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24 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Manejo da ferrugem-asiática em soja – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças mais complexas e devastadoras da cultura da soja. Além de apresentar elevado potencial de redução da produtividade, características como a eficiente dispersão dos esporos, a possibilidade de ocorrência em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura e a redução da sensibilidade do patógeno a determinados fungicidas tornam o manejo da doença ainda mais desafiador.

Diante da rapidez com que a ferrugem-asiática pode se desenvolver e se disseminar na lavoura, recomenda-se que as estratégias de controle sejam adotadas de forma preventiva. No entanto, a realização de aplicações de fungicidas calendarizadas pode elevar significativamente os custos do manejo fitossanitário, aumentando o custo de produção e reduzindo a rentabilidade da cultura.

Nesse contexto, uma das estratégias para tornar o manejo da doença mais racional e econômico é a adoção do monitoramento integrado, associando diferentes ferramentas para acompanhar o risco de ocorrência da ferrugem-asiática. Entre essas ferramentas, destacam-se os coletores de esporos e o acompanhamento das atualizações sobre a ocorrência e a evolução da doença nas diferentes regiões produtoras.

Conforme destacado por Oliveira et al. (2020), o monitoramento de Phakopsora pachyrhizi por meio de coletores de esporos pode contribuir para um melhor planejamento das pulverizações e, em determinadas situações, reduzir o número de aplicações de fungicidas em comparação com programas exclusivamente calendarizados. Entretanto, a presença ou ausência de esporos não deve ser utilizada isoladamente para definir a necessidade de aplicação.

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A tomada de decisão deve considerar, de forma integrada, outros fatores, como a presença de outras doenças, o estádio fenológico da soja, as características da cultivar, as condições ambientais, a previsão do tempo e a capacidade operacional da propriedade rural (Oliveira et al., 2020).

Figura 1. Visão geral do coletor de esporos (A); aspecto do coletor na lavoura (B); tubo visto de frente mostrando o suporte com a lâmina de vidro acoplada (C); lâmina de vidro com a fita dupla face (com a proteção superior parcialmente retirada) (D).
Fotos: Claudine Dinali Santos Seixas

Sobretudo, é importante destacar que o coletor de esporos deve ser utilizado como uma ferramenta complementar no manejo da ferrugem-asiática, e não como um “gatilho automático” para definir a necessidade de aplicações de fungicidas. Embora apresente elevada eficiência na coleta de esporos do fungo causador da doença, a simples detecção desses propágulos não significa, necessariamente, que exista risco iminente de infecção na lavoura, uma vez que parte dos esporos coletados pode não apresentar viabilidade ou não encontrar condições ambientais favoráveis para a infecção e o desenvolvimento da doença.

Além disso, a representatividade das informações obtidas pelo coletor pode variar conforme fatores como direção e intensidade dos ventos, relevo, localização da lavoura e proximidade de fontes de inóculo. Dessa forma, a ausência de esporos no coletor também não deve ser interpretada isoladamente como ausência de risco, pois essa condição pode proporcionar um falso senso de segurança.

No entanto, quando utilizado de forma integrada a outras ferramentas de monitoramento e critérios para a tomada de decisão, o coletor de esporos pode contribuir significativamente para o manejo da ferrugem-asiática. A antecipação da detecção da presença do patógeno permite aprimorar o planejamento das estratégias de controle e, em determinadas condições, reduzir a necessidade de aplicações de fungicidas. Resultados obtidos com essa estratégia indicam, inclusive, a possibilidade de redução de até 33% no número de aplicações, quando comparada a programas baseados exclusivamente em aplicações calendarizadas (Oliveira et al., 2020).

Figura 2. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Fonte: Oliveira et al. (2020)

Vale destacar que o uso do coletor de esporos não substitui o monitoramento da lavoura. As inspeções de campo continuam sendo fundamentais para identificar sintomas, acompanhar o estádio de desenvolvimento da cultura e verificar a ocorrência de outras doenças. Além disso, as informações obtidas durante o monitoramento devem ser interpretadas em conjunto com as condições ambientais e climáticas, uma vez que esses fatores exercem influência direta sobre o processo de infecção e o desenvolvimento da ferrugem-asiática.

De modo geral, para que ocorra a infecção da planta, além da presença de inóculo de Phakopsora pachyrhizi, são necessárias condições ambientais favoráveis. Segundo Soares et al. (2023), o fungo necessita de pelo menos seis horas de molhamento foliar, sendo observada maior intensidade de infecção quando o período de água livre sobre as folhas varia entre 10 e 12 horas. Temperaturas amenas, entre 18 °C e 26,5 °C, também favorecem o processo de infecção. Portanto, a simples presença de esporos não determina, isoladamente, a ocorrência da doença, sendo fundamental considerar a interação entre a presença do patógeno e as condições favoráveis ao seu estabelecimento.

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Outro aspecto importante é o acompanhamento da distribuição geográfica da ferrugem-asiática ao longo da safra. Considerando que os esporos de Phakopsora pachyrhizi são dispersos predominantemente pelo vento, a ocorrência de casos da doença em regiões próximas às áreas de cultivo, associada à presença de condições ambientais favoráveis, representa um importante sinal de alerta para o aumento do risco de infecção e para a necessidade de intensificar o monitoramento e planejar adequadamente as estratégias de controle.

No Brasil, a evolução da ocorrência da ferrugem-asiática pode ser acompanhada por meio do Consórcio Antiferrugem, uma parceria público-privada que monitora e divulga os casos da doença durante a safra da soja. Na safra 2025/2026, foram relatados 379 casos de ferrugem em áreas comerciais de soja (Figura 3). Essas informações, quando associadas ao monitoramento da lavoura, à detecção de esporos e às condições ambientais, podem contribuir para uma tomada de decisão mais assertiva, permitindo antecipar estratégias de manejo e reduzir os riscos de perdas ocasionadas pela doença.

Figura 3. Mapa de distribuição dos casos de ferrugem-asiática em áreas comerciais de soja na safra 2025/2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem (2026)

Além das ferramentas de monitoramento, o manejo integrado da ferrugem-asiática deve envolver a adoção de diferentes estratégias para reduzir a sobrevivência, a disseminação e o impacto do patógeno na lavoura. Medidas como o cumprimento do vazio sanitário, a utilização de cultivares de ciclo precoce, a semeadura da soja no início do período recomendado e o emprego de cultivares com genes de resistência constituem importantes ferramentas para a redução do risco e o manejo da doença (Oliveira et al., 2020).

O controle químico também desempenha papel fundamental nesse sistema, devendo ser realizado de forma preventiva ou nos estádios iniciais de desenvolvimento da doença, sempre associado ao monitoramento da lavoura e às demais estratégias de manejo. A integração dessas práticas é essencial para aumentar a eficiência do controle, reduzir a pressão de seleção de populações resistentes e minimizar os impactos da ferrugem-asiática sobre a produtividade da soja

Acompanhe as atualizações do Consórcio Antiferrugem clicando aqui!

Referências:

CONSORCIO ANTIFERRUGEM. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2026. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 08/09/2026.

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HELING, A. L. et al. MONITORAMENTO DE Phakopsora pachyrhizi NA SAFRA 2023/2024 PARA TOMADA DE DECISÃO DO CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 211, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1169637/1/circular-tecnica-211.pdf >, acesso em: 08/09/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular Técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 08/09/2026.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA, ed. 6. Embrapa, Documentos, n. 256, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 08/09/2026.

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Sustentabilidade

Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.

Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.

A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.

Confira:

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.

Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.

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As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.

Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.

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Sustentabilidade

Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

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Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.

Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.

O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).

A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).

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Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Fonte: Werle & Oliveira (2018)

Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.

Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.
Foto: André Consonni

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.


Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?


Referências:

ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.

WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.



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Sustentabilidade

Trigo/RS: Colheita chega a 19% marcada por perdas de qualidade e clima adverso – MAIS SOJA

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A cultura se aproxima do final do ciclo. A maioria das lavouras está em enchimento de grãos (35%) e em maturação (45%). A colheita ganhou celeridade em algumas regiões devido ao tempo seco entre 16 e 18/10 e alcançou 19% da área semeada.

Nas áreas colhidas, são observadas produtividades satisfatórias e qualidade de grãos abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH),
além de grãos avariados e chochos. Em parte das lavouras, foi realizada a dessecação para
uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.

O excesso de umidade e a baixa disponibilidade de radiação solar durante importantes fases do ciclo diminuíram o potencial produtivo e aumentaram a pressão de doenças, especialmente giberela e brusone. Os temporais nas semanas anteriores também provocaram danos localizados, agravando perdas em lavouras próximas da colheita.

Conforme a reestimativa da Safra 2026, realizada pela Emater/RS-Ascar com dados da primeira quinzena de outubro, a área cultivada de trigo no Estado totaliza 763.121 hectares, o que representa redução de 34,56% em relação a 1.166.163 hectares cultivados em 2025 (IBGE). A produtividade projetada no início do plantio era de 2.701 kg/ha, e o cenário atual aponta 2.833 kg/ha, sendo 4,88% superior à estimada no momento do plantio, mas ainda dependente do desempenho até o final do ciclo. Em relação à produtividade da safra anterior, a projeção atual apresenta retração de 5,55% em relação aos 2.968 kg/ha obtidos no ano anterior (IBGE). A estimativa de produção é de 2.161.922 toneladas do cereal, o que representa queda de 37,48% em relação a 3.458.083 toneladas colhidas em 2025 (IBGE).

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Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita continuou lentamente em função das chuvas e da elevada umidade dos grãos. Em São Gabriel, nas lavouras em fase final de enchimento, há incidência de lagartas, com necessidade de controle. Em Manoel Viana, os produtores realizam a dessecação para uniformizar a maturação. Na Campanha, os períodos sem chuva favoreceram os cultivos, predominantemente aqueles em estágio de enchimento de grãos. Em Caçapava do Sul, foram registradas as primeiras áreas colhidas na região.

Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão em floração, mas sob condições favoráveis à incidência de doenças da espiga. Persistem as dificuldades para a realização dos tratamentos preventivos em razão da elevada umidade do solo. Na de Frederico Westphalen, 20% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 30% colhidos. O rendimento obtido está próximo a 2.500 kg/ha. Na de Ijuí, o ciclo da cultura se aproxima do fim com redução do potencial produtivo.

A colheita alcança aproximadamente 10% da área, e a umidade da massa de grãos está próxima de 20%. Na Região Celeiro, em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida, com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha e PH abaixo de 74. Em Santo Augusto, aproximadamente 15% foram colhidos, com rendimentos entre 1.560 e 2.400 kg/ha e PH entre 72 e 74. No Alto Jacuí, em Ibirubá, a colheita não se iniciou, e as expectativas de rendimento e qualidade foram revisadas para baixo.

Na de Passo Fundo, cerca de 90% das lavouras estão em enchimento de grãos, e 10% em maturação fisiológica. A colheita deverá se concentrar entre final de outubro e os primeiros dias de novembro.

Na de Pelotas, predominam cultivos em enchimento de grãos (82%); 16% estão em floração; e 2%, em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, as chuvas e a baixa radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a formação dos grãos.

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Na de Santa Rosa, 10% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 53% maduros e 38% colhidos. As lavouras colhidas apresentam produtividade geralmente entre 1.500 e 1.800 kg/ha, abaixo das expectativas. Há grande variabilidade na qualidade, com PH entre 72 e 78 em diferentes lotes e ocorrência de grãos avariados, chochos e esbranquiçados. Em Cândido Godói, a produtividade média observada na semana foi de 2.160 kg/ha. Em Garruchos, foram registrados grãos com umidade superior a 23%, e nas lavouras maduras segue intensa a debulha pré-colheita.

Na de Soledade, 30% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 55% em maturação, 10% maduras por colher e 5% colhidas. Muitas áreas foram dessecadas para a uniformização e antecipação da colheita. O padrão produtivo é considerado satisfatório em
aproximadamente 75% das áreas, embora haja grande diferença entre lavouras conforme o nível de manejo.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 74,15 para R$ 73,69 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.

Fonte: Emater/RS



 

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