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30 de junho de 2026

Business

Nova Xavantina sofre com seca, pragas e prejuízos

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário no campo em Nova Xavantina é de incerteza e aperto financeiro. A combinação de instabilidade climática, incidência de pragas e o aumento expressivo nos custos de produção reduziu drasticamente a rentabilidade dos agricultores na atual safra. Com perdas que chegam a 25 sacas por graneleiro em algumas áreas, o setor agora teme pela viabilidade do próximo ciclo.

A irregularidade das chuvas no início do plantio forçou muitos produtores a realizarem o replantio, elevando os gastos operacionais. Segundo o delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Bruno Tolotti, embora existam casos isolados de boa produtividade, o município registra uma queda média de 8 a 10 sacas por hectare em comparação ao ano anterior.

O impacto é sentido de forma heterogênea dependendo da altitude e do tipo de solo. No Grupo Dalcin, que cultivou quase 5 mil hectares de soja, a variação entre áreas de serra e áreas baixas evidenciou o desafio técnico desta temporada. Enquanto as áreas mais altas registraram 71 sacas por hectare, as partes baixas, com solo mais arenoso e maior pressão de ervas daninhas como o pé-de-galinha, fecharam em apenas 47 sacas.

nova xavantina foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos corroem rentabilidade

Mesmo onde a produção foi considerada satisfatória em termos de volume, a conta final não tem fechado devido à alta dos insumos, especialmente fertilizantes. A margem de lucro ficou estreita, gerando preocupação sobre a capacidade de reinvestimento.

“A média final do grupo todo foi 57 sacas. Foi uma safra satisfatória, o problema é que os custos estão ficando maiores e a rentabilidade tem ficado muito menor. Tem produtor aqui que, no líquido, sobram R$ 95 ou R$ 97. Isso não paga a conta”, afirma a agricultora Emilly Miranda Castro Dalcin ao Patrulheiro Agro.

Para o produtor José Almiro Muller, que cultivou 2,6 mil hectares, os problemas começaram na janela de plantio e se estenderam até a colheita com o ataque da mosca-branca. Mesmo com múltiplas aplicações de defensivos, a praga não foi controlada, reduzindo o peso do grão e gerando uma perda de 25 sacas por graneleiro de máquina.

Além dos problemas biológicos, o fator financeiro é apontado como o principal gargalo. “Recursos bancários ficaram muito altos, com taxas de 14,5% a 15%. O arrendamento junto com isso inviabiliza. Eu, com a minha família, não tive renda nos últimos três anos”, relata Muller ao Canal Rural Mato Grosso. Ele arrenda 1,7 mil hectares. O agricultor destaca ainda que a escassez de crédito oficial forçou a busca por recursos especiais com juros de até 30%.

milho pendoando foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Milho safrinha sob risco

A crise se estende agora para a segunda safra. Com a escassez hídrica de quase um mês e temperaturas elevadas, mais da metade das lavouras de milho foi plantada fora da janela ideal. A região de Nova Xavantina, por possuir altitude e índice pluviométrico menores que outras partes do Mato Grosso, sofre mais com o encurtamento do período de chuvas.

De acordo com Bruno Tolotti, da Aprosoja-MT, as perdas visuais no milho já são estimadas entre 30% e 40% em algumas propriedades. “Já faz algumas semanas que não chove no município e isso influencia diretamente quem plantou milho ou gergelim. O cenário é muito preocupante, pois não há perspectivas de chuva no curto prazo”, conclui.

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Agro Mato Grosso

Abandono escolar entre alunos da educação especial cresce 185% em MT, diz TCE

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Relatório do USDA deve indicar mais soja e menos milho nos EUA

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O relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conhecido como Acreage e previsto para esta terça-feira, deve confirmar leve aumento da área de soja e pequena redução da área de milho no país, na avaliação da Hedgepoint Global Markets. A leitura da consultoria é de um efeito moderado sobre o mercado, com viés levemente baixista para a oleaginosa e altista para o cereal, caso os dados venham em linha com o esperado.

Segundo análise divulgada nesta segunda-feira pelo coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Luiz Fernando Roque, o consenso de mercado aponta área plantada de soja em 85,4 milhões de acres, ou 34,5 milhões de hectares. O volume representa alta de 0,8% frente aos 84,7 milhões de acres, ou 34,3 milhões de hectares, informados em março.

Para o milho, a projeção é de 95,0 milhões de acres, equivalentes a 38,4 milhões de hectares, ante 95,3 milhões de acres, ou 38,6 milhões de hectares, na intenção de plantio divulgada anteriormente. A estimativa indica recuo de 0,4%. No trigo, a expectativa é de estabilidade, em 43,9 milhões de acres, ou 17,7 milhões de hectares.

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Roque afirmou que, se esse ajuste se confirmar, o relatório terá tom levemente baixista para a soja e levemente altista para o milho. A Hedgepoint ressalta que mudanças mais expressivas entre os relatórios de março e junho costumam ocorrer em temporadas com atraso no plantio, o que não ocorreu neste ciclo. Entre abril e maio, os trabalhos avançaram sem grandes interrupções climáticas e em ambiente de campo considerado favorável.

Ainda assim, a consultoria avalia que o cenário regular da temporada não elimina a chance de surpresas. Na leitura de Roque, o produtor norte-americano mantém mais dúvidas em relação à soja, diante das incertezas do lado da demanda, especialmente ligadas à China e à guerra comercial. Nesse contexto, resultados diferentes do consenso, como aumento da área de milho e redução da soja, ou até manutenção das áreas, seguem no radar do mercado.

No cenário central da Hedgepoint, o Acreage tende a ser levemente baixista para a soja, levemente altista para o milho e neutro para o trigo. Se os números divergirem das projeções, a consultoria avalia que a reação em Chicago pode ganhar intensidade.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Preços do milho serão determinados por clima, etanol e outros 5 elementos

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Imagem gerada por IA com base em foto de arquivo do Canal Rural

O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com queda de 1,20%, enquanto no Brasil, o contrato da B3 seguiu em direção contrária, fechando a R$ 64,29 por saca, alta de 0,59% no período.

A plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, sinaliza o que esperar do mercado no curto-prazo. Confira:

  • Pressão de colheita continua: as cotações da B3 e do mercado físico serão estritamente ditadas pelo avanço da colheita do milho safrinha, que deve atingir o seu pico operacional entre a segunda quinzena de junho e meados de julho. Em Mato Grosso, a retirada dos grãos do campo já ultrapassou a expressiva marca de 35,5% da área semeada, apresentando um ritmo bastante acelerado. “Com o clima previsto para continuar favorecendo o trânsito das colheitadeiras, essa inundação de oferta física forçará os preços spot para baixo, tendo a demanda interna como principal piso limitador dessa desvalorização”, destaca.
  • Relatórios USDA: internacionalmente, todos os holofotes estão virados para a divulgação do relatório de Área Plantada e Estoques do USDA na terça-feira (30). O mercado estima que a área americana do milho fique menor. Qualquer surpresa, com números de área inferiores ao projetado, pode gerar um efeito estilingue de cobertura de posições vendidas em Chicago, aponta o documento.
  • Lavouras nos EUA: o monitoramento do Crop Progress norte-americano será crítico, avalia o Grainsights. As mesas de operação especulativas acompanham avidamente as porcentagens de lavouras em condição “Boa e Excelente”. “Como julho marca o período crítico de polinização do milho nos EUA, eventuais bolsões de calor severo nas Grandes Planícies seriam o único gatilho capaz de injetar prêmios de risco consistentes na bolsa”, pontua.
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  • Riscos de geadas: no Brasil, os riscos de “mercado de clima” se restringem ao avanço de frentes polares. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para madrugadas com risco de geadas ao longo do sul do Paraná, Santa Catarina e áreas serranas do Rio Grande do Sul. Assim, lavouras de safrinha semeadas tardiamente nesses estados estão sob alerta máximo para queima por gelo.
  • Exportações em alerta: o escoamento via exportação precisará reagir para aliviar o peso no mercado doméstico, destaca o Grainsights. A redução de estimativas de embarques pelo Brasil aumenta o alerta. “Contudo, se a renovação do cessar-fogo de 60 dias no Golfo Pérsico se sustentar, a redução nos seguros navais pode voltar a baratear os fretes para o Irã (grande comprador nacional), dinamizando os portos do Arco Norte.
  • Demanda interna aquecida: um ponto de sustentação fundamental no mercado interno continuou sendo a gigantesca e crescente demanda das usinas de etanol de milho, indica o relatório. “Com a produção de biocombustíveis em Mato Grosso projetada para crescer 16% na temporada, as indústrias operam com margens saudáveis e originam grãos de forma constante, evitando que a praça do Centro-Oeste sofra quedas ainda mais catastróficas”, salienta.
  • Macroeconomia e oportunidades: no cenário macroeconômico, as recentes decisões de política monetária reforçaram a manutenção de um ambiente de crédito mais restritivo, com o Copom mantendo a taxa Selic em 14,50% ao ano diante da inflação persistente, refletida no IPCA acumulado de 4,72% em 12 meses até maio. No mercado cambial, embora o dólar tenha encerrado a semana em queda, a moeda permaneceu em altos patamares, sustentando a competitividade da soja brasileira e amenizando os efeitos das quedas em Chicago.

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