Business
Cerrado em foco: desafios de solo e estratégias para altas produtividades

Produzir soja no Cerrado exige atenção crescente ao manejo desde os primeiros momentos da safra. Em um sistema intensivo, que em muitas regiões permite até três cultivos ao longo do ano, doenças de solo, pragas e nematóides representam desafios constantes para a manutenção da produtividade.
Nesse ambiente, o estabelecimento inicial da cultura se tornou uma das etapas mais importantes da produção. Problemas nas fases iniciais podem comprometer o desenvolvimento das plantas e limitar o potencial produtivo antes mesmo do fechamento da lavoura.
Por isso, estratégias adotadas ainda no planejamento da safra ganharam espaço entre os produtores. O tratamento de sementes passou a ser visto não apenas como uma ferramenta de proteção, mas também como um aliado para o desenvolvimento fisiológico das plantas.
De acordo com Felipe Gutheil, gerente de marketing de tratamento de sementes da Basf, a evolução genética das variedades elevou também a necessidade de tecnologias capazes de ajudá-las a expressar todo o potencial produtivo.
Arranque inicial exige proteção
As cultivares atuais carregam características que permitem maiores produtividades, mas exigem um ambiente mais protegido para responder ao investimento realizado pelo produtor.
“O tratamento de sementes ao longo dos anos vem ganhando maior relevância, porque hoje as variedades são mais produtivas, elas têm toda uma tecnologia embutida na semente, consequentemente, aumenta a exigência tecnológica para fazer essa variedade responder”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo Gutheil, o conceito de tratamento de sementes evoluiu nos últimos anos. Em vez da aplicação isolada de um produto, as recomendações passaram a combinar diferentes tecnologias em uma única receita, buscando proteção e estímulo ao desenvolvimento das plantas.
“Hoje, quando se oferta uma solução em tratamento de sementes, não se oferta um único produto, se oferta uma composição de produtos que formam a receita para proteger como um todo aquela semente. E, também, tratamentos que confiram um efeito fisiológico superior às plantas”.
O especialista frisa que as inovações no segmento têm permitido a construção de receitas mais completas, capazes de atender desafios específicos encontrados nas áreas de produção, especialmente no manejo de doenças e nematóides.

Receitas para reforço no manejo de doenças
Entre as alternativas voltadas para áreas com necessidade de reforço no controle de doenças, Gutheil destaca a receita formada por Standak® Prime Sistiva®. Conforme ele, a solução reúne o Standak® Top, o Votivo® Prime e o Sistiva®, formando uma combinação destinada à proteção das plantas logo no início do ciclo.
“O tratamento de semente vem inovando em receitas que trazem alta performance, seja para o manejo de doenças, seja para o manejo de nematoides”, pontua.
Ao explicar a composição da tecnologia, o gerente ressalta a integração entre diferentes ferramentas de proteção.
“Por exemplo, onde se há necessidade de se fazer um reforço para doenças no tratamento de sementes, a Basf trouxe a receita do Standak® Prime Sistiva®, ou seja, Standak® Prime é a combinação de dois produtos, o Standak® Top com o Votivo® Prime, um nematicida, associado também ao Sistiva®, que você tem toda uma combinação muito potente para proteger contra pragas, o reforço para proteger contra doenças, podridões, associado a um biológico nessa receita”.
Ainda de acordo com o especialista da Basf, a associação entre produtos químicos e biológicos contribui para melhorar o desenvolvimento radicular das plantas, favorecendo a absorção de água e nutrientes.
“Você cria uma sinergia entre químicos e biológicos, trazendo aquele resultado de maior enraizamento, raízes mais sadias, raízes com maior eficácia na absorção de água, nutrientes, consequentemente plantas mais protegidas e mais resilientes, consequentemente plantas mais produtivas”, diz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Estratégias para áreas com alta pressão de nematóides
O manejo de nematoides também exige atenção especial no Cerrado, principalmente em áreas onde a pressão da praga já está consolidada e afeta o desempenho das lavouras.
Nessas situações, Gutheil explica que a Basf desenvolveu uma segunda receita voltada especificamente para ampliar o controle desses organismos. A recomendação reúne o Standak® Prime, formado pela associação entre Standak® Top e Votivo® Prime, com o acréscimo de Ilevo®.
“E aí, se há necessidade de reforçar para o manejo controle de nematoides em área onde há alta pressão de nematóides, a Basf lançou uma segunda receita que é o Standak® Prime, como já mencionado, associação do Standak® Top com o Votivo® Prime, com o acréscimo de Ilevo®, uma carboxamida, um nematicida químico para uso em áreas de alta pressão de nematoide”.
Segundo o gerente, a evolução do tratamento de sementes passa justamente pela capacidade de desenvolver recomendações específicas para diferentes realidades encontradas no campo.
Manejo mais direcionado
A personalização das recomendações é apontada como uma das principais evoluções do tratamento de sementes. Em vez de uma única estratégia para toda a propriedade, as soluções podem ser ajustadas conforme os desafios presentes em cada área de produção.
“Então aqui tem duas receitas customizadas, aplicadas no Cerrado, seja para o reforço de doença, seja para o reforço de nematoide. Então, a importância também de se criar receitas customizadas que atendam a demanda do agricultor”.
Conforme Gutheil, essa adaptação pode ocorrer tanto em nível de fazenda quanto em talhões específicos, permitindo respostas mais alinhadas às necessidades de cada ambiente produtivo. “Isso pode ser para uma fazenda, isso pode ser para um talhão dentro de uma fazenda”.
Para o especialista, a evolução das tecnologias disponíveis tem contribuído para tornar o manejo mais eficiente e previsível ao longo da safra.
“Então o tratamento de sementes ele evolui muito trazendo soluções, ofertas que atendam a necessidade do agricultor, que atendam a demanda daquela variedade escolhida e que mitiguem problemas que possam acontecer. E isso deixa as coisas um pouco menos complexas durante o manejo da cultura como um todo”.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Cerrado em foco: desafios de solo e estratégias para altas produtividades apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.
A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.
Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.
O post John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.
Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.
O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.
- Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
No mercado físico, os preços foram os seguintes:
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00
Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.
As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.
Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.
Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.
Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.
O post Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.
A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.
Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.
Doença de pele
Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.
“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.
Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.
Identificação
Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).
Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.
Adaptação ao clima
As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.
Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.
“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.
“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.
Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.
“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.
Vacinas e sal
A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.
Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.
“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.
O post Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.
Business12 horas agoSafra 2026/27: custo da soja sobe e atraso nas compras preocupa produtores em MT
Sustentabilidade17 horas agoPlantas de cobertura reduzem emissões de gases de efeito estufa e tornam lavouras mais resilientes – MAIS SOJA
Business7 horas agoDemanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído
Business6 horas agoJohn Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil
Sustentabilidade14 horas agoResistência de plantas daninhas impulsiona adoção de novas tecnologias no manejo da soja – MAIS SOJA
Sustentabilidade15 horas agoNematoide-das-galhas reduz a produtividade do arroz e desafia o manejo nas lavouras – MAIS SOJA
Business13 horas agoRally da Safra projeta produção de 4,2 milhões de toneladas de algodão
Sustentabilidade10 horas agoQuais são as biotecnologias disponíveis na cultura da soja e como tem revolucionado a cultura. – MAIS SOJA















