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23 de julho de 2026

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Reforma da Conab em Ponta Grossa amplia armazenagem de grãos para 300 mil toneladas

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A primeira fase da reforma da unidade armazenadora da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Ponta Grossa (PR) foi entregue nesta sexta-feira (29), elevando a capacidade de estocagem de grãos de 180 mil para 300 mil toneladas. Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e pela Conab, a capacidade total da estrutura deverá chegar a 420 mil toneladas ao fim das obras, previsto para dezembro de 2027.

A etapa concluída somou R$ 24,5 milhões em investimentos. Desse total, a Itaipu Binacional aplicou R$ 15 milhões na recuperação estrutural, com impermeabilização de seis armazéns, reforma de telhados e da balança e reforços na estrutura. A Conab destinou R$ 9,5 milhões à instalação de três novos tombadores e à cobertura da moega, usada no recebimento de grãos a granel.

De acordo com os órgãos envolvidos, as intervenções reduziram infiltrações, ampliaram o controle térmico interno e reforçaram a conservação dos grãos e o controle de pragas. A unidade recebe cerca de 100 carretas por dia e é apontada pela Conab como a maior da estatal e uma das maiores do país.

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Durante o evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, assinou a ordem de serviço da segunda etapa, orçada em R$ 35 milhões. Somadas as duas fases, o investimento previsto chega a R$ 59,5 milhões, com recursos da Itaipu Binacional, da Conab e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops).

Segundo o MDA, a nova etapa também financiará projetos executivos para reformas nas unidades armazenadoras de Cambé (PR), Rolândia (PR) e Maracaju (MS). A ampliação da rede armazenadora pública ocorre em um contexto de recomposição dos estoques federais. O ministério informou que, desde 2023, foram adquiridas 842 mil toneladas de alimentos, incluindo 343 mil toneladas de arroz.

Para o setor agropecuário, a ampliação da armazenagem pública pode melhorar a recepção e conservação de grãos e dar suporte operacional a políticas de estoque. O efeito sobre preços, comercialização e apoio ao produtor depende da execução das próximas etapas e da estratégia de formação e gestão desses estoques.

Com a segunda fase contratada e prazo até dezembro de 2027, o avanço da obra em Ponta Grossa será um indicador da capacidade de expansão da armazenagem pública. Até o momento, não foram detalhados cronograma físico completo, metas intermediárias de operação ou volumes futuros por produto.

Fonte: gov.br

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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Município produtor de soja de MT deve manter área plantada, mas El Niño acende alerta para safra 2026/27

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Em um dos principais municípios produtores de soja de Mato Grosso, a expectativa para a safra 2026/27 é de manutenção da área cultivada. Em Querência (MT), os agricultores devem semear cerca de 450 mil hectares, mas o planejamento ocorre sob forte atenção às previsões climáticas, especialmente diante da possibilidade de atuação do fenômeno El Niño.

Segundo o presidente da Cooperativa dos Pioneiros de Querência (Coopquer), Osmar Frizzo, o clima é hoje o principal fator de preocupação para os produtores da região. “Todo mundo está segurando um pouco em função dessa previsão do El Niño. Se ela se confirmar, muda todo o cenário. Um atraso no plantio da soja compromete diretamente a janela da safrinha de milho”, afirma.

Apesar das incertezas, a expectativa inicial é de estabilidade na área destinada à soja, estimada em aproximadamente 450 mil hectares. No entanto, Frizzo destaca que a situação financeira dos produtores ainda pode influenciar as decisões até o início do plantio.

Segundo ele, houve aumento na oferta de áreas para arrendamento em Querência, reflexo das dificuldades enfrentadas principalmente pelos produtores que cultivam em terras arrendadas.

Além do clima, os custos elevados de produção e as restrições no acesso ao crédito continuam sendo desafios importantes para o planejamento da próxima safra.

Perspectiva para Mato Grosso

As perspectivas para o estado, porém, seguem positivas. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, Mato Grosso deve ampliar em cerca de 1,5% a área cultivada com soja, alcançando 13,18 milhões de hectares na safra 2026/27. O rendimento médio projetado é de 3.820 quilos por hectare.

No cenário nacional, a consultoria estima crescimento de aproximadamente 1,2% na área plantada, totalizando 49,107 milhões de hectares. A produção brasileira é projetada em 180,089 milhões de toneladas, acima das 178,3 milhões de toneladas da safra 2025/26, enquanto a produtividade média deve permanecer praticamente estável, em 3.686 quilos por hectare, o equivalente a 61,43 sacas por hectare.

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