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O agricultor e o publicitário

O que os agricultores fazem de bem-feito nos solos e mares cabe aos publicitários divulgar para o mundo. Amazônia, a marca da Marca do Brasil!
Todo agricultor tem um pouco de publicitário, pois, desde os primórdios, precisava levar seus produtos às feiras dos feudos e usar sua voz e a demonstração de suas batatas, legumes e carnes para atrair a preferência pelas suas mercadorias.
E todo publicitário tem um pouco de agricultor, pois precisa extrair do invisível das sementes das razões fortes impactos que emocionem e conquistem corações.
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Agronegócio, tradução de agribusiness — conceito desenvolvido por Dr. Ray Goldberg, de Harvard —, nos ensinou que não existe mais uma atividade isolada, que se realizava inteiramente como na época dos ancestrais, quando agricultores produziam as próprias sementes, criavam suas ferramentas manuais, colhiam com as mãos e iam às feiras promover e vender.
Um complexo científico e tecnológico está no antes das porteiras das fazendas, e um sistema agroindustrial de comércio e serviços está no pós-porteira das fazendas.
Dessa forma, a disputa pela preferência, simpatia e paixão por produtos e marcas, derivadas da produção agropecuária com agregação de valor e velocidade competitiva na sua adoção, se estabelece em um conhecimento novo, desenvolvido no século XX, que chamamos de marketing.
E, dentro desse conceito administrativo, que conecta o consumidor final com seu coração e sua mente no centro das mesas dos negócios, ocorre a arte publicitária.
A estratégia da propaganda também é milenar. Desde as construções monumentais de castelos e prédios religiosos, passando pelas praças de espetáculos, pelos shows terríveis nos coliseus, tambores, berrantes, figurinos e bandeiras, até os menestréis com a arte da palavra e seus alaúdes, a música e outros recursos atraíam e engajavam as populações em seus pontos de vista e percepções.
Dessa forma, ao falar de agronegócio sem a arte publicitária, ficaríamos somente com o lado do “agro”, sem eficácia na realização, hoje veloz, dos negócios.
Desde o pau-brasil, utilizado na coloração do vermelho mais nobre nas roupas de fidalgos do passado, atravessando as demonstrações de banquetes em que um rei exercia sua superioridade pela presença, em suas mesas, de produtos que eram plantados e criados muito distante de seus reinos, geravam-se “power brands”, associando algodão ao Egito, sedas à Índia, flores aos Países Baixos, vinhos ao Porto português etc.
A arte publicitária sempre esteve presente na atividade agroalimentar. A partir da Revolução Industrial, ela se transporta para o que Marx chamou de “fetiche das mercadorias”. As marcas, com agregação de valor, embalagens, apresentações e poder de distribuição em distintos canais, fazem uso da arte publicitária para, por exemplo, criar um espetáculo mundial de soft drink como a Coca-Cola, exaltar o hábito de mascar chicletes, gerar fast foods em sistemas de franquia internacionais e transformar a vida dos pets em um mercado de consumidores de saudáveis e finas rações.
Dessa forma, a arte publicitária criava sentidos pelos quais as pessoas se entusiasmavam, adotavam visões de mundo e as mercadorias adquiriam vida própria. Foi assim que surgiu a expressão: “a propaganda é a alma do negócio”.
Hoje temos um desafio agro tropical e ambiental brasileiro: implantá-lo na consciência do cidadão do mundo inteiro.
Temos a oportunidade espetacular de contar com a maior marca mundial, a Amazônia. Uma agência de branding, a FutureBrand, de São Paulo, participando do Festival Publicitário de Cannes, ganhou três Leões de Ouro com o design da marca Amazônia e fez a doação dessa marca para o Consórcio da Amazônia.
Temos realidades geradas no Brasil nos últimos 50 anos que estão carentes de uma estratégia publicitária. Existem ações competentes de vendas com a Apex, os adidos agrícolas e associações, como destaco a Abrapa, do algodão, e o Cecafé, onde até provoquei Marcos Antônio Matos, CEO da entidade, sobre por que não usarmos a nossa campeã olímpica, com saltos magistrais, Rebeca, elevando a percepção do café do Brasil, o campeão olímpico do mundo nessa arte.
A propaganda existe para encantar as massas, segmentos de consumidores e públicos. Como todo conhecimento humano, pode ser usada para o bem ou para o mal.
Usar a arte publicitária, o conhecimento da propaganda, para uma causa nobre, como dar percepção e conquistar mentes e corações humanos do mundo inteiro com aquilo que o Brasil faz de bem-feito, é um dever e uma obrigação de líderes do complexo agroindustrial nacional.
O agricultor tropical amazônico do Brasil merece ter ao seu lado o publicitário, utilizando as artes, a poesia das palavras, a música, os insights de força e de emoção que caracterizam a propaganda.
E, dentro da estratégia publicitária, reunir todo o mix de mídia, com todas as mídias, desde a nobreza do papel até o invisível digital, porém com a convicção de que, sem essa arte, não poderemos transformar os atuais cerca de US$ 600 bilhões do movimento somado das cadeias produtivas agrobrasileiras em uma genuína e obrigatória meta de US$ 1 trilhão nos próximos 10 anos.
Sem a orquestração da propaganda, não faremos sinfonia e teremos apenas cacofonia. Não temos mais 40 anos para, de forma silenciosa, chegarmos ao posto de maior agroexportador mundial.
Está na hora de conquistar corações e mentes, do “gene ao meme”. Temos ótimos publicitários no país, sempre tivemos. Vamos reunir produtoras e produtores rurais com publicitárias e publicitários.
Não se trata mais de mostrar o Brasil para o mundo, e sim de mostrar o quanto, no Brasil, o mundo ficou mais brasileiro.
Share of mind, o termo que antecede share of market e que permite segurança estratégica para todos os negócios.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Clima, solo e manejo influenciam no armazenamento de carbono no Cerrado, mostra estudo

A capacidade de o Cerrado armazenar carbono depende de fatores ambientais e do uso da terra. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
O trabalho se baseou em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma para entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento.
As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo.
“O Cerrado é uma das principais regiões agrícolas do Brasil e, ao mesmo tempo, possui uma grande importância ambiental. Entender o que acontece com o carbono do solo quando a vegetação nativa é convertida para a agricultura é importante tanto para a conservação quanto para pensar em sistemas agrícolas mais sustentáveis”, diz a pesquisadora da unidade de biorrenováveis do CNPEM, Sarah Tenelli, que também é coordenadora dos estudos.
Diferentes formas de carbono
Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo.
Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presente no solo.
“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono”, disse a pesquisadora.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações sobre temperatura, disponibilidade de água, produtividade das plantas e características físicas do solo. Esses dados foram analisados por meio de um modelo estatístico capaz de avaliar tanto os efeitos diretos quanto os indiretos desses fatores sobre o armazenamento de carbono.
Importância do carbono no solo
A matéria orgânica do solo é formada por restos de plantas, como folhas, galhos e raízes. Ela desempenha funções importantes para o funcionamento do solo, servindo como fonte de energia para microrganismos, fornecendo nutrientes para as plantas e contribuindo para a retenção de água.
De acordo com Sarah, isso proporciona o aumento de produtividade agrícola, reduz a necessidade de adubação química e protege as plantas contra doenças.
Parte importante dessa matéria orgânica é composta por carbono. As plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese e incorporam esse carbono à sua biomassa. Quando os resíduos vegetais chegam ao solo e são transformados em matéria orgânica, parte desse carbono pode permanecer armazenada no solo.
“Se você tem sistemas agrícolas mais sustentáveis, capazes de adicionar mais carbono ao solo, isso é interessante em relação às mudanças climáticas, porque você vai estar removendo parte desse carbono na atmosfera e estocando na terra”, afirma a pesquisadora.
O armazenamento de carbono também está relacionado à qualidade e ao funcionamento do solo. Segundo Sarah, práticas agrícolas que favorecem a absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento do solo podem contribuir para a permanência do carbono.
“Um solo com mais silte e argila vai reter mais carbono. E, se adotar práticas de manejo sustentáveis, que não revolvem o solo e protegem os agregados, vai ajudar na concentração desse elemento químico”, diz.
Apesar de ser frequentemente tratado como uma única região, o Cerrado apresenta grande diversidade de ambientes e solos. Há áreas mais argilosas e outras arenosas, além de diferenças na composição mineral.
Essa diversidade também foi considerada na pesquisa, que reuniu dados de diferentes regiões do bioma para ampliar a abrangência da análise. A pesquisa também mostrou uma limitação importante: ainda são relativamente poucos os estudos que apresentam, ao mesmo tempo, informações sobre as diversas frações de carbono e dados sobre características do solo, como textura, além de outras variáveis ambientais.
Dos mais de cem estudos inicialmente encontrados na revisão da literatura, apenas 30 reuniam o conjunto de informações necessárias para a análise.
Próximos passos da pesquisa
A pesquisa terá continuidade com o uso de modelos capazes de simular diferentes cenários de uso da terra. Para isso, os pesquisadores selecionaram sete áreas no Mato Grosso, em Goiás, na Bahia e no Piauí com informações históricas detalhadas sobre manejo e uso do solo. A proposta é avaliar como esses sistemas agrícolas podem influenciar o carbono do solo no futuro.
A modelagem considera localização das áreas, características do solo, histórico de conversão da vegetação nativa, culturas utilizadas, práticas de manejo, produtividade e quantidade de carbono presente no solo.
A expectativa é que, após a validação do modelo para as condições brasileiras, seja possível simular diferentes cenários e avaliar como mudanças no manejo podem afetar a produtividade e o armazenamento de carbono ao longo do tempo.
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Soja cai até 4,2% em outubro, enquanto boi gordo sobe 3,7%

Os indicadores do Cepea para soja, milho e boi gordo apresentaram movimentos distintos na sexta-feira (9). A soja recuou no acumulado do mês, enquanto o boi gordo manteve a valorização. O milho registrou leve alta diária.
Soja
O indicador da soja Cepea/Esalq para Paranaguá (PR) fechou o dia a R$ 154,75 por saca de 60 quilos, queda de 0,10% em relação ao dia anterior. No acumulado de outubro, a desvalorização chegou a 4,22%. Em dólares, a cotação ficou em US$ 31,04 por saca.
No Paraná, o indicador da soja encerrou a sexta-feira a R$ 148,31 por saca, alta diária de 0,11%. Apesar da recuperação no dia, o preço acumulou queda de 4,26% no mês. Em dólares, o valor foi de US$ 29,75 por saca.
Milho
O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa registrou alta de 0,25% no dia, a R$ 67,35 por saca de 60 quilos. No acumulado de outubro, porém, o preço teve queda de 1,92%. A cotação em dólares ficou em US$ 13,51 por saca.
Boi gordo
Já o indicador do boi gordo Cepea/Esalq alcançou R$ 377,80 por arroba na sexta-feira, avanço de 0,40% em relação ao dia anterior. No acumulado do mês, a alta chegou a 3,71%. Em dólares, o indicador ficou em US$ 75,79 por arroba.
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Operação agrícola esconde 6 problemas que fazem produtor perder dinheiro

Olhar para dentro da operação agrícola é tão importante quanto acompanhar os preços das commodities, ainda mais em momentos de custos elevados e maior pressão sobre as margens.
No entanto, parte dos gastos do campo não aparece de forma evidente na planilha do produtor. Para ajudar a identificar esses gargalos e encontrar oportunidades de melhoria, o gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, destaca seis pontos que merecem atenção no planejamento:
- Consumo de combustível
O combustível está entre os principais custos relacionados à operação de máquinas, e seu consumo pode variar de acordo com fatores como velocidade de trabalho, condições do solo, dimensionamento dos implementos, carga do moto e manutenção.
Uma máquina trabalhando fora da faixa adequada ou com componentes desgastados pode demandar mais esforço para realizar a mesma atividade, aumentando o consumo.
Acompanhar o consumo por operação e, sempre que possível, por hectare pode ajudar a identificar desvios e oportunidades de ajuste. A comparação entre diferentes áreas, atividades e períodos também permite entender quais condições estão associadas a um desempenho mais eficiente. Para máquinas que possuem gerenciamento de frota, como telemetria, esses dados podem contribuir para identificar erros operacionais ou de logística que resultam em um consumo de combustível acima do ideal.
- Sobreposição de operações
Quando a máquina percorre novamente uma área que já recebeu determinada atividade, o produtor pode estar gastando combustível, insumos, mão de obra e horas de equipamento sem gerar um ganho proporcional.
Zanetti destaca que tecnologias de agricultura de precisão, orientação e automação ajudam a reduzir sobreposições e a melhorar o aproveitamento da área trabalhada. Recursos de orientação permitem conduzir a máquina com maior precisão, enquanto o controle de seções pode evitar a aplicação de insumos em áreas que já receberam o tratamento.
- Regulagem dos equipamentos
Uma máquina corretamente regulada pode fazer diferença tanto na qualidade da operação quanto no aproveitamento dos recursos.
No plantio, por exemplo, profundidade, população e distribuição das sementes precisam estar de acordo com a cultura e as condições da área. Em outras operações, ajustes inadequados podem comprometer a aplicação de insumos, aumentar perdas ou exigir maior esforço do equipamento.
A regulagem deve ser realizada antes do início da operação e revisada sempre que houver mudança nas condições de trabalho, cultura ou implemento.
- Tempo de máquina parada
Uma quebra durante a safra pode representar muito mais do que o valor do reparo. “O produtor também pode perder horas de trabalho, mão de obra e, principalmente, uma janela adequada para realizar determinada operação”, detalha Zanetti.
A manutenção preventiva deve ser considerada parte do planejamento da produção, e não apenas uma despesa. Antes de períodos críticos, a revisão dos principais componentes, a verificação de itens de desgaste e o planejamento das intervenções necessárias podem reduzir o risco de uma parada justamente quando a máquina é mais necessária.
- Dados que não viram decisão
Saber quanto uma máquina trabalhou é apenas o primeiro passo. De acordo com o especialista, informações sobre horas de operação, consumo, desempenho e produtividade podem ajudar o produtor a entender onde estão os principais custos e quais atividades apresentam maior ou menor eficiência.
Plataformas de gestão e conectividade permitem centralizar informações da operação e acompanhar dados da frota, apoiando o planejamento e a tomada de decisão.
“O próximo passo é transformar esses dados em indicadores que possam ser acompanhados ao longo da safra. Saber quanto uma máquina consome, quanto tempo permanece efetivamente trabalhando e onde estão as principais paradas permite ao produtor enxergar custos que muitas vezes ficam diluídos na operação.”
- Custo por hectare
A análise da eficiência também pode ir além do gasto imediato. Para entender o desempenho de uma máquina, o produtor pode considerar o custo total da operação, que envolve fatores como combustível, manutenção, disponibilidade, produtividade e vida útil do equipamento.
“Em uma operação agrícola, eficiência não significa apenas fazer mais em menos tempo. Significa aproveitar melhor cada litro de combustível, cada hora de máquina e cada hectare trabalhado. Quando o produtor consegue identificar onde estão as perdas, passa a ter mais informações para tomar decisões e melhorar o resultado da operação”, reforça o especialista.
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