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9 de setembro de 2026

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A cidade que brotou da terra: Boa Esperança do Norte sinônimo de inovação, coragem e agro sustentável

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Entre o vermelho da terra e o verde das lavouras, Boa Esperança do Norte cresceu cercada por histórias de coragem, trabalho e persistência. Emancipado em 1º de janeiro de 2025, o município mais novo de Mato Grosso carrega nas ruas, nas propriedades rurais e nas famílias a marca de quem apostou no Cerrado quando ainda havia poucas estradas, nenhuma infraestrutura e muita incerteza.

Hoje, Boa Esperança do Norte tem cerca de 9 mil habitantes, economia baseada no agronegócio e aproximadamente 470 empresas instaladas. Mas antes do desenvolvimento chegar, os primeiros moradores precisaram enfrentar o isolamento, as dificuldades logísticas e o desafio de transformar a terra bruta em oportunidade.

Grande parte desses pioneiros veio do Sul do país, principalmente do Rio Grande do Sul, em busca de uma vida melhor. Muitos chegaram sem garantias, movidos apenas pela esperança de construir futuro para os filhos.

Foi assim com o agricultor Armelindo Fabiani, que lembra dos primeiros anos no município. “Eu trabalhei aqui cinco anos só com arroz, e a primeira lavoura que eu consegui fazer com o meu dinheiro foi 23 hectares de terra. O meu sonho era dar uma vida melhor para os meus filhos. A minha preocupação e da esposa era sempre assim: de nós darmos uma coisa melhor do que nós tivemos”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Dos atoleiros ao asfalto

Quando os primeiros produtores chegaram à região, a estrutura praticamente não existia. A energia elétrica era limitada, as estradas dificultavam o transporte da produção e até a comunicação com familiares era restrita.

Armelindo Fabiani conta que deixar Boa Esperança nunca foi uma opção, apesar das dificuldades. “Aqui não tinha nada, aqui era puro Cerrado. Foi sofrido. Mas Deus me livre, naquela época pra você sair daqui e ir para Sorriso levava o dia inteiro. Nós não fomos embora em 1989, 1990 porque não tinha para quem vender. Sobramos só seis aqui”.

O pecuarista Dirceu Prates Corrêa recorda que a iluminação funcionava por meio de motores a diesel acionados apenas em alguns horários do dia. “A iluminação era com motor a diesel, tocava duas vezes por dia”.

As dificuldades no escoamento da safra também marcaram os primeiros anos. O agricultor Dilvão Roberto Pase lembra que os caminhões atolavam constantemente nas estradas de chão. “Na época a gente teve muitos problemas com o escoamento da produção. A estrada era muito ruim, o caminhão ia e não voltava, atolava, muitas vezes tinha que largar de colher para socorrer o caminhão atolado”.

Com o passar dos anos, a infraestrutura começou a mudar. “E assim foi mudando. Trouxemos a energia para cá, que veio de Sorriso, e depois mais uns anos para frente foi o asfalto chegou até aqui”, relata Dirceu Prates Corrêa à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Agro como identidade do município

Boa Esperança do Norte herdou aproximadamente 59 mil hectares de áreas produtivas de Sorriso e outros 240 mil hectares de Nova Ubiratã. A produção agrícola é baseada principalmente em soja, milho e algodão.

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Para o agricultor Moacir Antônio Guarnieri, o desenvolvimento do município está diretamente ligado ao agronegócio. “Soja, milho, algodão está vindo com muita força e aqui o clima é espetacular. 80% das famílias dependem do agro. É funcionários das fazendas, é prestação de serviços nos armazéns, até os que estão na área pública, e se o agro vai bem tudo vai bem”.

O prefeito Calebe Francio afirma que o município nasceu a partir do campo e mantém essa essência até hoje. “Aqui foi a cidade que entrou dentro do campo, não o campo que entrou dentro da cidade. A nossa linguagem aqui é o agro, e vai continuar sendo nessa locomotiva”.

Para os moradores mais antigos, a emancipação representa também um reconhecimento da história construída ao longo das décadas.

“Para nós é uma satisfação ver essas pessoas que estão aí hoje com a idade do meu pai, com a idade de outras pessoas na faixa dos 80 anos. São realmente uns heróis brasileiros que gostam de ver o desenvolvimento do nosso país. Agora nós somos cidadãos boa-esperancenses… Não mais sorrisenses e nem nova-ubiratanenses”, destaca o agricultor Moacir Antônio Guarnieri.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Desenvolvimento que transforma famílias

O crescimento do município também abriu oportunidades para pequenos produtores e famílias da agricultura familiar. Uma cooperativa presidida por Armelindo Fabiani atende atualmente cerca de 320 famílias com financiamento de insumos e assistência técnica.

Entre elas está a do agricultor Ervino Adolfo Gebhardt. Antes de investir na produção rural, ele trabalhou durante cinco anos como entregador em uma loja de materiais de construção.

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O primeiro plantio foi pequeno, conta ele ao Canal Rural Mato Grosso, mas serviu como ponto de partida para mudar de vida. “A gente fez o primeiro plantio de 15 hectares de soja e no segundo ano já foi para 30. Fomos pagando a conta e recebendo crédito e assim fomos indo”.

Hoje, após 25 anos no campo, Ervino diz que a agricultura garantiu estabilidade e estrutura para a família. “São 25 anos de conforto, a gente tem carro bom para sair, duas geladeiras, dois fogões, dois freezers, temos plantadeiras, pulverizador, temos tratores, colhedeiras, estamos bem equipados. Sempre gostei da agricultura. Eu dizia: ‘um dia eu vou estar lá’. E deu certo. Se não tivesse o agronegócio, o que seria da cidade?”.

Além do apoio aos produtores, a cooperativa também investe em ações sociais no município. O engenheiro agrônomo Carlos Antônio de Sá Brito explica à reportagem que parte dos recursos retorna para a comunidade. “Distribuímos recursos também para as escolas, são cinco escolas, têm o grupo da terceira idade, então nós fazemos o que está ao nosso alcance. É o agro de Boa Esperança do Norte fomentando o município, fazendo girar, circular o capital e o desenvolvimento da região”.

O secretário de Agricultura, Meio Ambiente, Turismo e Desenvolvimento, Cassiano Pase, afirma que praticamente todas as famílias do município possuem alguma ligação com o setor. “Hoje eu acredito que não haja uma família que não dependa em nenhuma escala, em nenhuma esfera, do desenvolvimento do agronegócio no município”.

Produção com preservação

O avanço do agronegócio em Boa Esperança do Norte também veio acompanhado da adoção de tecnologias e práticas voltadas à preservação ambiental.

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No município, o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de tecnologias de monitoramento ajudam a reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência da produção. Sensores, satélites e ferramentas digitais passaram a fazer parte da rotina das propriedades rurais.

Cassiano Pase destaca que a preocupação ambiental acompanha o crescimento da cidade desde o início. “A nossa preocupação já é manter desde o início a qualidade da água, a qualidade dos animais, da fauna que habita nessas regiões, a importância que tem de preservar toda essa vegetação que é nativa do lugar”.

Segundo ele, preservar o Cerrado é também garantir legado para as próximas gerações. “Nada mais digno com nossos filhos, nossos netos, nós deixarmos esse legado, uma terra em que eles possam desfrutar da produtividade, da exuberância e da beleza”.

O prefeito Calebe Francio reforça que o município mantém áreas preservadas e trabalha para conservar os recursos naturais. “Se olhar o nosso mapa vai ver como são preservadas a beira de rios, a mata ciliar, as APPs, uma estação de preservação onde você vai encontrar todas essas variedades do nosso Cerrado tanto de fauna, quanto de flora”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O sonho que criou raízes

Depois de décadas vivendo em Boa Esperança do Norte, muitos pioneiros dizem não se imaginar longe dali. O município que começou pequeno no meio do Cerrado virou lar, história e legado.

“Trinta anos fez que eu cheguei aqui, que desembarquei a mudança… E daqui eu não saio mais”, afirma o pecuarista Dirceu Prates Corrêa.

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Aos 83 anos, Armelindo Fabiani olha para trás com orgulho da trajetória construída. “A persistência valeu a pena, né? Nessa parte estou bem contente de ter feito aquelas loucuras que nós fizemos. A vida é assim”.

Para Dilvão Roberto Pase, ver Boa Esperança do Norte transformada em município simboliza a realização de um sonho coletivo. “É um sonho realizado. Ter a família tudo aí e conseguir chegar, ter um município aqui para nós é muito bom, demais…”.


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Cesb aposta em tecnologia e altas produtividades para elevar rentabilidade da soja

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Foto: Pixabay

O desafio de alcançar altas produtividades de soja tem sido uma das principais frentes de atuação do Comitê Estratégico da Soja Brasil (Cesb), entidade sem fins lucrativos que há mais de 20 anos trabalha para difundir tecnologias e estimular produtores brasileiros a buscarem novos patamares de rendimento.

Segundo Daniel Glat, presidente do Cesb e produtor rural, o trabalho da entidade parte de um desafio direto aos agricultores. “Nós temos uma régua de corte. Este ano foi de 100 sacas por hectare. Então falamos assim, produtor, se você acha que vai dar mais do que 100 sacas por hectare, nos chame para a colheita”, explica.

A metodologia prevê que, caso a produtividade supere as 100 sacas por hectare, o próprio Cesb arque com os custos da colheita auditada. Se o resultado ficar abaixo desse patamar, a despesa fica a cargo do produtor ou da empresa patrocinadora da participação.

Para Glat, os resultados acumulados ao longo dos anos mostram que o desafio tem contribuído para elevar o nível tecnológico das lavouras. “Há 10 anos, por exemplo, os 10 maiores produtores do Cesb colhiam cerca de 100 sacas por hectare. Este ano, já colheram 130 e tantas”, destaca.

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A evolução também aparece no recorde nacional registrado pelo programa. De acordo com o presidente do Cesb, em 2025 foi alcançada a marca de 154 sacas por hectare, resultado que reforça a possibilidade de novos avanços.

“Esse é o caminho do CESB, difundir tecnologia e desafiar os produtores”, afirma Glat. Para ele, ainda não é possível dizer que o limite de produtividade da soja tenha sido alcançado. “Muita gente me pergunta, já chegamos ao limite? Eu acho que não”, comenta.

Em busca por alta produtividade

Além de estimular os produtores, o Cesb utiliza as áreas auditadas para reunir informações detalhadas sobre os sistemas de produção. A entidade mantém um banco de dados com informações agronômicas que permitem comparar diferentes estratégias de manejo e identificar fatores associados aos melhores resultados.

“Nós coletamos todas as informações agronômicas daqueles produtores que a gente colhe. O Cesb hoje tem um banco de dados muito rico, com informações de manejo químico, biológico, fertilidade do solo, chuva e radiação de cada área que foi auditada”, explica Glat.

Segundo ele, essas informações são utilizadas para transformar os resultados obtidos pelos produtores de alta performance em conhecimento que possa chegar a outras propriedades.

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“Esse é um grande banco de dados com informações que usamos para fazer a difusão de tecnologia, divulgando para outros produtores e incentivando que eles cheguem próximos daqueles campeões, desses produtores pioneiros que estão na frente”, diz.

A proposta, portanto, não se limita a premiar ou reconhecer os maiores rendimentos. A intenção é compreender o que está por trás dos resultados e transformar essas experiências em referências para o restante da cadeia produtiva.

Parceria Cesb

Na avaliação de Glat, a aproximação entre o Cesb e o programa Soja Brasil, do Canal Rural, tem potencial para ampliar a disseminação dessas informações entre os produtores.

“Eu acho que os dois têm o mesmo objetivo, que é a difusão da tecnologia na cultura da soja. O Soja Brasil já é um programa consagrado do Canal Rural e eu acho que o Cesb vai poder entrar com muito conteúdo”, afirma.

Para o presidente da entidade, a combinação entre o conhecimento acumulado pelo CESB e a abrangência do Canal Rural pode resultar em uma parceria estratégica para levar informação técnica a um número ainda maior de agricultores.

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“O CESB tem muito conteúdo, o Canal Rural tem muita abrangência, e ambos são direcionados à cultura da soja. Então eu acho que vai ser uma parceria muito promissora”, comenta.

Produtividade e rentabilidade caminham juntas

Outro ponto destacado por Glat é a relação entre produtividade e rentabilidade. Após 18 anos de trabalho, segundo ele, o CESB chegou a uma conclusão que considera clara. Lavouras mais produtivas tendem também a apresentar maior retorno econômico.

“O que nós sabemos é que o que o CESB aprendeu nesses 18 anos é que as altas produtividades estão ligadas às altas rentabilidades. Isso é inconteste”, afirma.

O presidente cita ainda um estudo realizado pelo ex-pesquisador da Embrapa Décio Gazzoni, em conjunto com engenheiros agrônomos ligados ao Cesb, que reforçaria essa relação entre produtividade e resultado financeiro.

“Quanto mais alta a produtividade, maior a rentabilidade”, resume Glat.

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Manejo segue como estratégia

Para a próxima safra, o produtor rural reconhece que o cenário pode exigir atenção aos custos e aos diferentes componentes do manejo. Ainda assim, defende que o produtor mantenha o foco na qualidade da lavoura e faça ajustes de maneira criteriosa.

“Eu vou fazer o melhor que eu posso e vou torcer, acreditando que, mesmo em condições desfavoráveis, lavouras mais bem tratadas se saem melhores do que lavouras mais maltratadas”, afirma.

Na visão de Glat, o momento exige equilíbrio entre eficiência e controle de despesas, sem abandonar práticas que contribuem para o potencial produtivo da cultura.

“A mensagem é, vamos continuar fazendo o que nós sempre fizemos, talvez com alguma parcimônia em uma ou outra forma de manejo em que a gente possa economizar. Mas, de um modo geral, é acreditar e fazer como nós sempre fizemos”, conclui.

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Safra 26/27: novos híbridos de milho buscam mais produtividade e rentabilidade no Cerrado

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Foto: Reprodução/Bayer

A escolha do híbrido de milho para a safra 2026/27 passa cada vez mais pela capacidade de adequar a genética às condições da lavoura. Com custos elevados e maior pressão de pragas e doenças, o produtor precisa considerar não apenas o potencial produtivo, mas também o ambiente, o manejo e o nível de investimento disponível.

Para o agricultor Ivan de Araújo Inácio, a renovação das opções de genética é importante para acompanhar os desafios enfrentados no campo. A produtividade, segundo ele, depende também da evolução das sementes e da capacidade de combinar o conhecimento de quem está na lavoura com o trabalho desenvolvido pela pesquisa.

“Nós fazemos o nosso lado, mas tem que vir o pessoal da pesquisa da semente com variedades novas, híbridos novos para a gente conseguir fechar um trabalho, produzir mais e tentar rentabilizar a cultura”

A definição do material utilizado também está relacionada ao objetivo de produção. Características do solo, época de plantio, condições climáticas e capacidade de investimento podem influenciar a resposta de uma mesma genética em diferentes propriedades.

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Nesse cenário, o desempenho das diferentes genéticas passa a ser avaliado de acordo com as condições encontradas no campo. Em Goiás e no Noroeste de Minas Gerais, materiais com características distintas são testados em diferentes ambientes de produção, considerando fatores como época de plantio, nível de investimento e potencial de cada área.

O representante de vendas da Agroceres, Tiago Ferreira, explica que os dois híbridos têm propostas diferentes. O AG 8909 é voltado a áreas de maior potencial produtivo, enquanto o AG 8450 apresenta uma faixa de adaptação mais ampla, inclusive com possibilidade de utilização para silagem. “O AG 8909 é um híbrido de altíssimo teto produtivo”, pontua.

Na avaliação de Ferreira, o AG 8450 também pode alcançar resultados elevados quando encontra um ambiente preparado para receber a genética. “O agricultor vai ter a estabilidade de produção”, afirma.

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Foto: Reprodução/Bayer

Quatro anos de pesquisa antes da chegada ao mercado

Os resultados apresentados agora são consequência de um processo de avaliação que começou antes da comercialização. Os dois híbridos passaram por testes em diferentes regiões de Goiás, épocas de plantio e níveis de investimento, permitindo comparar o comportamento das plantas em ambientes distintos.

O gerente da Agroceres em Goiás, Danilo Pereira, explica que os materiais estão inseridos nos programas de pesquisa da empresa há pelo menos quatro anos. “Eles estão sendo avaliados em diferentes regiões e em diferentes épocas, em diferentes níveis de investimentos”, frisa ao projeto Mais Milho.

A partir das informações acumuladas durante os testes, os híbridos chegaram a uma condição comercial na safra de verão 2025/26. A etapa permitiu observar o comportamento das genéticas diretamente nas propriedades, além dos experimentos conduzidos pela pesquisa.

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Para Pereira, os resultados obtidos junto aos agricultores ajudam a ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos materiais em condições comerciais. A avaliação é importante principalmente porque o desempenho observado em ensaios precisa ser confrontado com as condições reais de produção.

Esse tipo de pesquisa também permite identificar em quais situações uma determinada genética apresenta melhor resposta. Na prática, o posicionamento do híbrido precisa considerar as características de cada ambiente e o sistema de produção adotado na propriedade.

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Foto: Reprodução/Bayer

Sanidade ganha peso na escolha da genética

O potencial produtivo, porém, pode ser comprometido quando a lavoura enfrenta problemas fitossanitários. Por isso, características relacionadas à sanidade também estão entre os critérios considerados no desenvolvimento e na avaliação dos novos híbridos.

Os testes realizados pela empresa consideraram características relacionadas à qualidade de colmo, doenças e pragas. Os resultados ajudam a entender o comportamento dos materiais diante de diferentes condições encontradas nas áreas produtoras.

De acordo com o gerente técnico de Desenvolvimento de Mercado da Bayer, Max Leite, os materiais apresentaram resultados positivos nos ambientes avaliados pela empresa. No caso do AG 8909, ele cita índice de vitória superior a 80% nos ambientes de alto potencial.

Para o AG 8450, o índice informado também supera 80% nos ambientes em que o material foi avaliado. Os números, porém, precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram realizados e não substituem a análise específica de cada propriedade.

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O manejo continua sendo necessário mesmo com o avanço da genética. Leite chama atenção para o aumento da pressão de patógenos e pragas e avalia que um cenário de temperaturas mais elevadas pode ampliar esse desafio.

Por isso, a escolha do híbrido passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla, que envolve planejamento de plantio e manejo ao longo do ciclo. A genética é um dos componentes do sistema produtivo e precisa estar adequada às condições encontradas no campo.

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Foto: Reprodução/Bayer

Custo de produção coloca eficiência no centro da decisão

A pressão sobre os custos é outro fator que interfere diretamente na escolha do produtor. Em um cenário de margens mais apertadas, alcançar uma produtividade elevada não necessariamente significa maior rentabilidade se o investimento necessário para chegar a esse resultado não for compatível com a realidade da propriedade.

Para Luiz Márcio Bernardes, diretor-geral do Centro de Milho Agroceres Bayer, o cenário econômico exige atenção do setor. “O cenário de custos desafia o mercado agrícola”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.

A questão passa, portanto, por encontrar alternativas que permitam ao produtor trabalhar dentro das condições financeiras de cada propriedade. O nível de tecnologia empregado precisa estar relacionado ao potencial da área e à capacidade de investimento.

O desenvolvimento de novas genéticas é uma das frentes utilizadas pela indústria para responder a esse cenário. Bernardes ressalta que os investimentos em pesquisa buscam gerar novas opções para os sistemas de produção.

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Mas a decisão final continua sendo do produtor, que precisa avaliar as características da própria lavoura antes de definir o material que será utilizado. Potencial produtivo, estabilidade, sanidade, época de plantio e custo fazem parte dessa equação.

É essa combinação que determina se uma tecnologia consegue, de fato, contribuir para o resultado econômico da atividade. A chegada de novas opções de genética para a safra 2026/27 amplia as possibilidades de escolha, mas mantém como desafio encontrar o material que melhor se encaixa nas condições de cada lavoura.

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Mapa publica Anuário do Vinho 2026 com dados da cadeia produtiva

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta terça-feira (8) o Anuário do Vinho 2026, com informações sobre a cadeia produtiva da bebida no Brasil referentes a 2025. A publicação reúne dados sobre estabelecimentos e produtos registrados no ministério, além de produção, empregos e comércio exterior.

Segundo o anuário, o Brasil contava em 2025 com 965 vinícolas registradas no Mapa, distribuídas por 327 municípios. O Rio Grande do Sul concentrava 600 estabelecimentos, seguido por Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86.

Os dados do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) mostram que o país tinha 16.258 vinhos registrados em 2025. O Rio Grande do Sul liderava com 10.855 registros. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 1.898, e São Paulo, com 1.413.

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Na produção, o anuário informa que o volume declarado de vinho ultrapassou 300 milhões de litros em 2025. A atividade registrou 7.361 empregos diretos no período, o que amplia o conjunto de indicadores disponíveis para acompanhamento do setor vitivinícola.

No comércio exterior, as exportações brasileiras de vinho somaram 7,35 milhões de litros em 2025, enquanto as importações alcançaram 165,66 milhões de litros.

De acordo com o Mapa, as informações organizadas na publicação podem ser usadas como fonte de consulta por produtores, pesquisadores, instituições públicas e outros interessados em acompanhar os dados do segmento no país.

A edição de 2026 é a primeira publicação específica do anuário da cadeia produtiva do vinho pelo Mapa e passa a integrar o conjunto de levantamentos do ministério sobre diferentes segmentos de bebidas, como cerveja, cachaça e bebidas não alcoólicas.

Fonte: gov.br

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