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19 de maio de 2026

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Tratar a doença, não os sintomas: O que falta para o Brasil governar o próprio futuro

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Brasil padece de uma cegueira estratégica crônica. Somos uma potência continental por natureza e uma promessa adiada por escolha política. Dispomos de segurança alimentar garantida o ano todo, matriz energética invejável, vastas reservas de petróleo e os minerais críticos e terras raras que o mundo disputa para a transição tecnológica.

Ainda assim, patinamos em taxas de crescimento medíocres, juros escorchantes e uma concentração de renda que sufoca o mercado interno. Por que um país que tem tudo continua sem entregar o básico?

“O debate econômico em Brasília se resume a uma eterna e ineficiente redistribuição de fatias de um bolo que não cresce.”

A resposta está na incapacidade do nosso Executivo e do nosso Legislativo de diferenciarem a causa da consequência. O debate econômico em Brasília se resume a uma eterna e ineficiente redistribuição de fatias de um bolo que não cresce.

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De um lado, criam-se puxadinhos tributários, isenções fiscais para setores corporativos amigos e subsídios temporários. Do outro, aumenta-se a carga de impostos sobre quem produz e consome para fechar as contas de um Estado que gasta mal. Essas medidas são placebos. Tratam os efeitos colaterais de uma doença estrutural, mas mantêm o paciente na UTI.

O X da questão reside na governança e na qualidade do nosso debate público. Enquanto o Parlamento for dominado pelo populismo de engajamento, onde fenômenos de votos vazios de conteúdo orgulham-se de não saber o que faz um deputado, as reformas de base serão preteridas por pautas de curtíssimo prazo e forte apelo digital.

O voto folclórico custa caro. Ele cobra o seu preço na ausência de projetos de Estado e na incapacidade de planejar o país para as próximas décadas, limitando o horizonte nacional ao próximo ciclo eleitoral.

“Atacar a raiz da doença brasileira exige estabelecer regras do jogo que mirem a essência dos nossos gargalos.”

Atacar a raiz da doença brasileira exige estabelecer regras do jogo que mirem a essência dos nossos gargalos. Isso significa focar em três pilares inegociáveis:

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  • Segurança Jurídica e Simplificação Real: O investidor, nacional ou estrangeiro, foge de regras que mudam no meio do caminho. Reduzir o Custo Brasil não é dar benefício para uma empresa escolhida, mas sim criar um ambiente onde qualquer empreendedor gaste tempo inovando, e não decifrando burocracias.
  • Infraestrutura e Integração Logística: Não basta produzir alimentos e minérios se o escoamento consome a margem de lucro em estradas esburacadas e ferrovias inexistentes. A expansão dos setores promissores depende de investimentos pesados e de longo prazo em logística.
  • Educação Voltada para a Produtividade: A riqueza de uma nação moderna não está apenas no subsolo, mas na cabeça do seu povo. Sem mão de obra qualificada para processar nossas terras raras e tecnologia para verticalizar nossa produção, continuaremos exportando matéria-prima bruta e importando produtos de alto valor agregado.

“O Brasil não precisa de mais remendos; precisa de diagnóstico correto e cirurgia estrutural.”
O Executivo e o Congresso precisam parar de gerenciar o caos com analgésicos fiscais. O Brasil não precisa de mais remendos; precisa de diagnóstico correto e cirurgia estrutural.

É hora de o Parlamento assumir a responsabilidade de formular uma estratégia de Estado que transforme o nosso gigantismo geográfico em prosperidade real e compartilhada. Chega de tratar os sintomas. Precisamos, urgentemente, curar as causas da nossa estagnação.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.

As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.

Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.

O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.

Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.

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O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.

Como o levantamento é feito

A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.

As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.

De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.

A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.

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Agro forte sustenta valorização

A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.

Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.

As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.

Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.

Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.

Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.

A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.

As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.

Fonte: embrapa.br

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