Sustentabilidade
Avanço da colheita de canola no RS é marcado por excesso de umidade e acionamento de seguro – MAIS SOJA

Canola: As lavouras estão predominantemente em maturação fisiológica (60%) e em colheita (20%) nas áreas mais precoces. O encerramento do ciclo ocorre em momento de excesso de precipitações, elevada umidade, ventos fortes e ocorrência de granizo nas principais regiões produtoras, impactando negativamente a colheita.
Devido à alta suscetibilidade à deiscência (debulha) das síliquas e ao acamamento sob ventos e chuvas fortes no final do ciclo, os produtores adotaram estratégias para reduzir perdas, como a dessecação para uniformizar a maturação, frequentemente associada a produtos de efeito selante. A prática antecipa a colheita, muitas vezes com grãos ainda com elevado teor de umidade, aumentando os custos de secagem.
No Noroeste do Estado, as intempéries provocaram perdas expressivas, severas e, em alguns casos, totais, aumentando significativamente o acionamento do seguro rural. A área cultivada no Estado está estimada em 353.397 hectares, com produtividade média projetada de 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a proximidade do final do ciclo elevou a suscetibilidade às perdas ocasionadas por chuvas intensas, granizo e ventos fortes. Em Santa Margarida do Sul, houve acamamento de plantas e debulha das síliquas mais maduras. Em Candiota, as áreas baixas de algumas lavouras foram abandonadas em decorrência do excesso de umidade, que resultou na morte de plantas e impediu o tráfego de maquinário, além de apresentarem infestação expressiva de azevém. Em São Borja, 80% das lavouras estão em maturação e em processo de dessecação pré-colheita.
A colheita deve ser iniciada nesta semana, caso as condições meteorológicas permitam. Em Maçambará, município com a maior área cultivada da região administrativa (13.868 hectares), a colheita foi iniciada, mas avançou pouco em função da ocorrência de precipitações.
Na de Erechim, cerca de 85% dos cultivos se encontram em fase de formação de síliquas e em enchimento de grãos; 15% foram colhidos. A produtividade média se mantém em torno de 1.500 kg/ha, mas reduzida em decorrência das condições meteorológicas. Na de Frederico Westphalen, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório. Estão 20% enchimento de grãos, 60% em maturação e 20% colhidos. Há perda expressiva do potencial produtivo em razão da alta incidência de Sclerotinia sclerotiorum. O excesso de chuva, associado à ocorrência de granizo e de ventos fortes, tem provocado a deiscência das síliquas, impactando a produtividade, cuja expectativa atual se situa em 1.300 kg/ha.
Na de Ijuí, ocorreu redução do potencial produtivo e perda de coloração das síliquas. As áreas em colheita, implantadas no início do período recomendado pelo zoneamento, exibem menor potencial produtivo em comparação às lavouras semeadas mais tardiamente, que apresentam melhor formação de hastes e maior número de síliquas. Diante da previsão de precipitações volumosas, os produtores anteciparam as operações de colheita, realizando o corte na sexta-feira e no sábado, apesar do elevado teor de umidade nos grãos.
Essa condição resultou em descontos nas unidades de recebimento em razão dos custos adicionais para a secagem do produto. Em Catuípe, a produtividade obtida variou de 600 a 1.200 kg/ha. Na de Passo Fundo, as lavouras se encontram em fase de formação de síliquas e maturação fisiológica (70%) e em colheita (30%). A produtividade se mantém abaixo da expectativa devido à ocorrência localizada de granizo e ao excesso de precipitações.
Na de Santa Rosa, as lavouras se distribuem entre enchimento de grãos (19%), maturação (57%) e colheita (24%). A expectativa de produtividade está em 1.095 kg/ha. Em Santo Antônio das Missões, há relatos de perdas totais, e as vistorias de seguro rural dispensaram a realização da colheita pela inexistência de produção nas plantas remanescentes. Em Garruchos, os cultivos que haviam sido dessecadas na pré-colheita foram atingidas por ventos intensos, o que provocou intensa debulha antecipada e perdas superiores a 90% da produção. Os produtores acionaram o seguro rural para mitigar os prejuízos.
Na de Soledade, 40% das lavouras se encontram em fase de enchimento de grãos, 40% em maturação fisiológica, 19% em maturação de colheita e 1% colhido. A produtividade das áreas colhidas segue dentro da média esperada, em torno de 1.650 kg/ha, embora algumas lavouras estejam com rendimento inferior devido ao excesso de precipitações durante o florescimento e à ocorrência de geadas nessa fase. De modo geral, as plantas se apresentam bem formadas, vigorosas e com elevada densidade de síliquas. Não há relatos de danos significativos por granizo no período.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado na região de Ijuí é de R$ 139,10); em Santa Rosa, a média é de R$ 145,94; e R$ 143,00 em Dom Pedrito.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Lavoura de arroz mais lucrativa: a resposta está em produzir mais, ou em gastar menos? – MAIS SOJA

O Rice Money Maker (RMM) é um diagnóstico de lavouras de arroz conduzido pela Equipe FieldCrops em parceria com universidades e empresas do setor, com o objetivo de identificar estratégias de manejo capazes de aumentar a produtividade e a lucratividade das lavouras, reduzindo ao mesmo tempo os impactos ambientais da produção. Desde o seu início, o RMM já avaliou 100 lavouras em diferentes países da América do Sul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). Na safra 2025/26 (5ª edição), foram avaliadas 12 lavouras no Brasil.
Ao longo de cinco safras de monitoramento, os dados do RMM mostram um padrão consistente: independentemente da safra, da cotação do grão ou dos custos operacionais, lavouras com maior produtividade são, de forma consistente, as que apresentam maior lucratividade (Figura 1). Por outro lado, ao comparar o custo de produção com a lucratividade, não se observa relação significativa entre essas variáveis (Figura 2). Ou seja, a rentabilidade da lavoura de arroz não depende de gastar mais ou menos, mas de investir certo, identificando os fatores que limitam o potencial produtivo de cada área e direcionando os recursos para onde eles geram maior retorno.
Essa relação fica ainda mais clara ao cruzar a eficiência produtiva (o quanto a lavoura produz em relação ao seu potencial) com o retorno sobre o investimento (ROI) das lavouras acompanhadas (Figura 3). Os resultados mostram que, ao superar aproximadamente 88% a 90% de eficiência produtiva, as lavouras passam a apresentar, de forma consistente, lucro superior a 50%. Isso demonstra que buscar a máxima eficiência por meio de um manejo assertivo não é apenas uma meta técnica, mas a principal estratégia econômica para garantir o sucesso financeiro da lavoura de arroz.
Esse patamar de eficiência colocou os produtores do RMM em uma posição de destaque: na safra 2025/26, as lavouras do projeto atingiram, em média, 85% do seu potencial produtivo — um gap de apenas 15% (Figura 4). Esse resultado supera as médias nacionais de eficiência produtiva de importantes países produtores de arroz, como China (68%), Estados Unidos (65%), Uruguai (57%), Brasil (51%) e Argentina (45%). Mais do que uma meta distante, produzir próximo do potencial máximo da lavoura é uma realidade já alcançada por boa parte dos produtores acompanhados pelo RMM.

Referências:
ALVES, A.F. et al., 2026. Soybean Money Maker: o resultado do diagnóstico: colher + investindo certo – Safra 2025/2026, 6 ed. Disponível em: < https://www.equipefieldcrops.com/e-books >, acesso: 26/09/2026.

Sustentabilidade
Plantio da soja no RS começa em ritmo lento devido às chuvas frequentes – MAIS SOJA

Apesar de o período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a semeadura da soja ter iniciado no Estado em 01/10, a implantação da cultura ainda está incipiente, concentrada em áreas já autorizadas para plantio antecipado em setembro e sem representatividade estatística.
No período, o avanço da semeadura foi pontual, condicionado pela elevada umidade dos solos decorrente das chuvas volumosas e frequentes, que têm restringido o tráfego de máquinas e limitado as condições operacionais para o ingresso nas áreas destinadas ao cultivo. Predominam áreas ainda em preparação, com dessecação avançada e prontas para receber as sementes, tão logo as condições de umidade do solo estejam adequadas.
Parte das lavouras implantadas antecipadamente apresenta boa emergência e estande. Nas áreas submetidas a granizo, houve danos nas plantas, que estão em acompanhamento quanto à capacidade de recuperação. A cobertura com aveia e azevém apresenta bom desempenho na proteção do solo e na supressão de plantas daninhas, embora o elevado volume de palhada e a manutenção da umidade possam dificultar as operações de semeadura.
A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares e produtividade projetada de 3.183 kg/ha e produção de 21.151.135 toneladas na Safra 2026/2027.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o início do período de semeadura foi marcado por pouca movimentação em razão das chuvas volumosas. As áreas oriundas de integração com pecuária têm sido preparadas, especialmente onde há baixa cobertura vegetal, compactação e sinais de pisoteio. Parte das lavouras se encontra em estágio avançado de dessecação, e os produtores aguardam condições de solo para a implantação. Para esta safra são estimados 1.020.000 hectares implantados e produtividade de 2.403 kg/ha.
Na de Caxias do Sul, o plantio não iniciou. É estimado cultivo de 256.503 hectares e produtividade de 3.663 kg/ha. Na de Erechim, a área prevista para o cultivo é de 248.475 hectares, e a expectativa de produtividade é de 3.743 kg/ha, a mais elevada do Estado. Contudo, há indicação de utilização de menor nível tecnológico na implantação em razão do menor uso de crédito rural para o custeio.
Na de Ijuí, não houve avanço da semeadura devido à elevada umidade do solo. As áreas implantadas antecipadamente, correspondentes a 0,2% da área estimada, apresentam boa emergência e estande. Prossegue o preparo das áreas destinadas à implantação. É estimado o plantio de 1.007.031 hectares e produtividade de 3.663 kg/ha. As regiões administrativas de Lajeado, Passo Fundo, Pelotas e Porto Alegre apresentam respectivamente projeção de plantio de 24.209 ha, 642.800 ha, 515.970 ha e 188.158 ha, com produtividades estimadas em 3.326 kg/ha, 3.704, 2.606 e 2.824 kg/ha.
Na de Santa Maria, as áreas estão em preparo para a implantação de 1.036.859 hectares, correspondendo a maior extensão regional com a oleaginosa. A produtividade está estimada em 3.062 kg/ha.
Na de Santa Rosa, aproximadamente 2% da área prevista de 786.234 hectares foi semeada, principalmente em implantação antecipada a partir de 15/09. A continuidade das
chuvas volumosas limitou o ritmo das operações, que ficaram concentradas na dessecação e no preparo das áreas. Nas lavouras implantadas em setembro, foram observados danos causados por granizo, mas a capacidade de rebrota está em acompanhamento. A produtividade regional está projetada em 3.215 kg/ha.
Na de Soledade, muitas áreas estão dessecadas e prontas para receber as sementes a medida que melhore a friabilidade do solo. Estima-se o cultivo de 487.640 hectares e produtividade de 3.275 kg/ha.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 1,61%, passando de R$ 142,00 para R$ 139,71. Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 149,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Preços da soja e farelo renovam máximas em setembro no Brasil e no exterior – MAIS SOJA

As negociações de soja e de farelo estiveram aquecidas nos mercados internacionais e nacionais, em setembro. Este cenário afastou vendedores e impulsionou as cotações do grão e do derivado. A valorização da oleaginosa esteve atrelada também ao menor remanescente da safra 2025/26. Além disso, preocupações com os possíveis impactos do El Niño sobre a nova safra (2026/27), reforçaram as altas.
Porém, as altas foram limitadas pelas condições climáticas favoráveis ao início da semeadura da safra 2026/27 no Brasil. O maior índice pluviométrico em setembro permitiu a intensificação da semeadura de soja, sobretudo, no Paraná e em Mato Grosso. O excesso de umidade em São Paulo, por outro lado, impediu o início da semeadura no estado.
Quanto aos preços, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná registrou média de R$ 153,82/sc de 60 kg em setembro, alta de 7,9% frente à de agosto e de 14,15% em relação a setembro de 2025, em termos reais (IGP-DI de agosto/26), sendo a maior desde março de 2023.
A média do Indicador CEPEA/ESALQ Paranaguá foi de R$ 161,14/sc em setembro – a maior desde ago/2, em termos reais – com altas de 7,3% frente a agosto e de 14,62% em relação há um ano. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, de agosto para setembro, as altas foram de 8,2% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 8,1% no de lotes (negociações entre empresas). No comparativo anual, o preço da soja pago ao produtor subiu 14,7%, e, no mercado de lotes, 15,5%, em termos nominais.
Os preços internacionais da soja em grão foram sustentados pela firme demanda da China e preocupações quanto a um possível atraso na colheita da safra 2026/27, devido ao clima úmido no Hemisfério Norte. Vale ressaltar, no entanto, que até o final de setembro as atividades de campo estavam em ritmo parecido com o observado na média dos últimos cinco anos.
Além disso, segundo o relatório trimestral de estoques do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), os estoques norte-americanos somavam 8,57 milhões de toneladas em 1º de setembro, volume 3,16% inferior ao registrado no período equivalente do ano passado. Diante disso, na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato de novembro/26 da soja em grão registrou média de US$ 13,0654/bushel (US$ 28,80/sc de 60 kg) em setembro, com valorização de 8,98% frente a agosto e de 28,1% em relação a setembro de 2025, o maior patamar nominal desde dezembro de 2023.
FARELO DE SOJA – A valorização do farelo de soja esteve atrelada à firme demanda global pelo derivado. Além disso, no mercado doméstico, os consumidores demonstraram necessidade de recompor estoques, aumentando a disputa com os consumidores estrangeiros. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, a alta foi de 10,5% no comparativo de agosto para setembro e de 25% em relação a setembro/25, em termos reais. Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento (out/26) do farelo apresentou média de US$ 356,26/tonelada curta (US$ 392,70/t) em setembro, alta de 12,7% sobre a de agosto e de 27,5% frente a setembro/25, sendo também a maior valor nominal desde agosto/24.
Deste modo, com base nos preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a “crush margin” aumentou 5,4% frente ao mês anterior. Este aumento está atrelado a maior participação do farelo de soja na margem da indústria, o qual registrou média de 58,76% no mês de setembro, a maior média desde out/23 (59,54%).
Na Bolsa de Chicago, considerando-se o contrato de primeiro vencimento da soja, do farelo e do óleo de soja, a “crush margin” diminuiu 4,39%, pressionada pela menor participação do óleo de soja. O aumento na participação do farelo de soja na “crush margin”, no entanto, limitou as baixas. O farelo de soja voltou a ter a maior participação na margem da
indústria, alcançou média de 51,49% em setembro – vale ressaltar que, desde fevereiro deste ano, a participação do óleo de soja estava superando a do farelo.
ÓLEO DE SOJA – Os preços do óleo de soja também avançaram em setembro, embora o mercado tenha apresentado comportamentos distintos entre o cenário doméstico e o internacional.
No Brasil, as cotações foram sustentadas principalmente pela menor disponibilidade do produto para negociação no mercado spot e pela firme demanda dos consumidores internacionais pelo coproduto brasileiro. No mercado internacional, os preços do óleo fecharam praticamente estáveis em relação a agosto/26.
Nesse cenário, segundo levantamento do Cepea, os preços do óleo de soja bruto e degomado (com 12% de ICMS) na região de São Paulo subiram 3,9% de agosto para setembro; por outro lado, observou-se desvalorização de 3,2% em um ano, em termos reais, a média de R$ 6.961,90/t em setembro, a maior média mensal do ano.
No entanto, na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato de primeiro venncimento do óleo de soja fechou próximo à estabilidade (-0,1%) entre agosto e setembro, registrando média de US$ 0,6888/lp (US$ 1.518,42/t) e valorização de 36,5% em relação a setembro/25. A baixa foi limitada pelos conflitos no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, que tende a estimular a mistura do biodiesel ao óleo diesel.
Fonte: Agromensais CEPEA
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