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24 de julho de 2026

Business

Nobel aposta em inteligência de mercado para crescer no setor de insumos

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Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).

Fundada em 2022, a Nobel Trading vem ganhando espaço no mercado de importação de insumos agrícolas ao adotar um modelo operacional enxuto e baseado em dados. Com sede em Florianópolis (SC), a empresa conecta fornecedores internacionais a cooperativas, indústrias e empresas do agronegócio brasileiro.

“A Nobel foi criada para trazer um pouco dessa informação de mercado, democratizar esse acesso à informação. Por tudo que nós fazemos, nós consideramos a Nobel uma empresa de inteligência de mercado”, afirma o fundador e CEO da companhia, Rafael Diegues.

O crescimento da Nobel ocorre em um cenário de alta demanda por fertilizantes no país. Em 2025, o Brasil importou cerca de 45,5 milhões de toneladas, reforçando a dependência externa e ampliando o papel de empresas que atuam na intermediação desse fluxo.

“O produtor vem investindo muito em tecnologia, mas ele não se atenta muito a essa janela de oportunidade dos insumos, que faz parte do custo dele e é fundamental para ter um resultado na safra”, destaca. 

Receita salta e empresa entra em ranking nacional

A trajetória recente da companhia é marcada por forte expansão. Após registrar faturamento de R$ 1,8 milhão em 2023, a Nobel alcançou R$ 30,6 milhões em receita operacional líquida em 2024, avanço de 1.530% em um ano.

Segundo Diegues, o crescimento está ligado ao controle das operações e ao uso intensivo de informações de mercado. “A operação foi estruturada para manter controle sobre todas as etapas, da negociação à entrega, o que permite maior previsibilidade mesmo em um mercado sujeito a variações de preço e câmbio”, afirma.

Ele também destaca a estratégia adotada desde o início da empresa. “Quem compra e vende, o dinheiro está na compra. Se você compra no momento correto e tem um pouco de previsibilidade na operação, consegue replicar isso e aos poucos você vai ganhando escala.”

Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).
Rafael Diegues, CEO da Nobel (Foto: Thiago Braga).

Modelo integra operação do início ao fim

A Nobel atua de ponta a ponta na cadeia de importação. A operação inclui negociação direta com fornecedores internacionais, gestão cambial, acompanhamento de embarques e entrega ao cliente final.

A empresa utiliza a infraestrutura portuária de Santa Catarina, com acesso a terminais como Porto de Itajaí, Porto de Navegantes e Porto de Imbituba, por onde ocorre a entrada dos produtos no país.

O portfólio está dividido em duas frentes:

  • Agrícola: ureia granulada e perolada e cloreto de potássio, com origem em mercados como Rússia e Oriente Médio.
  • Nutrição animal: insumos como fosfato bicálcico, voltados à alimentação de ruminantes, com fornecimento internacional, incluindo a China.

Uso de dados orienta decisões de compra

Um dos pilares do modelo de negócio é o uso de tecnologia e inteligência de mercado. A empresa opera com um sistema interno que reúne histórico de preços dos últimos anos, permitindo monitorar oscilações e identificar oportunidades de compra.

“A base de tudo que a gente faz aqui é em cima de dados e não tanto de feeling. A gente conversa com produtores e traders lá fora, acessa informações desses fornecedores e compila tudo em um sistema interno”, diz Diegues.

Além disso, a Nobel produz um relatório semanal gratuito com dados sobre preços, câmbio e dinâmica do setor, distribuído a clientes e interessados.

De acordo com o executivo, a iniciativa busca reduzir a assimetria de informação no mercado. “Existem outros reports de mercado, mas muitos são caros e com uma linguagem muito técnica. A gente tenta traduzir isso de uma maneira mais prática e direta.”

Origem e estrutura enxuta marcam operação

A empresa foi criada a partir da experiência de Rafael Diegues no agronegócio e no mercado internacional. Engenheiro mecânico, ele atuou nos Estados Unidos antes de retornar ao Brasil e trabalhar com comercialização de grãos.

A Nobel iniciou as atividades focada na importação de ureia, em meio à volatilidade do mercado global de fertilizantes causada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. O cenário limitou o avanço inicial, com retomada a partir de 2023.

“A Nobel foi criada praticamente do zero. Começamos pequenos, reinvestindo na operação e crescendo aos poucos”, afirma.

A operação começou com uma estrutura reduzida, formada pelo fundador e pela co-fundadora e sócia, Cynthia Moreira, que atua como diretora de operações. Atualmente, a empresa conta com cerca de 20 colaboradores e segue em expansão.

Mercado segue volátil e exige gestão integrada

O crescimento da Nobel ocorre em um ambiente marcado por volatilidade de preços, câmbio e logística. Nesse contexto, o modelo “asset-light”, com foco em dados e controle de processos, tem sido utilizado como estratégia para garantir previsibilidade nas operações.

“O mercado é globalizado. O que acontece na China, no Oriente Médio ou na Rússia pode ter impacto direto no produtor aqui”, afirma Diegues.

A empresa atua como intermediária na cadeia de importação de insumos, conectando mercados globais à demanda brasileira em um setor considerado estratégico para o agronegócio.

“A gente tenta trazer para o nosso cliente as informações que a gente mesmo tem e opera, e democratizar um pouco esse acesso à informação. O produtor investe muito na produção em si, mas muitas vezes não se atenta à janela de oportunidade dos insumos, que é fundamental para ele ter um resultado melhor na safra”, conclui. 

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

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Trator autônomo 9RX, da John Deere. Fotos: Divulgação

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.

A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.

De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.

Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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