Sustentabilidade
Podridão radicular de Phytophthora: Manejo requer medidas integradas, mas tolerância genética continua sendo a base do controle – MAIS SOJA

Com maior expressão econômica especialmente no Sul do Brasil, a podridão radicular de Phytophthora (Phytophthora sojae) faz parte das principais doenças que acometem a soja, com elevada potencial em causar danos e difícil controle. Dependendo da severidade da doença e da suscetibilidade da cultivar, os danos podem ser irreversíveis, podendo causar a morte da planta.
Figura 1. Redução no estande da lavoura de soja por causa da podridão-radicular-de-fitóftora.
Em cultivares menos suscetíveis, os danos podem restringir-se às raízes, causando clorose, menor crescimento e sintomas semelhantes à deficiência leve de nitrogênio ou ao encharcamento do solo. Em plantas adultas, ocorre apodrecimento da raiz principal e, ocasionalmente, lesões marrons na haste semelhantes às do cancro da haste. Algumas plantas desenvolvem raízes superficiais para compensar a perda da raiz principal, tornando-se debilitadas, com crescimento reduzido e maior sensibilidade à seca. Esse conjunto de sintomas, conhecido como “dano oculto”, pode reduzir a produtividade em até 40% (Costamilan; Bertagnolli; Moraes, 2007).
Embora atualmente existam 6 produtos com registro junto ao MAPA para o controle da podridão radicular de fitóftora em soja (Agrofit, 2026), vale destacar que a aplicação de fungicidas na parte aérea não tem efeito contra a doença (Rosoe; Goulart; Soares, 2018). A resistência genética é o principal meio de controle da doença, no entanto, pesquisas demonstram que, além do emprego de cultivares com maior tolerância, da rotação de culturas e da boa drenagem do solo, medidas adicionais de manejo podem contribuir para o controle da podridão radicular de fitóftora em soja.
Figura 2. Planta de soja com escurecimento na porção inferior da haste, por Phytophthora sojae.

Ao avaliar o efeito fungitóxico de diferentes doses de produtos comerciais químicos para o controle ou supressão de P. sojae, in vitro, Werner (2020), observou que tanto Fludioxonil + Metalaxil-M (Apron RFC®) quanto Metalaxil-M + Tiabendazol + Fludioxonil (Maxim Advanced®) podem promover o controle da doença em cultivares com pouca resistência parcial, mas não em condições severas de doença.
Os resultados observados por Werner (2020) apontam que os fungicidas Maxim Advanced® e Apron RFC® foram eficientes no controle dos isolados de Phytophthora sojae. Contudo, a eficácia variou conforme o isolado avaliado e a dose utilizada, indicando que a resposta ao tratamento pode diferir entre populações do patógeno. A autora ainda observou que diferentes estirpes de Trichoderma spp inibiram em 100% o crescimento dos dois isolados de Phytophthora sojae em relação a testemunha, demonstrando que os fungos do gênero Trichoderma podem assumir um papel crucial no manejo da podridão radicular de fitóftora.
Vale destacar que dada a complexidade de manejo podridão radicular de Phytophthora e seus efeitos na cultura da soja, o manejo da doença requer medidas integradas, incluindo boas práticas agronômicas e o posicionamento de cultivares com maior tolerância genética, tendo a genética, como base do manejo, especialmente em áreas com histórico de ocorrência da doença.
Referências:
AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 02/06/2026.
COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; MORAES, R. M. A. PODRIDÃO RADICULAR DE FITÓFTORA EM SOJA. Embrapa, Documentos online, n. 79, 2007. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/852535/1/pdo79.pdf >, acesso em: 02/06/2026.
ROSOE, A. D.; GOULART, A. C. P.; SOARES, R. M. PODRIDÃO-DE-FITÓFTORA EM SOJA AVANÇA NO CENTRO-OESTE. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 235, 2018. Disponível em: < https://www.researchgate.net/profile/Augusto-Goulart/publication/327186682_Podridao-de-fitoftora_em_soja_avanca_no_Centro-Oeste_Link_para_download_httpswwwembrapabragropecuaria-oestebusca-de-publicacoes-publicacao1094423podridao-de-fitoftora-em-soja-avanca-no-centro-oeste/links/62967888431d5a71e770767c/Podridao-de-fitoftora-em-soja-avanca-no-Centro-Oeste-Link-para-download-https-wwwembrapabr-agropecuaria-oeste-busca-de-publicacoes-publicacao-1094423-podridao-de-fitoftora-em-soja-avanca-no-centro.pdf >, acesso em: 02/06/2026.
WERNER, C. J. TRATAMENTOS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DE SEMENTES DE SOJA PARA O CONTROLE DE Phytophthora sojae. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2020. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/21095/DIS_PPGAGRONOMIA_2020_WERNER_CARLA.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 02/06/2026.
Foto de capa: Foto: COSTAMILAN, Leila Maria.

Sustentabilidade
Quais são as biotecnologias disponíveis na cultura da soja e como tem revolucionado a cultura. – MAIS SOJA

A partir de 1996, surgiu a primeira biotecnologia para a cultura da soja, inicialmente as biotecnologias erão desenvolvidas focadas no controle de plantas daninhas, por esse motivo, atualmente, existe uma grande quantidade de biotecnologias aprovadas no Brasil com essa característica. Posteriormente, outras biotecnologias foram desenvolvidas transferindo a planta outras qualidades para auxiliar os produtores no controle de insetos, doenças e mitigação ao déficit hídrico. Hoje, as principais tecnologias disponíveis no mercado são:
- Roundup Ready® (RR): Confere tolerância ao herbicida glifosato por meio da inserção do gene CP4-EPSPS, permitindo o controle eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas e largas.
- Intacta RR2 PRO® (IPRO): Combina tolerância ao glifosato com resistência a lagartas por meio da proteína Cry1Ac.
- Intacta 2 Xtend® (Xtend): Apresenta resistência a um número maior de lagartas por meio das proteínas Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2, além de tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba, ampliando as opções de manejo de plantas daninhas.
- Conkesta Enlist E3® (CE): Tolerância aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônio e 2,4-D sal colina, expressa as proteínas Cry1F e Cry1Ac.
- HB4®: Desenvolvida para aumentar a tolerância ao estresse hídrico (seca).
- Liberty Link® (LL): Confere tolerância ao herbicida glufosinato de amônio por meio do gene PAT.
- Cultivance® (CV): Proporciona tolerância aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, por meio do gene CSR1-2.
- STS (Sulfonylurea Tolerant Soybean): Confere maior tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias.
- BLOCK®: Tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA voltada ao aumento da tolerância à ferrugem-asiática da soja.
A figura 1 apresenta um resumo geral das principais biotecnologias genéticas da soja no Brasil e suas respectivas resistências ou tolerâncias.
De modo geral, é fundamental que produtores e técnicos compreendam a interação entre cultivar, ambiente e manejo, buscando informações confiáveis geradas por pesquisas, assistência técnica, empresas de sementes e experimentos em campo (on farm), avaliando na sua lavoura as principais cultivares de soja semeadas na região e os novos lançamentos, criando assim um banco de dados que servirá como base para uma escolha mais assertiva da cultivar ideal.
Referências bibliográficas.
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 202

Sustentabilidade
Crédito rural registra redução nas contratações ao final do Plano Safra 2025/26 – MAIS SOJA

O encerramento do Plano Safra 2025/26 confirma um cenário de maior restrição ao crédito rural em Mato Grosso do Sul. O ciclo foi concluído com R$ 14,64 bilhões contratados, volume 22,3% inferior ao registrado na safra anterior.
Segundo levantamento da Aprosoja/MS, foram contratados R$ 943,8 milhões em junho de 2026 no Estado, resultado 22,3% inferior ao registrado em maio do mesmo ano e 40,1% menor em comparação com junho de 2025.
O ambiente financeiro mais restritivo observado no encerramento da safra é resultado da redução das operações de custeio, investimento e, principalmente, comercialização, refletindo uma maior seletividade na concessão de crédito rural.
O Plano Safra 2026/27 iniciou seu ciclo em 1º de julho, com crescimento de 1,7% no volume total de recursos em relação ao ciclo anterior, totalizando R$ 622,4 bilhões. No entanto, esse aumento não supera a inflação acumulada no período, o que resulta em redução do volume de crédito em termos reais.
Assim, apesar da redução das taxas de juros nas principais linhas oficiais, a ampliação do acesso ao crédito dependerá da disponibilidade de recursos subsidiados, da capacidade de equalização pelo Governo Federal e da situação financeira dos produtores. Esses fatores continuarão sendo determinantes para o ritmo das contratações ao longo da safra 2026/27.
O boletim completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

Mato Grosso do Sul representa aproximadamente 9% da produção nacional de soja, consolidando-se como o 5º maior produtor do grão no Brasil. Em relação ao milho segunda safra, o Estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, sendo responsável por cerca de 8,1% da produção brasileira. Apesar da relevância da produção de soja e milho no cenário nacional, a infraestrutura logística ainda representa um dos principais desafios para o escoamento da produção agrícola em Mato Grosso do Sul. Conforme análise apresentada pela Aprosoja/MS, o custo do frete pode representar até 60% do valor do milho e até 25% do valor da soja.
Atualmente, o Estado escoa cerca de 80% da produção agrícola por rodovias, 2% por ferrovias e o restante por hidrovias. De acordo com estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS, essa concentração no modal rodoviário eleva os custos logísticos, aumenta a demanda sobre a malha viária e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense.
A análise também indica que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens estruturais em relação ao modal rodoviário. Entretanto, a competitividade desses modais depende de fatores como a infraestrutura disponível, o estágio de desenvolvimento da malha logística, o processo de devolução de concessões e o nível de concorrência entre os diferentes modais de transporte.
Com investimentos estimados em R$ 50 bilhões até 2035, estão previstas a duplicação e as melhorias da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju (MS) ao Paraná, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os projetos associados à Rota Bioceânica. Conforme estimativas apresentadas no estudo, essas iniciativas possuem potencial para reduzir em até 26% os custos de transporte.
Ainda conforme a análise apresentada no estudo, a execução desses projetos poderá contribuir para ampliar a eficiência do transporte de cargas, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul.
O estudo completo pode ser acessado aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Carolina Toffanetto (estagiária de Comunicação Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
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