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CNA apresenta propostas para o Plano Safra 2026/27 com foco em crédito, seguro e previsibilidade

A CNA apresentou ao governo federal um conjunto de propostas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027, com foco em ampliar o acesso ao crédito, fortalecer o seguro rural e garantir maior previsibilidade orçamentária.
O documento foi entregue pelo presidente da entidade, João Martins, ao ministro da Agricultura, André de Paula, e reúne dez medidas consideradas prioritárias para o próximo ciclo da política agrícola.
Entre os principais pontos defendidos pela CNA estão a necessidade de planejamento plurianual do Plano Safra e a compatibilização entre o orçamento público e o calendário agrícola.
Segundo a entidade, o atual modelo, baseado em previsões anuais, dificulta o planejamento de produtores, cooperativas e instituições financeiras, além de gerar incertezas ao longo do ciclo produtivo.
A CNA também destaca a insuficiência de recursos no Orçamento Geral da União, especialmente em um cenário de juros elevados, que aumenta o custo do crédito subsidiado.
Endividamento e custo de produção preocupam
No documento, a entidade afirma que o setor enfrenta pressão de custos, restrições financeiras e instabilidade climática, o que tem levado produtores a operar com maior endividamento e margens mais reduzidas.
Diante desse cenário, o Plano Safra 2026/27 é apontado como decisivo não apenas para ampliar recursos, mas para reestruturar os instrumentos de política agrícola, com foco em gestão de riscos e acesso efetivo ao crédito.
Seguro rural e orçamento plurianual
A CNA propõe a destinação de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), além da modernização da legislação do setor.
Outro destaque é a defesa de um modelo plurianual para o Plano Safra, com previsão de recursos ao longo de vários anos. A medida, segundo a entidade, permitiria maior previsibilidade, continuidade das políticas e melhor planejamento das atividades produtivas.
Volume de crédito e apoio ao produtor
Entre as propostas, a CNA sugere que o Plano Safra 2026/27 conte com R$ 623 bilhões em crédito rural, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial.
A entidade também defende medidas para apoiar a saúde financeira do produtor, incluindo mecanismos de renegociação de dívidas e ajustes nas regras de enquadramento em programas como Pronaf e Pronamp.
Veja as 10 propostas da CNA para o próximo Plano Safra:
- 1 – Possibilitar a construção de um novo modelo de Plano Agrícola e Pecuário Plurianual, com direcionamentos para programas prioritários;
- 2 – Garantir R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a aprovação do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que prevê a modernização do seguro rural;
- 3 – Assegurar efetivos R$ 623 bilhões no Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional;
- 4 – Promover medidas de apoio à saúde financeira do produtor rural e apoiar a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023;
- 5 – Atualizar e ampliar os limites de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para enquadramento no Pronaf, no Pronamp e nas demais categorias de produtores;
- 6 – Apoiar e assegurar a aprovação da proposta de nova Lei do Agro (“Lei do Agro 3”);
- 7 – Promover ajustes no ambiente de negócios do crédito rural, reduzindo burocracias, eliminando extrapolações infralegais e fortalecendo o combate à venda casada;
- 8 – Nos programas de investimento agropecuário, priorizar o RenovAgro, o PCA e o Proirriga;
- 9 – Ampliar os fundos garantidores para operações de custeio e investimento agropecuário;
- 10 – Ampliar os mecanismos de financiamento privado do agro no mercado de capitais.
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Mercado do boi gordo encerra semana de olho na China e com preços estáveis; saiba mais

O mercado físico do boi gordo encerrou a sexta-feira (12) com preços acomodados nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos seguem ajustando suas estratégias de compra, especialmente em relação aos animais destinados ao mercado chinês.
De acordo com o especialista, as indústrias vêm reduzindo as premiações pagas pelo chamado “boi China” e operando com maior nível de ociosidade nas plantas frigoríficas. O movimento reflete uma tentativa de adaptação a um cenário em que o principal comprador da carne bovina brasileira pode atuar de forma menos intensa nas negociações.
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Outro fator que chama atenção é a ausência de diversas indústrias das compras de gado neste momento. Além disso, ainda não houve comunicação oficial das autoridades chinesas sobre o preenchimento de 80% da cota brasileira de exportação, alerta que deve ocorrer nos próximos dias e que segue sendo acompanhado pelo mercado.
Nas principais praças pecuárias, os preços da arroba permaneceram estáveis:
- São Paulo (SP): R$ 353,33 por arroba (a prazo)
- Goiás (GO): R$ 335,54 por arroba
- Minas Gerais (MG): R$ 330,18 por arroba
- Mato Grosso do Sul (MS): R$ 352,16 por arroba
- Mato Grosso (MT): R$ 356,01 por arroba
No mercado atacadista, a carne bovina também apresentou pouca variação nos preços ao longo do dia. Apesar disso, há expectativa de melhora no consumo durante o restante de junho, especialmente com a movimentação gerada pelos jogos da seleção brasileira.
Mesmo assim, a carne bovina continua enfrentando forte concorrência de proteínas mais acessíveis ao consumidor, principalmente a carne de frango, que segue ganhando espaço no varejo.
Atacado
- Quarto traseiro: R$ 27,00/kg
- Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 20,00/kg
Câmbio
No mercado cambial, o dólar comercial fechou o dia em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,0318 para venda. A desvalorização da moeda norte-americana também segue no radar do setor exportador, influenciando a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional.
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De pior café a grão premiado ‘fora da cartilha’: indicação geográfica redime Caparaó

O nome é chique, mas o objetivo do Connection Terroirs é singelo: mostrar como produtos com indicação geográfica (IG) traduzem a essência de um país e podem alavancar o turismo, desenvolver regiões carentes e conferir identidade a um território e a um povo.
O evento, que ocorre em Gramado, na Serra Gaúcha, até 13 de junho, traz um exemplo concreto do ideal que busca transmitir: o Café Caparaó, antes afamado como o pior do Brasil e produzido em uma das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do país, mas agora portador de selo de origem e vencedor de prêmios.
“Nós produzimos entre a Zona da Mata Mineira e o Espírito Santo, e diziam que fazíamos o pior café possível. Quando algum produtor conseguia produzir um ‘melhorzinho’, tinha de dizer que era colhido em outra região, do contrário, não conseguia vender. Éramos realmente o ‘patinho feio’ do café”, lembra Cecília Nakao, diretora-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec).
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A qualidade inferior ocorria pela florada e maturação irregulares, típicas de lavouras em áreas montanhosas. A região de Caparaó é composta de dez municípios capixabas e seis mineiros, localizados a mais de 1.200 metros de altitude. “Há 10, 15 anos, nossos produtores colhiam na época de chuva, sem estrutura, sem cobertura ou secador, em terreno de terra, ou seja, tudo convergia para um resultado essencialmente ruim na xícara.”
Tudo começou a mudar em 2013, com o que Cecília chama de “convergência cósmica”, um acontecimento que surpreendeu a todos: a vitória do produtor José Alexandre de Lacerda, de Espera Feliz, Minas Gerais, na 9ª Edição do Concurso Nacional Abic de Qualidade do Café (Safra 2012). “Quem espalhou a história da vitória do prêmio foi o pai do produtor, mas ninguém acreditou nele. Todos acharam que ele tinha se enganado ou interpretado errado o resultado”, conta Cecília, aos risos.
Segundo ela, com esse reconhecimento, os produtores da região se juntaram para entender mais sobre cafés especiais, realizando cursos de torra, de barista e de classificação.
“A partir de então, surgiu o movimento coletivo com o desejo de criar a associação. Em seguida, chamamos o Sebrae, que já trabalhava com a gente na questão do turismo, para um diagnóstico de nosso produto. Eles acreditaram em nosso café mais do que nós mesmos. Já tínhamos um levantamento informal dos produtores que tinham mais consistência na produção e as coisas foram fluindo”, relembra.

Em meio a todo o processo, técnicos agrícolas passaram também a enxergar o potencial dos produtores, ministrando treinamentos e capacitações. “Inicialmente, o plano era ir de um café muito ruim para um pouco ruim, tentando sair da categoria de bebida rio/riada para a bebida dura. Mas ninguém estava pensando em conquistar mercado.”
Hoje, a Apec possui cerca de 170 produtores, com mais de 100 marcas de cafés especiais, um universo ínfimo diante dos mais de dois milhões de produtores do grão no país, mas o suficiente para a conquista de oito entre os dez melhores cafés arábica do país no prêmio Coffee of the Year 2025 e cuja exclusividade ajudou a região a conquistar a indicação geográfica de denominação de origem, categoria que foca na qualidade superior ligada ao terroir.
O selo reconhece as condições naturais que favorecem a produção de grãos superiores. Assim, altitude, clima, relevo e solo formam a combinação que proporciona as características únicas ao café na região, trazendo uma bebida caracterizada pela alta doçura, acidez equilibrada e notas sensoriais frutadas.
Cecília conta que 95% dos produtores de Caparaó são pequenos e cultivam em parcelas exíguas de terra, com mão de obra familiar. “Quase nada é mecanizado porque as lavouras são em locais muito íngremes. O terreiro de secagem do café é, em muitos casos, no quintal das casas dos produtores, quase que encostado na parede da casa”, detalha.
Café “fora da cartilha”
Após a conquista da IG de denominação geográfica em 2021 após sete anos de processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o objetivo da vez é atrair mais olhares para a região, trazendo melhora no IDH – ainda entre os mais baixos de Minas Gerais e Espírito Santo – por meio do turismo.
“Temos entre 30 e 40 produtores que estão investindo em turismo, atraindo visitantes para suas propriedades e mostrando o modo de produzir no Caparaó. Já entendemos que não conseguimos transformar o território todo de uma vez, por isso, focamos em núcleos onde se despontam alguns produtores empreendedores que se envolvem mais, fortalecem sua marca e a região, indo a eventos, gerando quase que um ‘fator de inveja’ aos outros cafeicultores para que se envolvam e façam o mesmo”.
Cecília também acredita que a fama de “rasgador de cartilha” do Caparaó é outro fator que tende a impulsionar ainda mais a região. “Não seguimos a cartilha de como produzir cafés especiais, temos a nossa própria, o que acaba dando muito certo. Em algumas regiões do Caparaó não recolhemos o café colhido para o terreiro no mesmo dia, sendo que essa questão é aplicada até mesmo na prova da certificação de café. Eu mesma já levei o café para o terreiro somente após dez dias e ele não sofreu qualquer alteração”, conta.
De acordo com ela, tal comportamento ilustra o sentimento de inovação que tem tomado conta de Caparaó, com produtores que acreditam não importar a quantidade de erros cometidos, mas sim a chegar na solução adequada para cada caso. “Em essência, não gostamos de seguir padrões.”
Afinal, ninguém embarca em navios, aviões ou cruza montanhas para provar uma xícara de café. O que faz um território ser inesquecível são as histórias que o café conta e o ambiente em que ele está inserido.
*O jornalista viajou para Gramado (RS) a convite da organização do Connection Terroirs
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‘Abordagem foi absolutamente truculenta’, diz advogado sobre operação do ICMBio no Pará

Segundo o advogado Diogo Franco, a atuação de agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) durante uma operação de apreensão de gado realizada na última terça-feira (9) na região da Terra do Meio, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará se deu de forma violenta. “A abordagem foi absolutamente truculenta.”, definiu Franco.
O advogado representa o produtor rural Pedro Coco, que teve parte do rebanho apreendida durante a Operação Pasto Nullus, deflagrada pelo ICMBio com apoio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) para combater a pecuária considerada irregular dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio.
Segundo Franco, os agentes entraram na propriedade sob o argumento de que fariam fiscalizações em outras áreas da região, mas acabaram apreendendo os animais sem comunicação prévia ao proprietário.
“Chegaram na propriedade do seu Pedro, pediram autorização para entrar alegando que fariam fiscalização em outras propriedades e acabaram apreendendo o gado dele sem notificá-lo”, afirmou.
De acordo com o advogado, o produtor ocupa a área desde o ano 2000 e aguarda há quase duas décadas uma solução fundiária por parte do governo federal.
“Em 2005 foi criada a Estação Ecológica da Terra do Meio. Em 2006, ele foi notificado de que a área passaria a integrar a unidade de conservação. Desde então, aguarda indenização e reassentamento. Há 20 anos ele espera uma definição do governo”, disse.
Tensão
A operação provocou tensão entre produtores rurais e agentes federais. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram moradores tentando impedir a retirada dos animais e soltando parte do rebanho que estava sendo transportado pelos fiscais.
O caso ampliou o debate sobre fiscalização ambiental, regularização fundiária e segurança jurídica em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia em relação aos conflitos de terra.
Segundo relatos de produtores e lideranças locais, a ação teria ocorrido sem apresentação de ordem judicial.
O que diz o ICMBio
A Estação Ecológica da Terra do Meio é uma unidade de conservação de proteção integral, categoria na qual a exploração econômica privada é proibida.
Em nota, o ICMBio informou que os animais apreendidos estavam sendo criados irregularmente dentro da unidade de conservação e em áreas já embargadas administrativamente pelo próprio instituto.
Segundo o órgão, os ocupantes haviam sido previamente notificados e a permanência da atividade pecuária configura descumprimento reiterado da legislação ambiental.
O instituto afirma ainda que as apreensões possuem respaldo jurídico e fazem parte de uma estratégia para interromper atividades ilegais em áreas protegidas da Amazônia.
Durante a fiscalização, o ICMBio informou ter identificado também possíveis irregularidades sanitárias. De acordo com o órgão, parte dos animais não estaria declarada junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), situação que poderia representar risco ao controle sanitário e caracterizar fraude na atividade pecuária.
O instituto sustenta que a operação respeita os processos de regularização fundiária em andamento e garante aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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