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Brasil tende a ser o maior mercado de irrigação do mundo, mas ainda enfrenta 3 desafios

A agricultura brasileira possui cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas o potencial é de quintuplicar essa área, chegando a 55 milhões de hectares, conforme análise da Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai).
Os números atualizam o último levantamento do Atlas de Irrigação da Agência Nacional de Águas (ANA), publicado em 2021 e que projetava que o país atingiria 10 milhões de hectares apenas em 2030.
Tal expansão antecipada tende a transformar o país em líder global de mercado nos próximos dez anos. A aposta é do CEO da Lindsay no Brasil, Claudio Lima. A empresa que comercializa em todos os continentes já enxerga o país como o seu principal polo de vendas do mundo em um futuro não tão distante por conta da ainda pequena quantidade de propriedades com pivôs e demais sistemas de irrigação de Norte a Sul.
“No estado do Paraná, por exemplo, grande produtor de soja, apenas 0,2% das lavouras são irrigadas. Já em Mato Grosso, líder do agronegócio nacional, esse percentual é de somente 2%, então existem possibilidades de enorme crescimento. A irrigação no Brasil ainda está engatinhando, mas certamente será a maior do mundo, algo que também ouvimos dos nossos concorrentes”, destaca.
Segundo ele, estudos da empresa mostram que o Brasil conta com, aproximadamente, 35 mil pivôs instalados, sendo que apenas no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, berço da Lindsay e o terceiro maior produtor de milho daquele país, existem em torno de 75 mil.
Lima ressalta que, por enquanto, a principal operação da empresa é justamente o mercado norte-americano, responsável por cerca de 50% das receitas da companhia no globo. “Mas logo após os Estados Unidos, o Brasil já é a nossa operação internacional mais relevante.”
Já o conselheiro da Renai e pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, ressalta que o motivo da disparidade entre o Brasil e as demais potências agrícolas quando o assunto é índice de irrigação reside no fato de, historicamente, a necessidade nunca ter sido tão premente quanto agora.
“Nossa produção em sistema de sequeiro costumava produzir bem em comparação com outros países, mas agora os sinais mostram que o clima está ficando mais incerto e a produção, mais instável. Diante desse contexto, a irrigação se torna o melhor ansiolítico para o produtor”, considera.
Aquecimento do mercado
É justamente a necessidade por mais estabilidade produtiva que tem levado ao aquecimento do mercado. O executivo da Lindsay conta que a rede de 22 distribuidores da companhia no Brasil nunca experimentou volume tão grande de procura em seus 24 anos de atuação no país.
“É certamente o período com o maior número de emissão de propostas para os clientes. Estamos, inclusive, enfrentando problemas com a falta de mão de obra porque o pivô não é um produto de prateleira, é um projeto que exige levantamento topográfico, licença ambiental, outorgas de águas”, declara.
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De acordo com Lima, a empresa notou durante a 31ª Agrishow, que aconteceu entre 27 de abril e 1 de maio, que haviam mais visitantes interessados em tecnologias de irrigação. “Percebemos que os produtores que nos procuraram durante a feira estavam realmente entusiasmados, fazendo cálculos e buscando opções de crédito. Os agricultores que precisam semear em setembro ou outubro e estavam aguardando por uma redução da Selic não podem esperar mais, afinal, um projeto de irrigação precisa de tempo para a elaboração e instalação.”
Os números mostram que o setor vem, realmente, tendo desempenho superior ao de outros segmentos da indústria de máquinas, ou, melhor dizendo, “menos piores”. A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq aponta que a venda de pivôs teve retração de aproximadamente 8% ao longo de 2025, enquanto outras áreas experimentaram queda de até 15%.
Na média do mercado, Lima conta que um grande pivô com cerca de 900 metros de vão e capaz de cobrir áreas de até 350 hectares, como os utilizados em Mato Grosso e na Bahia, o custo para o produtor gira em torno de R$ 22 mil reais por hectare. “Quanto maior a máquina e maior a área irrigada, menor o investimento em infraestrutura porque se dilui o custo da captação da água e da energia”, aponta.
Crescimento ano a ano
Rodrigues conta que levantamentos da Renai apontam que, atualmente, a média de incremento de área irrigada no Brasil gira entre 200 mil e 300 mil hectares ao ano.
“Uma boa margem seria de 400 mil hectares anuais, o que é possível em um futuro próximo. No entanto, acredito que a taxa de crescimento desse setor deve ser ditada não pelo mercado, mas pela sociedade porque é ela que precisa dizer o quanto de alimento precisamos”, considera.
Relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já mostrava que a produção global de alimentos precisará crescer ao menos 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar de uma população mundial projetada em cerca de 10 bilhões de habitantes.
“Hoje em dia já existem estudos que apontam que precisaremos aumentar a produção em 100%, ou seja, dobrar a quantidade de alimentos disponíveis. Apenas a irrigação nos permitirá alcançar essa marca de forma sustentável. Do contrário, só desmatando ou recuperando áreas degradadas, sendo que essa última alternativa, mesmo sendo ambientalmente correta, não garante estabilidade produtiva porque, de qualquer forma, o problema central é a falta de regularidade da chuva”, constata.
Rodrigues também salienta que cerca de 20% da área agrícola mundial é irrigada, sendo responsável por, aproximadamente, 40% dos alimentos consumidos em todo o globo.
Especificamente no Brasil, além da questão do crédito caro e dos juros altos, o especialista detalha que a estabilidade energética em regiões produtivas mais remotas e a legislação que dificulta a criação de barragens suficientes para o armazenamento de água são os principais empecilhos.
“No Brasil, temos medo de transportar água, sendo que é algo comum porque não é possível desenvolver uma região sem ela”, declara.
O pesquisador cita o caso do Vale de San Joaquin, na Califórnia, importante produtor de frutas, nozes, laticínios e vegetais dos Estados Unidos, como exemplo. Trata-se de uma extensa área plana de pântanos drenados e pradarias cultivadas no leste do estado, sendo considerada uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, mas cujos poços também enfrentam períodos de seca. “Aquela região só existe porque transportaram água para lá. No Brasil, a transposição do [Rio] São Francisco deu muito trabalho, uma burocracia que se arrastou por décadas”, pontua.
De acordo com ele, a lei 9.433/1997, a Lei das Águas, peca em não enxergar o valor econômico e fonte de melhoria de vida das pessoas. “A nossa outorga é muito restritiva, a lei nos permite usar muito pouca água, um fator que dificulta bastante o crescimento de nossa agricultura irrigada.”
Por fim, Rodrigues acredita que há uma questão cultural que precisa ser remediada para que o país avance no setor. “O agricultor precisa olhar os sinais trazidos pelas mudanças climáticas, mas ele costuma demorar para perceber isso, para entender que as secas estão aumentando e ele está enfrentando mais problemas de quebra de safra. Toda vez que há uma grande quebra, o interesse pela irrigação aumenta, mas nessa hora já é tarde. É preciso planejar. O produtor está sempre atento, mas é muito reativo, enquanto precisa ser preventivo”.
Entretanto, o especialista acredita que à medida que o país tenha mais segurança jurídica, a tendência é que o agricultor adote mais a irrigação por enxergar nela sua única saída para a tão sonhada estabilidade produtiva.
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o que muda para o agro e quem paga a conta?

O fim da escala 6×1 levanta dúvidas sobre os impactos da mudança no mercado de trabalho e na economia brasileira. No agronegócio, a preocupação envolve a disponibilidade de mão de obra, os custos de produção e a capacidade de manter atividades que não podem parar, como a ordenha de vacas e o manejo dos animais.
O tema é o destaque do novo episódio do Radar Rural, com participação de Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural.
Durante o programa, apresentado por Beatriz Gunther e Victor Faverin, Daoud defende a melhoria das condições de trabalho, mas questiona a falta de medidas para preparar a economia para a mudança. Para ele, a redução da jornada precisa ser acompanhada de ações que aumentem a produtividade e reduzam os custos de contratação.
“Essa mudança, ela deveria vir acompanhada por medidas que corrigissem as falhas estruturais do Brasil”, afirma o comentarista.
Falta de mão de obra preocupa o campo
Um dos pontos discutidos no episódio é a dificuldade de contratação enfrentada por diferentes segmentos do agronegócio. Segundo Daoud, a queixa recorrente de produtores não é apenas o custo dos funcionários, mas a falta de trabalhadores disponíveis.
Com a redução das horas trabalhadas, empresas e propriedades rurais poderão precisar reorganizar as escalas, contratar mais funcionários ou rever o volume produzido. A escolha, avalia o comentarista, pode pressionar a rentabilidade dos negócios.
O impacto tende a variar conforme a atividade. No campo, a produção de leite é um exemplo de operação que exige trabalho contínuo, independentemente de fins de semana e feriados. Daoud também destaca que setores que não investiram em tecnologia e ganhos de produtividade enfrentam dificuldades para permanecer na atividade.
A discussão inclui ainda os possíveis efeitos sobre a oferta de alimentos. Estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), aponta que o setor poderia ter redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas em razão da menor oferta de mão de obra.
Produtividade e renda entram na discussão
Daoud também questiona se a redução da jornada, isoladamente, será suficiente para melhorar a situação dos trabalhadores. Na avaliação dele, a informalidade e a baixa renda são problemas que precisam ser enfrentados junto com a mudança na escala.
O comentarista defende investimentos em tecnologia, qualificação profissional e educação, além de reformas que reduzam os custos de contratação. Para ele, sem medidas estruturais, empresas podem perder rentabilidade e trabalhadores ficar sujeitos ao desemprego ou à informalidade.
Assista ao programa completo no canal do Canal Rural no YouTube:
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Show Rural 2027 selecionará 120 expositores para a Feira Sabores; inscreva-se

Encerra no dia 30 de outubro o período de inscrições para a Feira Sabores da edição 2027 do Show Rural Coopavel, que disponibilizará apenas 120 vagas para expositores. Podem participar produtores de alimentos ou artesanato rural de todo o estado.
As inscrições devem ser feitas por meio deste formulário. Todos os participantes devem apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A Feira Sabores é resultado da parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Itaipu Binacional e Coopavel. O evento se destaca por integrar comércio, identidade cultural e agricultura familiar em um mesmo espaço dentro do Show Rural.
“A feira funciona como vitrine para os produtos paranaenses, permitindo que o público conheça o trabalho feito pelas mãos da agricultura familiar, que é tão importante para o nosso estado”, comenta a assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná, Karolline da Silva.
Os interessados em participar devem estar atentos aos critérios de participação definidos no Regulamento. A divulgação dos produtores classificados será no dia 06 de novembro e o resultado final no dia 13 de novembro de 2026
Agroindústrias
Apenas na região Oeste, com destaque para Cascavel e Toledo, são mais de 170 agroindústrias assistidas pelo IDR-Paraná. Entre os principais insumos produzidos na região estão biscoitos, geleias, conservas, melado, vinho, cachaça, salame, queijo, mel, frutas desidratadas, chips, polpa de fruta, antepastos, temperos e chás, que poderão ser encontrados na feira.
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Domingo de eleição terá tempestades no Sul e Sudeste; veja a previsão para o Brasil

O domingo de eleições será marcado por chuva e instabilidade em boa parte do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações devem se concentrar principalmente nas regiões Sul e Sudeste, além de atingir áreas do Centro-Oeste. No Norte e Nordeste, o predomínio será de tempo seco e temperaturas elevadas, embora haja possibilidade de pancadas isoladas.
O Inmet alerta para o risco de tempestades em diferentes estados. No Sul, as instabilidades devem se concentrar no oeste e norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Há aviso vermelho de grande perigo para tempestades em áreas da região.
A previsão também indica chuva em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do sul de Mato Grosso e do Distrito Federal. Em parte dessas localidades, as precipitações podem vir acompanhadas de trovoadas.
De acordo com o instituto, o cenário é provocado por áreas de baixa pressão entre o norte da Argentina, o Paraguai e o sul da Bolívia, além da formação de um novo ciclone extratropical na costa da Região Sul. O sistema deve organizar uma frente fria ao longo do fim de semana, ampliando as condições para chuva no centro-sul do país.
Sudeste tem previsão de chuva e temperaturas mais baixas
Em São Paulo, a previsão é de tempo fechado, com temperatura mínima de 16°C e máxima de 21°C. O Inmet emitiu aviso de perigo potencial para tempestades para todo o estado, além do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.
No Rio de Janeiro, são esperadas chuvas com trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas no Triângulo Mineiro, na região central de Minas Gerais e em áreas do oeste e sul do Espírito Santo.
Nas capitais, as máximas devem chegar a 30°C em Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).
Sul concentra áreas de maior risco
A Região Sul deve registrar chuva, com destaque para o Paraná, onde são esperadas trovoadas ao longo do dia. Também há previsão de pancadas isoladas na Serra de Santa Catarina e no norte e nordeste do Rio Grande do Sul.
O Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no norte e leste do Paraná, no leste de Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. Para algumas áreas da região, há também alerta vermelho de grande perigo.
Em Curitiba (PR), a temperatura varia entre 11°C e 20°C. Em Florianópolis (SC), os termômetros devem marcar entre 15°C e 19°C. Já em Porto Alegre (RS), a máxima não deve passar de 18°C.
Centro-Oeste terá instabilidade e calor
No Centro-Oeste, a previsão é de tempo instável e aumento da nebulosidade. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de Mato Grosso, no centro-sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul, abrangendo as capitais Cuiabá, Goiânia e Campo Grande.
Nas demais áreas da região, incluindo o Distrito Federal, também podem ocorrer chuvas isoladas.
Apesar da instabilidade, o calor permanece em parte do Centro-Oeste. A máxima prevista é de 39°C em Cuiabá (MT), 35°C em Goiânia (GO) e 33°C em Brasília (DF). Em Campo Grande (MS), os termômetros não devem passar de 27°C.
Norte e Nordeste terão calor de até 40°C
No Norte, a previsão indica chuva com trovoadas no oeste e noroeste do Amazonas. Também podem ocorrer precipitações isoladas no Acre, em Rondônia, em outras áreas do Amazonas, no centro-sul do Pará e no Tocantins. Em Roraima, há possibilidade de chuva isolada.
As temperaturas seguem elevadas, com máximas de 36°C em Belém (PA) e Porto Velho (RO), e de 37°C em Boa Vista (RR) e Palmas (TO).
No Nordeste, o tempo seco e o calor predominam. Há previsão de chuva no sudoeste do Maranhão, no oeste do Piauí e no oeste e sul da Bahia. Em Teixeira de Freitas (BA), o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para tempestades.
Teresina (PI) deve registrar a maior temperatura entre as capitais brasileiras no domingo, com máxima de 40°C. Em Salvador (BA) e João Pessoa (PB), a mínima prevista é de 23°C.
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