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24 de julho de 2026

Sustentabilidade

Resistência genética é aliada no manejo da brusone em trigo – MAIS SOJA

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Caracterizada principalmente pelos danos às espigas, a brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae, está entre as doenças de maior importância para a cultura do trigo. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de elevada umidade, chuvas frequentes e temperaturas entre 24 °C e 28 °C. Nas espigas infectadas, observa-se o branqueamento parcial ou total dos tecidos acima do ponto de infecção, em decorrência da interrupção do fluxo de água e fotoassimilados. Como resultado, os grãos formados apresentam menor enchimento, tornando-se pequenos, enrugados, deformados e com reduzido peso hectolítrico (PH), o que compromete tanto a produtividade quanto a qualidade da produção (Lau et al., 2020).

Figura 1. Sintoma característico de brusone em espiga de trigo. O ponto de penetração do fungo na ráquis tem coloração preta-acinzentada, com as espiguetas superiores assumindo coloração esbranquiçada.
Foto: Flávio M. Santana

Embora os danos às espigas sejam as injúrias mais conhecidas causadas pela brusone do trigo, as folhas também podem ser infectadas pelo fungo. Nesses casos, a doença provoca lesões foliares que reduzem a área fotossinteticamente ativa da planta, comprometendo a produção de fotoassimilados e, consequentemente, o potencial produtivo da cultura.

O controle químico, realizado por meio da aplicação preventiva de fungicidas, constitui a estratégia mais empregada para o manejo da brusone em lavouras comerciais. A brusone foliar tende a apresentar maior sensibilidade aos fungicidas, sendo que misturas contendo triazóis e estrobilurinas geralmente proporcionam níveis satisfatórios de controle. Em contrapartida, a brusone da espiga apresenta manejo mais desafiador, exigindo aplicações preferencialmente preventivas, cuja eficiência pode variar em função das condições ambientais (Embrapa, 2024).

De acordo com as recomendações de manejo, quando houver previsão de chuvas para os próximos dois ou três dias e as plantas estiverem em espigamento ou na fase final de emborrachamento, recomenda-se a aplicação preventiva de fungicidas. Caso as condições favoráveis à doença persistam, novas aplicações devem ser realizadas em intervalos de sete a dez dias. Sempre que possível, recomenda-se a associação de fungicidas multissítios, como o mancozebe, visando aumentar a eficácia do controle e reduzir os riscos associados à seleção de populações menos sensíveis aos fungicidas (Embrapa, 2024).



A escolha dos fungicidas também exerce papel determinante no sucesso do manejo. Resultados obtidos em pesquisas em rede indicam que formulações à base de mancozebe, isolado ou em mistura com ingredientes ativos como azoxistrobina e tiofanato-metílico, apresentam os maiores níveis de eficiência no controle da doença (Almeida, 2024). Apesar da importância do controle químico, a utilização de cultivares com maior resistência genética continua sendo uma das medidas mais relevantes e sustentáveis para o manejo integrado da brusone.

A resistência genética constitui uma das principais ferramentas para o manejo de doenças em culturas de grande importância econômica, como o trigo. No entanto, conforme destacado por Maciel et al. (2026), o desenvolvimento de cultivares resistentes à brusone e, ao mesmo tempo, adaptadas às condições de cultivo do Brasil representa um dos grandes desafios da triticultura nacional. Nesse sentido, a identificação de genótipos menos suscetíveis à doença é fundamental para embasar o adequado posicionamento de cultivares, contribuindo de forma integrada para a redução dos impactos da brusone sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.

Ao avaliarem cultivares de trigo em condições de campo quanto à área abaixo da curva de progresso da incidência da brusone da espiga (AACPI), ao rendimento de grãos e ao peso hectolítrico, Maciel et al. (2026) identificaram diferenças significativas na reação dos materiais à doença. Entre as cultivares avaliadas, os menores valores de AACPI foram observados para TBIO Convicto, ORS Feroz e TBIO Duque, indicando menor incidência da brusone. Já os maiores rendimentos de grãos foram registrados para TBIO Valente, ORS 1403 e BRS Savana, enquanto BRS Savana e TBIO Valente apresentaram os maiores valores de peso hectolítrico. Esses resultados evidenciam que algumas cultivares conseguem aliar menor suscetibilidade à brusone a características agronômicas desejáveis, como elevado potencial produtivo e melhor qualidade dos grãos.

Figura 2. Grupos* de resistência das cultivares classificados de acordo com Área Abaixo da Curva de Progresso da Incidência (AACPI; menor mais resistente) e ordenado, dentro do grupo de resistência, pelo valor normalizado de estabilidade (menor mais estável). (A) Biplot da relação entre AACPI e estabilidade; (B) gradiente de coloração para classificação das cultivares quanto à resistência à brusone da espiga e estabilidade da classificação de cada cultivar. * Os dados de AACPI foram obtidos em ensaios conduzidos no âmbito da Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Maciel et al., 2026).
Fonte: Maciel et al. (2026)

Embora a resistência genética influencie diretamente o progresso da brusone, as condições ambientais também desempenham papel determinante no desenvolvimento da doença. Além de avaliar a incidência da brusone, Maciel et al. (2026) analisaram a estabilidade do comportamento das cultivares em diferentes ambientes de cultivo. Os resultados demonstraram que TBIO Convicto, TBIO Valente, TBIO Calibre e BRS Savana combinaram baixa incidência da doença com elevada estabilidade, apresentando desempenho consistente mesmo diante das variações ambientais (Figura 2). Em contrapartida, BRS 264 e BRS 404 apresentaram maior incidência de brusone e comportamento menos estável, confirmando sua maior suscetibilidade à doença.

Dessa forma, além do nível de resistência, a estabilidade deve ser considerada na tomada de decisão, uma vez que materiais mais estáveis tendem a apresentar respostas mais consistentes frente às diferentes condições de cultivo. Portanto, embora a escolha de cultivares com maior resistência represente uma estratégia importante para o manejo da brusone, seu controle deve estar associado a outras práticas de manejo integrado, especialmente em anos com condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença. A adoção conjunta de cultivares menos suscetíveis, monitoramento das lavouras e aplicações criteriosas de fungicidas constitui a base para reduzir as perdas causadas pela brusone e aumentar a segurança produtiva da cultura do trigo.

Confira o estudo completo desenvolvido por Maciel e colaboradores (2026) clicando aqui!

Referências:

ALMEIDA, J. L. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRAS 2024 & 2025. Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, 2024. Disponível em: < https://static.conferenceplay.com.br/conteudo/arquivo/infotecnitrigotriticalesafras20242025livrodigitalfinal-1721832775.pdf >, acesso em: 01/06/2026.

EMBRAPA. BRUSONE DO TRIGO. Embrapa, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165446/1/Flyer-brusone-web.pdf >, acesso em: 01/06/2026.

LAU, D. et al. PRINCIPAIS DOENÇAS DO TRIGO NO SUL DO BRASIL: DIAGNÓSTICO E MANEJO. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 375, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1129989/principais-doencas-do-trigo-no-sul-do-brasil-diagnostico-e-manejo >, acesso em: 01/06/2026.

MACIEL, J. L. N. et al. RESISTÊNCIA DE CULTIVARES DE TRIGO À BRUSONE DA ESPIGA: RESULTADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS DAS SAFRAS 2024 E 2025. Embrapa Trigo, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 138, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1187248/1/BPD-138-online.pdf >, acesso em: 01/06/2026.

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Sustentabilidade

Quais são as biotecnologias disponíveis na cultura da soja e como tem revolucionado a cultura. – MAIS SOJA

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A partir de 1996, surgiu a primeira biotecnologia para a cultura da soja, inicialmente as biotecnologias erão desenvolvidas focadas no controle de plantas daninhas, por esse motivo, atualmente, existe uma grande quantidade de biotecnologias aprovadas no Brasil com essa característica. Posteriormente, outras biotecnologias foram desenvolvidas transferindo a planta outras qualidades para auxiliar os produtores no controle de insetos, doenças e mitigação ao déficit hídrico. Hoje, as principais tecnologias disponíveis no mercado são:

  1. Roundup Ready® (RR): Confere tolerância ao herbicida glifosato por meio da inserção do gene CP4-EPSPS, permitindo o controle eficiente de plantas daninhas de folhas estreitas e largas.
  2. Intacta RR2 PRO® (IPRO): Combina tolerância ao glifosato com resistência a lagartas por meio da proteína Cry1Ac.
  3. Intacta 2 Xtend® (Xtend): Apresenta resistência a um número maior de lagartas por meio das proteínas Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2, além de tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba, ampliando as opções de manejo de plantas daninhas.
  4. Conkesta Enlist E3® (CE): Tolerância aos herbicidas glifosato, glufosinato de amônio e 2,4-D sal colina, expressa as proteínas Cry1F e Cry1Ac.
  5. HB4®: Desenvolvida para aumentar a tolerância ao estresse hídrico (seca).
  6. Liberty Link® (LL): Confere tolerância ao herbicida glufosinato de amônio por meio do gene PAT.
  7. Cultivance® (CV): Proporciona tolerância aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, por meio do gene CSR1-2.
  8. STS (Sulfonylurea Tolerant Soybean): Confere maior tolerância aos herbicidas do grupo das sulfonilureias.
  9. BLOCK®: Tecnologia desenvolvida pela EMBRAPA voltada ao aumento da tolerância à ferrugem-asiática da soja.

A figura 1 apresenta um resumo geral das principais biotecnologias genéticas da soja no Brasil e suas respectivas resistências ou tolerâncias.

Figura 1. Perfil de tolerância a herbicidas, doenças, pragas e estresse hídrico das principais biotecnologias de soja disponíveis no mercado brasileiro.

De modo geral, é fundamental que produtores e técnicos compreendam a interação entre cultivar, ambiente e manejo, buscando informações confiáveis geradas por pesquisas, assistência técnica, empresas de sementes e experimentos em campo (on farm), avaliando na sua lavoura as principais cultivares de soja semeadas na região e os novos lançamentos, criando assim um banco de dados que servirá como base para uma escolha mais assertiva da cultivar ideal.

Referências bibliográficas.

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 202


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Sustentabilidade

Crédito rural registra redução nas contratações ao final do Plano Safra 2025/26 – MAIS SOJA

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O encerramento do Plano Safra 2025/26 confirma um cenário de maior restrição ao crédito rural em Mato Grosso do Sul. O ciclo foi concluído com R$ 14,64 bilhões contratados, volume 22,3% inferior ao registrado na safra anterior.

Segundo levantamento da Aprosoja/MS, foram contratados R$ 943,8 milhões em junho de 2026 no Estado, resultado 22,3% inferior ao registrado em maio do mesmo ano e 40,1% menor em comparação com junho de 2025.

O ambiente financeiro mais restritivo observado no encerramento da safra é resultado da redução das operações de custeio, investimento e, principalmente, comercialização, refletindo uma maior seletividade na concessão de crédito rural.

O Plano Safra 2026/27 iniciou seu ciclo em 1º de julho, com crescimento de 1,7% no volume total de recursos em relação ao ciclo anterior, totalizando R$ 622,4 bilhões. No entanto, esse aumento não supera a inflação acumulada no período, o que resulta em redução do volume de crédito em termos reais.

Assim, apesar da redução das taxas de juros nas principais linhas oficiais, a ampliação do acesso ao crédito dependerá da disponibilidade de recursos subsidiados, da capacidade de equalização pelo Governo Federal e da situação financeira dos produtores. Esses fatores continuarão sendo determinantes para o ritmo das contratações ao longo da safra 2026/27.

O boletim completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja/MS

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Sustentabilidade

Estudo analisa os impactos da infraestrutura logística sobre a produção agrícola de Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

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Mato Grosso do Sul representa aproximadamente 9% da produção nacional de soja, consolidando-se como o 5º maior produtor do grão no Brasil. Em relação ao milho segunda safra, o Estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional, sendo responsável por cerca de 8,1% da produção brasileira. Apesar da relevância da produção de soja e milho no cenário nacional, a infraestrutura logística ainda representa um dos principais desafios para o escoamento da produção agrícola em Mato Grosso do Sul. Conforme análise apresentada pela Aprosoja/MS, o custo do frete pode representar até 60% do valor do milho e até 25% do valor da soja.

Atualmente, o Estado escoa cerca de 80% da produção agrícola por rodovias, 2% por ferrovias e o restante por hidrovias. De acordo com estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS, essa concentração no modal rodoviário eleva os custos logísticos, aumenta a demanda sobre a malha viária e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense.

A análise também indica que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens estruturais em relação ao modal rodoviário. Entretanto, a competitividade desses modais depende de fatores como a infraestrutura disponível, o estágio de desenvolvimento da malha logística, o processo de devolução de concessões e o nível de concorrência entre os diferentes modais de transporte.

Com investimentos estimados em R$ 50 bilhões até 2035, estão previstas a duplicação e as melhorias da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju (MS) ao Paraná, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os projetos associados à Rota Bioceânica. Conforme estimativas apresentadas no estudo, essas iniciativas possuem potencial para reduzir em até 26% os custos de transporte.

Ainda conforme a análise apresentada no estudo, a execução desses projetos poderá contribuir para ampliar a eficiência do transporte de cargas, reduzir os custos logísticos e fortalecer a competitividade da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Carolina Toffanetto (estagiária de Comunicação Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja MS

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