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24 de julho de 2026

Sustentabilidade

Plantas de cobertura: uma estratégia para o manejo sustentável do potássio – MAIS SOJA

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Considerando que o potássio (K) é o segundo nutriente mais exigido pela cultura da soja e que são necessários mais de 30 kg de K para a produção de uma tonelada de grãos (Nutrição de Safras, 2019), a adubação potássica constitui uma prática recorrente e indispensável nos sistemas produtivos, desempenhando papel fundamental na manutenção do potencial produtivo da cultura.

Entretanto, os elevados custos associados aos fertilizantes potássicos, somados às dificuldades de aquisição decorrentes de conflitos geopolíticos e da elevada dependência brasileira de fontes importadas, reforçam a necessidade da adoção de estratégias de manejo que favoreçam a manutenção da fertilidade do solo e a ciclagem do potássio nos sistemas agrícolas, contribuindo para maior eficiência no uso desse nutriente e para a sustentabilidade da produção.

Uma das alternativas mais sustentáveis para isso é a inserção de espécies com capacidade de ciclar e acumular o potássio das camadas mais profundas do solo. O potássio ciclado passa a ficar disponível para a culturas sucessora após a decomposição e mineralização dos resíduos vegetais. De acordo com Wolschick et al. (2016), dependendo da espécie cultivada, o acúmulo de potássio na biomassa pode chegar a 358,4 kg ha-1 como ocorre com a parte aérea da ervilhaca.

Vale destacar que a capacidade das espécies em acumular não só o potássio, mas demais nutrientes em sua biomassa, tais como nitrogênio (N), fósforo (P), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) varia de acordo com a espécie e condições de cultivo e ambiente. Sobretudo, espécies forrageiras como braquiária, capim sudão e aveia branca, podem ultrapassar os 200 kg de potássio acumulado na parte aérea (tabela 1).

Tabela 1. Produção de biomassa, matéria seca e conteúdo de macronutrientes da parte aérea de plantas de cobertura e de culturas comerciais.
Adaptado de Carvalho et al. (2022), citado por Oliveira et al. (2024)

Em contrapartida, nem sempre o potássio acumulado nos resíduos vegetais esta prontamente disponível para a cultura sucessora. Conforme observado por  Bertolini et al. (2019) e Anjos (2019), a liberação do potássio acumulado nos resíduos vegetais varia em função de características como relação carbono/nitrogênio (C/N) da biomassa bem como condições de clima e ambiente que possam influenciar a decomposição e mineralização dos resíduos culturais, sendo consenso que plantas com menor relação C/N, a exemplo das plantas da família Fabaceae, mostram-se mais eficiente na liberação dos nutrientes dos resíduos culturais para o solo.

Figura 1. Acúmulo, decomposição e tempo de meia-vida de potássio de culturas anuais e de cobertura nas safras 2016/17 em Rondonópolis – MT.
Fonte: Anjos (2019)

Nesse contexto, quando o objetivo é promover a ciclagem do potássio e aumentar a disponibilidade desse nutriente para a cultura sucessora, torna-se fundamental selecionar e posicionar adequadamente as plantas de cobertura, considerando não apenas sua adaptação ao sistema de cultivo, mas também características como capacidade de absorção e reciclagem de nutrientes, produção e persistência da palhada e potencial de exportação de nutrientes. Embora culturas produtoras de grãos também contribuam para a reciclagem de nutrientes do solo, uma parcela significativa dos nutrientes absorvidos é removida da área por meio da colheita dos grãos, reduzindo o retorno desses elementos ao sistema. Dessa forma, com foco na ciclagem de nutrientes, especialmente do potássio, o cultivo de plantas de cobertura tende a ser uma alternativa mais eficiente, uma vez que favorece o acúmulo de nutrientes na fitomassa e sua posterior liberação durante o processo de decomposição dos resíduos vegetais.

Além da contribuição para a ciclagem de nutrientes, as plantas de cobertura, quando adequadamente posicionadas no sistema de produção, desempenham papel fundamental na manutenção e melhoria da fertilidade do solo, podendo refletir positivamente na produtividade da cultura sucessora. Esse benefício foi evidenciado por Pengo et al. (2025), que observaram incrementos superiores a 20 sc/ha na produtividade da soja em determinados sistemas de rotação de culturas, quando comparados ao pousio durante a entressafra.

Em síntese, a adoção de plantas de cobertura na entressafra representa uma importante ferramenta para o manejo sustentável do potássio nos sistemas agrícolas. Ao favorecer a ciclagem de nutrientes e a manutenção da fertilidade do solo, essa estratégia contribui para aumentar a eficiência de utilização do potássio e reduzir a necessidade de reposições frequentes via fertilização, podendo inclusive, resultar na redução dos custos de produção, sem comprometer a produtividade da soja.


Veja mais: Rotação de culturas e manejo das plantas de cobertura influenciam na produtividade da soja


Referências:

ANJOS, V. G. ACÚMULO E LIBERAÇÃO DE POTÁSSIO EM SISTEMA DE PRODUÇÃO SOB PLANTIO DIRETO NO CERRADO MATOGROSSENSE. Monografia, Universidade Federal de Mato Grosso, 2019. Disponível em: < https://bdm.ufmt.br/bitstream/1/1064/1/TCC_2019_Vinicius%20Gr%C3%ADcolo%20dos%20Anjos.pdf >, acesso em: 08/06/2026.

BERTOLINI, A. et al. COBERTURA DE SOLO E TAXA DE CICLAGEM DE NUTRIENTES EM PLANTAS DE COBERTURA DE VERÃO NO OESTE DE SANTA CATARINA. Unoesc & Ciência – ACET Joaçaba, v. 10, n. 2, p. 83-92, jul./dez. 2019. Disponível em: < https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/acet/article/view/20767/14466 >, acesso em: 08/06/2026.

NUTRIÇÃO DE SAFRAS. TABELA DE EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO DOS NUTRIENTES NA CULTURA DA SOJA. 2019. Disponível em: < https://nutricaodesafras.com.br/tabela-de-extracao-e-exportacao-dos-nutrientes-na-cultura-do-soja/ >, acesso em: 08/06/2026.

OLIVEIRA, F. A. et al. POTASSIO NOS SISTEMS DE PRODUÇÃO DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 465, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1169544 >, acesso em: 08/06/2026.

PENGO, R.   et al.   MANEJO DE PLANTAS DE COBERTURA NA SEGUNDA SAFRA: SAFRA 2024/25. Fundação Rio Verde, Resultados de Soja e Milho Ao longo de 10 safras, 2025. Disponível em: < https://fundacaorioverde.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Manejo-de-Plantas-de-Cobertura.pdf >, acesso em: 08/06/2026.

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Sustentabilidade

Quais são as biotecnologias disponíveis na cultura da soja e como tem revolucionado a cultura. – MAIS SOJA

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A partir de 1996, surgiu a primeira biotecnologia para a cultura da soja, inicialmente as biotecnologias erão desenvolvidas focadas no controle de plantas daninhas, por esse motivo, atualmente, existe uma grande quantidade de biotecnologias aprovadas no Brasil com essa característica. Posteriormente, outras biotecnologias foram desenvolvidas transferindo a planta outras qualidades para auxiliar os produtores no controle de insetos, doenças e mitigação ao déficit hídrico. Hoje, as principais tecnologias disponíveis no mercado são:

  1. Roundup Ready® (RR): Confere tolerância ao herbicida glifosato por meio da inserção do gene CP4-EPSPS, permitindo o controle eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas e largas.
  2. Intacta RR2 PRO® (IPRO): Combina tolerância ao glifosato com resistência a lagartas por meio da proteína Cry1Ac.
  3. Intacta 2 Xtend® (Xtend): Apresenta resistência a um número maior de lagartas por meio das proteínas Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2, além de tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba, ampliando as opções de manejo de plantas daninhas.
  4. Conkesta Enlist E3® (CE): Tolerância aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônio e 2,4-D sal colina, expressa as proteínas Cry1F e Cry1Ac.
  5. HB4®: Desenvolvida para aumentar a tolerância ao estresse hídrico (seca).
  6. Liberty Link® (LL): Confere tolerância ao herbicida glufosinato de amônio por meio do gene PAT.
  7. Cultivance® (CV): Proporciona tolerância aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, por meio do gene CSR1-2.
  8. STS (Sulfonylurea Tolerant Soybean): Confere maior tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias.
  9. BLOCK®: Tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA voltada ao aumento da tolerância à ferrugem-asiática da soja.

A figura 1 apresenta um resumo geral das principais biotecnologias genéticas da soja no Brasil e suas respectivas resistências ou tolerâncias.

Figura 1. Perfil de tolerância a herbicidas, doenças, pragas e estresse hídrico das principais biotecnologias de soja disponíveis no mercado brasileiro.

De modo geral, é fundamental que produtores e técnicos compreendam a interação entre cultivar, ambiente e manejo, buscando informações confiáveis geradas por pesquisas, assistência técnica, empresas de sementes e experimentos em campo (on farm), avaliando na sua lavoura as principais cultivares de soja semeadas na região e os novos lançamentos, criando assim um banco de dados que servirá como base para uma escolha mais assertiva da cultivar ideal.

Referências bibliográficas.

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 202


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Sustentabilidade

Crédito rural registra redução nas contratações ao final do Plano Safra 2025/26 – MAIS SOJA

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O encerramento do Plano Safra 2025/26 confirma um cenário de maior restrição ao crédito rural em Mato Grosso do Sul. O ciclo foi concluído com R$ 14,64 bilhões contratados, volume 22,3% inferior ao registrado na safra anterior.

Segundo levantamento da Aprosoja/MS, foram contratados R$ 943,8 milhões em junho de 2026 no Estado, resultado 22,3% inferior ao registrado em maio do mesmo ano e 40,1% menor em comparação com junho de 2025.

O ambiente financeiro mais restritivo observado no encerramento da safra é resultado da redução das operações de custeio, investimento e, principalmente, comercialização, refletindo uma maior seletividade na concessão de crédito rural.

O Plano Safra 2026/27 iniciou seu ciclo em 1º de julho, com crescimento de 1,7% no volume total de recursos em relação ao ciclo anterior, totalizando R$ 622,4 bilhões. No entanto, esse aumento não supera a inflação acumulada no período, o que resulta em redução do volume de crédito em termos reais.

Assim, apesar da redução das taxas de juros nas principais linhas oficiais, a ampliação do acesso ao crédito dependerá da disponibilidade de recursos subsidiados, da capacidade de equalização pelo Governo Federal e da situação financeira dos produtores. Esses fatores continuarão sendo determinantes para o ritmo das contratações ao longo da safra 2026/27.

O boletim completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja/MS

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Sustentabilidade

Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

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Mato Grosso do Sul representa aproximadamente 9% da produção nacional de soja, consolidando-se como o 5º maior produtor do grão no Brasil. Em relação ao milho segunda safra, o Estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, sendo responsável por cerca de 8,1% da produção brasileira. Apesar da relevância da produção de soja e milho no cenário nacional, a infraestrutura logística ainda representa um dos principais desafios para o escoamento da produção agrícola em Mato Grosso do Sul. Conforme análise apresentada pela Aprosoja/MS, o custo do frete pode representar até 60% do valor do milho e até 25% do valor da soja.

Atualmente, o Estado escoa cerca de 80% da produção agrícola por rodovias, 2% por ferrovias e o restante por hidrovias. De acordo com estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS, essa concentração no modal rodoviário eleva os custos logísticos, aumenta a demanda sobre a malha viária e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense.

A análise também indica que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens estruturais em relação ao modal rodoviário. Entretanto, a competitividade desses modais depende de fatores como a infraestrutura disponível, o estágio de desenvolvimento da malha logística, o processo de devolução de concessões e o nível de concorrência entre os diferentes modais de transporte.

Com investimentos estimados em R$ 50 bilhões até 2035, estão previstas a duplicação e as melhorias da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju (MS) ao Paraná, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os projetos associados à Rota Bioceânica. Conforme estimativas apresentadas no estudo, essas iniciativas possuem potencial para reduzir em até 26% os custos de transporte.

Ainda conforme a análise apresentada no estudo, a execução desses projetos poderá contribuir para ampliar a eficiência do transporte de cargas, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Carolina Toffanetto (estagiária de Comunicação Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja MS

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