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Nobel aposta em inteligência de mercado para crescer no setor de insumos

Fundada em 2022, a Nobel Trading vem ganhando espaço no mercado de importação de insumos agrícolas ao adotar um modelo operacional enxuto e baseado em dados. Com sede em Florianópolis (SC), a empresa conecta fornecedores internacionais a cooperativas, indústrias e empresas do agronegócio brasileiro.
“A Nobel foi criada para trazer um pouco dessa informação de mercado, democratizar esse acesso à informação. Por tudo que nós fazemos, nós consideramos a Nobel uma empresa de inteligência de mercado”, afirma o fundador e CEO da companhia, Rafael Diegues.
O crescimento da Nobel ocorre em um cenário de alta demanda por fertilizantes no país. Em 2025, o Brasil importou cerca de 45,5 milhões de toneladas, reforçando a dependência externa e ampliando o papel de empresas que atuam na intermediação desse fluxo.
“O produtor vem investindo muito em tecnologia, mas ele não se atenta muito a essa janela de oportunidade dos insumos, que faz parte do custo dele e é fundamental para ter um resultado na safra”, destaca.
Receita salta e empresa entra em ranking nacional
A trajetória recente da companhia é marcada por forte expansão. Após registrar faturamento de R$ 1,8 milhão em 2023, a Nobel alcançou R$ 30,6 milhões em receita operacional líquida em 2024, avanço de 1.530% em um ano.
Segundo Diegues, o crescimento está ligado ao controle das operações e ao uso intensivo de informações de mercado. “A operação foi estruturada para manter controle sobre todas as etapas, da negociação à entrega, o que permite maior previsibilidade mesmo em um mercado sujeito a variações de preço e câmbio”, afirma.
Ele também destaca a estratégia adotada desde o início da empresa. “Quem compra e vende, o dinheiro está na compra. Se você compra no momento correto e tem um pouco de previsibilidade na operação, consegue replicar isso e aos poucos você vai ganhando escala.”
Modelo integra operação do início ao fim
A Nobel atua de ponta a ponta na cadeia de importação. A operação inclui negociação direta com fornecedores internacionais, gestão cambial, acompanhamento de embarques e entrega ao cliente final.
A empresa utiliza a infraestrutura portuária de Santa Catarina, com acesso a terminais como Porto de Itajaí, Porto de Navegantes e Porto de Imbituba, por onde ocorre a entrada dos produtos no país.
O portfólio está dividido em duas frentes:
- Agrícola: ureia granulada e perolada e cloreto de potássio, com origem em mercados como Rússia e Oriente Médio.
- Nutrição animal: insumos como fosfato bicálcico, voltados à alimentação de ruminantes, com fornecimento internacional, incluindo a China.
Uso de dados orienta decisões de compra
Um dos pilares do modelo de negócio é o uso de tecnologia e inteligência de mercado. A empresa opera com um sistema interno que reúne histórico de preços dos últimos anos, permitindo monitorar oscilações e identificar oportunidades de compra.
“A base de tudo que a gente faz aqui é em cima de dados e não tanto de feeling. A gente conversa com produtores e traders lá fora, acessa informações desses fornecedores e compila tudo em um sistema interno”, diz Diegues.
Além disso, a Nobel produz um relatório semanal gratuito com dados sobre preços, câmbio e dinâmica do setor, distribuído a clientes e interessados.
De acordo com o executivo, a iniciativa busca reduzir a assimetria de informação no mercado. “Existem outros reports de mercado, mas muitos são caros e com uma linguagem muito técnica. A gente tenta traduzir isso de uma maneira mais prática e direta.”
Origem e estrutura enxuta marcam operação
A empresa foi criada a partir da experiência de Rafael Diegues no agronegócio e no mercado internacional. Engenheiro mecânico, ele atuou nos Estados Unidos antes de retornar ao Brasil e trabalhar com comercialização de grãos.
A Nobel iniciou as atividades focada na importação de ureia, em meio à volatilidade do mercado global de fertilizantes causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. O cenário limitou o avanço inicial, com retomada a partir de 2023.
“A Nobel foi criada praticamente do zero. Começamos pequenos, reinvestindo na operação e crescendo aos poucos”, afirma.
A operação começou com uma estrutura reduzida, formada pelo fundador e pela co-fundadora e sócia, Cynthia Moreira, que atua como diretora de operações. Atualmente, a empresa conta com cerca de 20 colaboradores e segue em expansão.
Mercado segue volátil e exige gestão integrada
O crescimento da Nobel ocorre em um ambiente marcado por volatilidade de preços, câmbio e logística. Nesse contexto, o modelo “asset-light”, com foco em dados e controle de processos, tem sido utilizado como estratégia para garantir previsibilidade nas operações.
“O mercado é globalizado. O que acontece na China, no Oriente Médio ou na Rússia pode ter impacto direto no produtor aqui”, afirma Diegues.
A empresa atua como intermediária na cadeia de importação de insumos, conectando mercados globais à demanda brasileira em um setor considerado estratégico para o agronegócio.
“A gente tenta trazer para o nosso cliente as informações que a gente mesmo tem e opera, e democratizar um pouco esse acesso à informação. O produtor investe muito na produção em si, mas muitas vezes não se atenta à janela de oportunidade dos insumos, que é fundamental para ele ter um resultado melhor na safra”, conclui.
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Embrapa e Grupo Carrefour Brasil assinam acordo para capacitar produtores rurais

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Grupo Carrefour Brasil assinam nesta terça-feira (2), em São Paulo (SP), um acordo de cooperação técnica voltado à qualificação de fornecedores e produtores rurais. A cerimônia está prevista para as 9h, no prédio da Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo, com participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Segundo as informações divulgadas na pauta oficial, a parceria prevê ações de capacitação direcionadas a fornecedores e produtores rurais. O foco do acordo está em quatro frentes: qualidade, rastreabilidade, conformidade socioambiental e eficiência produtiva.
A formalização ocorrerá durante a inauguração do escritório da Embrapa no estado de São Paulo. O evento será realizado na Rua 13 de Maio, 1558, 10º andar, no bairro Bela Vista, endereço da Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo.
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Pelo conteúdo antecipado, a cooperação reúne um centro público de pesquisa agropecuária e um grupo de grande presença no varejo alimentar. Em termos técnicos, esse tipo de iniciativa pode ampliar a difusão de protocolos ligados a padronização, controle de origem e adequação de processos produtivos, temas que têm peso crescente nas relações entre campo, indústria e varejo.
A rastreabilidade e a conformidade socioambiental, citadas na pauta, estão associadas a exigências de mercado e a mecanismos de verificação da origem da produção. Já as ações de capacitação em eficiência produtiva tendem a envolver orientação técnica para melhorar processos, reduzir perdas e adequar padrões de fornecimento.
Até o momento, o material divulgado informa o objetivo geral da parceria, mas não detalha metas numéricas, prazos de execução, número de produtores atendidos ou recorte por cadeia produtiva. Esses pontos serão relevantes para medir o alcance prático do acordo sobre fornecedores, cooperativas e produtores integrados às cadeias de abastecimento.
A assinatura do acordo indica uma aproximação entre pesquisa agropecuária e varejo na agenda de qualificação de fornecedores. O impacto operacional da medida dependerá dos detalhes técnicos ainda não informados oficialmente, como cronograma, público atendido e critérios de adesão.
Fonte: gov.br
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Abertura da Colheita de Milho Segunda Safra em Querência terá painéis sobre crédito e inovação; inscreva-se

Dois painéis técnicos focados em crédito, custos e inovação marcam a programação da Abertura Nacional da Colheita de Milho Segunda Safra, que ocorre no dia 3 de junho na Estância VN, em Querência. O evento debate os rumos do setor com as discussões “Os Desafios do Agro Brasileiro: crédito, custos e competividade no campo” e “Novos Caminhos para o Agro: inovação, cooperação e oportunidades no milho”. O encontro presencial integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso Grosso.
O debate sobre as perspectivas do cereal ocorre em um momento decisivo para o agricultor brasileiro, caracterizado por custos de produção elevados, juros altos e crédito mais apertado. Para além das discussões mercadológicas sobre descapitalização e endividamento, os painéis abordam soluções práticas como o cooperativismo, a eficiência produtiva e o avanço do etanol de milho como alternativa estratégica. As inscrições para acompanhar as atividades e os debates na região do Vale do Araguaia já estão abertas no site oficial do projeto.
Além da programação de debates, o público poderá acompanhar, pela primeira vez na história do projeto, o início dos trabalhos das máquinas ao pôr do sol. As colheitadeiras entram em campo a partir das 16h30 (horário de Brasília) com transmissão ao vivo pelo Canal Rural, retratando a continuidade das operações no campo. Na propriedade que sedia o evento, as perspectivas são otimistas, com previsão de produtividade entre 170 e 180 sacas de cereal por hectare na atual temporada.
As inscrições para participar presencialmente são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://eventos.canalrural.com.br/mais-milho.
Preparativos e infraestrutura
“Estamos terminando de ajustar os detalhes finais”, afirma o produtor rural catarinense Irio Guisolphi, comandante da Estância VN e referência na região por sua gestão baseada em capital próprio e investimentos robustos em armazenagem.
O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor de milho do mundo, sendo Mato Grosso responsável por cerca de 50% da produção nacional. Segundo projeções de abril da Conab, as perspectivas para a segunda safra no país são de 108,5 milhões de toneladas. Já o Imea indica que o estado mato-grossense deve colher 52,653 milhões de toneladas, consolidando a segunda maior produção de sua série histórica.
O projeto Mais Milho chega à sua 10ª temporada com o objetivo de levar informações qualificadas para auxiliar a tomada de decisão do produtor rural tanto na primeira quanto na segunda safra. A iniciativa promove debates, programas de televisão e fóruns técnicos ao longo do ciclo, focando no olhar de quem enfrenta obstáculos climáticos e econômicos e encontra estratégias para superá-los.
A iniciativa busca soluções para os desafios enfrentados dentro e fora das fazendas. Para isso, o projeto dá visibilidade ao posicionamento das entidades representativas, do setor de pesquisa, das tradings e dos grandes consumidores do grão brasileiro, consolidando a agricultura nacional como referência de resiliência e tecnologia no cenário global.
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Startup oferece aluguel de abelhas para ajudar na polinização de cafezais

Voando de flor em flor, as abelhas são responsáveis pela polinização das diversas espécies vegetais e têm sido fundamentais ao longo da história para promover a variabilidade genética das plantas e a agricultura.
No Noroeste Fluminense, uma startup aposta na força da polinização natural para aumentar a produtividade dos cafezais. A Rent a Bee oferece aluguel de colmeias de abelhas da espécie Apis mellifera e acompanhamento técnico da atuação dos insetos nas lavouras. A iniciativa foi contemplada pela FAPERJ por meio do edital Doutor Empreendedor.
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“A polinização é um trabalho que as abelhas realizam naturalmente há 125 milhões de anos. A grande virada evolutiva dos vegetais aconteceu a partir da polinização cruzada feita pelas abelhas, que é a transferência do gameta masculino para o feminino nas flores. A partir de então começou a existir a variabilidade genética das plantas na natureza”, explicou CEO da Rent a Bee, Paula de Sousa Barbosa.
A CEO justificou que sem as abelhas não existem alimentos. O açaí, por exemplo, depende 100% delas. Algumas culturas de café dependem até 90% das abelhas. A carne também, porque a soja depende das abelhas. De acordo com ela sem o polinizador não há soja, principal fonte proteica do animal.
Etapas
Médica Veterinária com Doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ela explica as diferentes etapas do trabalho da Rent a Bee, que tem como público-alvo produtores especializados em cafés especiais.
Segundo Paula, o serviço oferecido pela startup inclui desde a avaliação técnica da propriedade até o monitoramento da polinização nos cafezais. Antes da instalação das colmeias, a equipe analisa fatores como disponibilidade de água para as abelhas, uso de pesticidas na área e nas propriedades vizinhas.
Cerca de dez dias antes da florada do café, as colmeias são levadas para a lavoura, com a instalação de sete a nove caixas por hectare, totalizando aproximadamente 700 mil abelhas na área cultivada. Paula, que também é professora auxiliar na Estácio de Sá, em Campos dos Goytacazes, explica que cada caixa mede 58 centímetros por 46 centímetros de altura e 41 centímetros de frente.
Transporte
Fascinada pelo universo das abelhas, Paula explica os cuidados durante o transporte dos insetos produtores de mel. “Transportamos as abelhas à noite porque elas costumam trabalhar de dia e voltar à noite para a colmeia. Elas são soltas no cafezal uns sete dias antes da floração, porque as flores do café abrem todas de uma vez”, afirma.
Paula explica que, após o período de florada, as abelhas retornam naturalmente às colmeias durante a noite, atraídas pelo odor da rainha, que permanece no ninho. Segundo ela, a retirada dos enxames exige experiência e manejo cuidadoso, realizado com equipamentos de proteção contra ferroadas e o uso do fumegador, aparelho utilizado na apicultura para produzir fumaça e facilitar o trabalho com as colmeias.
Expectativa
Paula espera que a Rent a Bee se torne um diferencial tecnológico para os produtores de cafés especiais no estado do Rio de Janeiro. “Nossa ideia é que esse conhecimento técnico se transforme em instrumento de organização e eficiência para fortalecer nossa cadeia agrária de uma maneira cada vez mais sustentável”, concluiu.
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