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23 de julho de 2026

Business

Milho perde rentabilidade e soja pode sentir impacto na produtividade

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A queda no preço do milho e a disparada dos custos de produção começam a mudar o planejamento de produtores rurais em Mato Grosso. Em Jaciara, agricultores relatam dificuldade para fechar as contas mesmo diante de lavouras com boa produtividade e já projetam redução de investimentos para a próxima safra.

Nesta temporada, o agricultor Murilo Degaspari Fritsch cultivou 1,5 mil hectares de milho verão e outros 2,8 mil hectares de milho segunda safra. Segundo ele, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras desde o início do ciclo e o resultado deve ficar próximo ao registrado no ano passado.

O frio registrado nos últimos dias atrasou parte da colheita do milho verão, mas sem comprometer o potencial produtivo. Conforme Murilo, “o clima ajudou bastante desde o começo, bastante chuva, a lavoura se desenvolveu bem. Está bonito, está um resultado satisfatório a lavoura, o mesmo padrão do ano passado onde tivemos uma excelente produção”.

Apesar do bom desempenho no campo, a rentabilidade ficou comprometida. O produtor explica ao Patrulheiro Agro que o milho verão foi plantado com expectativa semelhante à de 2025, quando a saca chegou perto de R$ 80 na região de Jaciara.

milho colheita foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Preço baixo desanima produtor

Neste ano, porém, o cenário mudou. Murilo frisa que a saca gira entre R$ 42 e R$ 43, sem reação do mercado e com dificuldade de comercialização. “Tivemos essa surpresa. É um valor ruim e não tem comprador”.

Ele destaca que o custo do milho verão ficou elevado, próximo de R$ 5 mil por hectare, o que reduziu drasticamente a margem do produtor. “Milho há R$ 40 não paga a conta. Então para a próxima safra já desmotiva plantar o milho verão”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Dados do projeto CPA-MT, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e o Senar Mato Grosso, apontam que o custo do milho subiu 2,32% em abril e chegou a R$ 3.772 por hectare para a safra 2026/27.

Além da baixa rentabilidade, o aumento no preço dos fertilizantes amplia a preocupação para a próxima safra. O produtor relata que o fósforo praticamente dobrou de preço, enquanto o potássio e os nitrogenados seguem em forte alta.

Diante do cenário, ele afirma que a estratégia será economizar na soja e aproveitar a fertilidade já existente no solo. “Pensando na próxima safra de soja, devemos usar a reserva poupança que temos no solo e economizar, e torcer para o clima ser favorável também”.

Custos elevados pressionam manejo

O produtor rural Everton Jorge Schinoca afirma que a principal dificuldade hoje é encontrar alternativas para manter a atividade viável economicamente. Segundo ele, o produtor segue trabalhando, mas enfrenta dificuldades para fechar as contas.

Schinoca destaca que as usinas de etanol de milho ajudam a sustentar o mercado em Mato Grosso. “Se não fosse essas indústrias de etanol de milho o milho hoje valia R$ 12 reais”, comenta à reportagem.

Mesmo assim, o produtor avalia que o cenário para a próxima safra preocupa, principalmente pelo alto custo da adubação nitrogenada. Conforme Schinoca, retirar tecnologia do milho significa comprometer diretamente a produtividade. “A estratégia de manejo está difícil de encontrar para o milho, porque se você tira o nitrogenado dele você não produz”, enfatiza.

Ele calcula que hoje são necessárias entre 85 e 95 sacas por hectare apenas para cobrir os custos da próxima safra. Diante disso, acredita em redução significativa da área cultivada na propriedade. “O milho vai perder espaço dentro da nossa propriedade e não é pouco não na próxima safra”, diz.

A família Schinoca está prestes a iniciar a colheita de 1,4 mil hectares de milho segunda safra em Jaciara. O produtor pontua que as chuvas registradas recentemente evitaram perdas ainda maiores nas lavouras.

Ele estima redução de cerca de 10% na produtividade esperada após o período de estiagem. “Esse tempo de seca que deu estava no limite, prejudica a produtividade”, relata.

milho espiga foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Soja também entra no radar

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirma que muitos produtores plantaram milho fora da janela ideal por não terem outra alternativa após a compra antecipada de sementes e fertilizantes.

Ele frisa que a redução das chuvas em várias regiões aumenta ainda mais a preocupação com a rentabilidade do cereal, justamente em um momento em que o milho vinha sustentando parte das margens do produtor rural.

Beber também destaca os reflexos dos conflitos internacionais sobre o mercado de fertilizantes, principalmente envolvendo Rússia, Ucrânia e Irã, importantes fornecedores globais de insumos.

Diante do aumento nos custos, a tendência, segundo ele, é de redução no uso de tecnologia nas lavouras. “A tendência é o produtor o ano que vem, devido a esses altos custos, diminuir mesmo os adubos nitrogenados no milho e talvez trabalhar com menor tecnologia visando reduzir os custos para que ele consiga ter ainda uma rentabilidade razoável”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Para a soja, o custeio projetado da safra 2026/27 chega a R$ 4.286 por hectare, alta de 1,88% em relação ao mês anterior. O avanço foi puxado principalmente pelos fertilizantes e defensivos agrícolas, impactados pelas tensões no Oriente Médio e pelos reflexos no mercado internacional.

O levantamento aponta ainda que a soja precisará ser vendida a R$ 68,65 a saca para cobrir os custos da próxima safra, valor 8,42% acima do ponto de equilíbrio registrado no ciclo anterior.

Conforme Lucas Costa Beber, produtores já falam até em zerar parte do uso de fertilizantes diante da renda apertada dos últimos anos. “O produtor já por estar com a renda estrangulada já nos últimos anos ele tende a diminuir o máximo de tecnologia já que ele não vê perspectiva positiva no cenário atual”, finaliza.

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Rally da Safra projeta produção de 4,2 milhões de toneladas de algodão

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Foto: Jefferson Aleffe/Marca Comunicação

O Rally da Safra inicia, na próxima segunda-feira (27), a etapa dedicada ao algodão com equipes em campo para avaliar as condições das lavouras em Mato Grosso e Bahia durante a colheita da safra 2025/26.

Antes do início da expedição, a Agroconsult, organizadora do levantamento, estima que o Brasil deverá produzir 4,2 milhões de toneladas de pluma, volume 1,5% menor que o registrado na temporada anterior. A queda é atribuída principalmente à redução de 4,1% na área plantada, que passou para 2,12 milhões de hectares.

Apesar da diminuição da área, a expectativa é de que o bom desempenho das lavouras compense parte dessa perda. A produtividade média está estimada em 318 arrobas de algodão em caroço por hectare.

Equipes vão percorrer as principais regiões produtoras

Os trabalhos de campo começam pelo Oeste da Bahia, entre os dias 27 de julho e 1º de agosto, passando por municípios como Correntina, Roda Velha, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

Na sequência, entre 10 e 14 de agosto, as equipes visitarão o sudeste de Mato Grosso, com avaliações em Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde e Santo Antônio do Leste.

A última etapa será realizada entre 23 e 28 de agosto, no oeste e médio-norte mato-grossense, incluindo regiões como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sapezal e Campo Novo do Parecis.

Segundo a coordenadora técnica da etapa e sócia-diretora da Agroconsult, Heloisa Melo, o levantamento combina tecnologia e avaliações presenciais.

“Utilizamos uma metodologia que inclui o mapeamento por satélite para garantir a exatidão da área plantada e das áreas irrigadas, além do diagnóstico técnico em campo, com identificação das principais doenças, pragas e plantas daninhas.”

Após as visitas, uma nova análise por imagens de satélite será realizada em agosto para atualizar as projeções de produção e oferta. Os resultados finais serão apresentados durante o Congresso Brasileiro do Algodão, em 22 de setembro.

Mato Grosso deve produzir 2,9 milhões de toneladas

Maior produtor nacional, Mato Grosso concentra a maior redução de área nesta safra. As estimativas indicam retração de 6,5% na área cultivada, o que deve resultar em produção de 2,9 milhões de toneladas de pluma, queda de 5,6% em relação ao ciclo anterior.

Mesmo assim, a produtividade tende a crescer, passando de 315 para 318 arrobas por hectare.

A Agroconsult destaca que a região Médio-Norte ampliou sua participação e se consolidou como a maior área produtora de algodão do estado e do país. A exceção fica para a região Leste, onde a irregularidade das chuvas pode limitar o desempenho das lavouras.

Bahia deve ampliar produção mesmo com área estável

Na Bahia, a área plantada deve permanecer praticamente estável em 425 mil hectares. A redução das áreas de sequeiro será compensada pela expansão do cultivo irrigado.

Segundo Heloisa, essa mudança faz parte de uma nova dinâmica da cotonicultura baiana.

“A área irrigada já representa quase metade de toda a área plantada do estado, o que justifica o plantio mais tardio neste ciclo.”

Com isso, a produção estadual poderá crescer 10,6%, alcançando 882 mil toneladas de pluma, enquanto a produtividade média é estimada em 335 arrobas por hectare.

De acordo com a coordenadora, os primeiros talhões colhidos apresentam potencial para resultados acima das estimativas iniciais.

Déficit global pode dar sustentação aos preços

A Agroconsult também avalia que a safra brasileira será comercializada em um cenário de oferta mundial mais apertada entre agosto de 2026 e julho de 2027.

A projeção é de um déficit global de aproximadamente 600 mil toneladas de algodão, consequência da expectativa de menor produção em países como Austrália, Estados Unidos, China e Índia.

Problemas climáticos, como os impactos do El Niño sobre o plantio indiano e as preocupações com o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, ajudam a explicar esse cenário.

Na avaliação da consultoria, a menor oferta mundial tende a dar sustentação às cotações internacionais da fibra ao longo do próximo ciclo comercial.

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Cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista recebe Indicação Geográfica

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O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) concedeu nesta terça-feira (21) o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, para a cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista. O reconhecimento alcança nove municípios do interior de São Paulo e formaliza a identificação da região como área tradicional de produção da bebida.

A Indicação de Procedência abrange os municípios de Águas de Lindoia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindoia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP), prestou orientações técnicas aos produtores sobre os procedimentos ligados ao reconhecimento da IG e sobre a legislação aplicável à produção, ao registro, à inspeção e à fiscalização de bebidas.

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Na região, a produção de cachaça de alambique está associada ao turismo rural e ocorre, em sua maioria, em pequena escala, com presença de produtores de tradição familiar. Segundo o Inpi, os primeiros registros documentados da atividade local datam de 1929, quando Giuseppe Benedetti produziu a primeira cachaça registrada na região.

Atualmente, o Circuito das Águas Paulista reúne mais de 350 alambiques e produtores de cachaça. Além das práticas tradicionais, a bebida é associada a características da região, como solo, clima e disponibilidade de água. Em recente Concurso Paulista de Cachaça de Alambique, duas das três cachaças mais bem classificadas do estado foram produzidas no Circuito das Águas Paulista.

Em maio deste ano, a região também obteve o reconhecimento de Indicação Geográfica para o café. Com o novo registro, o estado de São Paulo passa a contar com 16 indicações geográficas reconhecidas, das quais 11 estão relacionadas a produtos do agronegócio.

Com o registro da cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista, a região amplia a lista de produtos reconhecidos por Indicação Geográfica no estado e reforça a presença de bens agroindustriais paulistas entre os ativos protegidos pelo sistema de propriedade industrial.

Fonte: gov.br

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Atualização do Sindesa interrompe emissão de GTAs por quatro dias em MT

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Foto: Sistema Famato/Reprodução

A atualização do sistema responsável pelo controle sanitário e pelo trânsito de animais em Mato Grosso vai provocar uma interrupção temporária na emissão de documentos essenciais para a pecuária. A paralisação do Sistema Integrado de Defesa Sanitária (Sindesa) ocorrerá entre as 18h de 6 de agosto e 9 de agosto, período em que produtores precisarão antecipar a emissão de GTAs para manter a programação de abates, reposição de rebanho e reprodução.

Além da emissão das guias, também ficarão fora do ar o Módulo do Produtor Rural e as consultas ao sistema. A interrupção deve afetar operações que dependem da documentação sanitária para o transporte de bovinos, aves, suínos e outras espécies.

Com a paralisação, produtores que têm movimentações programadas para o período precisam antecipar a emissão dos documentos. A recomendação vale principalmente para animais destinados ao abate, à reposição de rebanho e à reprodução.

Para reduzir os impactos da interrupção, as GTAs poderão ter o prazo de validade ampliado temporariamente para até 15 dias. A medida permitirá que os documentos sejam emitidos com maior antecedência em relação à data prevista para o transporte.

Emissão manual não será permitida para animais destinados ao abate

A antecipação, no entanto, será necessária porque não haverá emissão manual de GTAs para animais destinados ao abate durante o período de indisponibilidade. A restrição está relacionada às exigências de rastreabilidade e certificação sanitária.

A orientação é que produtores e empresas revisem a programação de movimentações e providenciem a documentação antes da paralisação. “A Famato junto ao Indea-MT reforça a importância de os produtores se organizarem com antecedência. A emissão das GTAs e dos demais documentos devem ser antecipada para que a paralisação temporária do sistema não comprometa a movimentação dos animais e a rotina das propriedades”, destaca o 2º vice-presidente e presidente da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti.

O impacto alcançará diferentes segmentos da produção pecuária. “Toda a cadeia pecuária que depende da emissão de GTA para o trânsito de animais será impactada durante esse período. Isso inclui bovinos destinados ao abate, aves, suínos e outras movimentações que utilizam o sistema”, explica o analista de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho. Segundo ele, o planejamento antecipado é necessário para evitar atrasos na programação.

Em situações excepcionais, como incêndios em propriedades rurais ou outras emergências que exijam a movimentação imediata de animais, será utilizado um plano de contingência com atendimento pelas unidades do Indea-MT.

Nova plataforma exigirá redefinição de senha

Após a conclusão da atualização, os usuários precisarão redefinir a senha no primeiro acesso ao Sindesa. A nova versão foi desenvolvida para ampliar a estabilidade e a capacidade de processamento do sistema.

A plataforma também terá mudanças na gestão do cadastro pecuário, no controle do trânsito animal e em outras atividades executadas pelo Serviço Veterinário Oficial. O histórico de informações sanitárias e cadastrais deverá ser preservado.

Para auxiliar os usuários na adaptação, serão disponibilizados materiais explicativos, vídeos e treinamentos sobre o funcionamento do novo sistema.


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