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Temporada global inicia com correção nas bolsas do trigo. Reversão?

A temporada global de trigo 2026/27 começou neste mês de junho com um cenário menos confortável: produção menor, consumo firme e estoques mais ajustados. Nesse contexto, as Bolsas norte-americanas passam a refletir a disputa entre a pressão sazonal da colheita nova e fundamentos ainda sensíveis no mercado internacional.
O mercado entra em junho em uma fase de transição importante. Depois de um forte movimento de recuperação entre o fim de 2025 e o primeiro quadrimestre de 2026, os contratos spot de Chicago e Kansas/CME passaram a corrigir parte dos ganhos recentes.
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A leitura gráfica mostra perda de força no curto prazo, realização de lucros e retirada parcial do prêmio climático que havia sido incorporado durante o período de maior preocupação com a seca nas regiões produtoras norte-americanas.
No entanto, a correção dos preços não deve ser confundida com uma reversão estrutural dos fundamentos. O mercado está menos eufórico, mas ainda opera em um ambiente sensível, com produção menor nos Estados Unidos, balanço global mais ajustado, riscos geopolíticos no Mar Negro e dúvidas sobre a disponibilidade de trigo de boa qualidade.
Chicago e Kansas: leituras diferentes para o mesmo mercado
A análise conjunta dos dois mercados é importante porque Chicago e Kansas respondem a fundamentos semelhantes, mas não exatamente iguais. O contrato de Chicago reflete mais diretamente a leitura ampla do mercado internacional de trigo, a entrada da nova safra do Hemisfério Norte e o comportamento geral dos fluxos globais.
Já Kansas representa o trigo Hard Red Winter, de maior força e qualidade panificável, sendo uma referência mais sensível à disponibilidade de trigo com proteína e padrão industrial adequado. Por isso, embora ambos tenham corrigido, a leitura de Kansas exige atenção adicional: quando o assunto é trigo de qualidade, a oferta aparente nem sempre resolve o problema da demanda.
No caso de Chicago, o contrato spot, já referenciado à nova safra norte-americana, saiu de um período de recomposição ao longo do fim de 2025, acelerou entre fevereiro e abril de 2026 e chegou a testar níveis próximos de 680 cents por bushel. Esse movimento refletiu a incorporação de prêmio climático, especialmente diante da seca nas Grandes Planícies dos Estados Unidos.
A partir desse pico, houve realização de lucros e retirada parcial desse prêmio, levando o contrato para a região de 610/615 cents por bushel no início de junho. Tecnicamente, essa faixa passa a ser decisiva: se for perdida, o mercado pode buscar patamares inferiores; se for respeitada, pode funcionar como base para recomposição parcial dos preços.
Em Kansas, o movimento foi ainda mais expressivo. O trigo hard saiu de uma base deprimida no segundo semestre de 2025, ganhou tração a partir de janeiro e acelerou de forma relevante entre março e abril. O contrato atingiu a faixa de 700/720 cents por bushel, refletindo não apenas o prêmio climático geral, mas também o risco específico sobre o trigo hard das Planícies, onde as perdas potenciais de produtividade e qualidade têm maior impacto na formação de preços.
A correção posterior levou o contrato para a região de 650/655 cents, testando suporte importante entre 640 e 650 cents. Essa zona é fundamental para a leitura de curto prazo: sua manutenção preserva a estrutura de sustentação; sua perda pode abrir espaço para uma correção mais profunda em direção à faixa de 600/610 cents.
A pressão sazonal da colheita
O ponto central é que a pressão atual tem forte componente sazonal. A colheita do trigo de inverno no Hemisfério Norte está começando, e a entrada de nova oferta física costuma reduzir a pressão compradora nos contratos mais próximos.
Esse movimento é típico: à medida que o trigo novo chega ao mercado, melhora a percepção imediata de abastecimento, os compradores ficam menos agressivos e os fundos tendem a realizar lucros depois de movimentos fortes de alta. Além disso, as chuvas recentes em áreas produtoras dos Estados Unidos ajudaram a aliviar parte das preocupações com a seca, reforçando a correção nos preços.
No entanto, há uma diferença importante entre aliviar o sentimento do mercado e recuperar o potencial produtivo. A chuva chegou em um momento em que parte dos danos já havia sido consolidada. Lavouras que passaram por longo período de estresse hídrico, especialmente no trigo de inverno, não recompõem totalmente produtividade apenas com precipitações tardias.
Por isso, a melhora climática reduz o prêmio de risco de curto prazo, mas não elimina a possibilidade de uma safra menor e de qualidade irregular. Esse é um dos principais motivos pelos quais a queda recente deve ser lida com cautela.
O Hard Red Winter é o ponto mais sensível dessa equação. Em trigo, quantidade importa, mas qualidade pode ser decisiva. Uma safra menor nos Estados Unidos já seria um fator de suporte; uma safra menor justamente na classe de maior relevância panificável aumenta o peso do risco.
Caso a colheita confirme menor disponibilidade de trigo com boa proteína, força e padrão industrial, o mercado de Kansas pode voltar a recompor prêmio rapidamente. Isso também afeta o mercado global, porque o trigo hard norte-americano funciona como alternativa para países que precisam de qualidade e não encontram oferta suficiente em origens regionais.

Estoques apertados e o peso do Mar Negro
No cenário global, o quadro de 2026/27 também não permite uma leitura baixista confortável. A produção mundial tende a ficar abaixo da temporada anterior, enquanto o consumo permanece firme. Os estoques finais recuam e a relação estoque/consumo diminui, indicando menor margem de segurança.
Isso significa que o mercado terá menos espaço para absorver novos problemas climáticos ou logísticos. Em anos de balanço confortável, a entrada da safra nova costuma pressionar os preços de forma mais consistente. Em anos de balanço ajustado, como o atual, as quedas tendem a encontrar demanda mais rapidamente.
O Mar Negro continua sendo a principal âncora competitiva do comércio internacional. A Rússia segue como origem dominante, mas não apresenta uma oferta excessivamente barata.
Os preços russos permanecem sustentados por oferta doméstica limitada, rublo firme e vendas moderadas dos produtores. O trigo russo com 12,5% de proteína tem operado na faixa dos baixos US$ 240 por tonelada FOB, o que serve como referência global, mas não representa pressão baixista intensa.
Além disso, produtores russos têm mostrado disposição de reter vendas, aguardando preços melhores, o que reduz a fluidez da oferta no curto prazo.
A Ucrânia também voltou a ganhar espaço, sobretudo junto a importadores asiáticos. A competitividade do trigo ucraniano em destinos como Indonésia, Filipinas, Vietnã e Bangladesh pressiona origens mais caras, como Estados Unidos e Austrália.
Esse movimento ajuda a explicar parte da dificuldade dos contratos norte-americanos em sustentar altas mais fortes no curto prazo. Ainda assim, a geopolítica segue como risco permanente. Qualquer alteração nos corredores de exportação, na logística do Mar Negro, nas relações comerciais com a União Europeia ou nas condições de seguro e frete pode reprecificar rapidamente o mercado.
Do lado da demanda, os grandes importadores devem atuar de forma oportunista durante a entrada da nova safra. Países do Norte da África, Oriente Médio e Ásia tendem a aproveitar correções para recompor estoques, especialmente se os preços recuarem sem que os fundamentos de oferta melhorem de forma consistente.
Esse comportamento limita quedas mais profundas. Em um ano de produção global menor, a demanda não desaparece; ela apenas espera momentos melhores de compra. Por isso, movimentos baixistas muito rápidos podem atrair interesse comprador.
O que observar para o Brasil
A diferença entre Chicago e Kansas também precisa ser observada pela ótica da qualidade. Chicago, por representar o trigo soft, tende a reagir de forma mais direta à entrada de oferta e à dinâmica ampla do mercado global.
Kansas, por representar o hard, está mais ligado à disponibilidade de trigo de maior padrão panificável. Assim, Chicago pode sofrer mais com a pressão sazonal da colheita, enquanto Kansas pode encontrar suporte mais rápido caso apareçam sinais de menor qualidade ou menor proteína na safra nova.
Em outras palavras: Chicago mede o humor geral do trigo; Kansas mede o custo do trigo de qualidade.
Para o Brasil, essa diferença é estratégica. O mercado brasileiro tem a Argentina como principal referência regional e maior origem estrutural de abastecimento.
No entanto, quando há dúvidas sobre volume ou qualidade do trigo argentino, especialmente proteína e força para panificação, o trigo hard norte-americano passa a ser uma referência de custo de reposição.
Mesmo que o Brasil não compre grandes volumes diretamente dos Estados Unidos em todos os anos, Kansas influencia o teto de paridade para trigos de melhor padrão.
Portanto, a correção em Kansas pode aliviar parcialmente a leitura de custo externo, mas não elimina o risco de encarecimento caso a qualidade regional seja insuficiente.
Correção ou mudança de tendência?
Graficamente, os dois contratos seguem em pontos relevantes. Em Chicago, a região de 610/615 cents é a área de teste imediato. Uma perda consistente dessa faixa indicaria maior pressão de colheita e poderia abrir espaço para busca de suportes inferiores.
Por outro lado, uma reação nessa região mostraria que a demanda começa a aparecer nas baixas, mantendo o contrato dentro de uma estrutura de sustentação.
Em Kansas, o suporte entre 640 e 650 cents tem peso semelhante. Abaixo dele, o mercado poderia buscar 600/610 cents; acima dele, a recuperação poderia recolocar 680/700 cents no radar.
A leitura técnica, portanto, não é de alta plena, mas também não é de reversão baixista consolidada. O que se observa é uma correção dentro de uma estrutura que ainda carrega fundamentos sensíveis.
O rali anterior foi forte e exigia ajuste. A entrada da safra nova trouxe pressão. As chuvas retiraram parte do prêmio climático. Mas o balanço global segue justo, a safra dos Estados Unidos é menor, a qualidade do trigo hard ainda precisa ser confirmada e o Mar Negro permanece sujeito a riscos logísticos e geopolíticos.
Em síntese, Chicago e Kansas corrigem pelo mesmo conjunto de fatores imediatos: colheita nova, melhora parcial do clima e realização de lucros.
A diferença está no que cada mercado representa. Chicago reflete a pressão sazonal e o fluxo global de trigo; Kansas preserva um prêmio ligado à qualidade panificável e ao risco específico do Hard Red Winter.
O mercado perdeu força no curto prazo, mas ainda não perdeu o fundamento. A continuidade da baixa dependerá da confirmação de produtividade, qualidade e fluidez da oferta no Hemisfério Norte. Caso esses elementos decepcionem, parte do prêmio retirado nas últimas semanas pode voltar rapidamente aos preços.

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos
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Cesb aposta em tecnologia e altas produtividades para elevar rentabilidade da soja

O desafio de alcançar altas produtividades de soja tem sido uma das principais frentes de atuação do Comitê Estratégico da Soja Brasil (Cesb), entidade sem fins lucrativos que há mais de 20 anos trabalha para difundir tecnologias e estimular produtores brasileiros a buscarem novos patamares de rendimento.
Segundo Daniel Glat, presidente do Cesb e produtor rural, o trabalho da entidade parte de um desafio direto aos agricultores. “Nós temos uma régua de corte. Este ano foi de 100 sacas por hectare. Então falamos assim, produtor, se você acha que vai dar mais do que 100 sacas por hectare, nos chame para a colheita”, explica.
A metodologia prevê que, caso a produtividade supere as 100 sacas por hectare, o próprio Cesb arque com os custos da colheita auditada. Se o resultado ficar abaixo desse patamar, a despesa fica a cargo do produtor ou da empresa patrocinadora da participação.
Para Glat, os resultados acumulados ao longo dos anos mostram que o desafio tem contribuído para elevar o nível tecnológico das lavouras. “Há 10 anos, por exemplo, os 10 maiores produtores do Cesb colhiam cerca de 100 sacas por hectare. Este ano, já colheram 130 e tantas”, destaca.
A evolução também aparece no recorde nacional registrado pelo programa. De acordo com o presidente do Cesb, em 2025 foi alcançada a marca de 154 sacas por hectare, resultado que reforça a possibilidade de novos avanços.
“Esse é o caminho do CESB, difundir tecnologia e desafiar os produtores”, afirma Glat. Para ele, ainda não é possível dizer que o limite de produtividade da soja tenha sido alcançado. “Muita gente me pergunta, já chegamos ao limite? Eu acho que não”, comenta.
Em busca por alta produtividade
Além de estimular os produtores, o Cesb utiliza as áreas auditadas para reunir informações detalhadas sobre os sistemas de produção. A entidade mantém um banco de dados com informações agronômicas que permitem comparar diferentes estratégias de manejo e identificar fatores associados aos melhores resultados.
“Nós coletamos todas as informações agronômicas daqueles produtores que a gente colhe. O Cesb hoje tem um banco de dados muito rico, com informações de manejo químico, biológico, fertilidade do solo, chuva e radiação de cada área que foi auditada”, explica Glat.
Segundo ele, essas informações são utilizadas para transformar os resultados obtidos pelos produtores de alta performance em conhecimento que possa chegar a outras propriedades.
“Esse é um grande banco de dados com informações que usamos para fazer a difusão de tecnologia, divulgando para outros produtores e incentivando que eles cheguem próximos daqueles campeões, desses produtores pioneiros que estão na frente”, diz.
A proposta, portanto, não se limita a premiar ou reconhecer os maiores rendimentos. A intenção é compreender o que está por trás dos resultados e transformar essas experiências em referências para o restante da cadeia produtiva.
Parceria Cesb
Na avaliação de Glat, a aproximação entre o Cesb e o programa Soja Brasil, do Canal Rural, tem potencial para ampliar a disseminação dessas informações entre os produtores.
“Eu acho que os dois têm o mesmo objetivo, que é a difusão da tecnologia na cultura da soja. O Soja Brasil já é um programa consagrado do Canal Rural e eu acho que o Cesb vai poder entrar com muito conteúdo”, afirma.
Para o presidente da entidade, a combinação entre o conhecimento acumulado pelo CESB e a abrangência do Canal Rural pode resultar em uma parceria estratégica para levar informação técnica a um número ainda maior de agricultores.
“O CESB tem muito conteúdo, o Canal Rural tem muita abrangência, e ambos são direcionados à cultura da soja. Então eu acho que vai ser uma parceria muito promissora”, comenta.
Produtividade e rentabilidade caminham juntas
Outro ponto destacado por Glat é a relação entre produtividade e rentabilidade. Após 18 anos de trabalho, segundo ele, o CESB chegou a uma conclusão que considera clara. Lavouras mais produtivas tendem também a apresentar maior retorno econômico.
“O que nós sabemos é que o que o CESB aprendeu nesses 18 anos é que as altas produtividades estão ligadas às altas rentabilidades. Isso é inconteste”, afirma.
O presidente cita ainda um estudo realizado pelo ex-pesquisador da Embrapa Décio Gazzoni, em conjunto com engenheiros agrônomos ligados ao Cesb, que reforçaria essa relação entre produtividade e resultado financeiro.
“Quanto mais alta a produtividade, maior a rentabilidade”, resume Glat.
Manejo segue como estratégia
Para a próxima safra, o produtor rural reconhece que o cenário pode exigir atenção aos custos e aos diferentes componentes do manejo. Ainda assim, defende que o produtor mantenha o foco na qualidade da lavoura e faça ajustes de maneira criteriosa.
“Eu vou fazer o melhor que eu posso e vou torcer, acreditando que, mesmo em condições desfavoráveis, lavouras mais bem tratadas se saem melhores do que lavouras mais maltratadas”, afirma.
Na visão de Glat, o momento exige equilíbrio entre eficiência e controle de despesas, sem abandonar práticas que contribuem para o potencial produtivo da cultura.
“A mensagem é, vamos continuar fazendo o que nós sempre fizemos, talvez com alguma parcimônia em uma ou outra forma de manejo em que a gente possa economizar. Mas, de um modo geral, é acreditar e fazer como nós sempre fizemos”, conclui.
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Safra 26/27: novos híbridos de milho buscam mais produtividade e rentabilidade no Cerrado

A escolha do híbrido de milho para a safra 2026/27 passa cada vez mais pela capacidade de adequar a genética às condições da lavoura. Com custos elevados e maior pressão de pragas e doenças, o produtor precisa considerar não apenas o potencial produtivo, mas também o ambiente, o manejo e o nível de investimento disponível.
Para o agricultor Ivan de Araújo Inácio, a renovação das opções de genética é importante para acompanhar os desafios enfrentados no campo. A produtividade, segundo ele, depende também da evolução das sementes e da capacidade de combinar o conhecimento de quem está na lavoura com o trabalho desenvolvido pela pesquisa.
“Nós fazemos o nosso lado, mas tem que vir o pessoal da pesquisa da semente com variedades novas, híbridos novos para a gente conseguir fechar um trabalho, produzir mais e tentar rentabilizar a cultura”
A definição do material utilizado também está relacionada ao objetivo de produção. Características do solo, época de plantio, condições climáticas e capacidade de investimento podem influenciar a resposta de uma mesma genética em diferentes propriedades.
Nesse cenário, o desempenho das diferentes genéticas passa a ser avaliado de acordo com as condições encontradas no campo. Em Goiás e no Noroeste de Minas Gerais, materiais com características distintas são testados em diferentes ambientes de produção, considerando fatores como época de plantio, nível de investimento e potencial de cada área.
O representante de vendas da Agroceres, Tiago Ferreira, explica que os dois híbridos têm propostas diferentes. O AG 8909 é voltado a áreas de maior potencial produtivo, enquanto o AG 8450 apresenta uma faixa de adaptação mais ampla, inclusive com possibilidade de utilização para silagem. “O AG 8909 é um híbrido de altíssimo teto produtivo”, pontua.
Na avaliação de Ferreira, o AG 8450 também pode alcançar resultados elevados quando encontra um ambiente preparado para receber a genética. “O agricultor vai ter a estabilidade de produção”, afirma.
Quatro anos de pesquisa antes da chegada ao mercado
Os resultados apresentados agora são consequência de um processo de avaliação que começou antes da comercialização. Os dois híbridos passaram por testes em diferentes regiões de Goiás, épocas de plantio e níveis de investimento, permitindo comparar o comportamento das plantas em ambientes distintos.
O gerente da Agroceres em Goiás, Danilo Pereira, explica que os materiais estão inseridos nos programas de pesquisa da empresa há pelo menos quatro anos. “Eles estão sendo avaliados em diferentes regiões e em diferentes épocas, em diferentes níveis de investimentos”, frisa ao projeto Mais Milho.
A partir das informações acumuladas durante os testes, os híbridos chegaram a uma condição comercial na safra de verão 2025/26. A etapa permitiu observar o comportamento das genéticas diretamente nas propriedades, além dos experimentos conduzidos pela pesquisa.
Para Pereira, os resultados obtidos junto aos agricultores ajudam a ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos materiais em condições comerciais. A avaliação é importante principalmente porque o desempenho observado em ensaios precisa ser confrontado com as condições reais de produção.
Esse tipo de pesquisa também permite identificar em quais situações uma determinada genética apresenta melhor resposta. Na prática, o posicionamento do híbrido precisa considerar as características de cada ambiente e o sistema de produção adotado na propriedade.
Sanidade ganha peso na escolha da genética
O potencial produtivo, porém, pode ser comprometido quando a lavoura enfrenta problemas fitossanitários. Por isso, características relacionadas à sanidade também estão entre os critérios considerados no desenvolvimento e na avaliação dos novos híbridos.
Os testes realizados pela empresa consideraram características relacionadas à qualidade de colmo, doenças e pragas. Os resultados ajudam a entender o comportamento dos materiais diante de diferentes condições encontradas nas áreas produtoras.
De acordo com o gerente técnico de Desenvolvimento de Mercado da Bayer, Max Leite, os materiais apresentaram resultados positivos nos ambientes avaliados pela empresa. No caso do AG 8909, ele cita índice de vitória superior a 80% nos ambientes de alto potencial.
Para o AG 8450, o índice informado também supera 80% nos ambientes em que o material foi avaliado. Os números, porém, precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram realizados e não substituem a análise específica de cada propriedade.
O manejo continua sendo necessário mesmo com o avanço da genética. Leite chama atenção para o aumento da pressão de patógenos e pragas e avalia que um cenário de temperaturas mais elevadas pode ampliar esse desafio.
Por isso, a escolha do híbrido passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla, que envolve planejamento de plantio e manejo ao longo do ciclo. A genética é um dos componentes do sistema produtivo e precisa estar adequada às condições encontradas no campo.
Custo de produção coloca eficiência no centro da decisão
A pressão sobre os custos é outro fator que interfere diretamente na escolha do produtor. Em um cenário de margens mais apertadas, alcançar uma produtividade elevada não necessariamente significa maior rentabilidade se o investimento necessário para chegar a esse resultado não for compatível com a realidade da propriedade.
Para Luiz Márcio Bernardes, diretor-geral do Centro de Milho Agroceres Bayer, o cenário econômico exige atenção do setor. “O cenário de custos desafia o mercado agrícola”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.
A questão passa, portanto, por encontrar alternativas que permitam ao produtor trabalhar dentro das condições financeiras de cada propriedade. O nível de tecnologia empregado precisa estar relacionado ao potencial da área e à capacidade de investimento.
O desenvolvimento de novas genéticas é uma das frentes utilizadas pela indústria para responder a esse cenário. Bernardes ressalta que os investimentos em pesquisa buscam gerar novas opções para os sistemas de produção.
Mas a decisão final continua sendo do produtor, que precisa avaliar as características da própria lavoura antes de definir o material que será utilizado. Potencial produtivo, estabilidade, sanidade, época de plantio e custo fazem parte dessa equação.
É essa combinação que determina se uma tecnologia consegue, de fato, contribuir para o resultado econômico da atividade. A chegada de novas opções de genética para a safra 2026/27 amplia as possibilidades de escolha, mas mantém como desafio encontrar o material que melhor se encaixa nas condições de cada lavoura.
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Mapa publica Anuário do Vinho 2026 com dados da cadeia produtiva

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta terça-feira (8) o Anuário do Vinho 2026, com informações sobre a cadeia produtiva da bebida no Brasil referentes a 2025. A publicação reúne dados sobre estabelecimentos e produtos registrados no ministério, além de produção, empregos e comércio exterior.
Segundo o anuário, o Brasil contava em 2025 com 965 vinícolas registradas no Mapa, distribuídas por 327 municípios. O Rio Grande do Sul concentrava 600 estabelecimentos, seguido por Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86.
Os dados do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) mostram que o país tinha 16.258 vinhos registrados em 2025. O Rio Grande do Sul liderava com 10.855 registros. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 1.898, e São Paulo, com 1.413.
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Na produção, o anuário informa que o volume declarado de vinho ultrapassou 300 milhões de litros em 2025. A atividade registrou 7.361 empregos diretos no período, o que amplia o conjunto de indicadores disponíveis para acompanhamento do setor vitivinícola.
No comércio exterior, as exportações brasileiras de vinho somaram 7,35 milhões de litros em 2025, enquanto as importações alcançaram 165,66 milhões de litros.
De acordo com o Mapa, as informações organizadas na publicação podem ser usadas como fonte de consulta por produtores, pesquisadores, instituições públicas e outros interessados em acompanhar os dados do segmento no país.
A edição de 2026 é a primeira publicação específica do anuário da cadeia produtiva do vinho pelo Mapa e passa a integrar o conjunto de levantamentos do ministério sobre diferentes segmentos de bebidas, como cerveja, cachaça e bebidas não alcoólicas.
Fonte: gov.br
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