio tecnológico. Para o agro, o tema é relevante porque os bioinsumos estão associados a estratégias de manejo, eficiência produtiva e desenvolvimento de soluções biológicas na agricultura, especialmente em sistemas que buscam diversificação tecnológica e adequação regulatória.

A GreenTech Amsterdam reúne empresas, pesquisadores e representantes governamentais de diversos países com foco em horticultura, tecnologias limpas, uso de dados e práticas sustentáveis para a produção vegetal.

O avanço regulatório dos bioinsumos é um tema acompanhado pelo setor por envolver registro, segurança jurídica e adoção tecnológica no campo. Como o material divulgado pelo Mapa não apresentou detalhes técnicos adicionais sobre as medidas citadas, a dimensão prática dos próximos desdobramentos dependerá da publicação de informações complementares pelo órgão.

Fonte: gov.br

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O que é retrofit? Solução permite atualizar máquinas agrícolas com menor custo

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Foto: reprodução/Mercado & Cia

Em meio ao cenário de juros elevados, crédito restrito e margens cada vez mais apertadas no campo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a produtividade sem ampliar os custos. Uma dessas soluções que vem ganhando força no Brasil é o retrofit (processo de modernização) de máquinas e equipamentos agrícolas.

A prática consiste em atualizar máquinas já em operação com tecnologias embarcadas que aumentam eficiência, precisão e conforto, sem exigir o investimento milionário na compra de equipamentos novos.

No município de Palmeira, no interior do Paraná, o agricultor Manoel Pereira Júnior acompanha mais uma temporada do plantio de aveia, trigo e cevada enquanto busca formas de enfrentar um momento considerado desafiador para o setor.

“Juros em disparada, sem crédito oficial do governo, sem crédito rural para custeio, dólar baixo, commodities baixas e o fertilizante, principalmente nos custos, que está na estratosfera”, destaca.

Eficiência e tecnologia

A busca por eficiência não é novidade na propriedade, há quase cinco décadas, a família foi pioneira na adoção do sistema de plantio direto. Agora, a inovação chega por outro caminho, manter máquinas antigas em operação, mas equipadas com recursos de última geração.

Foi o que aconteceu com uma colheitadeira adquirida em 2023 que passou por atualização tecnológica. O resultado, segundo o produtor, foi uma máquina com desempenho próximo ao de um equipamento novo, mas com investimento muito menor.

“A prestação hoje de uma colheitadeira nova é R$ 400.000 para pagar em 6 anos mais os juros. Se você pegar esse dinheiro e reformar a colheitadeira, você vai ter uma máquina zero com o preço insignificante comparado com a nova”, afirma Júnior.

Segundo presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, as vendas nos primeiros quatro meses do ano caíram 18%. O faturamento veio para R$ 17,1 bilhões. Para o setor não há dúvidas de que o momento é de retração.

“O recurso que o agricultor tem, ele segura esse recurso para fazer custeio e deixa os investimentos para depois. Porque se ele for no mercado pegar dinheiro emprestado para fazer custeio, o juros é muito caro, isso aperta mais a margem dele”, destaca Estevão.

Atualizações disponíveis

A atualização tecnológica inclui instalação de sensores de sementes, sensores de adubo, sistemas de monitoramento por satélite e monitores de plantio que permitem acompanhar falhas e melhorar o desempenho operacional.

Entre as funcionalidades, os sensores conseguem identificar falhas na semeadura em tempo real, aumentando a precisão do plantio e reduzindo desperdícios.”O foco principal é esse, trazer resultado pro pro produtor rural a um custo acessível”, afirma o desenvolvedor de produto, Douglas Ramos. 

O planejamento de Júnior está bem desenhado, o plantio de inverno cobrindo os campos e a tecnologia aos poucos vai embarcando no velho maquinário que fará aumentar a produtividade. 

Além do ganho em produtividade, o retrofit também promete mais conforto para o operador e abre caminho para novas soluções que ainda estão chegando ao mercado, como monitores inteligentes para semeadeiras, tecnologia considerada inédita no país.

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