Sustentabilidade
Desafios da pós-colheita ganham destaque da RPS – MAIS SOJA

O monitoramento e o controle das pragas quarentenárias, os desafios enfrentados pelas unidades armazenadoras e as questões de logística permearam as discussões no painel sobre pós-colheita de soja, realizado hoje, 11 de junho, durante a Reunião de Pesquisa de Soja, em Londrina (PR). Fátima Parizzi, representando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), reforça que ações vêm sendo desenvolvidas para atender às exigências fitossanitárias da China, principal destino das exportações brasileiras de soja e milho.
Fátima diz que entre as principais medidas adotadas estão a elaboração de manuais de identificação de pragas, a conscientização dos agentes da cadeia produtiva e o reforço dos cuidados em todas as etapas do processo, desde a amostragem e classificação dos grãos até a expedição da carga. “O objetivo é garantir que os produtos exportados atendam aos requisitos fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais, evitando problemas e rejeições nos portos de destino”, pontua.
Embora a China possua uma extensa lista de pragas quarentenárias, o foco está nas 11 espécies oficialmente reconhecidas pela China que estão presentes no Brasil. “O controle dessas pragas deve começar ainda no plantio, com manejo adequado ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a infestação e os impactos na produtividade das lavouras”, avalia Fátima.
A palestrante afirma ainda que há um plano de ação voltado ao monitoramento e controle de pragas quarentenárias presentes nas lavouras brasileiras e que estão sendo concluídos ajustes de uma proposta a ser encaminhada ao Ministério da Agricultura para subsidiar negociações com a China sobre procedimentos operacionais e critérios de tolerância para a presença de pragas nos lotes exportados. “Um dos avanços mais importantes é a mobilização de toda a cadeia produtiva em torno do tema, para fortalecer as negociações e garantir maior segurança às exportações brasileiras”, ressalta Fátima.
Ação fitossanitárias em unidades armazenadoras – O representante da Caramuru Alimentos, José Ronaldo Quirino, traz um panorama sobre a realidade enfrentada pelas unidades armazenadoras e destaca os controles adotados desde a recepção dos grãos até a expedição, com o objetivo de evitar devoluções de cargas e atender às exigências dos mercados internacionais. Segundo Quirino, o primeiro filtro ocorre na entrada dos produtos, quando é realizada a identificação das cargas e a avaliação dos riscos associados à presença de sementes quarentenárias. “Dependendo do nível de infestação encontrado, algumas cargas chegam a ser recusadas”, explica. “Além disso, as unidades monitoram constantemente os grãos armazenados para identificar possíveis focos de contaminação e definir os locais mais adequados para a formação de lotes destinados à exportação”, diz.
Desafios de logística – Durante o painel, a logística e a infraestrutura do setor para escoamento da safra foram abordados por Edenilson Oliveira, da cooperativa Coamo. Segundo ele, apesar dos avanços observados na melhoria dos portos e corredores de exportação, ainda existem gargalos estruturais importantes, especialmente relacionados à malha ferroviária, que podem comprometer a competitividade do setor no longo prazo.
No Porto de Paranaguá, Oliveira cita os projetos de ampliação e modernização que prometem elevar significativamente a capacidade de movimentação de grãos, reduzindo gargalos históricos e aumentando a competitividade das exportações brasileiras. Paralelamente, conta sobre a proposta de renovação da concessão da Malha Sul ferroviária. “A preocupação é que, sem investimentos mais robustos em ferrovias, o transporte rodoviário continue sobrecarregado, elevando custos e limitando o potencial de expansão do agronegócio nacional”, avalia Oliveira.
Oliveira ressalta que o momento é decisivo para discutir o futuro da infraestrutura ferroviária da região Sul, principalmente diante do processo de renovação das concessões que deverá definir investimentos e diretrizes para as próximas décadas. “Penso ser necessário pensar o sistema de forma integrada, ampliando as alternativas de transporte para as regiões produtoras e reduzindo a forte dependência do transporte rodoviário”, pontua Oliveira.
Para ele, o desafio não pode ser atribuído apenas às concessionárias ferroviárias, mas exige uma visão sistêmica e de longo prazo, com participação do poder público na construção de soluções estruturantes. “O planejamento precisa considerar horizontes de 10, 20 ou até 50 anos, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento da produção agrícola e preserve a competitividade do Brasil nos mercados internacionais”, conclui.
Fonte: Embrapa
Autor:Lebna Landgraf (MTb 2903 – PR) Embrapa Soja
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Produtor reduz o ritmo nas negociações com a soja nesta sexta-feira; confira como ficaram os preços pelo Brasil

O mercado brasileiro de soja encerrou esta sexta-feira (12) com pouca movimentação e queda nas cotações nas principais praças do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação entre a desvalorização do dólar e uma Bolsa de Chicago sem força suficiente para sustentar os preços pressionou os negócios ao longo do dia.
Embora os prêmios de exportação tenham apresentado valorização e permaneçam firmes para os embarques do segundo semestre, o movimento não foi suficiente para compensar os demais fatores que influenciam a formação dos preços da oleaginosa.
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De acordo com Silveira, o produtor permaneceu afastado das negociações, elevando o spread entre compradores e vendedores. A semana foi marcada por poucos negócios no mercado físico, refletindo uma postura mais cautelosa dos agentes diante do cenário atual.
O analista destaca que o ritmo de comercialização da safra avançou significativamente nas últimas semanas. Com isso, muitos produtores passaram a preservar os volumes ainda disponíveis e começam a direcionar a atenção para as fixações da safra 2026/27, avaliando principalmente os custos de produção.
Preços da soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): recuou de R$ 125,50 para R$ 125,00
- Santa Rosa (RS): caiu de R$ 126,50 para R$ 126,00
- Cascavel (PR): recuou de R$ 121,00 para R$ 120,00
- Rondonópolis (MT): passou de R$ 111,00 para R$ 110,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 114,00 para R$ 113,00
- Paranaguá (PR): recuou de R$ 132,50 para R$ 131,50
- Rio Grande (RS): caiu de R$ 132,50 para R$ 132,00
Soja em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o pregão em baixa, ampliando as perdas acumuladas durante a semana. O movimento de cobertura de posições vendidas perdeu força no final da sessão, devolvendo espaço aos fundamentos baixistas.
O clima favorável para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as cotações. Além disso, a forte queda do petróleo no mercado internacional e a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã reduziram o suporte ao complexo soja.
A ampla oferta global da commodity também segue limitando qualquer tentativa de recuperação mais consistente dos preços.
Números do USDA
O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações para o mercado. A safra norte-americana de soja em 2026/27 foi mantida em 120,7 milhões de toneladas, com produtividade estimada em 53 bushels por acre.
Os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 8,44 milhões de toneladas, praticamente em linha com as expectativas do mercado.
No cenário global, o USDA estimou a produção mundial de soja em 441,34 milhões de toneladas para a temporada 2026/27. Os estoques globais ficaram em 124,88 milhões de toneladas, levemente abaixo das projeções dos analistas.
Para o Brasil, o órgão manteve a estimativa da safra 2025/26 em 180 milhões de toneladas e projetou uma produção ainda maior, de 186 milhões de toneladas, para 2026/27. Já a Argentina teve sua estimativa elevada para 50 milhões de toneladas na safra atual.
Contratos futuros de soja
O contrato julho da soja fechou cotado a US$ 11,13½ por bushel, com queda de 0,13%. O vencimento agosto encerrou a US$ 11,18¾ por bushel, recuando 0,15%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja julho caiu para US$ 301,30 por tonelada. O óleo de soja julho fechou em 74,28 centavos de dólar por libra-peso, com leve retração.
Câmbio
No mercado cambial, o dólar comercial encerrou o dia em baixa de 0,80%, cotado a R$ 5,0585 para venda. Durante a sessão, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,0550 e R$ 5,1155, contribuindo para a pressão sobre os preços da soja no mercado brasileiro.
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Sustentabilidade
El Niño confirmado até 2027! De forma intensa, fenômeno trará chuvas irregulares e ondas de calor; saiba as áreas afetadas

O retorno do El Niño foi confirmado nesta semana pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Segundo as projeções, o fenômeno deverá se estender até fevereiro de 2027 e influenciar diretamente o desenvolvimento da safra de soja 2026/27 no Brasil.
A expectativa é de que o evento ganhe força durante a primavera e o verão, aumentando os riscos de irregularidade das chuvas e de ondas de calor intensas, especialmente entre setembro e outubro. O cenário acende um alerta para produtores do Centro-Oeste e Sudeste, que podem enfrentar dificuldades no início da semeadura.
Planejamento é a palavra para a safra de soja
O meteorologista do Canal Rural recomenda cautela no planejamento dos trabalhos de campo, uma vez que as condições climáticas podem se assemelhar às registradas entre o fim do inverno e o início da primavera de 2023. A orientação é aguardar uma maior regularização das precipitações, esperada apenas para a segunda quinzena de outubro e início de novembro.
Chuvas à vista
Enquanto isso, o Sul do país segue sob influência de sistemas que favorecem chuvas expressivas. Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul podem registrar acumulados superiores a 100 milímetros em apenas cinco dias, impulsionados pela atuação de ciclones extratropicais.
A previsão também indica avanço da umidade para áreas do sul de Goiás e sul de Mato Grosso, com volumes entre 10 e 15 milímetros nos próximos dias.
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Atenção, sojicultor!
O maior alerta, porém, está voltado para o final de junho. Modelos meteorológicos indicam que Paraná e Mato Grosso do Sul poderão acumular mais de 150 milímetros de chuva em apenas cinco dias, condição que pode comprometer atividades no campo e dificultar o andamento dos trabalhos agrícolas.
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Sustentabilidade
Mofo-branco: Medidas integradas durante safra e entressafra são essenciais para reduzir a incidência da doença – MAIS SOJA

Considerada uma das principais doenças fúngicas que acometem a soja, o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum pode causar reduções médias de 21% na produtividade da soja, podendo chegar até a 70% em algumas lavouras isoladas (Meyer et al., 2016). Estima-se que mais de 10 milhões de hectares de área de produção de soja no Brasil estejam infestados pelo patógeno causador do mofo-branco (Meyer et al., 2025). Associado a ampla distribuição da doença no território nacional, o fungo sobrevive no solo em estruturas reprodutivas (escleródios) e em uma ampla gama de plantas hospedeiras, afetando mais de 400 espécies entre cultivadas e daninhas (Logo Junior & Santos, 2013).
Figura 1. Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum sobre o solo logo após a colheita em uma área atacada pelo mofo branco.
Os escleródios podem permanecer viáveis no solo por longos períodos, constituindo uma importante fonte de inóculo para novos ciclos da doença quando encontram condições favoráveis de temperatura e umidade. Nessas condições, germinam e originam apotécios na superfície do solo, estruturas responsáveis pela produção e liberação de ascosporos. Transportados pelo ar, os ascosporos alcançam as plantas e constituem a principal fonte de infecção, iniciando novos focos da doença (Henning et al., 2014).
Figura 2. Ciclo de desenvolvimento do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum).

Após a formação dos escleródios, a erradicação do patógeno nas áreas de cultivo torna-se extremamente difícil, uma vez que essas estruturas de sobrevivência apresentam elevada persistência no solo. Além disso, considerando que praticamente todas as espécies vegetais de folha larga, incluindo culturas agrícolas e plantas daninhas, podem atuar como hospedeiras de Sclerotinia sclerotiorum (Reis et al., 2011), o manejo do mofo-branco deve ser baseado em estratégias integradas e de longo prazo. Entre as principais medidas destacam-se a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, a redução da introdução e disseminação de escleródios nas áreas agrícolas e a adoção de práticas que reduzam a sobrevivência do patógeno e o progresso da doença (Figura 3).
Figura 3. Estratégias integradas para o manejo do mofo-branco em soja.

Além das medidas supracitadas, é importante lembrar que algumas culturas de cobertura frequentemente inseridas no programa de rotação de culturas como o nabo-forrageiro, são ótimas hospedeiras do fungo Sclerotinia sclerotiorum e frequentemente associadas a disseminação do patógeno, seja pelas sementes infectadas com escleródios (figura 4) ou pelos resíduos culturais infectados. Nesse contexto, a atenção deve ser redobrada no cultivo dessa espécie de cobertura, especialmente em áreas com histórico de ocorrência do mofo-branco.
Figura 4. Escleródios de mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) misturados com sementes de nabo-forrageiro.

Em suma, o manejo entressafra exerce um papel tão importante para o controle do mofo-branco quando o manejo químico durante o período sensível da soja a incidência da doença, sendo imprescindível a adoção de boas práticas tanto na safra quanto na entressafra para reduzir o progresso do mofo-branco entre áreas de cultivo e os danos ocasionados pela doença em soja.
Referências:
FRAC-BR. CICLO DE VIDA DO MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum). Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: FRAC-BR, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/ciclo-de-vida-do-mofo-branco-sclerotinia-sclerotiorum >, acesso em: 12/06/2026.
HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
LOBO JUNIOR, M.; SANTOS, P. F. MANEJO DO MOFO BRANCO. Revista Cultivar, 2013. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/963194/manejo-do-mofo-branco >, acesso em: 12/06/2026.
MEYER, M. C. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2015/2016: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 122, 2016. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1054714/1/CT122.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 218, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177007/1/Circ-Tec-218.pdf >, acesso em: 12/06/2026.
REIS, E. M. et al. MANEJO INTEGRADO DO MOFO-BRANCO. – Revista Plantio Direto, 2011. Disponível em: < https://www.plantiodireto.com.br/storage/files/122/6.pdf >, acesso em: 12/06/2026.

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