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9 de julho de 2026

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Feijão entra em fase de volatilidade extrema e baixa previsibilidade

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro do feijão atravessa um momento raro de convergência altista entre fundamentos estruturais, risco climático e forte deterioração da oferta disponível.

Contudo, a atual escalada de preços não nasce de um único fator isolado, mas sim da soma entre redução contundente de área, atraso de colheita, quebra qualitativa, estoques apertados, dificuldades logísticas e um ambiente climático extremamente adverso para uma cultura reconhecidamente sensível.

O resultado é um mercado físico em evidente estado de estresse. O produto superior praticamente desapareceu, enquanto compradores operam sob forte pressão de reposição. Mesmo com liquidez mínima, os preços seguem renovando máximas, num ambiente em que poucos negócios acabam redefinindo toda a referência de mercado.

Mais do que um aperto quantitativo, o feijão vive hoje um aperto qualitativo. E talvez este seja o principal diferencial deste ciclo.

O avanço dos preços do feijão carioca já pode ser classificado como um dos movimentos mais agressivos dos últimos anos. No FOB, o interior paulista passou a testar R$ 500, enquanto o noroeste mineiro trabalha próximo de R$ 470.

Velocidade de valorização

O dado mais importante, porém, talvez não seja apenas o preço absoluto, mas a velocidade da valorização. Em poucas semanas, o mercado saiu de uma faixa considerada relativamente confortável para um ambiente de disputa intensa por mercadoria pronta.

Historicamente, movimentos dessa magnitude costumam ocorrer quando o mercado percebe risco concreto de desabastecimento relativo entre safras. E este parece ser exatamente o caso atual.

O Paraná, principal origem da segunda safra, sofreu uma redução extremamente severa de área. A segunda safra paranaense perdeu cerca de 24% da área total, enquanto algumas leituras do mercado apontam retrações ainda mais expressivas nas áreas efetivamente comerciais de feijão superior. Na primeira safra, a queda ultrapassou 32% no estado.

Em termos nacionais, o Brasil também recuou área tanto na primeira quanto na segunda safra, reduzindo ainda mais a margem de segurança do abastecimento interno. O agravante é que o ganho de produtividade não foi suficiente para compensar a perda estrutural de área. O clima transformou um mercado ajustado em um mercado explosivo.

Até o início de maio, o mercado já operava firme. Mas a sequência climática ocorrida no Sul do país alterou completamente a percepção de risco. As geadas registradas na primeira quinzena de maio no Paraná funcionaram como um gatilho psicológico e fundamentalista ao mesmo tempo. Regiões importantes para a segunda safra, como Campos Gerais, sudoeste e áreas de baixada, registraram temperaturas próximas de zero, além de episódios de congelamento superficial e paralisação metabólica das plantas.

O problema não está apenas na possibilidade de quebra de produtividade. O mercado teme principalmente a deterioração da qualidade física do grão. No feijão, qualidade vale prêmio. E neste momento, vale muito prêmio.

A sequência de frio intenso seguida por umidade e chuvas elevou o temor sobre perda de peneira, escurecimento precoce, manchamento, abortamento de flores, redução de peso e maior incidência de defeitos visuais.

O feijão de escurecimento lento virou praticamente uma categoria rara dentro do mercado brasileiro. A estabilidade visual passou a ser um fator central de precificação, principalmente para empacotadoras e grandes marcas.

Se o Paraná já preocupa pela quebra estrutural de área e pelo risco climático, Minas Gerais deixou de ser a válvula de escape esperada pelo mercado. O excesso de chuvas no início do ano comprometeu a janela ideal de plantio da safrinha mineira, atrasou o desenvolvimento das lavouras e reduziu o potencial produtivo em diversas regiões.

Além disso, boa parte do volume produzido permanece dentro do próprio estado para abastecimento regional, reduzindo ainda mais a disponibilidade interestadual. O mercado, portanto, perdeu simultaneamente duas importantes origens de alívio.

Durante boa parte do primeiro trimestre, o feijão preto operou relativamente pressionado diante da forte valorização do carioca. Porém, a diferença excessiva entre os dois mercados acabou acelerando o efeito substituição. E o mercado percebeu isso rapidamente.

Feijão preto ganhou tração

Com o consumidor buscando alternativas mais acessíveis, o feijão preto ganhou tração no varejo e começou a reduzir estoques de maneira acelerada. O que inicialmente parecia apenas um movimento de migração temporária começa agora a assumir características estruturais.

No FOB, o interior paulista já rompeu R$ 260 por saca. O Paraná já trabalha com negócios acima de R$ 250, enquanto pedidas já chegam a R$ 300. Santa Catarina também entrou em forte valorização, buscando os R$ 240 por saca.

A questão mais relevante é que o feijão preto possui elevada dependência produtiva justamente das regiões que sofreram cortes de área e eventos climáticos recentes. Ou seja: o mercado começa a precificar não apenas a escassez atual, mas principalmente o risco de escassez futura.

Mesmo com preços historicamente elevados, não existe pressão real de venda. A indústria segue comprando apenas necessidades imediatas, numa estratégia defensiva clássica de mercado travado. Isso reduz liquidez, mas aumenta perigosamente a sensibilidade do mercado. Em ambientes assim, qualquer problema climático adicional, atraso logístico ou ausência pontual de lotes superiores pode provocar novas disparadas.

Ao mesmo tempo, o varejo começa a testar seus próprios limites. A grande dúvida do setor passa a ser a elasticidade do consumo. Até que ponto o consumidor conseguirá absorver um feijão carioca premium trabalhando próximo ou acima de R$ 10 por quilo na gôndola?

Essa talvez seja hoje a principal trava para movimentos ainda mais agressivos. A terceira safra deixou de ser complementar e virou estratégica. Outro ponto extremamente importante é a mudança estrutural de importância da terceira safra 2025/26. Historicamente vista como complementar, ela passa agora a assumir papel central no abastecimento brasileiro do segundo semestre.

Com produção potencial próxima de 700 mil toneladas, qualquer problema climático nessa etapa pode alterar completamente o equilíbrio nacional de oferta e demanda. E o mercado sabe disso!

As preocupações envolvendo possível consolidação de El Niño e excesso de umidade no Sul ampliam ainda mais o grau de incerteza para arroz e feijão irrigado. Neste momento, o mercado trabalha praticamente no curtíssimo prazo, avaliando semana a semana o avanço da colheita, qualidade física, comportamento do varejo, intensidade das geadas, capacidade de repasse, reposição da indústria, evolução do consumo e formação dos estoques.

Embora o ambiente seja claramente altista, também é importante evitar leituras simplistas ou excessivamente emocionais. Mercados de feijão historicamente possuem forte componente psicológico e elevada volatilidade. Movimentos abruptos de alta podem ser seguidos por períodos de travamento comercial, redução de liquidez e acomodação temporária do consumo.

Além disso, preços excessivamente elevados acabam incentivando: substituição alimentar; migração entre padrões; retração do varejo; postergação de compras; maior seletividade das empacotadoras. Ou seja, o mercado também começa a enfrentar seus próprios limites naturais de sustentação.

Ainda assim, olhando os fundamentos atuais, é difícil enxergar uma reversão consistente no curto prazo enquanto persistirem: oferta física extremamente curta; baixa disponibilidade de produto superior; cortes relevantes de área; risco climático elevado; estoques apertados; atraso de colheita e retenção por parte do produtor.

Mudança de lógica

O feijão brasileiro deixou de operar apenas sob lógica de sazonalidade e passou a trabalhar sob lógica de escassez estratégica. O que está em jogo agora não é apenas quantidade, mas principalmente qualidade, regularidade de abastecimento e capacidade de reposição.

O mercado entra nos próximos meses extremamente dependente da evolução climática, da consolidação da terceira safra e da resistência do consumo diante dos preços atuais. No curto prazo, o viés ainda permanece firme, principalmente para lotes superiores. O feijão preto também parece ter mudado definitivamente de patamar, deixando para trás o papel secundário observado em outros ciclos.

A grande questão daqui para frente será entender se o mercado conseguirá sustentar preços historicamente elevados sem destruir demanda em velocidade suficiente para provocar acomodação. Até lá, o setor continuará operando em um ambiente de elevada sensibilidade, baixa margem de erro e volatilidade extrema — exatamente o tipo de cenário em que poucos lotes disponíveis acabam definindo todo o mercado.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Operações de barter precisarão se adaptar ao uso de novo código fiscal; entenda

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Foto: Pixabay

A Reforma Tributária não vai alterar apenas a forma como o produtor rural recolhe impostos, mas também a dinâmica de compra, venda, investimentos e gestão tributária dentro da propriedade.

Nessa esfera, também serão impactadas as operações de barter. O sócio da área tributária do Santos Neto Advogados, Henrique Erbolato, chama atenção para a entrada em vigor, no dia 3 de agosto, do uso da finalidade “6 – Nota de débito”, inclusa no texto da Reforma, nas notas fiscais emitidas pelas empresas que recebem o pagamento antes de entregar a mercadoria.

Hoje, o barter funciona como uma forma de financiamento em que o produtor garante insumos sem desembolso imediato de valores e o fornecedor assegura recebimento em grãos, reduzindo exposição da mercadoria ao risco de preço.

Até agora essas operações tinham natureza financeira e de garantia comercial, sem a imediata ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) ou do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que ficava para o momento da efetiva circulação/saída da mercadoria.

Segundo o advogado, essa medida não cria um novo documento fiscal, mas sim uma parametrização obrigatória nas notas já existentes. “Quando essa operação é analisada sob a ótica das novas regras, identificam-se desafios operacionais e econômicos. De imediato, enxergo dois pontos: o caráter de função rastreadora que a mudança traz e a quebra da Neutralidade do Adiantamento”, diz.

De acordo com ele, o objetivo principal dessa alteração é preparar o ecossistema do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e a plataforma de arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) para o modelo de tributação que entrará em vigor a partir de 2027.

“Além disso, a partir do próximo ano, o recebimento antecipado de valores deixará de ser neutro. O IBS e CBS passarão a incidir já na data do recebimento financeiro, deslocando a carga tributária para o início do ciclo comercial”, detalha Erbolato.

Para o advogado, existem outros impactos diretos na tributação do produtor:

  • Fluxo de Caixa: essa inversão altera profundamente o capital de giro das empresas, afetando tanto o vendedor, que recolhe imposto antes da entrega, quanto o comprador, que pode ter dificuldades no aproveitamento de créditos.
  • Operações de barter em risco: com a nova regra, operações fechadas em 2026 e liquidadas em 2027 estarão sujeitas a regimes distintos, exigindo cláusulas contratuais de reajuste e rateio de ônus tributário.
  • Complexidade na antecipação de recebíveis: empresas de insumos que antecipam recebíveis para obter liquidez enfrentarão maior custo financeiro, já que o imposto incidirá antes da entrega física da produção, aumentando o deságio desses títulos.
  • Risco de travamento de créditos: erros na emissão da nota com finalidade “6” ou inconsistências contratuais podem impedir o aproveitamento de créditos, gerando passivos expressivos e travando o fluxo de operações no setor.

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Queda na importação de fertilizantes é oportunidade à indústria nacional, diz StoneX

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Foto: Daniel Popov/Canal Rural

As importações das principais matérias-primas de fertilizantes recuaram 8,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento da consultoria StoneX.

Em 2025, o Brasil adquiriu de fora 45,5 milhões de toneladas do insumo, o maior volume da série, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A retração nos primeiros seis meses do ano foi puxada por produtos essenciais à nutrição das lavouras. As compras externas de ureia caíram 32% no período, enquanto o MAP (Fosfato Monoâmonico) decaiu 24% e o nitrato de amônio e o enxofre registraram quedas de 42% cada.

Na contramão, o cloreto de potássio e o TSP avançou, com a migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP (Fosfato Diamônico) no mercado internacional.

Para a StoneX, esse movimento reflete a cautela dos compradores diante das incertezas no cenário internacional e de relações de troca entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, o que tem levado produtores e importadores a postergar negociações.

Contudo, a consultoria lembra que janela logística se estreita, já que, historicamente, a maior parte das compras de fosfatados ocorre entre abril e agosto, para garantir a disponibilidade no plantio da safra de verão, enquanto o pico de aquisição dos nitrogenados se estende de junho a dezembro, com foco na segunda safra.

Fragilidade estrutural

O cenário atual dos fertilizantes expõe a fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro, visto que o país compra de fora mais de 85% do insumo que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), sendo, atualmente, o maior importador do mundo.

Ao mesmo tempo, de acordo com a Conab, os fertilizantes representaram, em média, 23% dos custos totais nas culturas de soja, milho e algodão. Já em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calcula que a oleaginosa deve responder por 46,7% do custeio na safra 2026/27.

Diante desse quadro, a StoneX pontua que o setor pode estar passando por uma das maiores oportunidades da história no fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes.

A produção brasileira passa a ganhar relevância estratégica em duas frentes: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê que cerca de 50% da demanda interna de fertilizantes seja atendida pela indústria doméstica até 2050, com movimentos já em curso, como a retomada de fábricas de nitrogenados.

No curto prazo, o segmento de fertilizantes líquidos, foliares e produtos para fertirrigação já oferece resposta imediata: o setor faturou R$ 26,9 bilhões em 2024, alta de 18,9% sobre o ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), com destaque para o crescimento de 23,2% dos foliares e de 36,1% dos produtos via fertirrigação e hidroponia.

No cenário nacional, o estado de Minas Gerais concentra cerca de 70% das reservas nacionais de potássio, abrigando a maior mina em operação no Brasil, em São Gotardo, no Triângulo Mineiro. A capacidade produtiva atual, de 3 milhões de toneladas por ano, tem planos de expansão que podem chegar a 23 milhões e, posteriormente, a 50 milhões de toneladas anuais, quase o equivalente ao consumo total do país, hoje em torno de 60 milhões de toneladas.

O especialista em fertilizantes Fellipe Parreira, da GiroAgro, uma das únicas empresas de fertilizantes de capital 100% nacional, acredita que é necessária uma abordagem integrada, com mais jazidas nacionais e validação científica para mitigar riscos geopolíticos sem comprometer yields recordes.

Para ele, o momento exige maior planejamento dentro de um contexto de uma indústria nacional de nutrição vegetal que cresce dois dígitos ao ano e oferece ao agricultor alternativas produzidas no país, com menor exposição cambial e logística mais previsível.

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Agro Mato Grosso

Como Campo Verde se tornou o maior polo têxtil de Mato Grosso

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