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A cidade que brotou da terra: Boa Esperança do Norte sinônimo de inovação, coragem e agro sustentável

Entre o vermelho da terra e o verde das lavouras, Boa Esperança do Norte cresceu cercada por histórias de coragem, trabalho e persistência. Emancipado em 1º de janeiro de 2025, o município mais novo de Mato Grosso carrega nas ruas, nas propriedades rurais e nas famílias a marca de quem apostou no Cerrado quando ainda havia poucas estradas, nenhuma infraestrutura e muita incerteza.
Hoje, Boa Esperança do Norte tem cerca de 9 mil habitantes, economia baseada no agronegócio e aproximadamente 470 empresas instaladas. Mas antes do desenvolvimento chegar, os primeiros moradores precisaram enfrentar o isolamento, as dificuldades logísticas e o desafio de transformar a terra bruta em oportunidade.
Grande parte desses pioneiros veio do Sul do país, principalmente do Rio Grande do Sul, em busca de uma vida melhor. Muitos chegaram sem garantias, movidos apenas pela esperança de construir futuro para os filhos.
Foi assim com o agricultor Armelindo Fabiani, que lembra dos primeiros anos no município. “Eu trabalhei aqui cinco anos só com arroz, e a primeira lavoura que eu consegui fazer com o meu dinheiro foi 23 hectares de terra. O meu sonho era dar uma vida melhor para os meus filhos. A minha preocupação e da esposa era sempre assim: de nós darmos uma coisa melhor do que nós tivemos”.

Dos atoleiros ao asfalto
Quando os primeiros produtores chegaram à região, a estrutura praticamente não existia. A energia elétrica era limitada, as estradas dificultavam o transporte da produção e até a comunicação com familiares era restrita.
Armelindo Fabiani conta que deixar Boa Esperança nunca foi uma opção, apesar das dificuldades. “Aqui não tinha nada, aqui era puro Cerrado. Foi sofrido. Mas Deus me livre, naquela época pra você sair daqui e ir para Sorriso levava o dia inteiro. Nós não fomos embora em 1989, 1990 porque não tinha para quem vender. Sobramos só seis aqui”.
O pecuarista Dirceu Prates Corrêa recorda que a iluminação funcionava por meio de motores a diesel acionados apenas em alguns horários do dia. “A iluminação era com motor a diesel, tocava duas vezes por dia”.
As dificuldades no escoamento da safra também marcaram os primeiros anos. O agricultor Dilvão Roberto Pase lembra que os caminhões atolavam constantemente nas estradas de chão. “Na época a gente teve muitos problemas com o escoamento da produção. A estrada era muito ruim, o caminhão ia e não voltava, atolava, muitas vezes tinha que largar de colher para socorrer o caminhão atolado”.
Com o passar dos anos, a infraestrutura começou a mudar. “E assim foi mudando. Trouxemos a energia para cá, que veio de Sorriso, e depois mais uns anos para frente foi o asfalto chegou até aqui”, relata Dirceu Prates Corrêa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Agro como identidade do município
Boa Esperança do Norte herdou aproximadamente 59 mil hectares de áreas produtivas de Sorriso e outros 240 mil hectares de Nova Ubiratã. A produção agrícola é baseada principalmente em soja, milho e algodão.
Para o agricultor Moacir Antônio Guarnieri, o desenvolvimento do município está diretamente ligado ao agronegócio. “Soja, milho, algodão está vindo com muita força e aqui o clima é espetacular. 80% das famílias dependem do agro. É funcionários das fazendas, é prestação de serviços nos armazéns, até os que estão na área pública, e se o agro vai bem tudo vai bem”.
O prefeito Calebe Francio afirma que o município nasceu a partir do campo e mantém essa essência até hoje. “Aqui foi a cidade que entrou dentro do campo, não o campo que entrou dentro da cidade. A nossa linguagem aqui é o agro, e vai continuar sendo nessa locomotiva”.
Para os moradores mais antigos, a emancipação representa também um reconhecimento da história construída ao longo das décadas.
“Para nós é uma satisfação ver essas pessoas que estão aí hoje com a idade do meu pai, com a idade de outras pessoas na faixa dos 80 anos. São realmente uns heróis brasileiros que gostam de ver o desenvolvimento do nosso país. Agora nós somos cidadãos boa-esperancenses… Não mais sorrisenses e nem nova-ubiratanenses”, destaca o agricultor Moacir Antônio Guarnieri.

Desenvolvimento que transforma famílias
O crescimento do município também abriu oportunidades para pequenos produtores e famílias da agricultura familiar. Uma cooperativa presidida por Armelindo Fabiani atende atualmente cerca de 320 famílias com financiamento de insumos e assistência técnica.
Entre elas está a do agricultor Ervino Adolfo Gebhardt. Antes de investir na produção rural, ele trabalhou durante cinco anos como entregador em uma loja de materiais de construção.
O primeiro plantio foi pequeno, conta ele ao Canal Rural Mato Grosso, mas serviu como ponto de partida para mudar de vida. “A gente fez o primeiro plantio de 15 hectares de soja e no segundo ano já foi para 30. Fomos pagando a conta e recebendo crédito e assim fomos indo”.
Hoje, após 25 anos no campo, Ervino diz que a agricultura garantiu estabilidade e estrutura para a família. “São 25 anos de conforto, a gente tem carro bom para sair, duas geladeiras, dois fogões, dois freezers, temos plantadeiras, pulverizador, temos tratores, colhedeiras, estamos bem equipados. Sempre gostei da agricultura. Eu dizia: ‘um dia eu vou estar lá’. E deu certo. Se não tivesse o agronegócio, o que seria da cidade?”.
Além do apoio aos produtores, a cooperativa também investe em ações sociais no município. O engenheiro agrônomo Carlos Antônio de Sá Brito explica à reportagem que parte dos recursos retorna para a comunidade. “Distribuímos recursos também para as escolas, são cinco escolas, têm o grupo da terceira idade, então nós fazemos o que está ao nosso alcance. É o agro de Boa Esperança do Norte fomentando o município, fazendo girar, circular o capital e o desenvolvimento da região”.
O secretário de Agricultura, Meio Ambiente, Turismo e Desenvolvimento, Cassiano Pase, afirma que praticamente todas as famílias do município possuem alguma ligação com o setor. “Hoje eu acredito que não haja uma família que não dependa em nenhuma escala, em nenhuma esfera, do desenvolvimento do agronegócio no município”.
Produção com preservação
O avanço do agronegócio em Boa Esperança do Norte também veio acompanhado da adoção de tecnologias e práticas voltadas à preservação ambiental.
No município, o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de tecnologias de monitoramento ajudam a reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência da produção. Sensores, satélites e ferramentas digitais passaram a fazer parte da rotina das propriedades rurais.
Cassiano Pase destaca que a preocupação ambiental acompanha o crescimento da cidade desde o início. “A nossa preocupação já é manter desde o início a qualidade da água, a qualidade dos animais, da fauna que habita nessas regiões, a importância que tem de preservar toda essa vegetação que é nativa do lugar”.
Segundo ele, preservar o Cerrado é também garantir legado para as próximas gerações. “Nada mais digno com nossos filhos, nossos netos, nós deixarmos esse legado, uma terra em que eles possam desfrutar da produtividade, da exuberância e da beleza”.
O prefeito Calebe Francio reforça que o município mantém áreas preservadas e trabalha para conservar os recursos naturais. “Se olhar o nosso mapa vai ver como são preservadas a beira de rios, a mata ciliar, as APPs, uma estação de preservação onde você vai encontrar todas essas variedades do nosso Cerrado tanto de fauna, quanto de flora”.

O sonho que criou raízes
Depois de décadas vivendo em Boa Esperança do Norte, muitos pioneiros dizem não se imaginar longe dali. O município que começou pequeno no meio do Cerrado virou lar, história e legado.
“Trinta anos fez que eu cheguei aqui, que desembarquei a mudança… E daqui eu não saio mais”, afirma o pecuarista Dirceu Prates Corrêa.
Aos 83 anos, Armelindo Fabiani olha para trás com orgulho da trajetória construída. “A persistência valeu a pena, né? Nessa parte estou bem contente de ter feito aquelas loucuras que nós fizemos. A vida é assim”.
Para Dilvão Roberto Pase, ver Boa Esperança do Norte transformada em município simboliza a realização de um sonho coletivo. “É um sonho realizado. Ter a família tudo aí e conseguir chegar, ter um município aqui para nós é muito bom, demais…”.
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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.
A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.
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De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.
Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.
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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.
Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.
O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.
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No mercado físico, os preços foram os seguintes:
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00
Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.
As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.
Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.
Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.
Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.
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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.
A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.
Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.
Doença de pele
Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.
“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.
Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.
Identificação
Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).
Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.
Adaptação ao clima
As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.
Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.
“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.
“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.
Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.
“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.
Vacinas e sal
A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.
Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.
“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.
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