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24 de julho de 2026

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Estudo desenvolve tecnologia com impressão 3D para controle de pragas agrícolas

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Foto: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia

A combinação entre impressão 3D, nanotecnologia e óleos essenciais pode abrir um novo caminho para o controle sustentável de pragas na agricultura. Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) criou dispositivos biodegradáveis capazes de liberar compostos naturais de forma controlada, aumentando a eficiência dos biopesticidas e reduzindo a necessidade de aplicações frequentes no campo.

A pesquisa surge em meio à busca global por alternativas mais sustentáveis aos pesticidas sintéticos, frequentemente associados à contaminação ambiental, impactos sobre a biodiversidade e riscos à saúde humana.

Os pesquisadores utilizaram hidrogéis impressos em 3D formulados com alginato de sódio, pectina e Pluronic F127. Nesses materiais, foram incorporados os compostos naturais Geraniol e Eugenol, encapsulados em nanopartículas de zeína. A técnica permitiu ampliar a estabilidade dos bioativos e controlar sua liberação ao longo do tempo.

Segundo o estudo, as nanopartículas apresentaram eficiência de encapsulamento superior a 99% e estabilidade por mais de 60 dias, além de características consideradas adequadas para aplicações agrícolas sustentáveis.

Os dispositivos também passaram por testes biológicos com a mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das principais pragas agrícolas do mundo. Os resultados mostraram taxas de atração superiores a 50%, especialmente em estruturas produzidas com pectina.

De acordo com os pesquisadores, isso indica que a tecnologia pode funcionar não apenas como sistema de liberação lenta de compostos naturais, mas também como atrativo para direcionar insetos a armadilhas específicas, fortalecendo estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Na prática, a proposta busca tornar o controle mais preciso e menos dependente de pulverizações constantes, reduzindo impactos ambientais e aumentando a eficiência do manejo agrícola.

O estudo destaca ainda que a integração entre compostos naturais, nanoencapsulamento e manufatura aditiva biodegradável representa uma alternativa promissora para a agricultura sustentável. A expectativa agora é avançar para testes em condições reais de cultivo e ampliar o uso da tecnologia com novos compostos bioativos.

Segundo os pesquisadores, o objetivo é desenvolver soluções que conciliem produtividade agrícola, conservação ambiental e segurança alimentar, pilares considerados essenciais para a agricultura do futuro.

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

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Trator autônomo 9RX, da John Deere. Fotos: Divulgação

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.

A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.

De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.

Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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