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10 de outubro de 2026

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Deriva de herbicidas causa prejuízos de R$ 210 milhões, mostra pesquisa

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Foto: Franciele Dalmaso/Aprosoja

Um levantamento inédito realizado no Rio Grande do Sul dimensionou o impacto econômico da deriva de herbicidas utilizados principalmente em lavouras de grãos sobre a produção de uvas. Segundo o estudo, os prejuízos provocados pelo problema ultrapassaram R$ 210 milhões entre 2018 e 2025, considerando perdas de produção, aumento dos custos de manejo e necessidade de renovação antecipada dos vinhedos.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (ConceVitis-RS) e pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O levantamento analisou mais de 400 ocorrências de deriva registradas no estado, além de entrevistas realizadas em diferentes regiões vitivinícolas e análises territoriais. Ao todo, foram identificados pelo menos 700 hectares de vinhedos afetados.

Os pesquisadores alertam, porém, que a área atingida pode ser ainda maior, já que o estudo considerou os registros oficiais disponíveis.

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Deriva reduz produtividade e antecipa renovação de vinhedos

Os impactos não se limitam à perda imediata da produção. Quando atingidas por herbicidas hormonais, as videiras apresentam sintomas característicos, como deformações nas folhas, além de redução da produtividade.

O problema também pode comprometer os ciclos seguintes. Uma videira afetada pode apresentar menor vida útil, fazendo com que o produtor precise antecipar a renovação do vinhedo e, consequentemente, aumentar os investimentos na propriedade.

De acordo com o estudo, caso o cenário persista, os prejuízos podem ultrapassar R$ 150 milhões em cinco anos, considerando os impactos sobre a atividade vitivinícola.

Regiões produtoras são afetadas

Foram identificados registros de deriva em importantes regiões produtoras do Rio Grande do Sul, como Campanha Gaúcha, região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto e Missões. Também foram registrados casos, de forma mais pontual, na Serra Gaúcha.

Para o setor vitivinícola, o problema pode representar um obstáculo aos investimentos e à expansão da atividade no estado.

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Representantes do setor ressaltam, no entanto, que a intenção não é impedir o cultivo de grãos, mas buscar condições para que as duas atividades possam coexistir sem que uma provoque prejuízos à outra.

Herbicidas hormonais estão no centro do debate

A deriva de herbicidas é uma discussão antiga no Rio Grande do Sul. Entre os produtos envolvidos está o 2,4-D, herbicida hormonal utilizado no controle de plantas daninhas.

O produto já esteve no centro de disputas judiciais envolvendo entidades dos setores de uva, vinho e maçã. Segundo os produtores, a deriva pode provocar deformações em folhas e flores e comprometer a produtividade das culturas atingidas.

Treinamento busca reduzir casos de deriva

Diante do problema, a Emater-RS desenvolveu o programa de treinamento Inspea-RS, voltado a agricultores e aplicadores de defensivos.

Já foram realizados mais de 1 mil treinamentos, com cerca de 24 mil aplicadores capacitados. O objetivo é melhorar a eficiência das aplicações, reduzir os casos de deriva e também evitar desperdícios de defensivos.

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Aplicação correta pode reduzir risco em mais de 40%

Entre as principais medidas para reduzir a deriva está a escolha adequada das pontas de pulverização.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater-RS, Wilder Dalprá, no caso de herbicidas hormonais, a recomendação é utilizar pontas que produzam gotas grossas, muito grossas ou extremamente grossas.

Somente a utilização de uma ponta adequada pode reduzir o risco de deriva em mais de 40%, segundo a orientação apresentada na reportagem.

Pontas que produzem gotas finas e muito finas, como as de jato cone, aumentam o potencial de deriva. Nesses equipamentos, aproximadamente 40% das gotas podem ser consideradas deriváveis. Com pontas que produzem gotas muito grossas ou extremamente grossas, esse percentual pode cair para uma faixa de 3% a 7%.

Condições climáticas também são decisivas

Além da regulagem dos equipamentos, as condições meteorológicas no momento da aplicação são fundamentais.

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A recomendação é evitar aplicações com temperaturas excessivamente altas e observar a velocidade do vento. Segundo a Emater-RS, o vento deve ficar entre 3 km/h e 10 km/h.

Também é necessário considerar a umidade relativa do ar, que não deve ficar abaixo de 55% durante a aplicação.

A adoção dessas medidas, equipamentos adequados, regulagem e calibração corretas e respeito às condições meteorológicas pode contribuir para reduzir a deriva e tornar a aplicação de herbicidas mais eficiente e sustentável.

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Clima, solo e manejo influenciam no armazenamento de carbono no Cerrado, mostra estudo

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A capacidade de o Cerrado armazenar carbono depende de fatores ambientais e do uso da terra. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O trabalho se baseou em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma para entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento.

As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo.

“O Cerrado é uma das principais regiões agrícolas do Brasil e, ao mesmo tempo, possui uma grande importância ambiental. Entender o que acontece com o carbono do solo quando a vegetação nativa é convertida para a agricultura é importante tanto para a conservação quanto para pensar em sistemas agrícolas mais sustentáveis”, diz a pesquisadora da unidade de biorrenováveis do CNPEM, Sarah Tenelli, que também é coordenadora dos estudos.

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Diferentes formas de carbono

Pesquisadora Sarah Tenelli, com parte das amostras analisadas. Foto: Divulgação

Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo.

Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presente no solo.

“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono”, disse a pesquisadora.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações sobre temperatura, disponibilidade de água, produtividade das plantas e características físicas do solo. Esses dados foram analisados por meio de um modelo estatístico capaz de avaliar tanto os efeitos diretos quanto os indiretos desses fatores sobre o armazenamento de carbono.

Importância do carbono no solo

A matéria orgânica do solo é formada por restos de plantas, como folhas, galhos e raízes. Ela desempenha funções importantes para o funcionamento do solo, servindo como fonte de energia para microrganismos, fornecendo nutrientes para as plantas e contribuindo para a retenção de água.

De acordo com Sarah, isso proporciona o aumento de produtividade agrícola, reduz a necessidade de adubação química e protege as plantas contra doenças.

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Parte importante dessa matéria orgânica é composta por carbono. As plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese e incorporam esse carbono à sua biomassa. Quando os resíduos vegetais chegam ao solo e são transformados em matéria orgânica, parte desse carbono pode permanecer armazenada no solo.

“Se você tem sistemas agrícolas mais sustentáveis, capazes de adicionar mais carbono ao solo, isso é interessante em relação às mudanças climáticas, porque você vai estar removendo parte desse carbono na atmosfera e estocando na terra”, afirma a pesquisadora.

O armazenamento de carbono também está relacionado à qualidade e ao funcionamento do solo. Segundo Sarah, práticas agrícolas que favorecem a absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento do solo podem contribuir para a permanência do carbono.

“Um solo com mais silte e argila vai reter mais carbono. E, se adotar práticas de manejo sustentáveis, que não revolvem o solo e protegem os agregados, vai ajudar na concentração desse elemento químico”, diz.

Apesar de ser frequentemente tratado como uma única região, o Cerrado apresenta grande diversidade de ambientes e solos. Há áreas mais argilosas e outras arenosas, além de diferenças na composição mineral.

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Essa diversidade também foi considerada na pesquisa, que reuniu dados de diferentes regiões do bioma para ampliar a abrangência da análise. A pesquisa também mostrou uma limitação importante: ainda são relativamente poucos os estudos que apresentam, ao mesmo tempo, informações sobre as diversas frações de carbono e dados sobre características do solo, como textura, além de outras variáveis ambientais.

Dos mais de cem estudos inicialmente encontrados na revisão da literatura, apenas 30 reuniam o conjunto de informações necessárias para a análise.

Próximos passos da pesquisa

A pesquisa terá continuidade com o uso de modelos capazes de simular diferentes cenários de uso da terra. Para isso, os pesquisadores selecionaram sete áreas no Mato Grosso, em Goiás, na Bahia e no Piauí com informações históricas detalhadas sobre manejo e uso do solo. A proposta é avaliar como esses sistemas agrícolas podem influenciar o carbono do solo no futuro.

A modelagem considera localização das áreas, características do solo, histórico de conversão da vegetação nativa, culturas utilizadas, práticas de manejo, produtividade e quantidade de carbono presente no solo.

A expectativa é que, após a validação do modelo para as condições brasileiras, seja possível simular diferentes cenários e avaliar como mudanças no manejo podem afetar a produtividade e o armazenamento de carbono ao longo do tempo.

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Soja cai até 4,2% em outubro, enquanto boi gordo sobe 3,7%

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Os indicadores do Cepea para soja, milho e boi gordo apresentaram movimentos distintos na sexta-feira (9). A soja recuou no acumulado do mês, enquanto o boi gordo manteve a valorização. O milho registrou leve alta diária.

Soja

O indicador da soja Cepea/Esalq para Paranaguá (PR) fechou o dia a R$ 154,75 por saca de 60 quilos, queda de 0,10% em relação ao dia anterior. No acumulado de outubro, a desvalorização chegou a 4,22%. Em dólares, a cotação ficou em US$ 31,04 por saca.

No Paraná, o indicador da soja encerrou a sexta-feira a R$ 148,31 por saca, alta diária de 0,11%. Apesar da recuperação no dia, o preço acumulou queda de 4,26% no mês. Em dólares, o valor foi de US$ 29,75 por saca.

Milho

O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa registrou alta de 0,25% no dia, a R$ 67,35 por saca de 60 quilos. No acumulado de outubro, porém, o preço teve queda de 1,92%. A cotação em dólares ficou em US$ 13,51 por saca.

Boi gordo

Já o indicador do boi gordo Cepea/Esalq alcançou R$ 377,80 por arroba na sexta-feira, avanço de 0,40% em relação ao dia anterior. No acumulado do mês, a alta chegou a 3,71%. Em dólares, o indicador ficou em US$ 75,79 por arroba.

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Operação agrícola esconde 6 problemas que fazem produtor perder dinheiro

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Olhar para dentro da operação agrícola é tão importante quanto acompanhar os preços das commodities, ainda mais em momentos de custos elevados e maior pressão sobre as margens.

No entanto, parte dos gastos do campo não aparece de forma evidente na planilha do produtor. Para ajudar a identificar esses gargalos e encontrar oportunidades de melhoria, o gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, destaca seis pontos que merecem atenção no planejamento:

  1. Consumo de combustível

O combustível está entre os principais custos relacionados à operação de máquinas, e seu consumo pode variar de acordo com fatores como velocidade de trabalho, condições do solo, dimensionamento dos implementos, carga do moto e manutenção.

Uma máquina trabalhando fora da faixa adequada ou com componentes desgastados pode demandar mais esforço para realizar a mesma atividade, aumentando o consumo.

Acompanhar o consumo por operação e, sempre que possível, por hectare pode ajudar a identificar desvios e oportunidades de ajuste. A comparação entre diferentes áreas, atividades e períodos também permite entender quais condições estão associadas a um desempenho mais eficiente. Para máquinas que possuem gerenciamento de frota, como telemetria, esses dados podem contribuir para identificar erros operacionais ou de logística que resultam em um consumo de combustível acima do ideal.

  1. Sobreposição de operações

Quando a máquina percorre novamente uma área que já recebeu determinada atividade, o produtor pode estar gastando combustível, insumos, mão de obra e horas de equipamento sem gerar um ganho proporcional.

Zanetti destaca que tecnologias de agricultura de precisão, orientação e automação ajudam a reduzir sobreposições e a melhorar o aproveitamento da área trabalhada. Recursos de orientação permitem conduzir a máquina com maior precisão, enquanto o controle de seções pode evitar a aplicação de insumos em áreas que já receberam o tratamento.

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  1. Regulagem dos equipamentos

Uma máquina corretamente regulada pode fazer diferença tanto na qualidade da operação quanto no aproveitamento dos recursos.

No plantio, por exemplo, profundidade, população e distribuição das sementes precisam estar de acordo com a cultura e as condições da área. Em outras operações, ajustes inadequados podem comprometer a aplicação de insumos, aumentar perdas ou exigir maior esforço do equipamento.

A regulagem deve ser realizada antes do início da operação e revisada sempre que houver mudança nas condições de trabalho, cultura ou implemento.

  1. Tempo de máquina parada

Uma quebra durante a safra pode representar muito mais do que o valor do reparo. “O produtor também pode perder horas de trabalho, mão de obra e, principalmente, uma janela adequada para realizar determinada operação”, detalha Zanetti.

A manutenção preventiva deve ser considerada parte do planejamento da produção, e não apenas uma despesa. Antes de períodos críticos, a revisão dos principais componentes, a verificação de itens de desgaste e o planejamento das intervenções necessárias podem reduzir o risco de uma parada justamente quando a máquina é mais necessária.

  1. Dados que não viram decisão

Saber quanto uma máquina trabalhou é apenas o primeiro passo. De acordo com o especialista, informações sobre horas de operação, consumo, desempenho e produtividade podem ajudar o produtor a entender onde estão os principais custos e quais atividades apresentam maior ou menor eficiência.

Plataformas de gestão e conectividade permitem centralizar informações da operação e acompanhar dados da frota, apoiando o planejamento e a tomada de decisão.

“O próximo passo é transformar esses dados em indicadores que possam ser acompanhados ao longo da safra. Saber quanto uma máquina consome, quanto tempo permanece efetivamente trabalhando e onde estão as principais paradas permite ao produtor enxergar custos que muitas vezes ficam diluídos na operação.”

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  1. Custo por hectare

A análise da eficiência também pode ir além do gasto imediato. Para entender o desempenho de uma máquina, o produtor pode considerar o custo total da operação, que envolve fatores como combustível, manutenção, disponibilidade, produtividade e vida útil do equipamento.

“Em uma operação agrícola, eficiência não significa apenas fazer mais em menos tempo. Significa aproveitar melhor cada litro de combustível, cada hora de máquina e cada hectare trabalhado. Quando o produtor consegue identificar onde estão as perdas, passa a ter mais informações para tomar decisões e melhorar o resultado da operação”, reforça o especialista.

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