Agro Mato Grosso
Dióxido de carbono elevado amplia produção, mas muda qualidade da soja MT

Estudo com modelagem aponta ganhos sob estresse climático, porém indica queda em amido e proteína
O aumento da concentração de dióxido de carbono pode compensar parte das perdas causadas por calor e seca na soja, mas altera a composição nutricional dos grãos. Estudo combinou ensaios controlados e modelagem preditiva para avaliar produção, carboidratos, lipídios, proteínas e aminoácidos em cenários associados às mudanças climáticas.
Os pesquisadores observaram aumento de até 142% na produção de grãos sob dióxido de carbono elevado. Em sentido oposto, a alta temperatura reduziu a produção em 91%. A seca reduziu a produção em 60%. O cenário chamado de “Triple Effect”, com dióxido de carbono elevado, alta temperatura e seca, indicou alta potencial de 50% na produção de grãos, além de aumento de 35% nos açúcares solúveis e de 175% nos aminoácidos. O mesmo cenário projetou queda de 20% no amido e de 6% na proteína.
Forma do estudo
O trabalho usou plantas de soja da cultivar MG/BR-46 Conquista, da Embrapa. O cultivo ocorreu em câmaras abertas, em São Paulo, entre setembro de 2018 e fevereiro de 2019. Os tratamentos compararam dióxido de carbono ambiente, com 400 ppm, e dióxido de carbono elevado, com 800 ppm. Um experimento adicionou temperatura 5 ºC acima do ambiente. Outro avaliou déficit hídrico após o florescimento, com suspensão da irrigação e depois fornecimento restrito de 100 mL de água a cada três dias até a maturidade fisiológica.
As plantas passaram por colheitas aos 60 e 125 dias após a emergência. Os pesquisadores usaram a biomassa seca aos 60 dias como indicador inicial. Depois, compararam esses dados com produção e composição dos grãos aos 125 dias. As análises envolveram açúcares solúveis, amido, aminoácidos, lipídios, carbono, nitrogênio e proteína.
Dióxido de carbono elevado
A resposta ao dióxido de carbono elevado manteve padrão positivo para produção de grãos nos dois experimentos. Na combinação com alta temperatura, o dióxido de carbono elevado atenuou o estresse térmico. O tratamento com temperatura elevada isolada levou a 0,63 g de grãos por planta. A combinação dióxido de carbono elevado mais temperatura alcançou 16,9 g por planta.
A seca também afetou a formação de grãos. O tratamento com déficit hídrico atingiu 2,78 g por planta. A combinação de dióxido de carbono elevado e seca chegou a 4,04 g por planta. Os cientistas apontam redução ainda relevante, mas menor do que sob seca sem dióxido de carbono elevado.
Qualidade dos grãos
A qualidade dos grãos mudou de forma distinta entre os tratamentos. O dióxido de carbono elevado favoreceu a assimilação de carbono e o armazenamento de carboidratos. A alta temperatura e a seca induziram ajustes metabólicos, com alterações em açúcares e aminoácidos. Essas mudanças têm implicações para a qualidade nutricional dos grãos.
No óleo, a alta temperatura elevou a participação dos ácidos palmítico, esteárico e oleico. Os aumentos chegaram a 14%, 7% e 28%, respectivamente. Os tratamentos com temperatura e com dióxido de carbono elevado mais temperatura reduziram os ácidos graxos poli-insaturados linoleico e linolênico. A seca reduziu a abundância relativa de palmítico, linoleico e linolênico, mas elevou o oleico.
Os aminoácidos responderam de forma expressiva aos estresses. A combinação dióxido de carbono elevado mais temperatura apresentou o maior nível, cinco vezes acima do tratamento ambiente. A temperatura isolada levou a aumento de quatro vezes. A seca elevou os aminoácidos em três vezes. A combinação dióxido de carbono elevado mais seca elevou em duas vezes. Apesar disso, nitrogênio total e proteína bruta não variaram de forma significativa entre tratamentos experimentais.
Modelagem no estudo
A modelagem teve papel central no estudo. Modelos lineares generalizados usaram a biomassa total aos 60 dias para prever produção e qualidade aos 125 dias. Os modelos mostraram boa aproximação entre valores observados e previstos. A produção sob dióxido de carbono elevado, por exemplo, teve valor observado de 16,9 g e valor previsto de 16,56 g.
A análise de caminhos indicou relação significativa entre biomassa aos 60 dias e produção de grãos aos 125 dias. O dióxido de carbono elevado e a combinação dióxido de carbono elevado mais temperatura tiveram efeitos positivos sobre a produção. Temperatura, seca e dióxido de carbono elevado mais seca tiveram efeitos negativos.
Para o “Triple Effect”, os pesquisadores usaram aprendizado de máquina. O XGBoost apresentou menor erro para estimar produção sob o cenário combinado. O modelo projetou 10,46 g de grãos, com RMSE de 0,04. O CatBoost projetou 10,51 g, com RMSE de 1,50. Para os demais atributos de qualidade, o XGBoost também superou o CatBoost.
Os cientistas destacam uma limitação importante: o “Triple Effect” não passou por validação experimental direta. A projeção resultou da integração de dados validados de estresses duplos, como dióxido de carbono elevado mais temperatura e dióxido de carbono elevado mais seca. O estudo também ocorreu em câmaras abertas e com uma cultivar específica. Por isso, os pesquisadores indicam necessidade de validação em condições de campo.
O estudo foi realizado por Janaina da Silva Fortirer, Adriana Grandis, Carmen Eusebia Palacios Jara, Débora Pagliuso, Leandro Francisco de Oliveira, Eveline Queiroz de Pinho Tavares, Lauana Pereira de Oliveira, Plínio B. Camargo, Eny Iochevet Segal Floh, Cibele M. Russo e Marcos S. Buckeridge.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.foodres.2026.119004
Agro Mato Grosso
Carreta invade a contramão e mata motorista na BR-163 I Mato Grosso

Segundo motorista da carreta, colisão ocorreu após uma frenagem brusca para impedir outro acidente
O motorista Wilson Honório dos Reis, de 59 anos, morreu após a picape que dirigia ser atingida de frente por um caminhão na noite desta segunda-feira (8), na BR-163, em Sinop (a 478 quilômetros de Cuiabá).
De acordo com o boletim de ocorrência, Wilson conduzia uma Fiat Strada quando foi atingido por um caminhão-trator que seguia no sentido Sinop-Itaúba.
Em depoimento aos policiais, o motorista do caminhão, de 54 anos, relatou que seguia pela rodovia quando, ao subir um viaduto, se deparou com outro caminhão seguindo à sua frente em baixa velocidade e sem sinalização luminosa adequada.
Para evitar uma colisão traseira, ele afirmou que realizou uma frenagem brusca. Durante a manobra perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e bateu de frente contra a Fiat Strada conduzida por Wilson.
Com a força do impacto, o motorista da picape sofreu ferimentos graves e morreu ainda no local.
O condutor do caminhão realizou o teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para consumo de bebida alcoólica.
A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), e o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.
Agro Mato Grosso
Agricultores de MT unem produção de alimentos e conservação do meio ambiente

Aprosoja MT destaca ações de preservação ambiental adotada por produtores no Dia Mundial do Meio Ambiente
O produtor rural tem um papel importante na sociedade. Além de assegurar a produção de alimentos, ele também é um agente fundamental na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) ressalta a relevância das ações e dos cuidados adotados pelos agricultores para garantir um futuro melhor às novas gerações.
Garantir recursos naturais para as próximas gerações depende das ações tomadas no presente e, para isso, é necessário que toda a sociedade contribua para a preservação dos recursos que sustentam a vida na Terra. Um dos principais projetos incentivados pela Aprosoja MT entre os associados é o Sistema Campo Limpo (SCL). O programa busca promover a preservação ambiental por meio da devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas, como explicou o diretor financeiro Aprosoja MT, Nathan Belusso.
“Hoje, mais de 90% das embalagens de defensivos agrícolas utilizadas no campo são recicladas. O produtor tem que fazer a destinação correta dessas embalagens, realizar o armazenamento, a lavagem e a limpeza, e depois encaminhá-las aos centros de coleta, que serão responsáveis pela reciclagem e reutilização para fins específicos, principalmente na fabricação de tubos utilizados em sistemas de esgoto. São toneladas de embalagens recicladas todos os anos que poderiam estar na natureza. Com esse projeto de destinação correta, essas embalagens são reutilizadas e recicladas, ajudando não somente o meio ambiente, mas também a economia do nosso estado e, consequentemente, do nosso país”, explicou.
Em 2025, mais de 75 mil toneladas de embalagens foram recolhidas e, desse total, 92% foram recicladas. Segundo dados do Sistema Campo Limpo e do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), desde a criação do programa, em 2002, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias receberam destinação adequada.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza o Sistema Campo Limpo, representando cerca de 30% do volume devolvido em 2025, o equivalente a 22 mil toneladas de embalagens vazias. Após a limpeza, coleta e separação, essas embalagens são transformadas em tubulações de esgoto, dutos, conduítes e outros 35 produtos. O destaque do estado na reciclagem de embalagens é resultado da adesão dos produtores rurais, como explicou o delegado coordenador do núcleo de Nova Ubiratã, Edgard Gomes. Ele relatou que realiza a separação e a limpeza das embalagens e, pelo menos duas vezes por ano, encaminha o material aos centros de coleta.
“Duas vezes por ano eu faço o agendamento, uma entrega ocorre em dezembro e a outra em abril, após metade do uso dos produtos na soja e depois de todos os produtos utilizados no milho. O principal benefício é não ter embalagens acumuladas na fazenda. A gente promove a tríplice lavagem, garante que tudo seja reciclado e evita a poluição do meio ambiente”, disse.
Edgard também relata que, além do Sistema Campo Limpo, outras medidas são adotadas em sua propriedade para preservar o meio ambiente, como a adesão ao programa Guardião das Águas, que mapeia e incentiva a preservação das nascentes dentro das propriedades rurais. Ele explica que um dos períodos mais desafiadores é a seca, quando, além de cuidar da lavoura, precisa proteger as áreas de vegetação nativa, realizando aceiros para reduzir o risco de incêndios.
As medidas visam conciliar produção e preservação, assegurando qualidade de vida para quem virá depois. Por isso, o delegado coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet, afirma que, além de preservar a propriedade, também busca transmitir esse legado aos filhos.
“Hoje, o produtor rural é um dos principais defensores do meio ambiente e tem um papel muito importante na preservação dos mananciais, lençóis freáticos, reservas legais, áreas de preservação permanente, da fauna e da flora. Com ações de combate aos incêndios e outras iniciativas adotadas no dia a dia, colaboramos para a preservação ambiental. Esse é um legado de compromisso e cuidado com o meio ambiente que quero deixar para os meus filhos. Mais do que deixar um ambiente preservado, quero transmitir a responsabilidade que nós, produtores rurais, temos de manter e proteger esses recursos”, afirmou.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, exemplos como esses mostram que a preservação ambiental também faz parte da rotina do campo. Por meio de ações concretas, os produtores rurais contribuem para garantir a produção de alimentos sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.
Agro Mato Grosso
Estudo avalia herbicidas e bionematicidas na soja MT

Pesquisa testou imazethapyr e S-metolachlor no manejo de Meloidogyne javanica em sucessão com braquiária
Herbicidas pré-emergentes usados em soja não comprometeram a eficiência dos nematicidas biológicos Pochonia chlamydosporia e Bacillus firmus no manejo de Meloidogyne javanica. A conclusão consta de estudo conduzido em casa de vegetação, em sistema de sucessão entre Urochloa brizantha e soja. A pesquisa avaliou os efeitos de imazethapyr e S-metolachlor sobre agentes biológicos aplicados via tratamento de sementes.
O trabalho partiu de uma demanda frequente em sistemas agrícolas. O uso de nematicidas biológicos cresceu no Brasil e passou a integrar programas de manejo de nematoides em culturas como soja e algodão. Porém, a compatibilidade desses produtos com herbicidas ainda exige avaliação em condições mais próximas do cultivo agrícola.
Produtos testados
Os cientistas testaram produtos à base de Pochonia chlamydosporia e à base de Bacillus firmus. Os tratamentos envolveram aplicação em sementes de braquiária, em sementes de soja ou em ambas as culturas. A soja utilizada no ensaio pertencia à cultivar BMX Potência RR, suscetível a Meloidogyne javanica.
O experimento ocorreu em Bandeirantes, no Paraná. O delineamento adotado envolveu oito repetições e esquema fatorial com 24 combinações. Os fatores incluíram estratégia de uso do nematicida, método de manejo da braquiária e herbicida pré-emergente aplicado na soja.
A braquiária cultivar Marandu cresceu em vasos de 1,8 litro com mistura esterilizada de solo e areia. Cinco dias após o transplantio, cada planta recebeu mil ovos e juvenis de segundo estádio de Meloidogyne javanica. As plantas permaneceram no sistema por 90 dias. Depois, receberam manejo mecânico, por corte manual, ou químico, por dessecação com glyphosate.
Após o manejo da braquiária, os vasos ficaram 30 dias em pousio. Os pesquisadores colocaram dez gramas de palha seca de braquiária sobre o solo para simular cobertura. A soja foi semeada em seguida. Um dia após a semeadura, os herbicidas pré-emergentes foram aplicados. O imazethapyr entrou na dose de 106 gramas de ingrediente ativo por hectare. O S-metolachlor entrou na dose de 1.440 gramas de ingrediente ativo por hectare.

Foto: Jonathan D. Eisenback – Virginia Polytechnic Institute and State University
Momento da avaliação
A avaliação ocorreu aos 75 dias após a emergência da soja. Os cientistas quantificaram a população final do nematoide, formada por ovos e juvenis de segundo estádio extraídos das raízes.
Resultados da pesquisa
Os resultados indicaram interação entre o manejo da braquiária e a estratégia de uso dos nematicidas. No manejo mecânico, o tratamento com Bacillus firmus aplicado apenas na soja resultou na maior população de Meloidogyne javanica. No manejo químico da braquiária, as estratégias de uso dos nematicidas não diferiram.
A diferença entre manejo mecânico e químico apareceu apenas quando Bacillus firmus foi aplicado exclusivamente na soja. Nesse caso, a população do nematoide ficou maior sob manejo mecânico. Nos demais tratamentos, o método de manejo da braquiária não alterou a população final do nematoide.
O S-metolachlor reduziu a população de Meloidogyne javanica em duas situações. A primeira ocorreu quando Pochonia chlamydosporia foi aplicado na braquiária e na soja. A segunda ocorreu quando Bacillus firmus foi aplicado apenas na soja. Nos demais tratamentos, os herbicidas não diferiram.
O imazethapyr não prejudicou a ação dos nematicidas biológicos nas condições avaliadas. O S-metolachlor também não comprometeu a eficiência dos agentes biológicos. Os dados indicam compatibilidade entre os herbicidas avaliados e as estratégias biológicas de manejo do nematoide em sucessão Urochloa brizantha – soja.
Laboratório e casa de vegetação
O estudo também mostra diferenças entre resultados de laboratório e respostas em casa de vegetação. Pesquisas anteriores haviam relatado efeitos inibitórios de herbicidas sobre microrganismos de controle biológico em condições in vitro. No sistema solo-planta, fatores como adsorção no solo, atividade microbiana e degradação dos herbicidas podem reduzir a exposição direta dos agentes biológicos aos ingredientes ativos.
O estudo foi realizado por Paula Fernanda de Azevedo Ribeiro, Andressa Cristina Zamboni Machado, Santino Aleandro da Silva, Jethro Barros Osipe e Marcelo Giovanetti Canteri.
Outras informações em doi.org/10.1007/s40858-026-00809-5
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