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19 de agosto de 2026

Business

Alongamento de dívida rural não é favor do banco, é direito do produtor, diz advogada

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Imagem gerada por inteligência aritifical

O alongamento de dívida rural é tratado por instituições financeiras como uma negociação comercial opcional, mas trata-se de um direito garantido ao produtor em situações específicas previstas na legislação e reconhecidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O alerta é da advogada Giulia Arndt, especialista do Maffioletti & Arndt Advogados.

Segundo ela, a Súmula 298 do STJ estabelece que o alongamento da dívida originária de crédito rural não depende exclusivamente da vontade do banco quando o produtor comprova incapacidade temporária de pagamento decorrente de fatores como quebra de safra, eventos climáticos ou oscilações severas de mercado.

“O alongamento da dívida rural não é favor do banco. É um direito do produtor reconhecido pela Justiça. Mesmo assim, muitos produtores ainda recebem negativas sem fundamentação adequada, como se a decisão dependesse apenas da instituição financeira”, afirma.

Caixa pressionado

A advogada ressalta que o instrumento disponível ao produtor ganha relevância em meio ao cenário de dificuldade financeira enfrentado pelo setor, ocasionado por problemas climáticos, aumento do custo de produção, juros elevados e queda no preço de commodities, fatores que pressionam o caixa e ampliam discussões sobre renegociação de passivos e acesso ao crédito para as próximas safras.

De acordo com Giulia, um dos principais problemas é a falta de informação sobre as ferramentas legais disponíveis, uma vez que muitos produtores acabam aceitando renegociações em condições mais desfavoráveis, com juros maiores, reforço de garantias ou assinatura de confissões de dívida sem saber que poderiam buscar o alongamento previsto na legislação rural.

“Muitos produtores procuram orientação apenas depois de já terem assinado contratos mais pesados financeiramente. Em vários casos, existia um direito que poderia ter sido acionado antes da formalização dessas novas obrigações”, contextualiza.

A especialista destaca ainda que existe diferença jurídica entre renegociação comercial e alongamento de dívida rural:

  • A renegociação depende de critérios internos e comerciais da instituição financeira;
  • O alongamento possui fundamento legal específico e requisitos próprios.

“Essa diferença é importante porque muda completamente a forma como o pedido deve ser apresentado e analisado. Misturar renegociação comercial com pedido de alongamento pode enfraquecer a defesa do produtor”, ressalta.

Para a advogada, o impacto do não alongamento ultrapassa a situação individual do produtor rural. Sem reorganização financeira, muitos produtores perdem acesso ao crédito de custeio da safra seguinte, criando um efeito em cadeia que afeta fornecedores, cooperativas, transportadoras, empregos e a economia de municípios ligados ao agronegócio.

“Quando o crédito trava, o problema deixa de ser apenas da propriedade rural. O reflexo chega à cadeia inteira do agro. O alongamento existe justamente para evitar que uma dificuldade temporária se transforme em um colapso financeiro maior”, afirma.

A especialista acredita que o tema ganhará ainda mais espaço nas discussões relacionadas ao próximo Plano Safra e às medidas de apoio financeiro ao setor.

“O produtor rural precisa entender que existem mecanismos legais criados justamente para protegê-lo em momentos de crise. Conhecer esses instrumentos pode ser decisivo para preservar a atividade e evitar perdas irreversíveis”, conclui.

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Agro Mato Grosso

Confinamento em MT cresce 43% em 2026, aponta Imea

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O estado de Mato Grosso deve confinar 1,33 milhão de bovinos neste ano, uma alta de 43,41% em relação ao volume consolidado no ano passado, quando foram confinadas 928,67 mil cabeças. A estimativa consta no 2° levantamento de intenções de confinamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 17 de agosto. O estudo também mostra a expectativa de avanço da atividade, mesmo com um cenário de custos e preços exigindo cautela dos pecuaristas.

Entre os produtores consultados em julho, 56,47% afirmaram que pretendem realizar o confinamento neste ano, enquanto 38,82% disseram que não devem utilizar o sistema e 4,71% ainda estavam indecisos.

De acordo com o Imea, um dos principais pontos observados foi o comportamento dos custos da alimentação. Na comparação com a média de 2025, o preço do milho foi para R$ 44,39, um recuo de 13,86% por saca. Também houve redução nas cotações do caroço de algodão (-24,18%), do DDG (-15,60%) e do farelo de soja (-2,47%).

Apesar dessa queda nos principais insumos da alimentação dos animais, a diária média do confinamento no estado subiu para R$ 13,62 por cabeça, um crescimento de cerca de 3,54% em relação a abril e de 3,57% ante 2025. Segundo o Imea, o movimento está relacionado principalmente à valorização dos animais de reposição.

O novo levantamento também mostra que o preço do bezerro de 12 meses aumentou 13,06% na comparação anual. Ainda assim, o abate das fêmeas recuou 17,11% em julho, sinalizando um movimento de retenção de matrizes e contribuindo para a menor disponibilidade de animais para reposição.

O estudo feito pelo instituto também mostra que esse cenário afetou a relação de troca. Em julho, eram necessários cerca de 2,16 bezerros para a compra de um boi gordo, uma queda de 6,09% em relação à relação registrada em 2025. Na prática, o pecuarista precisa de uma quantidade maior de capital para formar o lote que será levado ao confinamento.

Estado deve ter 1,33 milhão de animais confinados até o final do ano

Estado deve ter 1,33 milhão de animais confinados até o final do ano (Divulgação)

Nesta edição, o levantamento indica que em Mato Grosso há diferenças no custo da arroba produzida conforme o tamanho do confinamento. Entre as propriedades avaliadas, o custo médio oscila de R$ 220,50 e R$ 235 por arroba.

Os confinamentos com até 1 mil cabeças apresentaram custo médio de R$ 220,50/@. Já os estabelecimentos com 3.001 a 5 mil animais registraram o maior custo, de R$ 235/@. Nos grandes confinamentos, com mais de 5 mil cabeças, o custo médio ficou em R$ 223,13/@.

Na pecuária mato-grossensse, o preço da reposição continua sendo a principal preocupação, apontado por 23,76% dos entrevistados. Na sequência aparecem o preço do boi gordo, com 19,80%, questões políticas (15,84%), baixa lucratividade (10,89%) e o cenário geopolítico e do mercado externo (8,91%).

De acordo com o Imea, o comportamento da arroba também ajuda a explicar a cautela. Depois de atingir R$ 360,01/@ em abril, o preço recuou para R$ 312,94/@ e chegou a R$ 324,17/@ em julho.

O alerta no segundo semestre

Para o segundo semestre, o calendário está concentrado nos abates. De acordo com o instituto, 80,74% dos animais confinados devem ser abatidos até o final do ano. Dentro desse volume, 48,31% das entregas estão previstas para ocorrer entre setembro e novembro.

A concentração acontece em um período considerado sensível para o mercado, já que coincide com o esgotamento da cota de importação de carne bovina da China. A expectativa é de retomada dos embarques a partir do fim de outubro, já considerando a cota de 2027. Diante deste cenário, 33,33% dos produtores consultados utilizaram contratos a termo com frigoríficos, envolvendo 17,52% do total de cabeças projetadas.

Outros 30,23% afirmaram ter realizado operações na B3, protegendo 14,44% dos animais. As estratégias buscam reduzir a exposição às oscilações do preço do boi gordo no momento da entrega dos animais.

Apesar do crescimento projetado de 1,33 milhão nas intenções de confinamento, em relação a comparação anual, o número representa uma revisão de 7,71% para baixo em relação ao primeiro levantamento, publicado em abril, quando a expectativa era de 1,44 milhão de animais confinados.

Distribuição do envio dos animais para abate em Mato Grosso em 2026

Distribuição do envio dos animais para abate em Mato Grosso em 2026 (Divulgação)

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Agro Mato Grosso

Boom do agro transforma skyline de Sinop com torre gigante

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A riqueza gerada pelas safras recordes no campo encontrou uma nova vitrine arquitetônica em Mato Grosso, redesenhando a paisagem urbana do norte estadual com investimentos bilionários. Enquanto municípios como Lucas do Rio Verde mantêm um compasso de espera mais cauteloso, polos como Sinop, Sorriso e Nova Mutum disparam em desenvolvimento urbano e valorização imobiliária, atraindo aportes que antes pareciam restritos apenas aos grandes centros financeiros do país.O reflexo mais visível dessa transformação econômica é o anúncio do primeiro arranha-céu genuinamente integrado à realidade de alta renda do interior mato-grossense: uma torre residencial monumental de 42 pavimentos, avaliada em R$ 500 milhões.

A iniciativa rompe barreiras geográficas tradicionais do mercado imobiliário e consolida a força financeira acumulada pelo agronegócio moderno na região.

Como o campo financia a nova arquitetura de luxo?

A transição financeira do grão colhido para o metro quadrado construído revela uma maturidade inédita na cadeia produtiva estadual. Produtores rurais, herdeiros do agronegócio e executivos do setor buscam alternativas seguras e sofisticadas de diversificação patrimonial sem precisar migrar para as capitais litorâneas.

Esse movimento fomenta a economia local de maneira integrada, movimentando desde a cadeia de suprimentos de construção civil até o comércio de bens e serviços de luxo. A cidade deixa de ser apenas um ponto de apoio logístico para o escoamento da produção e passa a funcionar como um centro urbano autônomo e sofisticado.

Qual é o impacto econômico regional e no cenário nacional?

Dados oficiais consolidados mostram que o Produto Interno Bruto do Centro-Oeste avançou com força tripla em relação à média nacional recente, impulsionado pela expansão das lavouras e pela agroindústria. Em paralelo, o segmento de investimentos voltado a clientes de alta renda cresce em ritmo acelerado, impulsionado pela profissionalização da gestão nas propriedades rurais e pelas margens sólidas obtidas na exportação.

Esse cenário atrai olhares atentos de investidores de todo o país, transformando o norte de Mato Grosso em um dos mercados mais dinâmicos do Brasil fora do eixo tradicional Sudeste-Sul, com reflexos diretos na arrecadação municipal e na geração de empregos qualificados.

Quais são os próximos passos da verticalização no interior?

A tendência de verticalização de alto padrão veio para ficar e já reverbera em outras praças estratégicas, impulsionando também debates importantes na Assembleia Legislativa de Mato Grosso sobre diretrizes de expansão urbana e infraestrutura viária. Construtoras e incorporadoras preparam novos aportes milionários para atender a uma demanda reprimida por imóveis espaçosos e dotados de tecnologia avançada.

O grande desafio nos próximos anos será harmonizar o crescimento vertical com a sustentabilidade urbana, garantindo que o desenvolvimento econômico traga infraestrutura adequada e qualidade de vida para toda a população que escolheu o interior mato-grossense para viver e investir.

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Business

Fogo avança em Jangada e atinge 20% de propriedade rural

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Foto: Dagomar Rockenbach

Mato Grosso chegou a 2.036 focos de calor em agosto até esta terça-feira (18), segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em Jangada, a intensidade dos incêndios também atingiu propriedades rurais e obrigou produtores a mobilizarem equipes próprias para impedir o avanço das chamas.

Uma das propriedades afetadas é a da produtora rural Dagomar Rockenbach, que possui cerca de 200 hectares no município. O fogo entrou pela área de pastagem e atingiu aproximadamente 20% da propriedade, o equivalente a até 20 hectares de pasto e mata.

A produtora conta que enfrentou as chamas inicialmente com a ajuda de amigos e utilizando equipamentos disponíveis na propriedade. “Na segunda-feira a gente conseguiu tudo sozinho através de amigos que vieram aqui me ajudar com bomba costal, com foice, com galho”, relata.

A situação voltou a se agravar na manhã de terça-feira (18), quando o vento fez com que novos focos ganhassem força. Desta vez, equipes do Corpo de Bombeiros estiveram na propriedade. “Nesta terça-feira eu tive bastante orientação e visita dos bombeiros. Vieram várias unidades na minha propriedade, fui bem assistida por eles”, afirma.

A produtora relata que conseguiu retirar o gado da área de pastagem antes que as chamas avançassem. A parte destinada ao cultivo de pimentas e hortaliças não foi atingida, que já foi tema de reportagem no Canal Rural Mato Grosso. Dagomar é referência em Jangada na produção de pimentas, com cerca de 20 variedades, além de manter aproximadamente 150 canteiros de hortaliças.

Fogo avança pelas propriedades rurais

Segundo Dagomar, mais de 40 pessoas se mobilizaram para ajudar no combate na segunda-feira (17). Com um trator e uma grade, foram abertos aceiros para tentar impedir que o fogo alcançasse outras áreas. Ela também utilizou contrafogo para conter as chamas.

De acordo com ela, a maior parte das propriedades atingidas na região é voltada à pecuária. Uma propriedade vizinha teve parte da estrutura de confinamento atingida pelo fogo, além de áreas de pastagem.

Além dos prejuízos nas propriedades rurais, Dagomar relata preocupação com a proximidade das chamas com a cidade de Jangada. Conforme ela, moradores têm relatado focos próximos às casas e até nas proximidades de uma creche.

“O fogo aqui, ele não está só na área rural. Ele está em torno da área urbana e está pegando toda a região aqui rural aqui e o fogo está realmente se alastrando”, afirma.

Para a produtora, apesar do reforço dos órgãos públicos e da mobilização dos moradores, o cenário ainda exige atenção. “Está bem difícil de controlar, mas pelo menos agora terça-feira à noite na minha propriedade está controlado”, diz Dagomar.

Bombeiros reforçam combate em Jangada

Na terça-feira, cinco incêndios florestais estavam sob controle em Mato Grosso, enquanto outros 20 eram combatidos pelo Corpo de Bombeiros Militar. As ocorrências estavam distribuídas por municípios como Jangada, Santo Antônio de Leverger, Itiquira, Guiratinga, Vera, Feliz Natal, Canarana, Matupá, Cláudia, São José do Rio Claro, Nova Mutum, Aripuanã, Poxoréu, Colniza, Novo Santo Antônio e Peixoto de Azevedo.

Em Jangada, o combate foi reforçado com duas aeronaves, que atuaram em conjunto com os militares em solo. A operação também contou com um caminhão-pipa cedido pela prefeitura e apoio da concessionária responsável pela rodovia, com equipes mobilizadas às margens da BR-364.

Os dados do Inpe mostram que agosto já se aproxima do total registrado durante todo o mês no ano passado. Em 2025, foram contabilizados 2.322 focos de calor em agosto. O número acumulado neste mês também supera os 1.440 focos registrados em junho.

Desde janeiro, Mato Grosso soma 5.780 focos de calor. O maior número de focos ativos em um único dia neste mês foi registrado em 16 de agosto, quando o Programa Queimadas identificou 532 ocorrências.


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