Agro Mato Grosso
Demarcação de terra de indígenas isolados em MT é concluída após mais de 27 anos

Instalação dos marcos na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo foi finalizada quase três décadas após a confirmação da presença do povo isolado. Processo agora aguarda decreto presidencial para garantir o reconhecimento definitivo da área.
A demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, foi concluída após 27 anos de espera. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (6) pela organização não governamental Survival International. Com a instalação dos marcos e placas que delimitam oficialmente o território, o processo entra na etapa final e passa a depender apenas da homologação por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A área é habitada pelos indígenas isolados Kawahiva, um povo caçador-coletor nômade que depende integralmente da floresta para sobreviver. Segundo a ONG, eles são sobreviventes de massacres e epidemias que dizimaram parte de seu povo e, por isso, mantêm a decisão de viver sem contato com não indígenas.
Embora a conclusão da demarcação física represente um avanço histórico, a homologação presidencial é considerada essencial para garantir a proteção jurídica definitiva do território. A Survival International afirma que a terra continua sob pressão de grileiros, madeireiros e grupos interessados na exploração da região, que ao longo dos anos recorreram a disputas judiciais, pressões políticas, incêndios criminosos e episódios de violência para tentar impedir o reconhecimento da área.
O processo contou com o trabalho da Base de Proteção Etnoambiental Madeirinha Juruena, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Mesmo com recursos limitados, a equipe atuou durante décadas no monitoramento e fiscalização da área para impedir invasões enquanto a demarcação não era concluída. Organizações como o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) também participaram das ações de proteção territorial.
Nos últimos meses, o indigenista Jair Candor e sua equipe percorreram a terra indígena por mais de dois meses para instalar os marcos e as placas que identificam os limites do território. Candor afirmou que a conclusão dessa etapa representa um marco importante para a segurança dos indígenas isolados.
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Indígenas kawahiva que vivem isolados em Mato Grosso — Foto: Funai/Jair Candor
Segundo ele, a partir do momento que a demarcação física é implantada, ela traz mais segurança porque assim as pessoas vão começar a entender que é real, mas “a guerra continua porque agora vem a homologação”.
Em nota, a Funai também destacou que a conclusão da demarcação física representa um avanço importante no processo iniciado há quase 30 anos.
Segundo a fundação, a instalação dos marcos materializa em campo os limites já definidos administrativamente e permite que o processo siga para a fase final, que é a homologação por decreto presidencial, responsável por conferir validade jurídica definitiva ao território.
A campanha pela proteção da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo reúne, há anos, organizações indígenas e indigenistas. Além da Survival International, participam da mobilização a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), o Indian Law Resource Center, a Operação Amazônia Nativa (Opan), o Observatório dos Povos Indígenas Isolados (Opi) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI).
Proteção depende de fiscalização permanente
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Base permanente da Funai na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Colniza — Foto: Vinícius Mendonça/Ibama
Apesar do avanço, organizações que acompanham o caso alertam que a homologação, por si só, não encerra os desafios para a proteção da área.
Segundo a Survival International, será necessária a presença permanente de equipes do governo para monitorar o território, combater invasões e impedir a ocupação ilegal da terra. A organização ressalta que a fiscalização contínua é considerada indispensável para assegurar a integridade da floresta e a sobrevivência dos indígenas isolados que vivem na região.
Agro Mato Grosso
MT tem segundo início de safra mais seco em 27 anos e acende alerta para produção de soja

Chuvas ficaram 33% abaixo da média histórica entre setembro e outubro. Entidade alerta que lavouras já sentem os efeitos da falta de umidade, apesar do avanço do plantio.
Mato Grosso enfrenta o segundo início de safra mais seco dos últimos 27 anos, e a falta de chuva já preocupa produtores de soja. Entre 1º de setembro e 27 de outubro, o estado registrou 186 milímetros de precipitação, volume 33% menor que a média histórica para o período, de acordo com um levantamento da EnsoAg/SmartCampo, feito com dados da NASA e divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
O cenário coloca em dúvida as projeções mais otimistas para a safra 2026/2027. Mesmo com o plantio avançando, produtores relatam lavouras afetadas pela baixa umidade do solo, principalmente em regiões do Oeste e Médio-Norte do estado.
A situação é mais preocupante na região dos Parecis. Em Campos de Júlio, por exemplo, foram registrados apenas 89 milímetros de chuva nos 30 dias analisados, quantidade 56% abaixo do esperado. Brasnorte, Comodoro e Sapezal também tiveram volumes bem inferiores à média histórica.
O levantamento aponta ainda que 22 dos 23 municípios avaliados tiveram menos chuva que o esperado. Em 66% do território mato-grossense, o volume de precipitação ficou pelo menos 25% abaixo do padrão histórico.
Além da pouca chuva, as temperaturas elevadas e a distribuição irregular das precipitações aumentam o risco de prejuízos ao desenvolvimento das plantas.
Segundo o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, algumas lavouras semeadas mais cedo já chegaram à fase reprodutiva e começam a sentir os efeitos da falta de água. Ele alerta que o avanço do plantio não significa que a produção esteja garantida.
As chuvas registradas entre 28 de outubro e 1º de novembro trouxeram um pouco de alívio, mas ainda ficaram 22% abaixo da média esperada para o período. A entidade também aponta possíveis dificuldades no controle de plantas daninhas e pragas, o que pode exigir mudanças no manejo e aumentar os custos de produção.
Apesar das preocupações, ainda não é possível calcular eventuais perdas na safra. A avaliação é de que as estimativas de uma produção elevada precisam ser confirmadas conforme o desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.
Agro Mato Grosso
Novas espécies de cogumelos raros são descobertas em Mato Grosso

Quatro novas espécies de cogumelos foram achadas na região de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso, por uma pesquisadora alemã em parceria com uma brasileira.
A Amazônia é reconhecida pela imensa variedade de espécies que abriga, mas ainda guarda muitas formas de vida desconhecidas pela ciência. Entre elas, estão quatro novas espécies de cogumelos identificadas nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso. A identificação foi realizada em um estudo liderado pela pesquisadora Juli Simon Cardoso, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
🔍A descoberta foi publicada em um artigo científico na revista Phytotaxa, que apresenta os estudos realizados para identificar as quatro novas espécies de cogumelos do gênero Hygrocybe. Os fungos foram coletados em trilhas da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, no norte de Mato Grosso, na região da Amazônia meridional.
O estudo faz parte do Projeto Fungos do Cristalino, uma parceria entre a Fundação Ecológica Cristalino (FEC), o Laboratório de Micologia da UFSC.
🧐🔍O começo da descoberta
Segundo Juli, a descoberta começou na própria Amazônia, quando a parataxonomista alemã Susanne Sourell, especialista na identificação de espécies em campo, visitava a região e publicava fotos de diferentes cogumelos nas redes sociais. A partir dessas publicações, ela entrou em contato com Juli, que é especialista no gênero. As duas passaram a conversar sobre as características dos exemplares.
“Todo mundo dizia: ‘nunca vi, espécie nova’. Ela descobriu que eu trabalhava com Hygrocybe e começou a conversar comigo”, contou.
A partir da suspeita de que poderiam ser espécies desconhecidas, os pesquisadores do Projeto Fungos do Cristalino realizaram duas etapas de identificação. A primeira foi a descrição morfológica, que consiste em medir e detalhar as características do cogumelo, incluindo suas estruturas microscópicas. Em seguida, foi feita a análise do DNA, para comparar o material genético dos exemplares com o de espécies semelhantes.
“A gente pega um pedacinho do DNA do fungo e compara com o de fungos parecidos. Se o resultado for muito parecido, é a mesma espécie. Se não, pode ser uma espécie diferente”, explicou.
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Além das espécies em tons esverdeados, outros dois cogumelos dos Hygrocybe vinaceosquamulosa e Hygrocybe pegleri foram identificados. — Foto: Susanne Sourell
Duas das quatro espécies foram encontradas apenas nas áreas onde foram descobertas, o que indica uma distribuição geográfica bastante restrita. Essa característica, de acordo com a bióloga, reforça a importância da conservação das Reservas Cristalino e dos ambientes naturais da Amazônia meridional.
“Pesquisei em muitos lugares e nunca vi tanto cogumelo quanto lá”, disse.
🍄🌱 A importância dos fungos
Os fungos pertencem ao Reino Fungi, um grupo de organismos com características próprias, diferentes das plantas e dos animais. Apesar de sua importância para a natureza, ainda são pouco conhecidos pela ciência. Estima-se que apenas cerca de 5% das espécies de fungos existentes no planeta tenham sido identificadas e descritas.
Esses organismos desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Eles decompõem folhas, galhos e outros restos orgânicos, devolvendo nutrientes ao solo. Também ajudam as plantas a absorver água e minerais, contribuem para o armazenamento de carbono no solo e servem de alimento para diferentes organismos.
Conheça os quatro novos cogumelos descobertos
| Espécie | Como identificar | Onde e quando foi localizada |
| Hygrocybe cristalinoensis | É totalmente verde, do chapéu ao pé, com bordas brancas e franjas. | Trilha do Francisco, em 2019. |
| Hygrocybe viridilacerata | Também é verde, mas o chapéu se abre e fica rasgado, formando uma estrela. | Trilha do Francisco, em 2018. |
| Hygrocybe pegleri | Tem o maior pé entre as quatro espécies, com mais de 10 centímetros, e chapéu com escamas marrons. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
| Hygrocybe vinaceosquamulosa | Tem o chapéu coberto de pequenas escamas, com tons que variam entre rosa e roxo. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
*Sob supervisão de Kessillen Lopes.
Agro Mato Grosso
MT intensifica combate ao bicudo na reta final da safra de algodão

Com o beneficiamento do algodão entrando na reta final em Mato Grosso, a atenção do setor produtivo se volta para o controle do bicudo-do-algodoeiro. Na última semana de outubro, a incidência da praga aumentou na maioria das regiões do estado, segundo levantamento do IMAmt, braço técnico da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em parceria com o Imea.
O cenário levou a Ampa a reforçar o alerta aos agricultores sobre a necessidade de manter as medidas de combate ao inseto mesmo durante o desenvolvimento da soja. As tigueras, plantas voluntárias de algodão que nascem entre as lavouras de grãos, servem de abrigo e alimento para o bicudo. Por isso, a recomendação é eliminar esses focos imediatamente, manter as armadilhas ativas e recorrer à aplicação de inseticidas quando necessário.
Nas unidades de beneficiamento, os trabalhos também se aproximam da conclusão. A maior parte das algodoeiras já processou entre 65% e 80% da produção, enquanto algumas instalações da região Centro-Leste atingiram 97% do volume previsto.
Plantio da soja chega a 89%
Paralelamente aos cuidados fitossanitários, Mato Grosso se aproxima da conclusão da semeadura da soja 2026/27. Até 30 de outubro, a operação havia alcançado 89,05% da área estimada, favorecida pelo retorno das chuvas em regiões que enfrentavam maior irregularidade climática, como o Noroeste do estado.
Com as lavouras apresentando bom desenvolvimento, o ritmo da semeadura contribui para o planejamento da próxima etapa do calendário agrícola. A conclusão dos trabalhos dentro do período adequado é importante para assegurar condições mais favoráveis ao cultivo do milho e do algodão de segunda safra no início do próximo ano.
O processamento da fibra, a proximidade do fim da semeadura e a vigilância contra o bicudo marcam a transição entre as etapas da produção agrícola em Mato Grosso. Nesse período, o cumprimento das recomendações fitossanitárias e a atenção aos prazos de cultivo são fundamentais para preservar o potencial produtivo da próxima temporada.
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