Sustentabilidade
Rotação de culturas e manejo das plantas de cobertura influenciam na produtividade da soja – MAIS SOJA

A rotação de culturas pode ser definida como a alternância de espécies vegetais ao longo do tempo, em uma mesma área agrícola, por meio de uma sequência planejada de cultivos distintos, preferencialmente com sistemas radiculares contrastantes, como gramíneas e leguminosas, conduzidas no inverno e/ou no verão. Nesse sistema, cada espécie promove efeitos residuais positivos para o solo, para o ambiente e para a cultura sucessora (Embrapa, 2021).
Considerando que a soja ocupa, em muitos sistemas de produção, o papel de cultura principal, a adoção da rotação com espécies de diferentes famílias e gêneros contribui não apenas para intensificar o uso da terra, mas também para a quebra do ciclo de patógenos biotróficos, pragas e plantas daninhas. Além disso, espécies com elevada produção de matéria seca favorecem a manutenção do sistema plantio direto, atuando diretamente na cobertura do solo.
Adicionalmente, diversas espécies inseridas na rotação possuem valor econômico, contribuindo para o aumento da rentabilidade da atividade agrícola. No entanto, apesar desses e de outros benefícios indiretos, a adoção da rotação de culturas ainda é limitada em algumas regiões, seja por dificuldades operacionais e de implantação, seja pelo desconhecimento dos ganhos indiretos proporcionados, especialmente na cultura da soja.
Rotação de culturas e a produtividade da soja
Estudos de longa duração demonstram que a rotação de culturas impacta diretamente a produtividade da soja, quando comparada a sistemas baseados em soja sob pousio. Ensaios conduzidos pela Fundação ABC, com experimentação iniciada em 1989, indicam que, embora os ganhos variem conforme o ano agrícola e as condições climáticas, a rotação de culturas, de modo geral, resulta em produtividades superiores ao pousio (Joris; Costa; Roscosz Junior, 2025).
Em avaliações mais recentes, considerando dez safras sob rotação, Pengo et al. (2025) observaram que a soja cultivada nesse sistema apresenta produtividade superior em relação ao pousio. Entretanto, o incremento médio varia conforme as culturas incluídas na rotação, podendo atingir ganhos de até 5,1 sc/ha em sistemas que integram soja ou milho com braquiária, em comparação à soja cultivada sem rotação.
Figura 1. Produtividade da cultura da soja em função de diferentes manejos de plantas de cobertura ao longo de 10 ciclos produtivos. Fundação Rio Verde, 2025.
**Mix de Plantas = Brachiaria + Crotalária + Milheto + Nabo;
***Manejo Intercalado = Brachiária (15/16) / Crotalária spectabilis (16/17) / Níger (17/18) / Milho (18/19) / Nabo (19/20) / Sorgo (20/21) / Crotalária ochroleuca (21/22) / Feijão Carioca (22/23) / Milheto (23/24) / Trigo Mourisco (24/25).
Fonte: Pengo et al. (2025)
Os resultados indicam que, independentemente do sistema de cultivo, a rotação de culturas contribui para o aumento da produtividade da soja em sucessão. Contudo, observa-se que determinados arranjos de rotação são mais eficientes em promover ganhos produtivos, aspecto que se torna ainda mais evidente quando analisado em uma única safra.
Conforme demonstrado por Pengo et al. (2025), alguns programas de rotação proporcionam incrementos expressivos de produtividade em comparação ao pousio. Nos ensaios conduzidos pela Fundação Rio Verde na safra 2024/2025, foram registrados aumentos superiores a 20 sc/ha em determinados sistemas de rotação em relação ao pousio (Figura 2), evidenciando que o posicionamento da cultura de cobertura exerce papel sobre a produtividade da soja.
Figura 2. Produtividade da soja em função de diferentes manejos de plantas de cobertura na safra 2024/2025. Fundação Rio Verde, 2025.

**Mix de Plantas = Brachiaria + Crotalária + Milheto + Nabo;
***Manejo Intercalado = Brachiária (15/16) / Crotalária spectabilis (16/17) / Níger (17/18) / Milho (18/19) / Nabo (19/20) / Sorgo (20/21) / Crotalária ochroleuca (21/22) / Feijão Carioca (22/23) / Milheto (23/24) / Trigo Mourisco (24/25).
Fonte: Pengo et al. (2025)
Esse desempenho pode ser atribuído, entre outros fatores, às características fisiológicas das espécies utilizadas na rotação, especialmente aquelas com sistema radicular mais desenvolvido, que atuam de forma significativa na ciclagem de nutrientes, entre outros benefícios supracitados. Confira os resultados completos da Fundação Rio Verde para a safra 2024/2025 clicando aqui!
Veja Mais: Rotação de culturas no plantio direto preserva os estoques de nutrientes do solo

Referências:
EMBRAPA. CONCEITOS E BENEFÍCIOS DA ROTAÇÃO DE CULTURA. Embrapa Soja, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/rotacao-de-culturas/conceitos-e-beneficios-da-rotacao-de-cultura#:~:text=Conceitualmente%20a%20rota%C3%A7%C3%A3o%20de%20culturas%20(Figura%201),do%20monocultivo%20%C3%A9%20fundamental%20a%20presen%C3%A7a%20das >, acesso em: 20/04/2026.
JORIS, H. A. W.; COSTA, E. D.; ROSCOSZ JUNIOR, F. ALTA PRODUTIVIDADE NA SOJA COMELA COM A ROTAÇÃO DE CULTURAS. Fundação ABC, 2025. Disponível em: < https://fundacaoabc.org/wp-content/uploads/2025/07/202507revista-pdf.pdf >, acesso em: 23/10/2025.
PENGO, R. et al. MANEJO DE PLANTAS DE COBERTURA NA SEGUNDA SAFRA: SAFRA 2024/25. Fundação Rio Verde, Resultados de Soja e Milho Ao longo de 10 safras, 2025. Disponível em: < https://fundacaorioverde.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Manejo-de-Plantas-de-Cobertura.pdf >, acesso em: 20/04/2026.

Sustentabilidade
Chicago fecha milho em baixa pressionado por tombo do petróleo e realização de lucros – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho encerrou o pregão em queda. O mercado acompanhou a forte desvalorização do petróleo em Nova York e um movimento de realização de lucros.
Os contratos do petróleo recuaram mais de 5% após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o conflito com o Irã poderia ser resolvido rapidamente. Apesar do discurso mais otimista, o mercado segue cauteloso diante das incertezas envolvendo as negociações e dos riscos de interrupções no abastecimento de petróleo no Oriente Médio.
Além da pressão externa, os investidores também ajustaram posições antes da divulgação das exportações semanais norte-americanas de milho. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal projetam vendas entre 1 milhão e 1,8 milhão de toneladas na semana, acima das 685,2 mil toneladas reportadas anteriormente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O mercado avaliava que o ritmo das exportações segue compatível com a projeção do USDA para a safra 2025/26. No relatório de oferta e demanda de maio, o órgão estimou as exportações de milho dos Estados Unidos em 3,3 bilhões de bushels no ciclo comercial.
Os contratos de milho com entrega em julho fecharam a US$ 4,65 3/4 com perda de 9,50 centavos, ou 1,99%, em relação ao fechamento anterior. A posição setembro fechou a sessão a US$ 4,72 1/2 por bushel, queda de 9,00 centavos de dólar, ou 1,86%, em relação ao fechamento anterior.
Autor/Fonte: Ritiele Rodrigues (ritiele.rodrigues@safras.com.br) / Safras News
Sustentabilidade
B25: ‘Biodiesel é alavanca para produção de proteínas’, diz presidente da Ubrabio

A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) comemorou a autorização do governo federal para o início dos testes que podem ampliar a mistura de biodiesel no diesel brasileiro até o B25. A medida integra a política de transição energética e deve trazer impactos positivos para o agronegócio, a indústria e a geração de empregos.
Em entrevista ao Mercado & Companhia, o presidente da entidade, Donizete Tokarski, afirmou que a ampliação da mistura representa um avanço importante para o desenvolvimento econômico do país. “O biodiesel faz parte do desenvolvimento econômico do Brasil. Ele não é só a produção de energia líquida, ele é muito mais do que isso. É um mercado muito grande para o agro brasileiro”, disse.
Impacto para o agro
Segundo Tokarski, atualmente cerca de 40 milhões de toneladas de soja são processadas para produção de óleo destinado ao biodiesel. O processo também gera aproximadamente 30 milhões de toneladas de farelo, utilizado na cadeia de proteínas animais.
De acordo com ele, o avanço da mistura fortalece a industrialização nacional e amplia oportunidades no interior do país. “Além da produção de combustível, isso gera emprego, desenvolvimento regional e fortalece a produção de proteínas e alimentos”, afirmou.
O presidente da Ubrabio também ressaltou que o avanço até o B25 já está previsto na Lei dos Combustíveis do Futuro e destacou o apoio político à proposta no Congresso Nacional.
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Testes para o B20 e B25
Os testes serão realizados em etapas, inicialmente para o B20 e posteriormente até o B25. Segundo Tokarski, o objetivo é comprovar a segurança e a viabilidade técnica do uso em veículos novos e antigos.
“Esses testes vão simplesmente comprovar que a viabilidade técnica está devidamente assegurada”, afirmou. A entidade defende ainda que o cronograma avance rapidamente para permitir a adoção gradual de misturas maiores nos próximos anos.
“Nossa preocupação é que os testes sejam feitos com velocidade para operacionalizar o B16, o B17 e chegarmos ao B20 em 2030 com tranquilidade”, disse.
Valor além do preço
Tokarski também afirmou que o biodiesel deve ser analisado não apenas pelo preço, mas pelos efeitos econômicos, sociais e ambientais que gera.
“Hoje o biodiesel está mais barato do que o diesel no mercado internacional. Mas não temos que analisar apenas o preço, e sim o valor desse combustível”, destacou.
Segundo ele, o aumento da mistura também pode contribuir para reduzir emissões e melhorar a segurança energética do país.
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Sustentabilidade
China compra 84% da soja de MS e tensão com Taiwan pode afetar custos no campo – MAIS SOJA

A dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao centro das discussões econômicas após o aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. O tema é destaque do Informativo Econômico 02/2026, divulgado pela Aprosoja/MS.
O documento mostra que aproximadamente 84,3% da soja exportada pelo estado tem a China como principal destino. Isso significa que qualquer instabilidade envolvendo o país asiático pode refletir diretamente no agro sul-mato-grossense, principalmente nos custos de produção e na comercialização da safra.
Além da exportação de grãos, o levantamento destaca que o Brasil também depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao comércio internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá (14%), Rússia (14%) e China (12%).
Segundo a análise da Aprosoja/MS, mesmo sem um conflito direto, um aumento das tensões na região pode provocar alta no frete marítimo, valorização do dólar e aumento no preço de fertilizantes, defensivos e combustíveis utilizados no campo.
O estudo aponta ainda possíveis reflexos como:
- aumento dos custos de produção;
- maior volatilidade nos preços da soja e do milho;
- pressão sobre o planejamento financeiro do produtor;
- encarecimento de insumos agrícolas dolarizados.
Por outro lado, o material também destaca que o Brasil pode ampliar sua posição como fornecedor estratégico da China, especialmente em um cenário de redução da dependência chinesa dos produtos norte-americanos.
De acordo com os analistas econômicos da Aprosoja/MS, o principal desafio do produtor rural será acompanhar a relação de troca, o custo operacional e a capacidade financeira em um cenário de maior volatilidade internacional.
O informativo foi elaborado pelos analistas Raphael Flores Gimenes e Linneu Borges Filho.
Confira o estudo completo clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
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