Sustentabilidade
Tem episódio novo do Soja Brasil no ar com alerta para o clima, desafios no plantio 26/27 e tecnologia no campo

O episódio 62 do Soja Brasil já está no ar com uma série de reportagens sobre os desafios e as perspectivas para a safra 2026/27. A equipe continua a viagem pela China para mostrar como o país investe em pesquisa agrícola, melhoramento genético e rotação de culturas para aumentar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações.
O programa também acompanha o avanço do plantio e as dificuldades provocadas pelo excesso de umidade em algumas áreas. A chuva pode interromper os trabalhos no campo, dificultar a germinação das sementes e atrasar a janela de cultivo do milho safrinha, exigindo atenção dos produtores ao manejo do solo e ao planejamento da lavoura.
A previsão do tempo para a primavera e o início de outubro também está entre os destaques. O período pode registrar temperaturas próximas de 40 °C e chuvas irregulares em parte do país, enquanto outras áreas devem enfrentar volumes elevados de precipitação. As condições climáticas podem influenciar o ritmo do plantio e exigir cuidados redobrados no campo.
A edição mostra ainda as novidades em maquinário agrícola apresentadas durante a abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Mato Grosso. Entre os destaques estão soluções que integram plantio e pulverização, monitoramento em tempo real e tecnologias que podem reduzir em até 7% o consumo de fertilizantes.
Sustentabilidade
Trigo/RS: Avanço final da safra é marcado por desafios climáticos e sanitários – MAIS SOJA

Trigo: As lavouras apresentam avanço expressivo para as fases finais do ciclo, predominando as de enchimento de grãos (60%) e de maturação (27%), além da colheita já iniciada nas áreas mais precoces (4%). Entretanto, a sequência de chuvas, a elevada umidade, a baixa luminosidade, o granizo e os ventos fortes prejudicaram o potencial produtivo e aumentaram os riscos à qualidade dos grãos.
No Centro-Oeste e Noroeste do Estado, os eventos meteorológicos no período provocaram acamamento, debulha de espigas e perdas de estruturas reprodutivas em áreas atingidas por granizo, reduzindo as expectativas inicialmente projetadas para a safra.
Nas lavouras em maturação, a continuidade das chuvas também aumentou a preocupação com os parâmetros de qualidade do produto, especialmente quanto à redução do Peso Hectolitro (PH) e à atividade enzimática associada à germinação pré-colheita, resultando em menores valores de falling number (índice de queda), o que prejudica as características e o uso tecnológico dos grãos. Também, a elevada umidade durante o período reprodutivo favoreceu a incidência de giberela, manchas foliares, ferrugens, oídio e de outras doenças, e a dificuldade de acesso às lavouras restringiu a execução dos tratamentos fitossanitários.
A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em São Borja, metade dos 16 mil hectares plantados estão em maturação, e a colheita deve se iniciar em breve. O potencial produtivo está satisfatório, embora as chuvas no final do ciclo gerem preocupação quanto à qualidade final dos grãos. Em Maçambará, a elevada incidência de doenças foliares reduziu o potencial inicialmente estimado. Em São Gabriel, a infestação de azevém tem competido com a cultura. A redução da área foliar verde durante o enchimento, associada às manchas foliares, pode comprometer o peso dos grãos.
Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão no final do alongamento do colmo e em início do espigamento. A condição sanitária está adequada, embora o ingresso na fase de espigamento aumente a exposição das plantas às doenças.
Na de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão em florescimento, 60% em enchimento de grãos, 23% em maturação e 7% colhidas. A incidência expressiva de giberela, associada ao excesso de chuva, pode comprometer a qualidade e a produtividade, inicialmente estimada em 2.965 kg/ha.
Na de Ijuí, o excesso de umidade e os danos provocados por granizo tendem a reduzir o potencial produtivo. Cerca de 50% dos cultivos estão em enchimento, 19% em final de floração, 28% em maturação e 3% colhidas. Nas áreas em enchimento, observa-se pouca evolução no crescimento dos grãos, e aumentam os sintomas de doenças nas espigas em final de floração. Em Santo Augusto, as primeiras áreas colhidas alcançaram 2.820 kg/ha, com PH 78. Contudo, a média regional das lavouras colhidas não ultrapassa 2.400 kg/ha, pois as cultivares mais suscetíveis à giberela apresentam redução de produtividade e de qualidade.
Na de Passo Fundo, os cultivos estão em enchimento de grãos. As chuvas têm dificultado a execução dos tratamentos fitossanitários para o controle de doenças fúngicas. Na de Pelotas, predomina o enchimento de grãos, abrangendo 56% das lavouras; 36% estão em florescimento; e 8% em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, de chuvas e de baixa radiação solar tem prejudicado o enchimento dos grãos. A elevada umidade do solo dificultou o acesso de máquinas para os tratamentos fitossanitários.
Na de Santa Maria, as chuvas intensas, acompanhadas de vento e granizo, ocorridas no final de setembro deverão provocar redução da produtividade regional. Na de Santa Rosa, 2% dos cultivos estão em floração, 46% em enchimento, 44% maduras e 8% colhidos. Os eventos meteorológicos provocaram perdas severas, especialmente nas áreas atingidas por granizo, como acamamento, debulha das espigas e, em determinados locais, perda total das estruturas reprodutivas. A incidência de giberela e brusone foi favorecida pelo tempo chuvoso e nublado.
Na de Soledade, cerca de 90% dos cultivos estão em enchimento de grãos, e 10% iniciam a maturação fisiológica. Prosseguiram os tratamentos fitossanitários contra manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela nas áreas mais tardias. Nas lavouras bem manejadas, o
potencial produtivo está ótimo. Já as com menor nível tecnológico apresentam condição mais desuniforme.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,94%, passando de R$ 73,78 para R$ 74,47 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Lavoura de arroz mais lucrativa: a resposta está em produzir mais, ou em gastar menos? – MAIS SOJA

O Rice Money Maker (RMM) é um diagnóstico de lavouras de arroz conduzido pela Equipe FieldCrops em parceria com universidades e empresas do setor, com o objetivo de identificar estratégias de manejo capazes de aumentar a produtividade e a lucratividade das lavouras, reduzindo ao mesmo tempo os impactos ambientais da produção. Desde o seu início, o RMM já avaliou 100 lavouras em diferentes países da América do Sul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). Na safra 2025/26 (5ª edição), foram avaliadas 12 lavouras no Brasil.
Ao longo de cinco safras de monitoramento, os dados do RMM mostram um padrão consistente: independentemente da safra, da cotação do grão ou dos custos operacionais, lavouras com maior produtividade são, de forma consistente, as que apresentam maior lucratividade (Figura 1). Por outro lado, ao comparar o custo de produção com a lucratividade, não se observa relação significativa entre essas variáveis (Figura 2). Ou seja, a rentabilidade da lavoura de arroz não depende de gastar mais ou menos, mas de investir certo, identificando os fatores que limitam o potencial produtivo de cada área e direcionando os recursos para onde eles geram maior retorno.
Essa relação fica ainda mais clara ao cruzar a eficiência produtiva (o quanto a lavoura produz em relação ao seu potencial) com o retorno sobre o investimento (ROI) das lavouras acompanhadas (Figura 3). Os resultados mostram que, ao superar aproximadamente 88% a 90% de eficiência produtiva, as lavouras passam a apresentar, de forma consistente, lucro superior a 50%. Isso demonstra que buscar a máxima eficiência por meio de um manejo assertivo não é apenas uma meta técnica, mas a principal estratégia econômica para garantir o sucesso financeiro da lavoura de arroz.
Esse patamar de eficiência colocou os produtores do RMM em uma posição de destaque: na safra 2025/26, as lavouras do projeto atingiram, em média, 85% do seu potencial produtivo — um gap de apenas 15% (Figura 4). Esse resultado supera as médias nacionais de eficiência produtiva de importantes países produtores de arroz, como China (68%), Estados Unidos (65%), Uruguai (57%), Brasil (51%) e Argentina (45%). Mais do que uma meta distante, produzir próximo do potencial máximo da lavoura é uma realidade já alcançada por boa parte dos produtores acompanhados pelo RMM.

Referências:
ALVES, A.F. et al., 2026. Soybean Money Maker: o resultado do diagnóstico: colher + investindo certo – Safra 2025/2026, 6 ed. Disponível em: < https://www.equipefieldcrops.com/e-books >, acesso: 26/09/2026.

Sustentabilidade
Avanço da colheita de canola no RS é marcado por excesso de umidade e acionamento de seguro – MAIS SOJA

Canola: As lavouras estão predominantemente em maturação fisiológica (60%) e em colheita (20%) nas áreas mais precoces. O encerramento do ciclo ocorre em momento de excesso de precipitações, elevada umidade, ventos fortes e ocorrência de granizo nas principais regiões produtoras, impactando negativamente a colheita.
Devido à alta suscetibilidade à deiscência (debulha) das síliquas e ao acamamento sob ventos e chuvas fortes no final do ciclo, os produtores adotaram estratégias para reduzir perdas, como a dessecação para uniformizar a maturação, frequentemente associada a produtos de efeito selante. A prática antecipa a colheita, muitas vezes com grãos ainda com elevado teor de umidade, aumentando os custos de secagem.
No Noroeste do Estado, as intempéries provocaram perdas expressivas, severas e, em alguns casos, totais, aumentando significativamente o acionamento do seguro rural. A área cultivada no Estado está estimada em 353.397 hectares, com produtividade média projetada de 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a proximidade do final do ciclo elevou a suscetibilidade às perdas ocasionadas por chuvas intensas, granizo e ventos fortes. Em Santa Margarida do Sul, houve acamamento de plantas e debulha das síliquas mais maduras. Em Candiota, as áreas baixas de algumas lavouras foram abandonadas em decorrência do excesso de umidade, que resultou na morte de plantas e impediu o tráfego de maquinário, além de apresentarem infestação expressiva de azevém. Em São Borja, 80% das lavouras estão em maturação e em processo de dessecação pré-colheita.
A colheita deve ser iniciada nesta semana, caso as condições meteorológicas permitam. Em Maçambará, município com a maior área cultivada da região administrativa (13.868 hectares), a colheita foi iniciada, mas avançou pouco em função da ocorrência de precipitações.
Na de Erechim, cerca de 85% dos cultivos se encontram em fase de formação de síliquas e em enchimento de grãos; 15% foram colhidos. A produtividade média se mantém em torno de 1.500 kg/ha, mas reduzida em decorrência das condições meteorológicas. Na de Frederico Westphalen, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório. Estão 20% enchimento de grãos, 60% em maturação e 20% colhidos. Há perda expressiva do potencial produtivo em razão da alta incidência de Sclerotinia sclerotiorum. O excesso de chuva, associado à ocorrência de granizo e de ventos fortes, tem provocado a deiscência das síliquas, impactando a produtividade, cuja expectativa atual se situa em 1.300 kg/ha.
Na de Ijuí, ocorreu redução do potencial produtivo e perda de coloração das síliquas. As áreas em colheita, implantadas no início do período recomendado pelo zoneamento, exibem menor potencial produtivo em comparação às lavouras semeadas mais tardiamente, que apresentam melhor formação de hastes e maior número de síliquas. Diante da previsão de precipitações volumosas, os produtores anteciparam as operações de colheita, realizando o corte na sexta-feira e no sábado, apesar do elevado teor de umidade nos grãos.
Essa condição resultou em descontos nas unidades de recebimento em razão dos custos adicionais para a secagem do produto. Em Catuípe, a produtividade obtida variou de 600 a 1.200 kg/ha. Na de Passo Fundo, as lavouras se encontram em fase de formação de síliquas e maturação fisiológica (70%) e em colheita (30%). A produtividade se mantém abaixo da expectativa devido à ocorrência localizada de granizo e ao excesso de precipitações.
Na de Santa Rosa, as lavouras se distribuem entre enchimento de grãos (19%), maturação (57%) e colheita (24%). A expectativa de produtividade está em 1.095 kg/ha. Em Santo Antônio das Missões, há relatos de perdas totais, e as vistorias de seguro rural dispensaram a realização da colheita pela inexistência de produção nas plantas remanescentes. Em Garruchos, os cultivos que haviam sido dessecadas na pré-colheita foram atingidas por ventos intensos, o que provocou intensa debulha antecipada e perdas superiores a 90% da produção. Os produtores acionaram o seguro rural para mitigar os prejuízos.
Na de Soledade, 40% das lavouras se encontram em fase de enchimento de grãos, 40% em maturação fisiológica, 19% em maturação de colheita e 1% colhido. A produtividade das áreas colhidas segue dentro da média esperada, em torno de 1.650 kg/ha, embora algumas lavouras estejam com rendimento inferior devido ao excesso de precipitações durante o florescimento e à ocorrência de geadas nessa fase. De modo geral, as plantas se apresentam bem formadas, vigorosas e com elevada densidade de síliquas. Não há relatos de danos significativos por granizo no período.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado na região de Ijuí é de R$ 139,10); em Santa Rosa, a média é de R$ 145,94; e R$ 143,00 em Dom Pedrito.
Fonte: Emater/RS
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