Sustentabilidade
Mofo-branco: Medidas integradas durante safra e entressafra são essenciais para reduzir a incidência da doença – MAIS SOJA

Considerada uma das principais doenças fúngicas que acometem a soja, o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum pode causar reduções médias de 21% na produtividade da soja, podendo chegar até a 70% em algumas lavouras isoladas (Meyer et al., 2016). Estima-se que mais de 10 milhões de hectares de área de produção de soja no Brasil estejam infestados pelo patógeno causador do mofo-branco (Meyer et al., 2025). Associado a ampla distribuição da doença no território nacional, o fungo sobrevive no solo em estruturas reprodutivas (escleródios) e em uma ampla gama de plantas hospedeiras, afetando mais de 400 espécies entre cultivadas e daninhas (Logo Junior & Santos, 2013).
Figura 1. Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum sobre o solo logo após a colheita em uma área atacada pelo mofo branco.
Os escleródios podem permanecer viáveis no solo por longos períodos, constituindo uma importante fonte de inóculo para novos ciclos da doença quando encontram condições favoráveis de temperatura e umidade. Nessas condições, germinam e originam apotécios na superfície do solo, estruturas responsáveis pela produção e liberação de ascosporos. Transportados pelo ar, os ascosporos alcançam as plantas e constituem a principal fonte de infecção, iniciando novos focos da doença (Henning et al., 2014).
Figura 2. Ciclo de desenvolvimento do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum).

Após a formação dos escleródios, a erradicação do patógeno nas áreas de cultivo torna-se extremamente difícil, uma vez que essas estruturas de sobrevivência apresentam elevada persistência no solo. Além disso, considerando que praticamente todas as espécies vegetais de folha larga, incluindo culturas agrícolas e plantas daninhas, podem atuar como hospedeiras de Sclerotinia sclerotiorum (Reis et al., 2011), o manejo do mofo-branco deve ser baseado em estratégias integradas e de longo prazo. Entre as principais medidas destacam-se a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, a redução da introdução e disseminação de escleródios nas áreas agrícolas e a adoção de práticas que reduzam a sobrevivência do patógeno e o progresso da doença (Figura 3).
Figura 3. Estratégias integradas para o manejo do mofo-branco em soja.

Além das medidas supracitadas, é importante lembrar que algumas culturas de cobertura frequentemente inseridas no programa de rotação de culturas como o nabo-forrageiro, são ótimas hospedeiras do fungo Sclerotinia sclerotiorum e frequentemente associadas a disseminação do patógeno, seja pelas sementes infectadas com escleródios (figura 4) ou pelos resíduos culturais infectados. Nesse contexto, a atenção deve ser redobrada no cultivo dessa espécie de cobertura, especialmente em áreas com histórico de ocorrência do mofo-branco.
Figura 4. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) misturados com sementes de nabo-forrageiro.

Em suma, o manejo entressafra exerce um papel tão importante para o controle do mofo-branco quando o manejo químico durante o período sensível da soja a incidência da doença, sendo imprescindível a adoção de boas práticas tanto na safra quanto na entressafra para reduzir o progresso do mofo-branco entre áreas de cultivo e os danos ocasionados pela doença em soja.
Referências:
FRAC-BR. CICLO DE VIDA DO MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum). Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: FRAC-BR, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/ciclo-de-vida-do-mofo-branco-sclerotinia-sclerotiorum >, acesso em: 12/06/2026.
HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
LOBO JUNIOR, M.; SANTOS, P. F. MANEJO DO MOFO BRANCO. Revista Cultivar, 2013. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/963194/manejo-do-mofo-branco >, acesso em: 12/06/2026.
MEYER, M. C. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2015/2016: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 122, 2016. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1054714/1/CT122.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 218, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177007/1/Circ-Tec-218.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
REIS, E. M. et al. MANEJO INTEGRADO DO MOFO-BRANCO. – Revista Plantio Direto, 2011. Disponível em: < https://www.plantiodireto.com.br/storage/files/122/6.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

Sustentabilidade
Desafios da pós-colheita ganham destaque da RPS – MAIS SOJA

O monitoramento e o controle das pragas quarentenárias, os desafios enfrentados pelas unidades armazenadoras e as questões de logística permearam as discussões no painel sobre pós-colheita de soja, realizado hoje, 11 de junho, durante a Reunião de Pesquisa de Soja, em Londrina (PR). Fátima Parizzi, representando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), reforça que ações vêm sendo desenvolvidas para atender às exigências fitossanitárias da China, principal destino das exportações brasileiras de soja e milho.
Fátima diz que entre as principais medidas adotadas estão a elaboração de manuais de identificação de pragas, a conscientização dos agentes da cadeia produtiva e o reforço dos cuidados em todas as etapas do processo, desde a amostragem e classificação dos grãos até a expedição da carga. “O objetivo é garantir que os produtos exportados atendam aos requisitos fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais, evitando problemas e rejeições nos portos de destino”, pontua.
Embora a China possua uma extensa lista de pragas quarentenárias, o foco está nas 11 espécies oficialmente reconhecidas pela China que estão presentes no Brasil. “O controle dessas pragas deve começar ainda no plantio, com manejo adequado ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a infestação e os impactos na produtividade das lavouras”, avalia Fátima.
A palestrante afirma ainda que há um plano de ação voltado ao monitoramento e controle de pragas quarentenárias presentes nas lavouras brasileiras e que estão sendo concluídos ajustes de uma proposta a ser encaminhada ao Ministério da Agricultura para subsidiar negociações com a China sobre procedimentos operacionais e critérios de tolerância para a presença de pragas nos lotes exportados. “Um dos avanços mais importantes é a mobilização de toda a cadeia produtiva em torno do tema, para fortalecer as negociações e garantir maior segurança às exportações brasileiras”, ressalta Fátima.
Ação fitossanitárias em unidades armazenadoras – O representante da Caramuru Alimentos, José Ronaldo Quirino, traz um panorama sobre a realidade enfrentada pelas unidades armazenadoras e destaca os controles adotados desde a recepção dos grãos até a expedição, com o objetivo de evitar devoluções de cargas e atender às exigências dos mercados internacionais. Segundo Quirino, o primeiro filtro ocorre na entrada dos produtos, quando é realizada a identificação das cargas e a avaliação dos riscos associados à presença de sementes quarentenárias. “Dependendo do nível de infestação encontrado, algumas cargas chegam a ser recusadas”, explica. “Além disso, as unidades monitoram constantemente os grãos armazenados para identificar possíveis focos de contaminação e definir os locais mais adequados para a formação de lotes destinados à exportação”, diz.
Desafios de logística – Durante o painel, a logística e a infraestrutura do setor para escoamento da safra foram abordados por Edenilson Oliveira, da cooperativa Coamo. Segundo ele, apesar dos avanços observados na melhoria dos portos e corredores de exportação, ainda existem gargalos estruturais importantes, especialmente relacionados à malha ferroviária, que podem comprometer a competitividade do setor no longo prazo.
No Porto de Paranaguá, Oliveira cita os projetos de ampliação e modernização que prometem elevar significativamente a capacidade de movimentação de grãos, reduzindo gargalos históricos e aumentando a competitividade das exportações brasileiras. Paralelamente, conta sobre a proposta de renovação da concessão da Malha Sul ferroviária. “A preocupação é que, sem investimentos mais robustos em ferrovias, o transporte rodoviário continue sobrecarregado, elevando custos e limitando o potencial de expansão do agronegócio nacional”, avalia Oliveira.
Oliveira ressalta que o momento é decisivo para discutir o futuro da infraestrutura ferroviária da região Sul, principalmente diante do processo de renovação das concessões que deverá definir investimentos e diretrizes para as próximas décadas. “Penso ser necessário pensar o sistema de forma integrada, ampliando as alternativas de transporte para as regiões produtoras e reduzindo a forte dependência do transporte rodoviário”, pontua Oliveira.
Para ele, o desafio não pode ser atribuído apenas às concessionárias ferroviárias, mas exige uma visão sistêmica e de longo prazo, com participação do poder público na construção de soluções estruturantes. “O planejamento precisa considerar horizontes de 10, 20 ou até 50 anos, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento da produção agrícola e preserve a competitividade do Brasil nos mercados internacionais”, conclui.
Fonte: Embrapa
Autor:Lebna Landgraf (MTb 2903 – PR) Embrapa Soja
Site: Embrapa
Sustentabilidade
El Niño confirmado até 2027! De forma intensa, fenômeno trará chuvas irregulares e ondas de calor; saiba as áreas afetadas

O retorno do El Niño foi confirmado nesta semana pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Segundo as projeções, o fenômeno deverá se estender até fevereiro de 2027 e influenciar diretamente o desenvolvimento da safra de soja 2026/27 no Brasil.
A expectativa é de que o evento ganhe força durante a primavera e o verão, aumentando os riscos de irregularidade das chuvas e de ondas de calor intensas, especialmente entre setembro e outubro. O cenário acende um alerta para produtores do Centro-Oeste e Sudeste, que podem enfrentar dificuldades no início da semeadura.
Planejamento é a palavra para a safra de soja
O meteorologista do Canal Rural recomenda cautela no planejamento dos trabalhos de campo, uma vez que as condições climáticas podem se assemelhar às registradas entre o fim do inverno e o início da primavera de 2023. A orientação é aguardar uma maior regularização das precipitações, esperada apenas para a segunda quinzena de outubro e início de novembro.
Chuvas à vista
Enquanto isso, o Sul do país segue sob influência de sistemas que favorecem chuvas expressivas. Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul podem registrar acumulados superiores a 100 milímetros em apenas cinco dias, impulsionados pela atuação de ciclones extratropicais.
A previsão também indica avanço da umidade para áreas do sul de Goiás e sul de Mato Grosso, com volumes entre 10 e 15 milímetros nos próximos dias.
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Atenção, sojicultor!
O maior alerta, porém, está voltado para o final de junho. Modelos meteorológicos indicam que Paraná e Mato Grosso do Sul poderão acumular mais de 150 milímetros de chuva em apenas cinco dias, condição que pode comprometer atividades no campo e dificultar o andamento dos trabalhos agrícolas.
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Sustentabilidade
Balança comercial de MS mantém superávit de US$ 802 milhões em maio, impulsionada por soja e carne bovina – MAIS SOJA

De acordo com boletim elaborado pela equipe econômica da Aprosoja/MS, a balança comercial da agropecuária de Mato Grosso do Sul manteve resultado positivo em maio de 2026, registrando superávit de US$ 802,2 milhões. No período, as exportações alcançaram US$ 993,3 milhões, enquanto as importações somaram US$ 191 milhões, mantendo o volume exportado em patamar cinco vezes superior ao das compras internacionais realizadas pelo Estado.
Entre os produtos exportados, a soja e seus resíduos permaneceram na liderança, respondendo por 44,5% das vendas externas. Na sequência aparecem a carne bovina, com 20,9%, e a celulose, com 18,2% da pauta exportadora.
No campo das importações, o gás natural manteve a primeira posição, representando 33,3% do total. O destaque do mês ficou para as células fotovoltaicas, que alcançaram o segundo lugar no ranking de importação, refletindo o avanço dos investimentos em geração de energia renovável no Estado.
De acordo com a análise econômica do boletim, o desempenho das exportações já reflete a sazonalidade da soja, com redução gradual dos embarques após o pico da colheita. Ainda assim, a estabilidade das exportações de carne bovina ajudou a sustentar o resultado positivo da balança comercial.
“Mesmo com a desaceleração natural das exportações de soja neste período do ano, Mato Grosso do Sul mantém uma balança comercial bastante robusta. O destaque para a importação de células fotovoltaicas demonstra que o Estado acompanha uma tendência global de transição energética, enquanto o forte desempenho das exportações agropecuárias continua garantindo um saldo comercial expressivo e contribuindo para a dinâmica econômica regional”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Além da manutenção do superávit, os indicadores de inflação apresentaram desaceleração em maio. O IPCA registrou alta de 0,58% e o IGP-M avançou 0,84%, sinalizando maior estabilidade nos custos que impactam a cadeia produtiva. Segundo o boletim, a redução do IGP-M foi influenciada principalmente pela acomodação dos preços do petróleo no mercado internacional.
O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
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