Sustentabilidade
Na avaliação de economista, El Niño intenso pode obrigar o sojicultor a replantar e elevar os gastos

O avanço das projeções para um possível El Niño de forte intensidade tem colocado o produtor de soja em estado de atenção. Segundo o economista pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Presley Vasconcelos, o fenômeno climático pode afetar diretamente a rentabilidade da atividade ao combinar dois fatores considerados críticos, que são queda na produtividade e aumento dos custos de produção.
“O El Niño pode impactar a rentabilidade do produtor de duas formas: reduzindo a quantidade produzida por hectare e elevando os custos da lavoura. Com menor produção e despesas maiores, a margem do produtor diminui”, explica.
O economista destaca, porém, que os impactos não serão iguais em todo o Brasil. Em regiões com excesso de chuvas, o plantio pode atrasar devido à dificuldade de entrada das máquinas nas áreas, além de aumentar o risco de perdas de lavouras, doenças e pragas. Já em outras regiões, temperaturas elevadas, estiagens e chuvas irregulares podem comprometer o desenvolvimento das plantas, exigir irrigação e afetar toda a estratégia produtiva.
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Além das perdas na produtividade, Vasconcelos alerta para um aumento dos custos operacionais. Dependendo da intensidade das chuvas, o produtor poderá precisar replantar áreas ou reaplicar defensivos. Também podem subir os gastos com sementes, combustível, secagem, armazenagem, transporte e mão de obra. O cenário ainda pode pressionar o crédito rural.
“Se houver pressão inflacionária, as taxas de juros podem permanecer elevadas ou subir ainda mais. Isso encarece os financiamentos e aumenta o custo do crédito para o produtor”, afirma.
Segundo o economista, esse contexto reforça a importância de políticas públicas voltadas ao setor, como crédito facilitado e medidas que reduzam o impacto financeiro sobre os agricultores.
O especialista ressalta ainda que uma eventual quebra de produção pode provocar valorização da soja por redução da oferta, mas faz um alerta, pois o preço interno não depende apenas da safra brasileira.
“Mesmo que a oferta diminua, fatores como a demanda da China, a produção dos Estados Unidos e da Argentina e o comportamento do câmbio também influenciam diretamente a formação dos preços”, explica.
Na avaliação de Vasconcelos, nem sempre uma alta da soja é suficiente para compensar as perdas provocadas pelo clima. “É preciso analisar se a valorização da saca consegue cobrir a redução da produção e o aumento dos custos. Em alguns casos, o produtor pode registrar prejuízo mesmo vendendo a soja por um preço maior”, detalha.
Os impactos também podem chegar ao consumidor. Como a soja faz parte da cadeia de produção de carnes, leite, ovos e diversos alimentos, uma eventual alta nos custos pode contribuir para elevar a inflação dos alimentos.
“Quando a soja encarece, aumenta também o custo de produção de proteínas animais. Além disso, transporte, armazenagem e logística ficam mais caros. Quem sente primeiro esse efeito são as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento para alimentação”, aponta o especialista.
Para reduzir os riscos, o economista recomenda que o produtor evite decisões baseadas em informações alarmistas e busque orientação em instituições técnicas e fontes confiáveis, já que cada região responde de forma diferente ao fenômeno climático.
Entre as principais estratégias de proteção estão a contratação de seguro rural, vendas futuras feitas com cautela, manutenção de reservas financeiras para emergências, planejamento na contratação de crédito, investimentos em tecnologia, monitoramento climático, armazenagem e, quando possível, diversificação das atividades agrícolas.
“Não existe uma solução única para todos os produtores. Cada região exige uma estratégia diferente. O mais importante é se antecipar, tomar decisões com base em informações técnicas e evitar medidas precipitadas influenciadas por conteúdos sensacionalistas”, conclui.
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Sustentabilidade
Quais impactos esperar da Lei Complementar 235/26 no setor de fertilizantes? – MAIS SOJA

Uma lei de importante impacto econômico para o setor agrícola foi sancionada pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, sem vetos. A Lei Complementar 235/26 tem como principais objetivos, mitigar impactos econômicos no mercado internacional de energia, decorrentes do atual conflito do Oriente Médio (Agência Câmara de Notícias, 2026). A lei excepcionaliza os benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes e à realização da Copa do Mundo Feminina, e dá outras providências (Agência Câmara de Notícias, 2026).
A lei complementar prevê até R$ 5 bilhoes em créditos fiscais para projetos de produção de fertilizantes e bioinsumos entre 2027 e 2031. Dada a dependência nacional da maioria dos fertilizantes utilizados na agricultura, a lei pode impactar o mercado nacional de fertilizantes, proporcionando maior autonomia nacional da cadeia produtiva. Além do estímulo à produção de fertilizantes, a da Lei Complementar 235/26 prevê medidas importantes como a desoneração de combustíveis, adiamento de IBS/CBS para operações com produtos agropecuários, redução da porcentagem mínima de exportação para enquadramento de empresas como “predominantemente exportadoras”, entre outras medidas (figura 1).
Figura 1. Principais medidas revistas na Lei Complementar 235/26.
Sobretudo, mesmo com a aporte considerável de créditos, o comportamento do mercado nacional e fertilizantes frente a adoção da lei e como ela passa a influenciar no cultivo das culturas agrícolas é uma dúvida atual. Para elucidas essas e outras questões a respeito dos impactos da Lei Complementar 235/26, a equipe Mais Soja realizou uma entrevista com Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração e especialista no ramo, com experiencia em gestão e desenvolvimento de negócios.
Figura 2. Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração.

Quando questionado se o volume de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para fertilizantes entre 2027 e 2031 é suficiente para estimular novos investimentos no setor, Saurin respondeu: “É um volume relevante e capaz de melhorar a viabilidade de novos projetos, mas não é suficiente, isoladamente, diante da dimensão do desafio brasileiro. A medida pode reduzir parte do risco de empreendimentos que exigem investimentos elevados e apresentam longos prazos de implantação e retorno. Projetos de mineração e fertilizantes são intensivos em capital e enfrentam riscos geológicos, ambientais, logísticos e regulatórios. Por isso, além do crédito fiscal, precisamos de previsibilidade, segurança jurídica, infraestrutura adequada, energia competitiva e processos de licenciamento eficientes. Com a integração entre Massari e Morro Verde, estamos ampliando nossa capacidade produtiva porque acreditamos que existe espaço para aumentar a oferta nacional e reduzir a vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional. Vejo, portanto, os incentivos como instrumentos importantes para viabilizar e acelerar projetos necessários ao país, desde que integrados a uma política de longo prazo.
Já com relação aos impactos da lei, e como a medida pode reduzir a dependência brasileira das importações de fertilizantes, Saurin destaca que “o principal caminho é aumentar a produção no próprio país. A elevada dependência das importações deixa o produtor brasileiro mais exposto às variações dos preços internacionais, do câmbio e dos fretes, além de conflitos geopolíticos e possíveis problemas de abastecimento. Precisamos aproveitar melhor nossas reservas de fosfato, potássio, cálcio, magnésio, e outros minerais, desenvolvendo soluções adaptadas aos solos e à agricultura tropical brasileira. Não se trata apenas de substituir um produto importado por outro nacional, mas de utilizar melhor os recursos existentes no país e aumentar a eficiência agronômica na aplicação dos nutrientes. É justamente nesse ponto que iniciativas como as da Massari Fértil e da Morro Verde ganham importância. Estamos ampliando a produção nacional e desenvolvendo soluções que combinam matérias-primas, tecnologia, micronização e conhecimento agronômico. A LC 235 de 2026 pode acelerar esse movimento, embora a redução da dependência seja um processo de longo prazo, que exige investimentos contínuos em capacidade produtiva, pesquisa, infraestrutura e logística”.
E quais seriam os segmentos da cadeia de fertilizantes mais beneficiados pelos incentivos previstos na lei? De acordo com Saurin, “a medida alcança diferentes segmentos ligados à produção nacional de fertilizantes e de matérias-primas. Entre os que podem receber maior impulso estão os fertilizantes e as matérias-primas nacionais, os fosfatos naturais, os remineralizadores, os biofertilizantes e os bioinsumos, além dos projetos de modernização e ampliação de unidades produtivas. Os fertilizantes fosfatados e as matérias-primas produzidas no Brasil têm papel estratégico nesse processo. Essa é uma área em que a Massari Fértil e a Morro Verde vêm investindo e ampliando sua atuação, porque o país possui reservas, conhecimento e condições para aumentar a produção e depender menos do mercado externo. Os critérios de seleção deveriam priorizar projetos com capacidade efetiva de gerar volume, escala, eficiência agronômica, inovação e substituição de importações. Também é importante assegurar espaço para diferentes produtores, tecnologias e regiões, fortalecendo uma cadeia diversificada e mais segura”.
Marcado Nacional X Mercado Internacional de fertilizantes
A partir dos incentivos previstos na LC 235/2026, pode-se esperar que os fertilizantes produzidos no Brasil se tornem mais competitivos em relação aos importados? Saurin explica que, “existe esse potencial, mas é importante não confundir incentivo fiscal com a competitividade estrutural de que o setor precisa no longo prazo. Para empresas que já investem em produção nacional, um ambiente com custos e riscos menores pode acelerar projetos, estimular a modernização das unidades e permitir ganhos de escala. Com maior escala, torna-se possível diluir custos e competir em melhores condições com o produto importado. Ao mesmo tempo, outros fatores têm peso decisivo, como os custos de energia e logística, o acesso às matérias-primas, a infraestrutura, a tecnologia, o licenciamento e a segurança jurídica. O incentivo pode dar um impulso importante, mas não substitui a necessidade de enfrentar esses gargalos. O objetivo deve ser construir uma indústria nacional estruturalmente competitiva, capaz de se sustentar no longo prazo, mesmo após o encerramento dos incentivos”.
Considerando o histórico de dependência externa, e iniciativas anteriores como Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 e o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 o que diferencia a Lei Complementar 235/2026 das medidas anteriores e como evitar que ela repita resultados limitados?
O CEO da Massari Fértil explica que “a principal diferença é a criação de um instrumento fiscal diretamente associado à realização de projetos produtivos. A lei estabelece uma janela de incentivos entre 2027 e 2031, enquanto o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 definiu uma estratégia de longo prazo, com horizonte até 2050. O diferencial não será apenas conceder o crédito, mas selecionar projetos capazes de efetivamente acrescentar produção, tecnologia e capacidade instalada. Sem regulamentação rápida, previsibilidade orçamentária e acompanhamento das contrapartidas, existe o risco de repetirmos planos corretos no diagnóstico, mas limitados na execução. A experiência mostra que o incentivo, sozinho, não resolve. O Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 já buscava ampliar e modernizar a indústria nacional. Para que a nova medida produza resultados mais consistentes, ela precisa ser acompanhada por infraestrutura, energia competitiva, acesso às matérias-primas, licenciamento eficiente, financiamento e segurança para quem está disposto a investir no longo prazo. O resultado deve ser avaliado pelo aumento efetivo da produção e da capacidade instalada, pelo avanço tecnológico e pela redução concreta da vulnerabilidade externa. É isso que pode transformar o incentivo em uma verdadeira política industrial”.
Redução da dependência externa
Essa medida constitui uma iniciativa sólida na busca pela independência nacional no campo de fertilizantes ou mesmo com a medida a agricultura brasileira ainda irá depender majoritariamente dos fertilizantes importados?
De acordo com Saurin, “é uma iniciativa importante para aumentar a autonomia do Brasil, mas ainda estamos longe de alcançar independência em relação aos fertilizantes importados. Somos um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, e a produção nacional ainda não consegue atender integralmente à demanda. O caminho passa por fortalecer empresas e projetos que já estão aumentando a oferta interna. Com a integração entre Massari e Morro Verde, temos capacidade superior a 3 milhões de toneladas por ano e planejamos alcançar 5 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos. Isso demonstra que há capacidade e disposição para investir no Brasil, mas também evidencia a dimensão do desafio nacional. Por isso, é mais realista falar em segurança de abastecimento, autonomia e menor vulnerabilidade do que em autossuficiência. O Brasil continuará participando do mercado internacional, mas pode reduzir sua exposição ao ampliar a produção interna, diversificar matérias-primas, tecnologias e fornecedores e aproveitar melhor suas próprias reservas minerais.
Finalizando a entrevista, Saurin foi questionado quanto a possíveis impactos negativos no setor. Apesar dos benefícios esperados, a Lei Complementar 235/2026 pode gerar impactos negativos ou efeitos não desejados no longo prazo? “Todo incentivo fiscal precisa ser acompanhado de perto. Um dos riscos é o benefício sustentar projetos que não se tornem competitivos após o seu encerramento. Também é necessário evitar a captura dos recursos por poucos grupos, o financiamento de capacidades apenas anunciadas, mas não efetivamente implantadas, e a criação de competição desigual entre empresas beneficiadas e produtores nacionais que não consigam acessar o programa. Os investimentos também não devem ficar excessivamente concentrados em poucos projetos ou regiões. Uma cadeia diversificada, com diferentes produtores, matérias-primas e tecnologias, aumenta a segurança de abastecimento. Ao mesmo tempo, a expansão da produção precisa caminhar com eficiência, inovação e responsabilidade ambiental. O programa deve medir toneladas efetivamente adicionadas, investimentos executados, ganhos de produtividade, empregos, conteúdo nacional e redução concreta da exposição externa. Benefício fiscal sem contrapartida mensurável não pode ser considerado política industrial. Com metas claras, acompanhamento dos investimentos e avaliação periódica dos resultados, será possível direcionar o recurso público para a construção de uma indústria nacional mais competitiva e capaz de oferecer maior segurança ao agronegócio brasileiro. O Brasil não deve tentar apenas reproduzir internamente a matriz de fertilizantes importados. Precisa aproveitar suas reservas minerais, sua capacidade tecnológica e o conhecimento acumulado sobre solos tropicais para desenvolver uma matriz de fertilização mais diversificada, eficiente e segura”.
A Lei Complementar Nº 235, de 27 de Agosto de 2026 pode ser acessada clicando aqui!

Referências:
AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 235, DE 27 DE AGOSTO DE 2026. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2026/leicomplementar-235-27-agosto-2026-799870-norma-pl.html >, acesso em: 17/09/2026.
AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. NOVA LEI REDUZ TRIBUTOS SOBRE COMBUSTÍVEIS E PREVÊ INCENTIVOS PARA FERTILIZANTES. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www.camara.leg.br/noticias/1301020-nova-lei-reduz-tributos-sobre-combustiveis-e-preve-incentivos-para-fertilizantes >, acesso em: 17/09/2026.
Redação: Equipe Mais Soja.
Sustentabilidade
Pesquisa da Síntese Agro Science identifica bactéria capaz de reduzir em 67,8% nematoide que ataca raízes da soja – MAIS SOJA

A Síntese Agro Science, empresa brasileira de biotecnologia aplicada ao agronegócio, identificou uma bactéria com potencial para proteger o sistema radicular da soja e ampliar as alternativas disponíveis para o manejo integrado. Batizada de SB005, a cepa foi isolada de folhas de soja cultivadas no Brasil. Em estudo publicado na edição de agosto da revista científica internacional Process Biochemistry, o microrganismo registrou redução de 67,8% na população do nematoide das galhas (Meloidogyne javanica), parasita microscópico de solo que prejudica o desenvolvimento das raízes, com eficácia estatisticamente comparável à do produto químico usado como referência.
“O resultado mostra o potencial de microrganismos endofíticos encontrados no Brasil para gerar tecnologias com desempenho competitivo e viabilidade de produção em escala. É esse domínio científico e industrial que permite transformar pesquisas em soluções rentáveis e aplicáveis ao campo”, afirma Willian Marcusso, engenheiro agrônomo e diretor de Projetos e Inovação da Síntese Agro Science.
O nematoide é praticamente invisível a olho nu e sua presença costuma ser percebida pela formação de manchas (reboleiras) na lavoura em que as plantas apresentam menor desenvolvimento e folhas amareladas, sinais de que a absorção de água e nutrientes foi comprometida. Um levantamento atribuído à Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) estima em R$ 16,2 bilhões por ano as perdas provocadas por nematoides na cultura da soja no Brasil.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores isolaram o microrganismo e desenvolveram um processo de fermentação capaz de multiplicá-lo em escala, etapa fundamental para avançar sua aplicação como bioinsumo. Para viabilizar a produção, utilizaram a milhocina, um subproduto agroindustrial de baixo custo que funciona como substrato altamente eficiente para a fermentação da bactéria.
O processo de produção foi validado inicialmente em escala de bancada e posteriormente ampliado para biorreatores de até 100 litros, etapa considerada um dos maiores desafios para transformar uma descoberta em tecnologia viável. O estudo demonstrou ainda que o tratamento de sementes com o SB005 favoreceu o desenvolvimento das raízes da soja, tanto nos testes realizados em areia quanto em solo.
Os resultados acompanham um momento de expansão do setor: segundo a CropLife Brasil, a área tratada com bionematicidas passou de 28 milhões para 44 milhões de hectares entre 2024 e 2025, expansão de aproximadamente 60%. A pesquisa integra a estratégia da Síntese Agro Science, que mantém em Maringá (PR) uma estrutura dedicada à bioprospecção de microrganismos encontrados no Brasil e ao desenvolvimento de tecnologias nacionais que ampliem as alternativas disponíveis ao produtor.
A consistência dessa linha de pesquisa também foi demonstrada em outro estudo da Síntese, publicado em setembro na revista científica internacional Archives of Phytopathology and Plant Protection. A pesquisa avaliou quatro outras cepas bacterianas — SB001, SB002, SB003 e SB004 — e identificou potencial para reduzir a população do mesmo nematoide na soja, além de efeitos positivos sobre o desenvolvimento das plantas.
A descoberta acontece em um momento de expansão da companhia, que projeta crescimento de 50% no faturamento nesta safra. A empresa investe cerca de R$ 90 milhões em um novo parque tecnológico em Maringá (PR), com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2027, além de manter uma coleção própria de cerca de 500 microrganismos catalogados.
Segundo Willian Marcusso, a estratégia da companhia é se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo por meio do desenvolvimento de ativos biotecnológicos próprios. O novo complexo terá 9 mil metros quadrados dedicados à pesquisa e à produção em escala. A companhia mantém hoje 19 pesquisadores em dedicação integral e pretende ampliar o time para 60 profissionais até 2030.
Sobre a Síntese Agro Science
Fundada em 2018, a Síntese Agro Science é uma empresa brasileira de biotecnologia aplicada no agro, com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento de soluções que ampliam a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.
A empresa desenvolve tecnologias para nutrição vegetal, bioestimulação e aplicação agrícola, transformando pesquisas em soluções práticas que aumentam a produtividade no campo com mais previsibilidade e eficiência. Suas soluções não deixam resíduos tóxicos nos grãos e nas culturas tratadas, atendendo e superando os principais protocolos internacionais de exportação na Europa, Ásia e América do Norte, alinhadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e desenvolvidas com foco na biodiversidade e na saúde humana e animal.
Com base em biotecnologia de nova geração, a Síntese Agro Science investe em pesquisa e estrutura laboratorial para desenvolver soluções a partir de microrganismos e processos biológicos controlados, antecipando, em ambiente industrial, respostas que tradicionalmente ocorreriam no campo.
A companhia tem como objetivo contribuir para a evolução do modelo produtivo do agro, integrando biotecnologia ao manejo agrícola para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
A largada para a safra de soja 2026/2027: o desafio de plantar com margens apertadas e mudanças de tempo – MAIS SOJA

Por Gustavo Rocha*
Com a chegada de setembro e o fim oficial do período de vazio sanitário nos principais estados produtores, o campo brasileiro se prepara para dar a largada na safra de soja 2026/2027. Os tratores estão revisados e as sementes aguardam nos galpões, mas o momento exato de colocar a plantadeira na terra exigirá, mais do que nunca, extrema precisão. Entramos em um ciclo agrícola onde a margem para erros é mínima, e a estratégia agronômica precisará caminhar lado a lado com um planejamento financeiro disciplinado.
A narrativa de que o Brasil cresce apenas abrindo novas fronteiras ficou no passado. O avanço territorial da soja está praticamente estagnado, figurando como a menor taxa de expansão em 20 anos. Contudo, isso não significa estagnação de volume, muito pelo contrário!
Mesmo com menos áreas abertas, o Brasil não apenas manterá sua liderança global, como tem fôlego para registrar um novo recorde histórico. O segredo está da porteira para dentro: uma forte expectativa de ganho em produtividade. Segundo projeções da Datagro, a eficiência das lavouras deve saltar para 3.763 kg/ha, o que eleva o potencial da safra nacional para 185,6 milhões de toneladas. O produtor brasileiro provará nesta safra que é possível fazer muito mais com o mesmo hectare, utilizando a tecnologia como principal aliada.
Produziremos como nunca, mas com margens apertadas
No entanto, as expectativas positivas com o volume escondem desafios conjunturais. Os dados consolidados do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divugados em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), somados às análises de mercado, apontam para o “paradoxo do recorde”: produziremos como nunca, mas as margens financeiras estão mais justas do que nunca, operando muito próximas do chamado breakeven, ou ponto de equilíbrio, em que a receita total se igual aos custos totais – o que na prática significa que não houve lucro nem prejuízo.
Medidas anunciadas pelo Governo Federal
No final de junho, o Governo Federal fez dois importantes anúncios que impactam pequenos, médios e grandes produtores rurais.
Para o Plano Safra 2026/2027, foram anunciados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, um acréscimo de R$ 9 bilhões sobre os R$ 516,2 bilhões do ciclo anterior, com aumento de 1,7%.
Já para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, foram anunciados 97,3 bilhões em recursos. Um montante que será destinado para crédito, seguro agrícola, compras públicas, extensão rural e assistência técnica. Do total, R$ 85,2 bilhões serão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Um aumento de quase 9% em relação à safra anterior. Dentro do pacote, também estão a redução das taxas de juros e a ampliação dos limites de financiamento.
Esses recursos para custeio, comercialização e investimentos serão a principal alavanca para garantir o fluxo de caixa do produtor ao longo dos próximos meses. Porém, somado ao desafio financeiro, há sempre o impacto do clima. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta sobre a continuidade do El Niño, com efeitos que devem se estender até 2027. As previsões indicam riscos reais de chuvas irregulares e ondas intensas de calor na região Centro-Oeste entre agosto e outubro. Isso transforma a janela de abertura do plantio em um verdadeiro xadrez. Plantar no pó ou aguardar a consolidação das chuvas? A decisão definirá o estande de plantas e, consequentemente, o teto produtivo de toda a safra.
É importante frissar também que não há milagres quando se trata de plantar e colher. Além de um bom planejamento, a plantação também demanda uso de produtos que a projetam quando o tempo fica seco demais ou a chuva cai em excesso. Se no dia a dia, nós seres humanos, fazemos uso de vitaminas e remédios, a planta ali a céu aberto, também carece desses cuidados. Um bom exemplo, é um produto lançado recentemente pela Agrichem – marca da Nutrien com foco em nutrição vegetal – que traz mais mobilidade e translocação de potássio pela planta na comparação com concorrentes tradicionais. Chamado de Supa K, o fertilizante apresenta, do ponto de vista prático de manejo, diferenciais fundamentais como um baixo índice salino e menor ponto de deliquescência. Para o produtor que enfrenta o estresse térmico e hídrico do El Niño, isso se traduz em segurança fisiológica e menor dependência da umidade relativa do ar para que o nutriente seja efetivamente absorvido.
Experiência somada à inovação
A safra de soja 2026/2027 não será lembrada apenas pelos seus volumes, mas pela resiliência e profissionalismo de quem a plantou. Diante de margens espremidas e de um clima volátil, a sorte deixa de ser uma variável aceitável. O sucesso da soja brasileira neste ciclo residirá puramente na eficiência técnica, na adoção de tecnologias de ponta em sementes e nutrição, e em uma gestão financeira rigorosa. É hora de aliar o conhecimento milenar de olhar para o céu com a tecnologia moderna de proteger a lavoura e olhar para a planilha. A safra já começou, e ela será vencida na excelência dos detalhes.
Sobre o autor: Gustavo Rocha é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e gerente de Marketing da Agrichem.
Fonte: Assessoria de imprensa
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