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10 de outubro de 2026

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Caroço de açaí vira nanofertilizante e eleva crescimento do sorgo em 164%

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Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo.

O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.

O caroço do açaí é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.

Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.

O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.

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Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese. 

Aumento da eficiência

O pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Cláudio Carvalho explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais.

Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente.

“Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.

De resíduo a riqueza

De acordo com Carvalho, apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades.

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Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante.

“Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.

Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro.

“Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa. 

“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho.

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Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.

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Clima, solo e manejo influenciam no armazenamento de carbono no Cerrado, mostra estudo

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A capacidade de o Cerrado armazenar carbono depende de fatores ambientais e do uso da terra. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O trabalho se baseou em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma para entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento.

As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo.

“O Cerrado é uma das principais regiões agrícolas do Brasil e, ao mesmo tempo, possui uma grande importância ambiental. Entender o que acontece com o carbono do solo quando a vegetação nativa é convertida para a agricultura é importante tanto para a conservação quanto para pensar em sistemas agrícolas mais sustentáveis”, diz a pesquisadora da unidade de biorrenováveis do CNPEM, Sarah Tenelli, que também é coordenadora dos estudos.

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Diferentes formas de carbono

Pesquisadora Sarah Tenelli, com parte das amostras analisadas. Foto: Divulgação

Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo.

Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presente no solo.

“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono”, disse a pesquisadora.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações sobre temperatura, disponibilidade de água, produtividade das plantas e características físicas do solo. Esses dados foram analisados por meio de um modelo estatístico capaz de avaliar tanto os efeitos diretos quanto os indiretos desses fatores sobre o armazenamento de carbono.

Importância do carbono no solo

A matéria orgânica do solo é formada por restos de plantas, como folhas, galhos e raízes. Ela desempenha funções importantes para o funcionamento do solo, servindo como fonte de energia para microrganismos, fornecendo nutrientes para as plantas e contribuindo para a retenção de água.

De acordo com Sarah, isso proporciona o aumento de produtividade agrícola, reduz a necessidade de adubação química e protege as plantas contra doenças.

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Parte importante dessa matéria orgânica é composta por carbono. As plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese e incorporam esse carbono à sua biomassa. Quando os resíduos vegetais chegam ao solo e são transformados em matéria orgânica, parte desse carbono pode permanecer armazenada no solo.

“Se você tem sistemas agrícolas mais sustentáveis, capazes de adicionar mais carbono ao solo, isso é interessante em relação às mudanças climáticas, porque você vai estar removendo parte desse carbono na atmosfera e estocando na terra”, afirma a pesquisadora.

O armazenamento de carbono também está relacionado à qualidade e ao funcionamento do solo. Segundo Sarah, práticas agrícolas que favorecem a absorção de matéria orgânica e reduzem o revolvimento do solo podem contribuir para a permanência do carbono.

“Um solo com mais silte e argila vai reter mais carbono. E, se adotar práticas de manejo sustentáveis, que não revolvem o solo e protegem os agregados, vai ajudar na concentração desse elemento químico”, diz.

Apesar de ser frequentemente tratado como uma única região, o Cerrado apresenta grande diversidade de ambientes e solos. Há áreas mais argilosas e outras arenosas, além de diferenças na composição mineral.

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Essa diversidade também foi considerada na pesquisa, que reuniu dados de diferentes regiões do bioma para ampliar a abrangência da análise. A pesquisa também mostrou uma limitação importante: ainda são relativamente poucos os estudos que apresentam, ao mesmo tempo, informações sobre as diversas frações de carbono e dados sobre características do solo, como textura, além de outras variáveis ambientais.

Dos mais de cem estudos inicialmente encontrados na revisão da literatura, apenas 30 reuniam o conjunto de informações necessárias para a análise.

Próximos passos da pesquisa

A pesquisa terá continuidade com o uso de modelos capazes de simular diferentes cenários de uso da terra. Para isso, os pesquisadores selecionaram sete áreas no Mato Grosso, em Goiás, na Bahia e no Piauí com informações históricas detalhadas sobre manejo e uso do solo. A proposta é avaliar como esses sistemas agrícolas podem influenciar o carbono do solo no futuro.

A modelagem considera localização das áreas, características do solo, histórico de conversão da vegetação nativa, culturas utilizadas, práticas de manejo, produtividade e quantidade de carbono presente no solo.

A expectativa é que, após a validação do modelo para as condições brasileiras, seja possível simular diferentes cenários e avaliar como mudanças no manejo podem afetar a produtividade e o armazenamento de carbono ao longo do tempo.

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Soja cai até 4,2% em outubro, enquanto boi gordo sobe 3,7%

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Os indicadores do Cepea para soja, milho e boi gordo apresentaram movimentos distintos na sexta-feira (9). A soja recuou no acumulado do mês, enquanto o boi gordo manteve a valorização. O milho registrou leve alta diária.

Soja

O indicador da soja Cepea/Esalq para Paranaguá (PR) fechou o dia a R$ 154,75 por saca de 60 quilos, queda de 0,10% em relação ao dia anterior. No acumulado de outubro, a desvalorização chegou a 4,22%. Em dólares, a cotação ficou em US$ 31,04 por saca.

No Paraná, o indicador da soja encerrou a sexta-feira a R$ 148,31 por saca, alta diária de 0,11%. Apesar da recuperação no dia, o preço acumulou queda de 4,26% no mês. Em dólares, o valor foi de US$ 29,75 por saca.

Milho

O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa registrou alta de 0,25% no dia, a R$ 67,35 por saca de 60 quilos. No acumulado de outubro, porém, o preço teve queda de 1,92%. A cotação em dólares ficou em US$ 13,51 por saca.

Boi gordo

Já o indicador do boi gordo Cepea/Esalq alcançou R$ 377,80 por arroba na sexta-feira, avanço de 0,40% em relação ao dia anterior. No acumulado do mês, a alta chegou a 3,71%. Em dólares, o indicador ficou em US$ 75,79 por arroba.

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Operação agrícola esconde 6 problemas que fazem produtor perder dinheiro

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Olhar para dentro da operação agrícola é tão importante quanto acompanhar os preços das commodities, ainda mais em momentos de custos elevados e maior pressão sobre as margens.

No entanto, parte dos gastos do campo não aparece de forma evidente na planilha do produtor. Para ajudar a identificar esses gargalos e encontrar oportunidades de melhoria, o gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, destaca seis pontos que merecem atenção no planejamento:

  1. Consumo de combustível

O combustível está entre os principais custos relacionados à operação de máquinas, e seu consumo pode variar de acordo com fatores como velocidade de trabalho, condições do solo, dimensionamento dos implementos, carga do moto e manutenção.

Uma máquina trabalhando fora da faixa adequada ou com componentes desgastados pode demandar mais esforço para realizar a mesma atividade, aumentando o consumo.

Acompanhar o consumo por operação e, sempre que possível, por hectare pode ajudar a identificar desvios e oportunidades de ajuste. A comparação entre diferentes áreas, atividades e períodos também permite entender quais condições estão associadas a um desempenho mais eficiente. Para máquinas que possuem gerenciamento de frota, como telemetria, esses dados podem contribuir para identificar erros operacionais ou de logística que resultam em um consumo de combustível acima do ideal.

  1. Sobreposição de operações

Quando a máquina percorre novamente uma área que já recebeu determinada atividade, o produtor pode estar gastando combustível, insumos, mão de obra e horas de equipamento sem gerar um ganho proporcional.

Zanetti destaca que tecnologias de agricultura de precisão, orientação e automação ajudam a reduzir sobreposições e a melhorar o aproveitamento da área trabalhada. Recursos de orientação permitem conduzir a máquina com maior precisão, enquanto o controle de seções pode evitar a aplicação de insumos em áreas que já receberam o tratamento.

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  1. Regulagem dos equipamentos

Uma máquina corretamente regulada pode fazer diferença tanto na qualidade da operação quanto no aproveitamento dos recursos.

No plantio, por exemplo, profundidade, população e distribuição das sementes precisam estar de acordo com a cultura e as condições da área. Em outras operações, ajustes inadequados podem comprometer a aplicação de insumos, aumentar perdas ou exigir maior esforço do equipamento.

A regulagem deve ser realizada antes do início da operação e revisada sempre que houver mudança nas condições de trabalho, cultura ou implemento.

  1. Tempo de máquina parada

Uma quebra durante a safra pode representar muito mais do que o valor do reparo. “O produtor também pode perder horas de trabalho, mão de obra e, principalmente, uma janela adequada para realizar determinada operação”, detalha Zanetti.

A manutenção preventiva deve ser considerada parte do planejamento da produção, e não apenas uma despesa. Antes de períodos críticos, a revisão dos principais componentes, a verificação de itens de desgaste e o planejamento das intervenções necessárias podem reduzir o risco de uma parada justamente quando a máquina é mais necessária.

  1. Dados que não viram decisão

Saber quanto uma máquina trabalhou é apenas o primeiro passo. De acordo com o especialista, informações sobre horas de operação, consumo, desempenho e produtividade podem ajudar o produtor a entender onde estão os principais custos e quais atividades apresentam maior ou menor eficiência.

Plataformas de gestão e conectividade permitem centralizar informações da operação e acompanhar dados da frota, apoiando o planejamento e a tomada de decisão.

“O próximo passo é transformar esses dados em indicadores que possam ser acompanhados ao longo da safra. Saber quanto uma máquina consome, quanto tempo permanece efetivamente trabalhando e onde estão as principais paradas permite ao produtor enxergar custos que muitas vezes ficam diluídos na operação.”

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  1. Custo por hectare

A análise da eficiência também pode ir além do gasto imediato. Para entender o desempenho de uma máquina, o produtor pode considerar o custo total da operação, que envolve fatores como combustível, manutenção, disponibilidade, produtividade e vida útil do equipamento.

“Em uma operação agrícola, eficiência não significa apenas fazer mais em menos tempo. Significa aproveitar melhor cada litro de combustível, cada hora de máquina e cada hectare trabalhado. Quando o produtor consegue identificar onde estão as perdas, passa a ter mais informações para tomar decisões e melhorar o resultado da operação”, reforça o especialista.

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