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Soja mais resistente a percevejos é identificada por pesquisadores brasileiros

Por meio de um programa de melhoramento genético, pesquisadores brasileiros identificaram quatro linhagens de sementes de soja tolerantes à infestação por percevejos.
O trabalho foi apoiado pela Fapesp e publicado na revista Pest Management Science (PMS) por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Botucatu, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O grupo focou em duas linhagens parentais, uma tolerante e outra não tolerante a percevejos, além de 12 linhagens recombinantes, híbridos gerados a partir dos parentais, que se comportam ora tolerantes, ora suscetíveis à praga.
Realização do experimento
O experimento foi feito em duas regiões produtoras de soja, em cenários de manejo com e sem aplicação de inseticidas. Um dos campos de teste foi a Fazenda Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, em Botucatu.
O outro foi a Estação Experimental do Departamento de Genética e Melhoramento de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Anhumas, no município de Piracicaba.
“Tentamos trabalhar em dois ambientes que têm certo contraste. Botucatu tem altitude mais elevada e clima mais ameno. Anhumas [Piracicaba], altitude mais baixa e ambiente mais quente. Tentamos representar um pouco da diferença de ambientes em que se cultiva soja no país”, explica Larissa Chamma, coautora do trabalho realizado durante seu doutorado no Departamento de Produção Agrícola da FCA-Unesp.
Ela destaca que ainda se estuda muito pouco a qualidade das sementes sob ataque de pragas considerando a forma como a genética da planta reage a diferentes condições de clima e solo, embora a tolerância natural da soja seja um componente central para o manejo integrado de pragas.
“Começamos pensando sob a perspectiva do melhoramento genético e depois o artigo foi enquadrando também a questão do manejo e isso foi muito importante para que fosse publicado na PMS. A pergunta deixa de ser ‘qual linhagem é a melhor?’, e passa a ser ‘qual linhagem é mais estável e útil sob diferentes condições reais de cultivo?’”, explica o biólogo Rômulo Pedro Macêdo Lima.
O professor da FCA-Unesp Edvaldo Aparecido Amaral da Silva, orientador de Chamma, ressalta que a estratégia não exclui a necessidade de fazer o manejo integrado de pragas. “A seleção e o melhoramento de sementes são parte de uma série de estratégias que podem ajudar o ambiente. Não vão eliminar completamente os inseticidas químicos, mas vão facilitar a vida do agricultor, reduzir os custos e os problemas ambientais”, destaca.
Segundo o pesquisador, 30% das lavouras de grãos (de todos os tipos, não apenas a soja) podem ser perdidas por conta de percevejos.
Quatro cenários
Em ambas as áreas experimentais foram realizadas, antes da semeadura, a calagem (adição de calcário na terra para diminuir a acidez e melhorar a absorção de nutrientes pelas raízes) e a adubação mineral de acordo com a análise do solo. O controle de plantas daninhas foi feito com herbicida e houve aplicação de fungicida quando necessário.
As sementes destinadas à exposição aos produtos químicos foram tratadas conforme as recomendações do fabricante, com fungicida, inseticida e inoculantes. As aplicações de inseticida foram realizadas com base no monitoramento de pragas: semanalmente, ou sempre que o método de “batida com pano” detectasse pelo menos um percevejo por metro quadrado.
“Nas lavouras comerciais, sabe-se quando aplicar o inseticida pelo seguinte método: eles colocam um pano no meio das plantas de soja e batem as plantas para ver quantos percevejos caíram. Se tem um percevejo por metro quadrado em uma lavoura direcionada ao cultivo de sementes, eles já sabem que têm de aplicar”, conta Chamma.
Ela lembra que as regiões de Anhumas e Botucatu apresentaram populações de percevejos acima desse limite, considerado o máximo tolerável para a produção de sementes de soja. Na região de Anhumas, a população atingiu um pico de cinco percevejos por metro quadrado, enquanto em Botucatu chegou a aproximadamente três percevejos por metro quadrado.
As espécies detectadas em ambas as regiões foram Nezara viridula, Piezodorus guildinii, Diceraeus melacanthus e Euschistus heros.
Nas parcelas tratadas com inseticida, foram aplicados os compostos tiametoxam + lambda-cialotrina, clorantraniliprole + bifentrina, imidaclopride + beta-ciflutrina, deltametrina e imidaclopride + bifentrina. No tratamento sem inseticida, nenhum deles foi usado, mas o preparo do solo e o controle com herbicida e fungicida foram feitos.
“Nas duas áreas experimentais, tínhamos o grupo-controle, sem inseticida, e o outro grupo, com inseticida. Foram dois ambientes, mas tratamos como se fossem quatro, e isso foi importante, pois havia duas diferenças a considerar: a climática e a do grupo-controle”, detalha Lima.
Oito características fisiológicas das sementes relacionadas à germinação, ao vigor e à longevidade foram avaliadas para determinar as respostas da planta sob exposição aos percevejos.
“Descobrimos que o fator genético tem forte influência na longevidade das sementes sob diferentes níveis de infestação por percevejos. Já o peso dos efeitos ambientais foi predominante para as características de vigor inicial da semente”, descreve Lima.
Longevidade
Em resumo, o estudo revelou que a longevidade é mais afetada pela genética do que pelos aspectos ambientais. Os cientistas, inclusive, sugerem que ela pode servir como um indicador para antecipar o desempenho geral das sementes sob estresse de pragas.
“A longevidade das sementes apresentou um controle genético comparativamente mais forte que o ambiental. Trata-se de uma característica associada à qualidade fisiológica da semente e que pode, quem sabe, um dia, ser adicionada aos programas de melhoramento genético”, estima Chamma.
“Atualmente, pouco se faz melhoramento com o objetivo de aprimorar a qualidade das sementes. Há uma demanda por outras coisas, como a tolerância da planta a doenças, ao estresse, à falta ou ao excesso de água, e a qualidade de sementes vai ficando para depois”, esclarece Amaral.
Segundo ele, a longevidade é importante porque uma semente mais longeva preserva o seu vigor, que é um componente de qualidade fisiológica.
“Longevidade é tempo de prateleira, mas com vigor. Não basta a semente estar viva. Tem de estar viva e em boas condições. Quanto maior o vigor, mais capacidade de enfrentar as adversidades, germinar mais rápido, emergir, formar planta rapidamente e começar a fazer fotossíntese. É isso que o agricultor quer, porque isso traz ganhos”, destaca.
“O ideal é o manejo integrado de pragas, uma combinação entre prática de melhoramento, que é o que estamos fazendo, com aplicação de inseticida, controle biológico e outras ferramentas. Assim, é possível só aplicar o inseticida químico quando realmente for necessário”, pondera Chamma.
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Clima, solo e manejo influenciam no armazenamento de carbono no Cerrado, mostra estudo

A capacidade de o Cerrado armazenar carbono depende de fatores ambientais e do uso da terra. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
O trabalho se baseou em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma para entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento.
As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo.
“O Cerrado é uma das principais regiões agrícolas do Brasil e, ao mesmo tempo, possui uma grande importância ambiental. Entender o que acontece com o carbono do solo quando a vegetação nativa é convertida para a agricultura é importante tanto para a conservação quanto para pensar em sistemas agrícolas mais sustentáveis”, diz a pesquisadora da unidade de biorrenováveis do CNPEM, Sarah Tenelli, que também é coordenadora dos estudos.
Diferentes formas de carbono
Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo.
Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presente no solo.
“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono”, disse a pesquisadora.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações sobre temperatura, disponibilidade de água, produtividade das plantas e características físicas do solo. Esses dados foram analisados por meio de um modelo estatístico capaz de avaliar tanto os efeitos diretos quanto os indiretos desses fatores sobre o armazenamento de carbono.
Importância do carbono no solo
A matéria orgânica do solo é formada por restos de plantas, como folhas, galhos e raízes. Ela desempenha funções importantes para o funcionamento do solo, servindo como fonte de energia para microrganismos, fornecendo nutrientes para as plantas e contribuindo para a retenção de água.
De acordo com Sarah, isso proporciona o aumento de produtividade agrícola, reduz a necessidade de adubação química e protege as plantas contra doenças.
Parte importante dessa matéria orgânica é composta por carbono. As plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese e incorporam esse carbono à sua biomassa. Quando os resíduos vegetais chegam ao solo e são transformados em matéria orgânica, parte desse carbono pode permanecer armazenada no solo.
“Se você tem sistemas agrícolas mais sustentáveis, capazes de adicionar mais carbono ao solo, isso é interessante em relação às mudanças climáticas, porque você vai estar removendo parte desse carbono na atmosfera e estocando na terra”, afirma a pesquisadora.
O armazenamento de carbono também está relacionado à qualidade e ao funcionamento do solo. Segundo Sarah, práticas agrícolas que favorecem a absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento do solo podem contribuir para a permanência do carbono.
“Um solo com mais silte e argila vai reter mais carbono. E, se adotar práticas de manejo sustentáveis, que não revolvem o solo e protegem os agregados, vai ajudar na concentração desse elemento químico”, diz.
Apesar de ser frequentemente tratado como uma única região, o Cerrado apresenta grande diversidade de ambientes e solos. Há áreas mais argilosas e outras arenosas, além de diferenças na composição mineral.
Essa diversidade também foi considerada na pesquisa, que reuniu dados de diferentes regiões do bioma para ampliar a abrangência da análise. A pesquisa também mostrou uma limitação importante: ainda são relativamente poucos os estudos que apresentam, ao mesmo tempo, informações sobre as diversas frações de carbono e dados sobre características do solo, como textura, além de outras variáveis ambientais.
Dos mais de cem estudos inicialmente encontrados na revisão da literatura, apenas 30 reuniam o conjunto de informações necessárias para a análise.
Próximos passos da pesquisa
A pesquisa terá continuidade com o uso de modelos capazes de simular diferentes cenários de uso da terra. Para isso, os pesquisadores selecionaram sete áreas no Mato Grosso, em Goiás, na Bahia e no Piauí com informações históricas detalhadas sobre manejo e uso do solo. A proposta é avaliar como esses sistemas agrícolas podem influenciar o carbono do solo no futuro.
A modelagem considera localização das áreas, características do solo, histórico de conversão da vegetação nativa, culturas utilizadas, práticas de manejo, produtividade e quantidade de carbono presente no solo.
A expectativa é que, após a validação do modelo para as condições brasileiras, seja possível simular diferentes cenários e avaliar como mudanças no manejo podem afetar a produtividade e o armazenamento de carbono ao longo do tempo.
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Soja cai até 4,2% em outubro, enquanto boi gordo sobe 3,7%

Os indicadores do Cepea para soja, milho e boi gordo apresentaram movimentos distintos na sexta-feira (9). A soja recuou no acumulado do mês, enquanto o boi gordo manteve a valorização. O milho registrou leve alta diária.
Soja
O indicador da soja Cepea/Esalq para Paranaguá (PR) fechou o dia a R$ 154,75 por saca de 60 quilos, queda de 0,10% em relação ao dia anterior. No acumulado de outubro, a desvalorização chegou a 4,22%. Em dólares, a cotação ficou em US$ 31,04 por saca.
No Paraná, o indicador da soja encerrou a sexta-feira a R$ 148,31 por saca, alta diária de 0,11%. Apesar da recuperação no dia, o preço acumulou queda de 4,26% no mês. Em dólares, o valor foi de US$ 29,75 por saca.
Milho
O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa registrou alta de 0,25% no dia, a R$ 67,35 por saca de 60 quilos. No acumulado de outubro, porém, o preço teve queda de 1,92%. A cotação em dólares ficou em US$ 13,51 por saca.
Boi gordo
Já o indicador do boi gordo Cepea/Esalq alcançou R$ 377,80 por arroba na sexta-feira, avanço de 0,40% em relação ao dia anterior. No acumulado do mês, a alta chegou a 3,71%. Em dólares, o indicador ficou em US$ 75,79 por arroba.
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Operação agrícola esconde 6 problemas que fazem produtor perder dinheiro

Olhar para dentro da operação agrícola é tão importante quanto acompanhar os preços das commodities, ainda mais em momentos de custos elevados e maior pressão sobre as margens.
No entanto, parte dos gastos do campo não aparece de forma evidente na planilha do produtor. Para ajudar a identificar esses gargalos e encontrar oportunidades de melhoria, o gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, destaca seis pontos que merecem atenção no planejamento:
- Consumo de combustível
O combustível está entre os principais custos relacionados à operação de máquinas, e seu consumo pode variar de acordo com fatores como velocidade de trabalho, condições do solo, dimensionamento dos implementos, carga do moto e manutenção.
Uma máquina trabalhando fora da faixa adequada ou com componentes desgastados pode demandar mais esforço para realizar a mesma atividade, aumentando o consumo.
Acompanhar o consumo por operação e, sempre que possível, por hectare pode ajudar a identificar desvios e oportunidades de ajuste. A comparação entre diferentes áreas, atividades e períodos também permite entender quais condições estão associadas a um desempenho mais eficiente. Para máquinas que possuem gerenciamento de frota, como telemetria, esses dados podem contribuir para identificar erros operacionais ou de logística que resultam em um consumo de combustível acima do ideal.
- Sobreposição de operações
Quando a máquina percorre novamente uma área que já recebeu determinada atividade, o produtor pode estar gastando combustível, insumos, mão de obra e horas de equipamento sem gerar um ganho proporcional.
Zanetti destaca que tecnologias de agricultura de precisão, orientação e automação ajudam a reduzir sobreposições e a melhorar o aproveitamento da área trabalhada. Recursos de orientação permitem conduzir a máquina com maior precisão, enquanto o controle de seções pode evitar a aplicação de insumos em áreas que já receberam o tratamento.
- Regulagem dos equipamentos
Uma máquina corretamente regulada pode fazer diferença tanto na qualidade da operação quanto no aproveitamento dos recursos.
No plantio, por exemplo, profundidade, população e distribuição das sementes precisam estar de acordo com a cultura e as condições da área. Em outras operações, ajustes inadequados podem comprometer a aplicação de insumos, aumentar perdas ou exigir maior esforço do equipamento.
A regulagem deve ser realizada antes do início da operação e revisada sempre que houver mudança nas condições de trabalho, cultura ou implemento.
- Tempo de máquina parada
Uma quebra durante a safra pode representar muito mais do que o valor do reparo. “O produtor também pode perder horas de trabalho, mão de obra e, principalmente, uma janela adequada para realizar determinada operação”, detalha Zanetti.
A manutenção preventiva deve ser considerada parte do planejamento da produção, e não apenas uma despesa. Antes de períodos críticos, a revisão dos principais componentes, a verificação de itens de desgaste e o planejamento das intervenções necessárias podem reduzir o risco de uma parada justamente quando a máquina é mais necessária.
- Dados que não viram decisão
Saber quanto uma máquina trabalhou é apenas o primeiro passo. De acordo com o especialista, informações sobre horas de operação, consumo, desempenho e produtividade podem ajudar o produtor a entender onde estão os principais custos e quais atividades apresentam maior ou menor eficiência.
Plataformas de gestão e conectividade permitem centralizar informações da operação e acompanhar dados da frota, apoiando o planejamento e a tomada de decisão.
“O próximo passo é transformar esses dados em indicadores que possam ser acompanhados ao longo da safra. Saber quanto uma máquina consome, quanto tempo permanece efetivamente trabalhando e onde estão as principais paradas permite ao produtor enxergar custos que muitas vezes ficam diluídos na operação.”
- Custo por hectare
A análise da eficiência também pode ir além do gasto imediato. Para entender o desempenho de uma máquina, o produtor pode considerar o custo total da operação, que envolve fatores como combustível, manutenção, disponibilidade, produtividade e vida útil do equipamento.
“Em uma operação agrícola, eficiência não significa apenas fazer mais em menos tempo. Significa aproveitar melhor cada litro de combustível, cada hora de máquina e cada hectare trabalhado. Quando o produtor consegue identificar onde estão as perdas, passa a ter mais informações para tomar decisões e melhorar o resultado da operação”, reforça o especialista.
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