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Fim da colheita do arroz provoca redução das negociações e pressiona preços, diz Cepea

A colheita da safra 2025/26 do arroz chegou ao fim no Rio Grande do Sul. Muito por conta disso, a baixa liquidez vem marcando o mês de maio no mercado. Com a atenção dos produtores voltadas para a comercialização e menos para o campo, vive-se uma expectativa para os próximos passos.
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De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), estratégias dos produtores tem sido construídas de diversas formas. Parte dos orizicultores tentam ampliar a oferta para gerar caixa e cumprir compromisso de curto prazo, enquanto outros, seguem retraídos, com a avaliação de que as cotações atuais não são suficientes frente aos custos.
Compradores do cereal também atuam com cautela. O Cepea relata que mesmo com o interesse na aquisição, as ofertas ainda tem sido feitas com valores mais baixos, visto o baixo desempenho nas vendas de arroz.
Outro fator que influencia, é o fato de parte das empresas estarem priorizando a compra de produtos já armazenados em suas unidades.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Mercado de biológicos cresce, mas guerra de preços desafia empresas, diz consultoria

O mercado latino-americano de produtos biológicos para a agricultura entra em uma nova etapa de maturidade após anos de expansão acelerada. O crescimento permanece consistente, mas a simples presença em um segmento em expansão já não garante rentabilidade.
Essa é uma das principais conclusões da DunhamTrimmer em seu panorama “Biological Market Overview & Future Trends”, que será apresentado pelo presidente e fundador da consultoria internacional, Mark Trimmer, no evento Biocontrol Latam 2026, no dia 27 de julho, em Campinas, São Paulo.
Em um ambiente marcado por maior concorrência, pressão sobre preços e consolidação empresarial, companhias que oferecem soluções diferenciadas e conseguem comunicar claramente seu valor tendem a conquistar espaço.
O estudo da DunhamTrimmer mostra que a América Latina continua sendo uma das regiões mais estratégicas para os insumos biológicos no mundo, embora o ritmo de expansão tenha mudado significativamente, sobretudo no Brasil.
Segundo a consultoria, o Brasil continua concentrando a maior parcela do mercado latino-americano de biocontrole, impulsionado pela rápida adoção dos produtos em grandes culturas. Entretanto, o ingresso de centenas de novas empresas e produtos provocou forte aumento da competição, reduzindo preços e desacelerando o crescimento em valor, mesmo com a área tratada continuando em expansão.
Registros ativos de biológicos
Os números ajudam a explicar esse cenário. Atualmente existem 859 registros ativos de biopesticidas no Brasil, dos quais 826 correspondem a produtos microbianos. Mais da metade desses registros foi concedida desde 2022, incluindo 175 novos registros apenas em 2025. A consequência direta foi uma intensa disputa comercial, especialmente nos segmentos de bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas.
Para a DunhamTrimmer, o mercado brasileiro deixou de ser caracterizado apenas pelo rápido crescimento e passou a ser definido pela necessidade de diferenciação. A consultoria observa que as notícias mais recentes sobre o setor já não destacam apenas a expansão da demanda, mas concentram-se na competição crescente, na guerra de preços e na busca por modelos de negócios rentáveis.
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Ao mesmo tempo, outros mercados latino-americanos ganham protagonismo. O Peru desponta como o mercado de biocontrole com crescimento mais acelerado da região, impulsionado pela expansão das culturas de exportação e pela necessidade de reduzir resíduos de pesticidas em frutas frescas.
A Colômbia também apresenta forte avanço, especialmente em culturas tropicais e ornamentais, com projeções superiores a 8% ao ano e expectativa de superar US$ 100 milhões até 2032.
Nos bioestimulantes, a América Latina mantém a posição de região de maior crescimento mundial, com taxa anual próxima de 12%. O Brasil responde por mais da metade desse mercado, enquanto Peru, Colômbia e Equador ampliam rapidamente sua participação impulsionados pelas culturas de alto valor agregado.
Apesar do ambiente mais competitivo, a consultoria sustenta que as oportunidades permanecem significativas. A diferença é que elas passarão a favorecer empresas capazes de oferecer valor além do produto.
“O mercado já não pergunta se continuará crescendo, mas quem capturará esse crescimento”, destaca Mark Trimmer. Segundo a análise, a inovação tecnológica, isoladamente, deixou de ser suficiente. A vantagem competitiva passa a depender da capacidade de entregar desempenho consistente no campo, integrar os biológicos ao sistema produtivo existente e executar uma estratégia comercial eficiente.
Outro ponto enfatizado é que os agricultores administram um conjunto cada vez mais complexo de tecnologias. Nesse contexto, compatibilidade entre produtos, facilidade de uso, validação local, assistência técnica e integração com defensivos químicos e fertilizantes tornam-se fatores decisivos para adoção comercial.
A eficácia biológica continua essencial, mas, segundo a DunhamTrimmer, já não basta para garantir sucesso de mercado. A consultoria também alerta que fatores externos devem continuar pressionando a rentabilidade do setor.
Tensões comerciais internacionais, conflitos geopolíticos, custos elevados de fertilizantes, restrição de crédito no canal de distribuição e possíveis impactos de um novo episódio intenso de El Niño poderão influenciar as decisões de investimento dos produtores nos próximos anos.
Nesse ambiente, fabricantes precisarão adaptar produtos às condições específicas da agricultura latino-americana, desenvolver parcerias locais, integrar soluções biológicas aos programas convencionais de manejo e compreender as particularidades operacionais de cada mercado.
Navegando os desafios do mercado
A nova realidade do setor será um dos principais temas em debate durante o Biocontrol Latam 2026, um dos mais importantes encontros da indústria de biocontrole e produtos biológicos da América Latina.
Em vez de apenas apresentar números de mercado, a DunhamTrimmer utilizará o evento para discutir como as empresas podem competir em um cenário de maior maturidade e pressão sobre margens.
No dia 28 de julho, Ignacio Moyano, vice president of Business Development Latam da consultoria e especialista com ampla experiência no mercado latino-americano, moderará o painel “Navegando os desafios do mercado: diferenciação, inovação e resiliência em um panorama agroempresarial competitivo”.
A discussão reunirá executivos da Simbiose, BioConsortia, Koppert Brasil, Veganic e Invasive Species Corporation para analisar os principais desafios estratégicos da indústria, incluindo diferenciação sustentável, inovação, consolidação do mercado, rentabilidade e preparação para o próximo ciclo de crescimento.
As quatro questões centrais propostas por Moyano sintetizam a mudança de paradigma vivida pelo setor: identificar o principal desafio atual da indústria, compreender o que realmente diferencia uma empresa em um mercado saturado, discutir como construir negócios mais resilientes diante da pressão sobre margens e avaliar quais transformações terão maior impacto sobre os biológicos nos próximos cinco anos.
Serviço
O que: Biocontrol Latam 2026
Quando: Workshops 27 de julho de 2026/ Conferência e Exposição: 28 e 29 de julho
Onde: Royal Palm Hall, Campinas, São Paulo (Av. Monsenhor Luís Fernandes de Abreu, 311 – Jardim do Lago Continuação, Campinas – SP)
Para se inscrever, clique aqui
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Novo tarifaço dos EUA entra em vigor; estimativas apontam impacto de R$ 4,6 bi no agro

Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.
A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
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O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.
Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.
Assimetria regional e pressão sobre contratos
O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.
Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.
Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.
Principais focos de atenção no campo
Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:
- Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
- Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
- Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
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Selo criado em Sorriso é reconhecido pelo Mapa e amplia visibilidade de produtores

Um projeto de certificação voltado à agricultura familiar, criado em Sorriso, foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso passou a integrar o Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas da pasta do governo federal. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de julho.
Desenvolvido pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), o projeto acompanha 17 agricultores familiares de Sorriso, Vera e Boa Esperança do Norte. A certificação considera critérios como gestão da propriedade, regularização documental, planejamento produtivo, boas práticas agrícolas, segurança alimentar e responsabilidade ambiental.
O reconhecimento nacional ocorre após quase dois anos de execução da iniciativa. Nesse período, o projeto passou a acompanhar 164 hectares, sendo 103 hectares destinados à produção.
Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, a decisão valida o trabalho desenvolvido com os agricultores. “O reconhecimento do Ministério da Agricultura representa a validação de um trabalho construído com muita seriedade, dedicação e compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar”.
Certificação avalia práticas adotadas no campo
Para receber o selo, os agricultores precisam atender a 27 critérios técnicos. A avaliação inclui documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de aspectos relacionados ao uso de insumos, gestão de riscos, higiene e preservação ambiental.
Entre as práticas avaliadas estão a separação de resíduos e a compostagem de restos da cozinha e de resíduos agrícolas. “Os critérios de responsabilidade ambiental envolvem ainda ações como separação de resíduos, compostagem doméstica (com restos da cozinha) e compostagem em leiras, que transformam resíduos agrícolas em adubo reutilizável”, explica a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa.
A certificação também prevê a identificação da origem dos produtos por meio de um QR Code. O consumidor pode acessar informações sobre o agricultor, a propriedade e o sistema de produção.
O projeto é o segundo da associação reconhecido pelo Mapa. Em outubro do ano passado, o CAT Sorriso recebeu o reconhecimento pelo projeto Gente que Produz e Preserva, voltado a agricultores que produzem soja certificada pelo padrão internacional RTRS.
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