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16 de setembro de 2026

Sustentabilidade

O mercado de trabalho da soja e do biodiesel está mudando – MAIS SOJA

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Por Rodrigo Peixoto da Silva

O mercado de trabalho da cadeia da soja e do biodiesel no Brasil segue em expansão, mas não da forma tradicional que muitos ainda imaginam. Os dados mais recentes mostram um crescimento consistente, com mais de 2,3 milhões de pessoas ocupadas em 2025. À primeira vista, isso reforça a importância dessa cadeia produtiva para o País. No entanto, ao olhar mais de perto, fica claro que estamos diante de uma transformação estrutural relevante.

O crescimento do emprego está cada vez menos concentrado “dentro da porteira”. Pelo contrário: o segmento primário, responsável pela produção de soja, apresentou redução no número de trabalhadores nos últimos anos. Esse movimento não é um sinal de crise; é, na verdade, um reflexo direto da modernização do campo brasileiro. A mecanização, o uso intensivo de tecnologia e os ganhos de produtividade estão permitindo produzir mais com menos mão de obra. Esse fenômeno não é novo, mas vem se intensificando. E ele traz uma consequência importante: a demanda por trabalho está migrando para outras partes da cadeia.

Hoje, quem mais gera empregos são os chamados agrosserviços – atividades como transporte, armazenagem, comercialização, financiamento e apoio técnico. Esse segmento já concentra mais de 70% dos trabalhadores da cadeia da soja e do biodiesel e foi o principal responsável pela expansão recente do contingente de pessoas ocupadas. Em outras palavras, o dinamismo do setor não desapareceu, ele apenas mudou de lugar.

Essa mudança também altera o perfil do trabalhador demandado. Os dados indicam um aumento consistente do nível de escolaridade e da formalização do emprego. Cresce o número de trabalhadores com ensino médio e superior, enquanto diminui a participação daqueles com menor nível de instrução. Ao mesmo tempo, há avanço dos empregos com carteira assinada, especialmente nos segmentos mais organizados da cadeia. Isso sugere um processo claro: a cadeia produtiva está se tornando mais intensiva em conhecimento e menos dependente de trabalho pouco qualificado.

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Outro aspecto relevante é a evolução dos rendimentos. Mesmo com mudanças na composição do emprego, houve aumento real da renda média do trabalho na cadeia produtiva. Esse resultado, combinado com a redução do emprego no segmento primário, reforça a hipótese de ganhos de produtividade.

Mas nem tudo são boas notícias. A agroindústria, que poderia agregar mais valor à produção nacional, ainda tem participação relativamente pequena no emprego total e apresentou retração recente em alguns segmentos. Isso revela uma limitação estrutural: o Brasil ainda exporta grande parte da soja in natura, deixando de capturar plenamente os benefícios da industrialização. Por outro lado, o crescimento do biodiesel aponta uma oportunidade. A ampliação do uso de biocombustíveis, tanto no Brasil quanto no mundo, pode impulsionar a indústria e gerar empregos mais qualificados, desde que haja um ambiente favorável ao investimento.

No agregado, o que os dados mostram é um setor em transformação: mais produtivo, mais tecnológico e mais integrado a serviços. Essa transição representa avanços importantes, mas também desafios.

O principal deles é a qualificação da mão de obra. À medida que as atividades mais intensivas em trabalho manual perdem espaço, cresce a necessidade de profissionais capacitados para atuar em logística, gestão, tecnologia e indústria. Sem investimentos bem direcionados em educação e formação profissional, há o risco de parte da força de trabalho ficar para trás. Além disso, há um desafio regional e social: como garantir que os ganhos de produtividade se traduzam em oportunidades mais amplas e inclusivas?

A cadeia da soja e do biodiesel continuará sendo um dos pilares da economia brasileira. Entretanto, seu futuro não será definido apenas pelo volume produzido ou exportado, mas também pela capacidade de gerar empregos de qualidade, promover inclusão, agregar valor e incorporar inovação. Entender essas mudanças é fundamental para orientar políticas públicas e estratégias empresariais. Afinal, o que está em jogo não é apenas o desempenho de um setor, mas o papel que ele desempenhará no desenvolvimento econômico do País nos próximos anos.

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Fonte: Cepea

Sobre o autor: Rodrigo Peixoto da Silva é Pesquisador do Cepea – cepea@usp.br



 

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Autor:Cepea

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Sustentabilidade

Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

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A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.

Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.

Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).

Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.

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Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).

Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Fonte: Savioli et al. (2021)

Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.

Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.



Referências:

DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.

ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.

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SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

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A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.

Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.

Fonte: Cepea

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Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

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Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.

O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.

Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.

O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.

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Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).

Cuiabá

Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.

O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.

Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).

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Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).

“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.

CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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