Sustentabilidade
Resistência genética é aliada no manejo da brusone em trigo – MAIS SOJA

Caracterizada principalmente pelos danos às espigas, a brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae, está entre as doenças de maior importância para a cultura do trigo. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de elevada umidade, chuvas frequentes e temperaturas entre 24 °C e 28 °C. Nas espigas infectadas, observa-se o branqueamento parcial ou total dos tecidos acima do ponto de infecção, em decorrência da interrupção do fluxo de água e fotoassimilados. Como resultado, os grãos formados apresentam menor enchimento, tornando-se pequenos, enrugados, deformados e com reduzido peso hectolítrico (PH), o que compromete tanto a produtividade quanto a qualidade da produção (Lau et al., 2020).
Figura 1. Sintoma característico de brusone em espiga de trigo. O ponto de penetração do fungo na ráquis tem coloração preta-acinzentada, com as espiguetas superiores assumindo coloração esbranquiçada.
Embora os danos às espigas sejam as injúrias mais conhecidas causadas pela brusone do trigo, as folhas também podem ser infectadas pelo fungo. Nesses casos, a doença provoca lesões foliares que reduzem a área fotossinteticamente ativa da planta, comprometendo a produção de fotoassimilados e, consequentemente, o potencial produtivo da cultura.
O controle químico, realizado por meio da aplicação preventiva de fungicidas, constitui a estratégia mais empregada para o manejo da brusone em lavouras comerciais. A brusone foliar tende a apresentar maior sensibilidade aos fungicidas, sendo que misturas contendo triazóis e estrobilurinas geralmente proporcionam níveis satisfatórios de controle. Em contrapartida, a brusone da espiga apresenta manejo mais desafiador, exigindo aplicações preferencialmente preventivas, cuja eficiência pode variar em função das condições ambientais (Embrapa, 2024).
De acordo com as recomendações de manejo, quando houver previsão de chuvas para os próximos dois ou três dias e as plantas estiverem em espigamento ou na fase final de emborrachamento, recomenda-se a aplicação preventiva de fungicidas. Caso as condições favoráveis à doença persistam, novas aplicações devem ser realizadas em intervalos de sete a dez dias. Sempre que possível, recomenda-se a associação de fungicidas multissítios, como o mancozebe, visando aumentar a eficácia do controle e reduzir os riscos associados à seleção de populações menos sensíveis aos fungicidas (Embrapa, 2024).

A escolha dos fungicidas também exerce papel determinante no sucesso do manejo. Resultados obtidos em pesquisas em rede indicam que formulações à base de mancozebe, isolado ou em mistura com ingredientes ativos como azoxistrobina e tiofanato-metílico, apresentam os maiores níveis de eficiência no controle da doença (Almeida, 2024). Apesar da importância do controle químico, a utilização de cultivares com maior resistência genética continua sendo uma das medidas mais relevantes e sustentáveis para o manejo integrado da brusone.
A resistência genética constitui uma das principais ferramentas para o manejo de doenças em culturas de grande importância econômica, como o trigo. No entanto, conforme destacado por Maciel et al. (2026), o desenvolvimento de cultivares resistentes à brusone e, ao mesmo tempo, adaptadas às condições de cultivo do Brasil representa um dos grandes desafios da triticultura nacional. Nesse sentido, a identificação de genótipos menos suscetíveis à doença é fundamental para embasar o adequado posicionamento de cultivares, contribuindo de forma integrada para a redução dos impactos da brusone sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.
Ao avaliarem cultivares de trigo em condições de campo quanto à área abaixo da curva de progresso da incidência da brusone da espiga (AACPI), ao rendimento de grãos e ao peso hectolítrico, Maciel et al. (2026) identificaram diferenças significativas na reação dos materiais à doença. Entre as cultivares avaliadas, os menores valores de AACPI foram observados para TBIO Convicto, ORS Feroz e TBIO Duque, indicando menor incidência da brusone. Já os maiores rendimentos de grãos foram registrados para TBIO Valente, ORS 1403 e BRS Savana, enquanto BRS Savana e TBIO Valente apresentaram os maiores valores de peso hectolítrico. Esses resultados evidenciam que algumas cultivares conseguem aliar menor suscetibilidade à brusone a características agronômicas desejáveis, como elevado potencial produtivo e melhor qualidade dos grãos.
Figura 2. Grupos* de resistência das cultivares classificados de acordo com Área Abaixo da Curva de Progresso da Incidência (AACPI; menor mais resistente) e ordenado, dentro do grupo de resistência, pelo valor normalizado de estabilidade (menor mais estável). (A) Biplot da relação entre AACPI e estabilidade; (B) gradiente de coloração para classificação das cultivares quanto à resistência à brusone da espiga e estabilidade da classificação de cada cultivar. * Os dados de AACPI foram obtidos em ensaios conduzidos no âmbito da Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Maciel et al., 2026).

Embora a resistência genética influencie diretamente o progresso da brusone, as condições ambientais também desempenham papel determinante no desenvolvimento da doença. Além de avaliar a incidência da brusone, Maciel et al. (2026) analisaram a estabilidade do comportamento das cultivares em diferentes ambientes de cultivo. Os resultados demonstraram que TBIO Convicto, TBIO Valente, TBIO Calibre e BRS Savana combinaram baixa incidência da doença com elevada estabilidade, apresentando desempenho consistente mesmo diante das variações ambientais (Figura 2). Em contrapartida, BRS 264 e BRS 404 apresentaram maior incidência de brusone e comportamento menos estável, confirmando sua maior suscetibilidade à doença.
Dessa forma, além do nível de resistência, a estabilidade deve ser considerada na tomada de decisão, uma vez que materiais mais estáveis tendem a apresentar respostas mais consistentes frente às diferentes condições de cultivo. Portanto, embora a escolha de cultivares com maior resistência represente uma estratégia importante para o manejo da brusone, seu controle deve estar associado a outras práticas de manejo integrado, especialmente em anos com condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença. A adoção conjunta de cultivares menos suscetíveis, monitoramento das lavouras e aplicações criteriosas de fungicidas constitui a base para reduzir as perdas causadas pela brusone e aumentar a segurança produtiva da cultura do trigo.
Confira o estudo completo desenvolvido por Maciel e colaboradores (2026) clicando aqui!
Referências:
ALMEIDA, J. L. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRAS 2024 & 2025. Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, 2024. Disponível em: < https://static.conferenceplay.com.br/conteudo/arquivo/infotecnitrigotriticalesafras20242025livrodigitalfinal-1721832775.pdf >, acesso em: 01/06/2026.
EMBRAPA. BRUSONE DO TRIGO. Embrapa, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165446/1/Flyer-brusone-web.pdf >, acesso em: 01/06/2026.
LAU, D. et al. PRINCIPAIS DOENÇAS DO TRIGO NO SUL DO BRASIL: DIAGNÓSTICO E MANEJO. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 375, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1129989/principais-doencas-do-trigo-no-sul-do-brasil-diagnostico-e-manejo >, acesso em: 01/06/2026.
MACIEL, J. L. N. et al. RESISTÊNCIA DE CULTIVARES DE TRIGO À BRUSONE DA ESPIGA: RESULTADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS DAS SAFRAS 2024 E 2025. Embrapa Trigo, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 138, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1187248/1/BPD-138-online.pdf >, acesso em: 01/06/2026.

Sustentabilidade
Novembro vai ser calorão ou o frio vai permanecer? Veja onde as temperaturas vão subir no Brasil

A previsão para os próximos dias indica contrastes entre frio, calor e chuva no Brasil. Enquanto uma massa de ar frio mantém as temperaturas baixas em parte do país, áreas do Norte devem enfrentar calor intenso, com máximas próximas de 40 °C. A chegada de uma frente fria também favorece a ocorrência de pancadas de chuva, temporais e rajadas de vento em diferentes regiões.
No Centro-Oeste e em áreas do Matopiba, a chuva pode contribuir para a reposição da umidade do solo, importante para o desenvolvimento das lavouras de soja. Apesar disso, a distribuição das precipitações deve ser irregular, especialmente no Brasil Central durante o início de novembro.
Massa de ar polar no Sul
A atuação de uma massa de ar polar atípica deve manter o frio em boa parte da Região Sul nos próximos dias. Nesta terça-feira (27), a Serra Gaúcha e áreas de Santa Catarina ficam sob risco de geada. Na Baixada, as temperaturas mínimas podem chegar a 10 °C, mas sem risco de formação do fenômeno.
O cenário, porém, deve mudar ao longo da semana. Entre quarta e quinta-feira, as temperaturas máximas podem superar os 28 °C nos três estados da região.
Além da variação térmica, a previsão aponta uma semana marcada por umidade e chuvas passageiras. Na primeira semana de novembro, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros no sul do Rio Grande do Sul. Já na segunda semana do mês, a chuva volumosa também pode atingir o norte gaúcho e o norte do Paraná, com acumulados próximos de 100 milímetros.
Sudeste e Centro-Oeste
A influência do ar frio também deve ser sentida em São Paulo, no sul de Minas Gerais e no sul de Mato Grosso do Sul, onde as temperaturas podem ficar abaixo dos 15 °C.
Em contrapartida, o início de novembro deve ser marcado por calor e chuva irregular em áreas do Brasil Central. Em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins e no oeste da Bahia, os acumulados podem chegar a 50 milímetros em pontos da região.
Na Zona da Mata mineira, a previsão indica volumes de aproximadamente 40 milímetros.
O tempo no Norte e Nordeste
O calor deve ganhar força nos próximos cinco dias em áreas do Norte e do Nordeste. Em Santarém, no Pará, e no norte do Piauí, as temperaturas podem atingir 40 °C.
Ao mesmo tempo, a passagem de uma frente fria deve favorecer a ocorrência de chuva no Nordeste e no Centro-Oeste. Nesta terça-feira, há possibilidade de temporais, rajadas de vento e até queda de granizo em áreas atingidas pelas instabilidades.
No Matopiba, em Mato Grosso e no sul do Pará, as precipitações podem ajudar a recompor a umidade do solo e favorecer o avanço do plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras de soja.
Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Expectativa de safra volumosa pressiona cotações para 2027 – MAIS SOJA

As expectativas de uma safra volumosa de soja em 2026/27 têm pressionado os preços para embarque no próximo ano. Segundo o Cepea, a paridade de exportação para 2027 atingiu, na última semana, o menor patamar desde agosto, em meio às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil e dos Estados Unidos.
De acordo com pesquisadores do Cepea, boa parte dos consumidores esteve resistente a fechar negócios envolvendo grandes volumes, tanto para entrega imediata quanto ao longo de 2027, o que reduziu a liquidez no mercado brasileiro.
Ainda de acordo com o Centro de Pesquisas, em geral, esses agentes estão abastecidos para o curto e o médio prazos e têm feito aquisições pontuais. A estratégia é concentrar as compras na entrada da nova safra brasileira, quando são esperados preços menores – expectativa respaldada pela curva de preços para o próximo ano.
Segundo representantes de indústrias brasileiras consultados pelo Cepea, a menor demanda pela matéria-prima também está atrelada à redução no volume de vendas de farelo e de óleo de soja nos últimos dias. No caso do farelo, parte dos consumidores intensificou as aquisições em setembro, formando estoques, o que reduziu expressivamente as negociações no spot nacional.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Ferrugem asiática ameaça lavouras de soja; SP instala coletores para detectar fungo antes dos primeiros sintomas

A ferrugem asiática é uma das principais preocupações fitossanitárias da cultura da soja, e o monitoramento antecipado pode ser decisivo para o controle da doença. Em São Paulo, a Defesa Agropecuária iniciou uma nova etapa de ações para identificar a presença do fungo causador da doença antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas nas lavouras, com a instalação de coletores de esporos.
A iniciativa começou durante o II Seminário do Vazio Sanitário da Soja, realizado entre os dias 20 e 22 de outubro, na divisão regional de Ourinhos. O evento reuniu engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários de 16 departamentos regionais e marcou o início de uma nova fase do Programa Estadual de Vigilância Fitossanitária (PEVF), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).
Nesta primeira etapa, serão instalados 21 coletores nas principais regiões produtoras do estado. Os três primeiros equipamentos foram instalados durante o seminário e permitirão auxiliar na identificação de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi, responsável pela ferrugem asiática.
Segundo Jucileia Irian dos Santos Wagatsuma, engenheira agrônoma e responsável pelo PEVF, a expectativa é ampliar gradualmente a rede de monitoramento para alcançar todo o território paulista.
A identificação antecipada do fungo pode ajudar os produtores a planejar melhor as medidas de manejo, além de contribuir para a redução de custos e do uso de defensivos agrícolas. O objetivo é permitir decisões mais precisas, antes que os sintomas da doença se manifestem nas plantas.
Capacitação e manejo da doença
O seminário também teve como objetivo capacitar os servidores estaduais sobre as ações do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A pesquisadora Claudine Dinali Santos Seixas, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), conduziu uma apresentação sobre as características do fungo, as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença e as estratégias de manejo. A atividade incluiu uma etapa prática em laboratório, na qual os participantes puderam observar e identificar sinais da ferrugem asiática.
Cadastro das áreas de soja é obrigatório
Outro tema discutido durante o encontro foi o cadastro anual obrigatório das áreas produtoras de soja em São Paulo. Na safra 2025/26, o percentual de propriedades cadastradas chegou a 43%, e a Defesa Agropecuária busca ampliar essa participação.
Conforme a Resolução SAA 87/2024, os produtores devem cadastrar as áreas de cultivo em até 15 dias após o término do calendário de semeadura. O procedimento pode ser realizado pelo celular, por meio do sistema Survey123, ou presencialmente em uma unidade da Defesa Agropecuária.
A ampliação do cadastro e a instalação dos coletores fazem parte das estratégias para fortalecer a vigilância fitossanitária no estado. Com o monitoramento da presença do fungo e o planejamento das medidas de controle, a iniciativa busca contribuir para o manejo da doença e para a eficiência da produção de soja.
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