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3 de junho de 2026

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Querência celebra início da colheita do milho com debates sobre crédito, custos e inovação

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra ganha destaque nesta quarta-feira (3), em Querência, durante a Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra. O evento reúne produtores, especialistas e representantes do setor para debater temas como crédito rural, custos de produção, competitividade e inovação, além de marcar simbolicamente o início da retirada do cereal das lavouras.

Realizado na Estância VN, o encontro integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso. A programação conta com dois painéis técnicos voltados aos desafios enfrentados pelos produtores e às oportunidades que surgem com o crescimento da cadeia do milho no país.

Para o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, o momento é de celebração para uma cultura que ganhou protagonismo nos últimos anos, impulsionada principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho.

“A expectativa sempre é muito boa. Sempre uma abertura de colheita é uma celebração. Então nós vamos celebrar esse início da colheita do milho, que hoje vem tomando espaço cada vez maior devido a indústria de etanol. O milho era deixado em segunda visão e hoje ele compete com a soja”.

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Frizzo destaca que a mobilização da cadeia produtiva e a presença de produtores da região reforçam a importância do evento para o município e para o Vale do Araguaia.

“O público hoje também vai comparecer hoje aqui em Querência e vai ser um grande evento para nós celebrarmos essa colheita do milho. Nós preparamos com muito carinho esse evento aqui”.

abertura nacional da colheita do milho segunda safra querência Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Safra com boas perspectivas

Além dos debates, a abertura ocorre em um cenário de expectativa positiva para a produção. Conforme os primeiros resultados obtidos nas áreas já colhidas, o desempenho das lavouras anima os produtores da região.

Segundo Frizzo, as condições climáticas contribuíram para o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo. “São Pedro colaborou com as chuvas. Os primeiros milhos colhidos estamos com uma expectativa muito boa”.

Na propriedade que sedia o evento, a previsão é alcançar produtividade entre 170 e 180 sacas por hectare nesta temporada.

Gargalos em discussão

Embora o clima favoreça a safra, os desafios econômicos e estruturais continuam no radar dos produtores. Os painéis técnicos programados para esta quarta-feira abordam justamente questões ligadas ao crédito, custos de produção e competitividade no campo.

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De acordo com Frizzo, a logística ainda figura entre os principais entraves para o desenvolvimento do agronegócio mato-grossense. A distância dos portos e a falta de infraestrutura de transporte elevam os custos e reduzem a competitividade do setor.

“Com certeza o maior gargalo hoje de Mato Grosso é a logística. Nós estamos aqui praticamente no centro do país, os portos estão longe, não temos ferrovia. A FICO está chegando agora em Água Boa, que será mais próxima”, disse em entrevista ao Canal Rural.

Outro tema que preocupa os produtores é o custo do crédito rural. Conforme o presidente do sindicato, os juros elevados vêm pressionando a atividade e dificultando novos investimentos.

“Esse é o momento, além de celebrar a colheita, de nós discutirmos esses problemas. Tanto a logística, quanto a questão dos juros que estão muito altos, quase inviabilizando a nossa atividade. É uma grande preocupação do produtor esses juros. Então, é justamente o momento de nós sentarmos e discutirmos, entendermos a melhor forma de se produzir”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso lidera produção nacional

O debate ocorre em um momento importante para a cadeia do milho no Brasil. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial do cereal, enquanto Mato Grosso responde por cerca de metade da produção nacional.

As projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam uma produção de 108,5 milhões de toneladas na segunda safra brasileira. Já as estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam uma colheita de 53,3 milhões de toneladas no estado, consolidando a segunda maior produção da série histórica.

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Pela primeira vez desde a criação do projeto Mais Milho, a abertura também contará com a entrada das colheitadeiras em campo ao pôr do sol, a partir das 16h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo, retratando o ritmo das operações nas lavouras mato-grossenses.

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Mapa e Embrapa lançam notas técnicas para reconstrução rural no RS

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) promovem, nos dias 9 e 10 de junho de 2026, em Porto Alegre (RS), o encontro “Balanço Recupera Rural RS: 2 anos de reconstrução da agropecuária gaúcha”. A programação reúne pesquisadores, gestores públicos e instituições do setor para avaliar ações de recuperação após as enchentes de maio de 2024 e apresentar novos subsídios técnicos para os territórios atingidos.

Um dos principais pontos da programação será o lançamento de duas notas técnicas elaboradas por especialistas da Embrapa. A primeira trata das Áreas de Preservação Permanente hídricas teóricas do Rio Grande do Sul e apresenta um mapeamento voltado ao planejamento de ações de conservação e recuperação ambiental. A segunda analisa os solos atingidos pela inundação de maio de 2024 e identifica tipos de solo impactados e áreas prioritárias para recuperação ambiental e produtiva.

Segundo as instituições organizadoras, os documentos reúnem informações científicas e orientações práticas para produtores rurais, técnicos, gestores públicos e entidades que atuam na reconstrução do território gaúcho. O foco está em apoiar o planejamento de medidas de adaptação e recuperação em áreas afetadas por eventos climáticos extremos.

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Além das notas técnicas, o evento fará um balanço das iniciativas desenvolvidas desde 2024 em frentes como recuperação de encostas na Serra Gaúcha, restauração de vegetação nativa, água e saúde única, recuperação de solos e produção de sementes e mudas. A programação também prevê a participação de representantes de instituições de pesquisa, extensão rural, universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil.

A abertura contará com palestra de Caio Rocha, consultor internacional do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para Mercosul e Chile, sobre impactos de eventos climáticos extremos no Brasil e no exterior. Para o setor agropecuário, o conteúdo técnico pode servir de base para decisões de manejo, recuperação de áreas produtivas e definição de prioridades em territórios ainda afetados pelos efeitos das enchentes.

O encontro será realizado a partir das 8h, no Auditório do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Porto Alegre. A tendência é que as notas técnicas passem a servir como referência para ações de recuperação produtiva e ambiental no estado, embora o alcance prático dessas orientações dependa da aplicação pelas instituições e pelos agentes que atuam no meio rural.

Fonte: embrapa.br

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Temporada global inicia com correção nas bolsas do trigo. Reversão?

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Foto: Embrapa

A temporada global de trigo 2026/27 começou neste mês de junho com um cenário menos confortável: produção menor, consumo firme e estoques mais ajustados. Nesse contexto, as Bolsas norte-americanas passam a refletir a disputa entre a pressão sazonal da colheita nova e fundamentos ainda sensíveis no mercado internacional.

O mercado entra em junho em uma fase de transição importante. Depois de um forte movimento de recuperação entre o fim de 2025 e o primeiro quadrimestre de 2026, os contratos spot de Chicago e Kansas/CME passaram a corrigir parte dos ganhos recentes.

A leitura gráfica mostra perda de força no curto prazo, realização de lucros e retirada parcial do prêmio climático que havia sido incorporado durante o período de maior preocupação com a seca nas regiões produtoras norte-americanas.

No entanto, a correção dos preços não deve ser confundida com uma reversão estrutural dos fundamentos. O mercado está menos eufórico, mas ainda opera em um ambiente sensível, com produção menor nos Estados Unidos, balanço global mais ajustado, riscos geopolíticos no Mar Negro e dúvidas sobre a disponibilidade de trigo de boa qualidade.

Chicago e Kansas: leituras diferentes para o mesmo mercado

A análise conjunta dos dois mercados é importante porque Chicago e Kansas respondem a fundamentos semelhantes, mas não exatamente iguais. O contrato de Chicago reflete mais diretamente a leitura ampla do mercado internacional de trigo, a entrada da nova safra do Hemisfério Norte e o comportamento geral dos fluxos globais.

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Já Kansas representa o trigo Hard Red Winter, de maior força e qualidade panificável, sendo uma referência mais sensível à disponibilidade de trigo com proteína e padrão industrial adequado. Por isso, embora ambos tenham corrigido, a leitura de Kansas exige atenção adicional: quando o assunto é trigo de qualidade, a oferta aparente nem sempre resolve o problema da demanda.

No caso de Chicago, o contrato spot, já referenciado à nova safra norte-americana, saiu de um período de recomposição ao longo do fim de 2025, acelerou entre fevereiro e abril de 2026 e chegou a testar níveis próximos de 680 cents por bushel. Esse movimento refletiu a incorporação de prêmio climático, especialmente diante da seca nas Grandes Planícies dos Estados Unidos.

A partir desse pico, houve realização de lucros e retirada parcial desse prêmio, levando o contrato para a região de 610/615 cents por bushel no início de junho. Tecnicamente, essa faixa passa a ser decisiva: se for perdida, o mercado pode buscar patamares inferiores; se for respeitada, pode funcionar como base para recomposição parcial dos preços.

Em Kansas, o movimento foi ainda mais expressivo. O trigo hard saiu de uma base deprimida no segundo semestre de 2025, ganhou tração a partir de janeiro e acelerou de forma relevante entre março e abril. O contrato atingiu a faixa de 700/720 cents por bushel, refletindo não apenas o prêmio climático geral, mas também o risco específico sobre o trigo hard das Planícies, onde as perdas potenciais de produtividade e qualidade têm maior impacto na formação de preços.

A correção posterior levou o contrato para a região de 650/655 cents, testando suporte importante entre 640 e 650 cents. Essa zona é fundamental para a leitura de curto prazo: sua manutenção preserva a estrutura de sustentação; sua perda pode abrir espaço para uma correção mais profunda em direção à faixa de 600/610 cents.

A pressão sazonal da colheita

O ponto central é que a pressão atual tem forte componente sazonal. A colheita do trigo de inverno no Hemisfério Norte está começando, e a entrada de nova oferta física costuma reduzir a pressão compradora nos contratos mais próximos.

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Esse movimento é típico: à medida que o trigo novo chega ao mercado, melhora a percepção imediata de abastecimento, os compradores ficam menos agressivos e os fundos tendem a realizar lucros depois de movimentos fortes de alta. Além disso, as chuvas recentes em áreas produtoras dos Estados Unidos ajudaram a aliviar parte das preocupações com a seca, reforçando a correção nos preços.

No entanto, há uma diferença importante entre aliviar o sentimento do mercado e recuperar o potencial produtivo. A chuva chegou em um momento em que parte dos danos já havia sido consolidada. Lavouras que passaram por longo período de estresse hídrico, especialmente no trigo de inverno, não recompõem totalmente produtividade apenas com precipitações tardias.

Por isso, a melhora climática reduz o prêmio de risco de curto prazo, mas não elimina a possibilidade de uma safra menor e de qualidade irregular. Esse é um dos principais motivos pelos quais a queda recente deve ser lida com cautela.

O Hard Red Winter é o ponto mais sensível dessa equação. Em trigo, quantidade importa, mas qualidade pode ser decisiva. Uma safra menor nos Estados Unidos já seria um fator de suporte; uma safra menor justamente na classe de maior relevância panificável aumenta o peso do risco.

Caso a colheita confirme menor disponibilidade de trigo com boa proteína, força e padrão industrial, o mercado de Kansas pode voltar a recompor prêmio rapidamente. Isso também afeta o mercado global, porque o trigo hard norte-americano funciona como alternativa para países que precisam de qualidade e não encontram oferta suficiente em origens regionais.

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Estoques apertados e o peso do Mar Negro

No cenário global, o quadro de 2026/27 também não permite uma leitura baixista confortável. A produção mundial tende a ficar abaixo da temporada anterior, enquanto o consumo permanece firme. Os estoques finais recuam e a relação estoque/consumo diminui, indicando menor margem de segurança.

Isso significa que o mercado terá menos espaço para absorver novos problemas climáticos ou logísticos. Em anos de balanço confortável, a entrada da safra nova costuma pressionar os preços de forma mais consistente. Em anos de balanço ajustado, como o atual, as quedas tendem a encontrar demanda mais rapidamente.

O Mar Negro continua sendo a principal âncora competitiva do comércio internacional. A Rússia segue como origem dominante, mas não apresenta uma oferta excessivamente barata.

Os preços russos permanecem sustentados por oferta doméstica limitada, rublo firme e vendas moderadas dos produtores. O trigo russo com 12,5% de proteína tem operado na faixa dos baixos US$ 240 por tonelada FOB, o que serve como referência global, mas não representa pressão baixista intensa.

Além disso, produtores russos têm mostrado disposição de reter vendas, aguardando preços melhores, o que reduz a fluidez da oferta no curto prazo.

A Ucrânia também voltou a ganhar espaço, sobretudo junto a importadores asiáticos. A competitividade do trigo ucraniano em destinos como Indonésia, Filipinas, Vietnã e Bangladesh pressiona origens mais caras, como Estados Unidos e Austrália.

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Esse movimento ajuda a explicar parte da dificuldade dos contratos norte-americanos em sustentar altas mais fortes no curto prazo. Ainda assim, a geopolítica segue como risco permanente. Qualquer alteração nos corredores de exportação, na logística do Mar Negro, nas relações comerciais com a União Europeia ou nas condições de seguro e frete pode reprecificar rapidamente o mercado.

Do lado da demanda, os grandes importadores devem atuar de forma oportunista durante a entrada da nova safra. Países do Norte da África, Oriente Médio e Ásia tendem a aproveitar correções para recompor estoques, especialmente se os preços recuarem sem que os fundamentos de oferta melhorem de forma consistente.

Esse comportamento limita quedas mais profundas. Em um ano de produção global menor, a demanda não desaparece; ela apenas espera momentos melhores de compra. Por isso, movimentos baixistas muito rápidos podem atrair interesse comprador.

O que observar para o Brasil

A diferença entre Chicago e Kansas também precisa ser observada pela ótica da qualidade. Chicago, por representar o trigo soft, tende a reagir de forma mais direta à entrada de oferta e à dinâmica ampla do mercado global.

Kansas, por representar o hard, está mais ligado à disponibilidade de trigo de maior padrão panificável. Assim, Chicago pode sofrer mais com a pressão sazonal da colheita, enquanto Kansas pode encontrar suporte mais rápido caso apareçam sinais de menor qualidade ou menor proteína na safra nova.

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Em outras palavras: Chicago mede o humor geral do trigo; Kansas mede o custo do trigo de qualidade.

Para o Brasil, essa diferença é estratégica. O mercado brasileiro tem a Argentina como principal referência regional e maior origem estrutural de abastecimento.

No entanto, quando há dúvidas sobre volume ou qualidade do trigo argentino, especialmente proteína e força para panificação, o trigo hard norte-americano passa a ser uma referência de custo de reposição.

Mesmo que o Brasil não compre grandes volumes diretamente dos Estados Unidos em todos os anos, Kansas influencia o teto de paridade para trigos de melhor padrão.

Portanto, a correção em Kansas pode aliviar parcialmente a leitura de custo externo, mas não elimina o risco de encarecimento caso a qualidade regional seja insuficiente.

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Correção ou mudança de tendência?

Graficamente, os dois contratos seguem em pontos relevantes. Em Chicago, a região de 610/615 cents é a área de teste imediato. Uma perda consistente dessa faixa indicaria maior pressão de colheita e poderia abrir espaço para busca de suportes inferiores.

Por outro lado, uma reação nessa região mostraria que a demanda começa a aparecer nas baixas, mantendo o contrato dentro de uma estrutura de sustentação.

Em Kansas, o suporte entre 640 e 650 cents tem peso semelhante. Abaixo dele, o mercado poderia buscar 600/610 cents; acima dele, a recuperação poderia recolocar 680/700 cents no radar.

A leitura técnica, portanto, não é de alta plena, mas também não é de reversão baixista consolidada. O que se observa é uma correção dentro de uma estrutura que ainda carrega fundamentos sensíveis.

O rali anterior foi forte e exigia ajuste. A entrada da safra nova trouxe pressão. As chuvas retiraram parte do prêmio climático. Mas o balanço global segue justo, a safra dos Estados Unidos é menor, a qualidade do trigo hard ainda precisa ser confirmada e o Mar Negro permanece sujeito a riscos logísticos e geopolíticos.

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Em síntese, Chicago e Kansas corrigem pelo mesmo conjunto de fatores imediatos: colheita nova, melhora parcial do clima e realização de lucros.

A diferença está no que cada mercado representa. Chicago reflete a pressão sazonal e o fluxo global de trigo; Kansas preserva um prêmio ligado à qualidade panificável e ao risco específico do Hard Red Winter.

O mercado perdeu força no curto prazo, mas ainda não perdeu o fundamento. A continuidade da baixa dependerá da confirmação de produtividade, qualidade e fluidez da oferta no Hemisfério Norte. Caso esses elementos decepcionem, parte do prêmio retirado nas últimas semanas pode voltar rapidamente aos preços.

Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Projeto Produtor de Água do Pipiripau firma 31 novos contratos no Distrito Federal

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Cerrados (Embrapa Cerrados) participou, nesta terça-feira (2), da assinatura de 31 novos contratos do Projeto Produtor de Água do Pipiripau, em Planaltina (DF). Com as novas adesões, a iniciativa coordenada pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) desde 2012 alcançou 318 contratos firmados. O programa reúne produtores e instituições parceiras para ações de conservação ambiental com foco em segurança hídrica na bacia.

Segundo as informações divulgadas no evento, o projeto busca ampliar a disponibilidade de água por meio da restauração de áreas degradadas, da conservação do solo e do manejo sustentável dos recursos hídricos. Como incentivo, os produtores recebem pagamento por serviços ambientais, mas o valor dos contratos não foi informado no material disponível.

A Embrapa Cerrados destacou que sua atuação está concentrada no apoio técnico e na pesquisa aplicada às propriedades participantes. A pesquisadora Fabiana Aquino afirmou que a instituição contribui com a base técnica das ações e ressaltou o ganho operacional da articulação entre os parceiros do programa.

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O alcance da iniciativa também foi associado ao uso produtivo da terra. No Núcleo Rural Taquara, o agricultor Antônio José Ribeiro, que voltou a aderir ao projeto, relatou melhora na disponibilidade de água após a adoção de práticas conservacionistas em sua propriedade de 40 hectares, onde produz mandioca, pimentão, repolho, brócolis, chuchu, milho-verde e cria gado. Já Daniel Lopes Gonçalves, novo participante, informou que cultiva milho em 16 hectares e pretende conciliar a ampliação da atividade rural com práticas de preservação.

Após a consolidação técnica das ações, o impacto para o setor aparece na base produtiva. Em áreas agrícolas e pecuárias, a manutenção de água e solo influencia diretamente o plantio, o manejo e a continuidade da produção. O projeto também atende uma bacia da qual dependem cerca de 250 mil pessoas, segundo a Embrapa Cerrados.

Em 2020/2021, a iniciativa ficou em segundo lugar no Prêmio Internacional Water ChangeMaker, promovido pela Global Water Partnership (GWP), entre 340 projetos inscritos.

A nova etapa indica continuidade de um modelo baseado em adesão voluntária, assistência técnica e remuneração por serviços ambientais. Os resultados produtivos e hídricos futuros dependem da execução das ações previstas em cada propriedade e do acompanhamento técnico das instituições envolvidas.

Fonte: embrapa.br

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