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9 de setembro de 2026

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Mauro Osaki: ‘Tempos difíceis estão por vir para equacionar a próxima safra’

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Custo de produção elevado, conflitos geopolíticos, risco climático, taxas de juros, risco de interrupção do fornecimento de suprimentos (insumos agrícolas), margem apertada, situação política no Brasil e dependência do mercado internacional pressionam a produção agrícola na próxima safra, segundo especialistas. Entretanto, em meio à tormenta oportunidades podem surgir à exemplo de culturas que exijam menos e até mesmo da biomassa, considerada uma poupança verde.

Os pontos de alerta para a próxima temporada no Brasil foram levantados durante o Fórum Técnico Mais Milho, realizado na manhã desta quinta-feira (28) em Água Boa, região leste de Mato Grosso. O evento integra a 10ª edição do projeto Mais Milho.

O Fórum em Água Boa debateu os impactos das tensões globais e dos custos de produção no mercado de grãos. O encontro reuniu analistas do Cepea/ESALQ e lideranças do setor no Sindicato Rural do município para avaliar como os conflitos internacionais e os gargalos logísticos afetam, principalmente, a rentabilidade do produtor de milho.

O debate trouxe uma análise estratégica sobre segurança alimentar, insumos e comércio exterior. E, de acordo com Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/ESALQ, hoje três pilares estão desestabilizando todos os agentes econômicos do mundo e não apenas do agronegócio: custo e oferta, logística e fricção comercial, como as taxações impostas pelos Estados Unidos e o protecionismo da União Europeia.

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“O que acontece no mercado internacional é transmitido aqui no nosso mercado doméstico”, disse Osaki. O especialista frisou ainda que “estamos em uma situação complicada em relação a um passado recente”, uma vez que hoje para comprar a mesma tonelada de MAP para a soja, por exemplo, o produtor precisa hoje de 55 sacas, enquanto em 2022 eram necessárias 45 sacas. No mesmo período, o milho saltou de 104 para 119 sacas.

Fórum Técnico Mais Milho Água Boa Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Safra incerta, agonia do produtor

Na avaliação do especialista do Cepea/ESALQ, a safra 2026/27 não está diferente dos ciclos passados. Conforme ele, hoje são dois pólos com conflitos (Rússia e Ucrânia e o Irã), além do protecionismo mundial e as taxações. “Agonia do produtor: safra incerta”.

Osaki salientou que em relação ao Custo Operacional Efetivo (COE) por hectare para o milho se está “no limite” para pagar, o que reduz ainda mais a margem de rentabilidade. Em números apresentados, usando o município de Sorriso como exemplo, enquanto na safra 2025/26 o COE foi de 67,4 sacas, para o ciclo 2026/27 o desembolso do produtor será de 69,6 sacas apenas com insumos.

“A produtividade média prevista para a safra 2026/27 é de 117,4 sacas e o Custo Total está em 149 sacas”, frisou.

Ainda de acordo com Osaki, as aberturas de novas usinas de etanol de milho, em especial no estado de Mato Grosso, sinalizam uma demanda aquecida pelo cereal no mercado brasileiro. As projeções apontam que na safra 2030/31 a participação do etanol de milho deverá ser de 42% no mercado do biocombustível. Contudo, os desafios ainda existem e neste caso é em torno dos carros elétricos, que hoje ocupam 5% da frota de veículos no país, enquanto a de carros flex 71%. Percentual, inclusive, inferior aos 88% observados em 2016.

“Tempos difíceis. Conflitos geopolíticos e essas novas tendências de barreiras técnicas que nós estamos vivendo podem ser uma novidade e isso pode ser que comece a mudar um pouco o curso do mercado e nós temos que estar preparados para isso”, aconselha o pesquisador.

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Dependência do mercado internacional

A dependência do mercado internacional foi outro ponto levantado durante o Fórum Técnico Mais Milho, principalmente quanto à liberação de biotecnologia.

Glauber Silveira, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), afirmou que o “o momento é muito complicado”, pois não é apenas um “problema complicado interno”.

“A gente pensa que vai melhorar, vai diminuir e soltam mais uma bomba, mais complicação. Estamos com essas guerras aí, mas quais serão as próximas?”, questionou. Ele completou ainda que “querendo ou não você tem uma tensão mundial muito severa. Eu acho que o grande problema do Brasil hoje é depender do mercado internacional. Nós não temos fertilizantes. Não produzimos nada de fertilizantes”.

O diretor da Abramilho ainda alertou outro ponto que é pouco pensado pelo setor produtivo: a questão dos defensivos agrícolas. “O produtor ainda não se tocou da bucha que está vindo. A China está segurando moléculas e vamos ter mais um cenário”.

Ele salientou ainda que a entidade está sempre alerta e em contato com a bancada federal em busca de soluções para mitigar a atual situação da produção nacional. “A grande preocupação da Abramilho é que todos os dias estamos apagando incêndio. O cenário é muito complicado porque não depende só de Brasília, depende do internacional. O produtor brasileiro tem que tomar o modelo de gestão do produtor dos Estados Unidos que tem voz”.

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Fórum Técnico Mais Milho Água Boa Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Cautela e desafios podem virar oportunidades

“Crises sempre terão e é claro que essa é mais uma de uma forma bastante dura”, disse o presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Geraldo Delai. Para ele o momento é de se fazer cálculos e ter as contas em mãos para poder fazer uma opção mais assertiva no momento de plantar o ciclo 2026/27 e “não se arriscar como normalmente se faz”.

“Acredito que se você diminui o risco, você começa a melhorar a sua oportunidade. Então acho que é por aí que devemos fazer. É um momento de contermos os nossos ânimos. É claro que para a nossa região isso é muito ruim, pois quando você diminui o seu investimento, você diminui toda a área comercial da cidade. Então esse é o grande desafio para o produtor rural nesse momento”.

Presidente da comissão de cereais, fibras e oleaginosas da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e produtor rural em Nova Xavantina, Endrigo Dalcin, também lembrou entre os desafios atuais a questão do crédito e as questões climáticas, em meio a um El Niño.

Assim como o presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Dalcin reforçou a necessidade da cautela entre os produtores. “É um momento em que não devemos fazer investimentos e sobreviver a esse ano político que está na porta”.

De acordo com Mauro Osaki, apesar dos problemas vividos hoje há muitas oportunidades para o produtor rural. “O momento traz agora uma realidade que a gente não deveria ter perdido. A euforia trouxe para nós algumas decisões equivocadas. O produtor tem sempre que estar com o pé no chão para tomar decisões. As oportunidades estão aparecendo e temos que olhar para elas”.

Entre as oportunidades citadas pelos participantes do Fórum Técnico Mais Milho está a produção de sorgo na segunda safra, em especial na região leste de Mato Grosso pela sua característica climática.

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Outro ponto de oportunidade é a produção de biomassa, considerada uma poupança verde, onde se poderia usar as áreas marginais das propriedades para extrair uma fonte de renda extra de longo prazo.

“São oportunidades de você mitigar o risco. Então, dadas essas oportunidades, a gente só precisa sair dessa zona de conforto de soja e milho. As oportunidades estão aparecendo. É sentar, ter cautela e ver aquilo que vai usar menos recursos”, concluiu Mauro Osaki.

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CNA defende critérios alinhados ao Brasil em conferência global da soja

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levou à Conferência da Round Table on Responsible Soy (RTRS) 2026 a defesa de que os critérios internacionais de sustentabilidade para a soja considerem os instrumentos previstos na legislação brasileira. O tema foi discutido nos dias 3 e 4 de setembro, em Amsterdã, na Holanda, durante encontro que reuniu representantes de diferentes elos da cadeia global da oleaginosa.

O presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Endrigo Dalcin, participou do painel “Datas de Corte em um panorama de sustentabilidade em evolução”. A discussão abordou critérios adotados por legislações, padrões de sustentabilidade e compromissos voluntários.

Segundo Dalcin, o aumento no número de exigências eleva a complexidade para produtores e empresas inseridos nas cadeias internacionais de fornecimento. “Mais uma data de corte é ruim para o setor”, afirmou.

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Na avaliação apresentada no debate, a discussão sobre sustentabilidade precisa considerar o conjunto de instrumentos existentes no Brasil. Dalcin citou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) como mecanismos relevantes para a adequação ambiental das propriedades rurais.

Ele também destacou avanços na análise dos cadastros, com a incorporação de inteligência artificial por meio do CAR 2.0. Para o representante da CNA, os critérios internacionais devem dialogar com os instrumentos previstos na legislação brasileira e com os mecanismos de regularização das propriedades.

Durante o painel, Dalcin mencionou práticas adotadas por produtores brasileiros, como o uso crescente de insumos biológicos, a adoção de tecnologias no manejo e a busca por maior produtividade. “A produção brasileira deve ser apresentada no cenário internacional considerando o conjunto dessas práticas. Temos que mostrar para o mundo que produzimos uma soja muito sustentável”, disse.

A Conferência RTRS 2026 também discutiu novas exigências do comércio internacional e mecanismos para ampliar a rastreabilidade da soja ao longo da cadeia. A programação incluiu ainda temas como carbono, agricultura regenerativa, inteligência artificial e novas tecnologias aplicadas às cadeias de suprimentos.

A participação da CNA na conferência concentrou-se na defesa de critérios de sustentabilidade e rastreabilidade que considerem os instrumentos legais e tecnológicos já adotados no Brasil para a produção de soja.

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Fonte: cnabrasil.org.br

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Agro Mato Grosso

Com colheita acima de 97%, ritmo do algodão em MT supera média dos últimos cinco anos

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A colheita do algodão em Mato Grosso chegou a 97,30% da área plantada até 4 de setembro, em um ritmo superior à média dos últimos cinco anos (95,24%) e ao registrado na safra passada (92,23%). Em apenas uma semana, o avanço foi de 8,64 pontos percentuais, impulsionado pela conclusão dos trabalhos em diversas propriedades do Estado.

O Noroeste e o Médio-Norte apresentam os melhores índices de produtividade nesta reta final, de acordo com o levantamento de campo do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), ligado à Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em parceria com o Imea. O desempenho dessas duas regiões contribuiu para sustentar os bons resultados estaduais, apesar das diferenças observadas entre os polos produtores.

Nas usinas, o beneficiamento da fibra também avança em ritmo acelerado. O algodão processado mantém padrão comercial competitivo, sem grandes prejuízos à qualidade, embora tenham sido registrados casos pontuais de pluma manchada.

Com a colheita na fase final, a Ampa orienta os produtores a concentrarem os esforços no manejo de pós-colheita. Entre as prioridades estão a retirada dos fardos das lavouras, a eliminação das soqueiras para reduzir a presença do bicudo-do-algodoeiro e o preparo do solo para a próxima safra.

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Cota chinesa e sobretaxa de 55% fazem exportações de carne de MT recuarem 11,75%

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Foto: Sistema Famato/Reprodução

A redução das compras chinesas mudou o ritmo das exportações de carne bovina de Mato Grosso em agosto. Os embarques do estado somaram 72,30 mil toneladas equivalente carcaça (TEC), volume 11,75% menor que o registrado em julho, em um cenário marcado pelo atingimento da cota chinesa e pela cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes excedentes.

A China é o principal destino da carne bovina mato-grossense e foi justamente o mercado que apresentou a maior retração no período. Em agosto, os embarques para o país totalizaram 8,04 mil TEC, uma queda de 75,56% em relação ao mês anterior.

Com a entrada dos volumes excedentes na faixa sujeita à sobretaxa, o produto brasileiro perde competitividade no mercado chinês. O efeito aparece diretamente nos números de agosto e reduz a participação do país nas exportações mato-grossenses.

O recuo, porém, não ocorre de forma generalizada entre os compradores. Os demais destinos avançaram 31,11% ante julho, movimento que ajuda a limitar o impacto provocado pela queda das vendas para a China.

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Rússia, Filipinas e EUA ampliam compras

Entre os mercados que aumentaram os embarques, a Rússia aparece com a maior expansão, de 80,62% em agosto ante julho. As Filipinas também registram crescimento expressivo, de 57,11%, enquanto os Estados Unidos ampliam as compras em 55,23%.

O avanço desses destinos, conforme análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ganha importância justamente no momento em que o principal mercado da carne bovina mato-grossense reduz os volumes adquiridos. A movimentação ajuda a redistribuir parte dos embarques e diminui o efeito da retração chinesa sobre o resultado total do estado.

Para os próximos meses, entretanto, o cenário ainda exige atenção, ressalta o Instituto. A suspensão das compras pela União Europeia acrescenta outro fator de preocupação para o setor, especialmente pela importância do bloco na diversificação dos destinos e pela melhor remuneração proporcionada por esse mercado.

Na direção oposta, os Estados Unidos podem assumir uma participação maior nas exportações. A ampliação temporária da cota de carne bovina isenta da tarifa adicional abre espaço para o país absorver parte dos embarques nacionais.

O movimento dos mercados nos próximos meses, portanto, deve ser acompanhado de perto pelo setor. Com restrições na China e a suspensão das compras pela União Europeia, o avanço de destinos como Rússia, Filipinas e Estados Unidos passa a ter peso maior na composição das exportações de carne bovina de Mato Grosso.

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Agro MT