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24 de julho de 2026

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Brasil tende a ser o maior mercado de irrigação do mundo, mas ainda enfrenta 3 desafios

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Foto: Wenderson Araujo/CNA

A agricultura brasileira possui cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas o potencial é de quintuplicar essa área, chegando a 55 milhões de hectares, conforme análise da Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai).

Os números atualizam o último levantamento do Atlas de Irrigação da Agência Nacional de Águas (ANA), publicado em 2021 e que projetava que o país atingiria 10 milhões de hectares apenas em 2030.

Tal expansão antecipada tende a transformar o país em líder global de mercado nos próximos dez anos. A aposta é do CEO da Lindsay no Brasil, Claudio Lima. A empresa que comercializa em todos os continentes já enxerga o país como o seu principal polo de vendas do mundo em um futuro não tão distante por conta da ainda pequena quantidade de propriedades com pivôs e demais sistemas de irrigação de Norte a Sul.

“No estado do Paraná, por exemplo, grande produtor de soja, apenas 0,2% das lavouras são irrigadas. Já em Mato Grosso, líder do agronegócio nacional, esse percentual é de somente 2%, então existem possibilidades de enorme crescimento. A irrigação no Brasil ainda está engatinhando, mas certamente será a maior do mundo, algo que também ouvimos dos nossos concorrentes”, destaca.

Segundo ele, estudos da empresa mostram que o Brasil conta com, aproximadamente, 35 mil pivôs instalados, sendo que apenas no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, berço da Lindsay e o terceiro maior produtor de milho daquele país, existem em torno de 75 mil.

Lima ressalta que, por enquanto, a principal operação da empresa é justamente o mercado norte-americano, responsável por cerca de 50% das receitas da companhia no globo. “Mas logo após os Estados Unidos, o Brasil já é a nossa operação internacional mais relevante.”

Já o conselheiro da Renai e pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, ressalta que o motivo da disparidade entre o Brasil e as demais potências agrícolas quando o assunto é índice de irrigação reside no fato de, historicamente, a necessidade nunca ter sido tão premente quanto agora.

“Nossa produção em sistema de sequeiro costumava produzir bem em comparação com outros países, mas agora os sinais mostram que o clima está ficando mais incerto e a produção, mais instável. Diante desse contexto, a irrigação se torna o melhor ansiolítico para o produtor”, considera.

Aquecimento do mercado

É justamente a necessidade por mais estabilidade produtiva que tem levado ao aquecimento do mercado. O executivo da Lindsay conta que a rede de 22 distribuidores da companhia no Brasil nunca experimentou volume tão grande de procura em seus 24 anos de atuação no país.

“É certamente o período com o maior número de emissão de propostas para os clientes. Estamos, inclusive, enfrentando problemas com a falta de mão de obra porque o pivô não é um produto de prateleira, é um projeto que exige levantamento topográfico, licença ambiental, outorgas de águas”, declara.

De acordo com Lima, a empresa notou durante a 31ª Agrishow, que aconteceu entre 27 de abril e 1 de maio, que haviam mais visitantes interessados em tecnologias de irrigação. “Percebemos que os produtores que nos procuraram durante a feira estavam realmente entusiasmados, fazendo cálculos e buscando opções de crédito. Os agricultores que precisam semear em setembro ou outubro e estavam aguardando por uma redução da Selic não podem esperar mais, afinal, um projeto de irrigação precisa de tempo para a elaboração e instalação.”

Os números mostram que o setor vem, realmente, tendo desempenho superior ao de outros segmentos da indústria de máquinas, ou, melhor dizendo, “menos piores”. A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq aponta que a venda de pivôs teve retração de aproximadamente 8% ao longo de 2025, enquanto outras áreas experimentaram queda de até 15%.

Na média do mercado, Lima conta que um grande pivô com cerca de 900 metros de vão e capaz de cobrir áreas de até 350 hectares, como os utilizados em Mato Grosso e na Bahia, o custo para o produtor gira em torno de R$ 22 mil reais por hectare. “Quanto maior a máquina e maior a área irrigada, menor o investimento em infraestrutura porque se dilui o custo da captação da água e da energia”, aponta.

Crescimento ano a ano

Rodrigues conta que levantamentos da Renai apontam que, atualmente, a média de incremento de área irrigada no Brasil gira entre 200 mil e 300 mil hectares ao ano.

“Uma boa margem seria de 400 mil hectares anuais, o que é possível em um futuro próximo. No entanto, acredito que a taxa de crescimento desse setor deve ser ditada não pelo mercado, mas pela sociedade porque é ela que precisa dizer o quanto de alimento precisamos”, considera.

Relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já mostrava que a produção global de alimentos precisará crescer ao menos 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar de uma população mundial projetada em cerca de 10 bilhões de habitantes.

“Hoje em dia já existem estudos que apontam que precisaremos aumentar a produção em 100%, ou seja, dobrar a quantidade de alimentos disponíveis. Apenas a irrigação nos permitirá alcançar essa marca de forma sustentável. Do contrário, só desmatando ou recuperando áreas degradadas, sendo que essa última alternativa, mesmo sendo ambientalmente correta, não garante estabilidade produtiva porque, de qualquer forma, o problema central é a falta de regularidade da chuva”, constata.

Rodrigues também salienta que cerca de 20% da área agrícola mundial é irrigada, sendo responsável por, aproximadamente, 40% dos alimentos consumidos em todo o globo.

Especificamente no Brasil, além da questão do crédito caro e dos juros altos, o especialista detalha que a estabilidade energética em regiões produtivas mais remotas e a legislação que dificulta a criação de barragens suficientes para o armazenamento de água são os principais empecilhos.

“No Brasil, temos medo de transportar água, sendo que é algo comum porque não é possível desenvolver uma região sem ela”, declara.

O pesquisador cita o caso do Vale de San Joaquin, na Califórnia, importante produtor de frutas, nozes, laticínios e vegetais dos Estados Unidos, como exemplo. Trata-se de uma extensa área plana de pântanos drenados e pradarias cultivadas no leste do estado, sendo considerada uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, mas cujos poços também enfrentam períodos de seca. “Aquela região só existe porque transportaram água para lá. No Brasil, a transposição do [Rio] São Francisco deu muito trabalho, uma burocracia que se arrastou por décadas”, pontua.

De acordo com ele, a lei 9.433/1997, a Lei das Águas, peca em não enxergar o valor econômico e fonte de melhoria de vida das pessoas. “A nossa outorga é muito restritiva, a lei nos permite usar muito pouca água, um fator que dificulta bastante o crescimento de nossa agricultura irrigada.”

Por fim, Rodrigues acredita que há uma questão cultural que precisa ser remediada para que o país avance no setor. “O agricultor precisa olhar os sinais trazidos pelas mudanças climáticas, mas ele costuma demorar para perceber isso, para entender que as secas estão aumentando e ele está enfrentando mais problemas de quebra de safra. Toda vez que há uma grande quebra, o interesse pela irrigação aumenta, mas nessa hora já é tarde. É preciso planejar. O produtor está sempre atento, mas é muito reativo, enquanto precisa ser preventivo”.

Entretanto, o especialista acredita que à medida que o país tenha mais segurança jurídica, a tendência é que o agricultor adote mais a irrigação por enxergar nela sua única saída para a tão sonhada estabilidade produtiva.

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

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Trator autônomo 9RX, da John Deere. Fotos: Divulgação

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.

A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.

De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.

Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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