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28 de julho de 2026

Sustentabilidade

Mofo-branco: Medidas integradas durante safra e entressafra são essenciais para reduzir a incidência da doença – MAIS SOJA

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Considerada uma das principais doenças fúngicas que acometem a soja, o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum pode causar reduções médias de 21% na produtividade da soja, podendo chegar até a 70% em algumas lavouras isoladas (Meyer et al., 2016). Estima-se que mais de 10 milhões de hectares de área de produção de soja no Brasil estejam infestados pelo patógeno causador do mofo-branco (Meyer et al., 2025). Associado a ampla distribuição da doença no território nacional, o fungo sobrevive no solo em estruturas reprodutivas (escleródios) e em uma ampla gama de plantas hospedeiras, afetando mais de 400 espécies entre cultivadas e daninhas (Logo Junior & Santos, 2013).

Figura 1. Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum sobre o solo logo após a colheita em uma área atacada pelo mofo branco.
Foto: Lobo Junior & Santos (2013)

Os escleródios podem permanecer viáveis no solo por longos períodos, constituindo uma importante fonte de inóculo para novos ciclos da doença quando encontram condições favoráveis de temperatura e umidade. Nessas condições, germinam e originam apotécios na superfície do solo, estruturas responsáveis pela produção e liberação de ascosporos. Transportados pelo ar, os ascosporos alcançam as plantas e constituem a principal fonte de infecção, iniciando novos focos da doença (Henning et al., 2014).

Figura 2. Ciclo de desenvolvimento do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum).
Fonte: FRAC-BR (2026)

Após a formação dos escleródios, a erradicação do patógeno nas áreas de cultivo torna-se extremamente difícil, uma vez que essas estruturas de sobrevivência apresentam elevada persistência no solo. Além disso, considerando que praticamente todas as espécies vegetais de folha larga, incluindo culturas agrícolas e plantas daninhas, podem atuar como hospedeiras de Sclerotinia sclerotiorum (Reis et al., 2011), o manejo do mofo-branco deve ser baseado em estratégias integradas e de longo prazo. Entre as principais medidas destacam-se a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, a redução da introdução e disseminação de escleródios nas áreas agrícolas e a adoção de práticas que reduzam a sobrevivência do patógeno e o progresso da doença (Figura 3).

Figura 3. Estratégias integradas para o manejo do mofo-branco em soja.
*Imagem criada com o auxílio de Inteligência Artificial.

Além das medidas supracitadas, é importante lembrar que algumas culturas de cobertura frequentemente inseridas no programa de rotação de culturas como o nabo-forrageiro, são ótimas hospedeiras do fungo Sclerotinia sclerotiorum e frequentemente associadas a disseminação do patógeno, seja pelas sementes infectadas com escleródios (figura 4) ou pelos resíduos culturais infectados. Nesse contexto, a atenção deve ser redobrada no cultivo dessa espécie de cobertura, especialmente em áreas com histórico de ocorrência do mofo-branco.

Figura 4. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) misturados com sementes de nabo-forrageiro.
Foto: Dirceu Gassen, apud. Reis et al. (2011)

Em suma, o manejo entressafra exerce um papel tão importante para o controle do mofo-branco quando o manejo químico durante o período sensível da soja a incidência da doença, sendo imprescindível a adoção de boas práticas tanto na safra quanto na entressafra para reduzir o progresso do mofo-branco entre áreas de cultivo e os danos ocasionados pela doença em soja.

 



Referências:

FRAC-BR. CICLO DE VIDA DO MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum). Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: FRAC-BR, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/ciclo-de-vida-do-mofo-branco-sclerotinia-sclerotiorum >, acesso em: 12/06/2026.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

LOBO JUNIOR, M.; SANTOS, P. F. MANEJO DO MOFO BRANCO. Revista Cultivar, 2013. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/963194/manejo-do-mofo-branco >, acesso em: 12/06/2026.

MEYER, M. C. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2015/2016: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 122, 2016. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1054714/1/CT122.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 218, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177007/1/Circ-Tec-218.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

REIS, E. M. et al. MANEJO INTEGRADO DO MOFO-BRANCO. – Revista Plantio Direto, 2011. Disponível em: < https://www.plantiodireto.com.br/storage/files/122/6.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

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Sustentabilidade

Soja sucumbe à realização de lucros e cai cerca de 3% em Chicago – MAIS SOJA

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 Os contratos futuros da soja fecharam em forte baixa nesta segunda-feira, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Após atingir na semana passada os maiores patamares em mais de dois anos, o mercado sucumbiu a um movimento de realização de lucros e despencou cerca de 3% no início da semana.

A queda acentuada das cotações do petróleo no mercado internacional acelerou o movimento de vendas e acentuou a queda. Com a expectativa de retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos, o barril do petróleo teve um dia de fortes perdas, tanto em Londres como em Nova York.

Os exportadores privados americanos anunciaram a venda de 132 mil toneladas para a China e 126 mil toneladas de soja em grão para destinos não revelados. Hoje, os sinais de boa demanda foram insuficientes para conter as perdas.

O mercado aguarda agora a divulgação dos dados de condições das lavouras americanas, às 17h, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A expectativa é de que a taxa de lavouras entre boas e excelentes condições recue, reflexo do recente calor extremo sobre o cinturão produtor americano.

Os contratos da soja em grão com entrega em agosto fecharam com baixa de 39,50 centavos de dólar, ou 3,16%, a US$ 12,08 1/2 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 12,13 3/4 por bushel, com retração de 39,75 centavos de dólar ou 3,17%.

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com baixa de US$ 10,50 ou 3,17% a US$ 320,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 70,85 centavos de dólar, com perda de 2,62 centavos ou 3,56%.

Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua / Agência Safras

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Sustentabilidade

Forrageiras: o investimento mais estratégico para agricultura moderna – MAIS SOJA

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Por: Marcelo Ayres Carvalho, Pesquisador da Embrapa Cerrados

A eficiência no uso da terra e o controle dos custos de produção são fatores essenciais para a gestão das propriedades rurais. Em um cenário de variações nos preços das commodities agrícolas, do custo dos insumos e das taxas de juros, a eficiência do sistema produtivo impacta diretamente a estabilidade financeira das atividades rurais. Neste contexto, as plantas forrageiras deixam de ser apenas um componente da pecuária para assumir um papel estratégico na agricultura moderna.

Mais do que culturas de cobertura, elas contribuem para a saúde do solo, reduzem riscos de produção, aumentam a produtividade e fortalecem a rentabilidade das lavouras, especialmente em períodos de instabilidade econômica e climática.

O risco da safrinha e a armadilha do custo fixo

Historicamente, a “safrinha” de grãos (em geral, com milho ou sorgo) foi utilizada para diluir os custos fixos da propriedade. No entanto, em anos de crise financeira e instabilidade climática, essa estratégia pode se transformar em uma perigosa armadilha. Implantar uma segunda safra de grãos exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes e defensivos. Quando o clima ou os preços forem desfavoráveis, a safrinha deixa de gerar receita e passa a representar um passivo financeiro.

A busca por eficiência operacional exige que o produtor repense o uso da terra. A exposição ao risco em janelas marginais de plantio tem levado à adoção de alternativas que demandam menor desembolso inicial e oferecem maior proteção ao sistema produtivo.

No entanto, a redução da dependência de safrinhas de alto risco não significa deixar a terra em pousio — o que seria um erro agronômico grave no Sistema Plantio Direto (SPD). A opção é a adoção de culturas que preparem o sistema para a safra principal com um custo significativamente menor.

As forrageiras como ferramentas estratégicas

O cultivo de espécies forrageiras, especialmente gramíneas e leguminosas tropicais, representa uma estratégia eficiente para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Ao contrário de uma cultura de grãos, a forrageira implantada após a safra de verão, atua como um “seguro biológico”. Ela não exige os mesmos investimentos em operações agrícolas, insumos e gestão, e entrega um retorno para o sistema que poucas tecnologias conseguem superar.

As forrageiras vão além da cobertura do solo. Seus sistemas radiculares promovem descompactação, infiltração de água, oxigenação do perfil, ciclagem de nutrientes, supressão de plantas invasoras, nematoides, pragas e doenças, além de favorecer o sequestro de carbono.
Em um cenário de crise, onde o produtor precisa extrair o máximo de cada quilo de fertilizante aplicado, ter um solo estruturado e saudável é fundamental para evitar perdas de produtividade e aumento de custos de produção.

Evidências técnicas e econômicas: o valor da saúde do solo

Estudos científicos demonstram que substituir a safrinha de grãos por forrageiras melhora o desempenho do sistema produtivo. Pesquisas têm demonstrado que a soja cultivada após o uso de forrageiras apresenta um incremento médio de 15% na produtividade, o que representa cerca de 515 quilos por hectare adicionais (ou mais de 8,5 sacas por hectare). O ganho está associado à melhora dos bioindicadores da saúde do solo, com aumento da atividade enzimática e da ciclagem de nutrientes.

Do ponto de vista financeiro, o retorno sobre o investimento (ROI) é bastante expressivo. Enquanto o custo de implantação de uma cobertura forrageira varia entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o retorno financeiro apenas em ganho de produtividade da soja subsequente é estimado em US$ 198 por hectare.

Forrageiras, uma poupança para o solo e para o produtor 

Em tempos de insumos caros, as forrageiras funcionam como uma poupança de nutrientes. Cultivares de Brachiaria recuperam potássio e fósforo das camadas profundas do solo e os devolvem à superfície por meio da biomassa. Após a dessecação da forragem, esses nutrientes são liberados de forma gradual, reduzindo a dependência imediata de fertilizantes químicos de alta solubilidade e custo elevado.

Além disso, a palhada persistente sobre o solo reduz a temperatura superficial e mantém a umidade, mitigando os efeitos do estresse hídrico — um problema recorrente que tem dizimado margens de lucro em diversas regiões.

O uso de leguminosas forrageiras contribui também para a melhoria dos atributos físicos e biológicos do solo, promovendo o aporte de nitrogênio no sistema pela fixação biológica. Estudos mostram que leguminosas forrageiras podem fixar entre 50 e mais de 250 quilos de nitrogênio por hectare ao ano.

Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em consórcio com gramíneas. As forrageiras também podem ser pastejadas, diversificando a renda. Estudos em fazendas mostram aumento de 18% na produtividade da soja em áreas pastejadas.

Essa estratégia amplia a competitividade do produtor brasileiro. A sustentabilidade aqui não é um conceito abstrato, mas uma ferramenta de resiliência econômica que permite produzir mais com menos interferência externa.

A maturidade do sistema de produção

O crescimento do mercado de sementes forrageiras mostra que investir na saúde do solo reduz riscos e aumenta a eficiência da safra principal. A adoção de sistemas integrados – a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – ou o uso estratégico de forrageiras como plantas de cobertura para o sistema de plantio direto marca a maturidade do sistema de produção brasileiro.

O produtor que compreende a forrageira como um investimento em infraestrutura biológica estará, ao final dessa crise, em uma posição de liderança, com custos de produção mais baixos, solos mais férteis e uma operação significativamente menos vulnerável às oscilações climáticas e do mercado de commodities e insumos.

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda por soja do BR eleva prêmio de exportação e sustenta cotação interna – MAIS SOJA

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O recente aumento das tensões no Oriente Médio impulsionou as cotações internacionais do petróleo, sustentando os preços internacionais da soja. No Brasil, de acordo com o Cepea, a valorização dos prêmios de exportação, somada à influência do cenário geopolítico e ao aquecimento da demanda pela oleaginosa brasileira, reforçou a alta no mercado spot.

Além disso, segundo pesquisadores do Cepea, a previsão de intensificação do fenômeno climático El Niño ao longo da safra 2026/27 vem aumentando as preocupações quanto aos possíveis impactos sobre a produção global de soja. Nesse contexto, parte dos consumidores antecipam as aquisições como estratégia de mitigação de riscos, enquanto vendedores reduzem a oferta de grandes volumes, à espera de condições mais favoráveis de comercialização.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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