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25 de julho de 2026

Business

Dívidas rurais, barter e tarifaço: os temas do novo Radar Rural

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Novo Radar Rural explica os entraves na renegociação de dívidas, as mudanças no barter e os efeitos do tarifaço dos EUA no agro

O novo episódio do Radar Rural, videocast do Canal Rural apresentado por Beatriz Gunther e Victor Faverin, aborda três assuntos que têm impacto direto sobre o caixa do produtor: as dificuldades para renegociar dívidas rurais, as mudanças tributárias nas operações de barter e a entrada em vigor das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Renegociação de dívidas ainda enfrenta entraves

Um dos principais temas do programa é a Medida Provisória 1.376/2026, publicada para criar condições especiais de renegociação de dívidas rurais. Apesar da expectativa gerada pela medida, produtores ainda encontram obstáculos para acessar os benefícios.

O principal motivo foi a demora na publicação das regras necessárias para a operacionalização da MP pelas instituições financeiras. A regulamentação foi publicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última quinta-feira (23), uma semana após a medida ser assinada.

O episódio também traz o relato de um produtor do Rio Grande do Sul, região castigada por sucessivas estiagens e enchentes nas últimas safras. Segundo Lucas Scheffer, a proposta ainda está distante da realidade enfrentada no campo, já que muitos produtores acumulam passivos desde 2020 e têm dificuldades para voltar a acessar crédito rural.

Outro ponto destacado é que, sem conseguir renegociar as dívidas, muitos agricultores também ficam impedidos de contratar novos financiamentos do Plano Safra. O programa lembra ainda que os recursos equalizados só começaram a ser liberados semanas após o lançamento oficial do plano.

Reforma tributária muda operações de barter

O Radar Rural também explica como a reforma tributária altera as operações de barter, modalidade amplamente utilizada pelo produtor para adquirir insumos utilizando parte da produção futura como pagamento.

A partir de 3 de agosto, entram em vigor novas exigências fiscais relacionadas à operação. Entre elas, está a necessidade de adequação às novas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), etapa considerada preparatória para a implementação completa da reforma tributária.

Nesse contexto, produtores e empresas devem buscar orientação de contadores e advogados tributaristas para evitar erros no cumprimento das novas obrigações fiscais.

Além do barter, o episódio cita um estudo que aponta aumento potencial de até 414% na carga tributária de empresas especializadas no agenciamento de transporte de cargas do agronegócio em razão das novas regras tributárias.

Tarifaço dos EUA já está em vigor

Na reta final do programa, destaque para a entrada em vigor das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. O episódio reforça que itens importantes do agronegócio, como café, carnes e suco de laranja, ficaram de fora da medida, enquanto produtos como etanol, madeira processada e máquinas foram atingidos.

Conforme estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as novas tarifas podem causar perdas anuais de R$ 4,6 bilhões para o agro brasileiro.

Assista ao episódio completo

O episódio completo do Radar Rural está disponível no canal do Canal Rural no YouTube:

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Agro Mato Grosso

‘Fórmula-1 Caipira’; o agro transformou a terra batida em alta velocidade no país

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Não é à toa que o autocross ganhou o apelido de “Fórmula-1 Caipira” nos anos 1990!. Dos 37 pilotos inscritos no grid da temporada de 2026, aberta em maio na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, 90% tem como principal fonte de renda a agricultura. São produtores de soja, milho, algodão, e pecuaristas que dividem espaço com filhos de produtores e empresários ligados ao campo, em finais de semana eletrizantes, de muita velocidade e adrenalina.

Para os pilotos/agricultores, as corridas não são apenas uma competição, mas uma maneira de se desligar do negócio que exige também muito suor e inteligência; afinal, eles produzem e exportam alimentos para o mundo.

Segundo Gian Pasqualli, CEO do Autocross Brasil, “praticamente todo o grid está ligado ao agronegócio”. Eles são principalmente de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul, regiões que concentram algumas das maiores áreas agrícolas do planeta.

Juntos, os pilotos representam mais de 2 milhões de hectares cultivados. Ou seja, cada corrida é também um encontro de grandes produtores rurais, reforçando a identidade do autocross como esporte do agro.

No kartcross, que terá a etapa única do Campeonato Brasileiro no mesmo fim de semana (15 a 17 de agosto), em Rio Verde-GO, 75% dos pilotos também trabalham no agronegócio, e, as 80 inscrições para a competição se encerraram em apenas 37 minutos.

Marlon Fedrizzi está entre esses pilotos/agricultores do autocross. As propriedades ficam em Campo Novo do Parecis e Brasnorte. Lá o piloto planta soja, algodão, cana-de-açúcar, milho, trigo, feijão e também investe na pecuária. Como os “concorrentes”, Marlon vê no esporte uma válvula de escape, em que a velocidade e a adrenalina ajudam a equilibrar o cotidiano, muitas vezes longe da vida agitada das grandes cidades.

“Meus pais saíram do Paraná e foram para Maracaju-MS, e se apaixonaram. Em 1975 vieram buscar o sonho no Chapadão do Parecis. Vim pra cá muito jovem, saí pra estudar e voltei para trabalhar na fazenda. Os desafios de estrutura foram sendo superados e ao longo desses 35 anos foram muitos altos e baixos. Todo agricultor participa da formação e do desenvolvimento da sociedade, é muito gratificante”, disse Fedrizzi.

Valdir Roque Jacobowski (55) compete há 21 anos e admite: “Quando a gente entra na gaiola, se desliga do mundo, é bom demais. Faz 21 anos que comecei e não consigo largar mais”, declarou o piloto, que também possui propriedade em Campo Novo do Parecis, onde cultiva soja, milho, algodão, bem como cria bovinos para corte.

“Pra ficar melhor, só faltava dar dinheiro (risos)”, disse, brincando, o piloto, já que, apesar dos grandes investimentos das equipes, após cada corrida, os que têm sorte voltam pra casa com um troféu.

Também agricultor na região de Primavera do Leste, Lucas Locatelli admite que tem motivos a mais para comemorar quando está nas pistas.

Ele e o pai (Renato) aceleram juntos, inclusive no asfalto, com a Porsche Cup que é disputada em vários autódromos do Brasil e em outros países também.

“Aqui plantamos soja e milho. Acho que a agricultura e o automobilismo têm em comum a imprevisibilidade, são muito desafiadores. Sem dúvida, para nós as corridas funcionam como uma válvula de escape, um hobby, que serve para desestressar, se desligar do trabalho; além disso, tem o fato de eu estar junto na pista com meu pai e esse momento é muito legal”, comentou Locatelli.

O Campeonato
O campeonato nacional é dividido em etapas ao longo do ano, realizadas em cidades estratégicas para o agronegócio. Entre os polos mais importantes e sedes das corridas estão Luís Eduardo Magalhães (BA) polo da soja e algodão, Rio Verde (GO) forte em milho e pecuária, Mato Grosso, maior produtor agrícola do país, com Tapurah, em setembro, e Cuiabá, sediando a grande final em novembro.

Cada etapa movimenta centenas de pessoas: pilotos, mecânicos, famílias, organizadores e público local. As provas são transmitidas em canais digitais, como o YouTube, ampliando a visibilidade da modalidade.

Além da competição, o autocross desperta curiosidade pelos bastidores, que começa pelo investimento para se competir. O custo de um carro, chamado de Gaiola, pelo fato de o piloto ocupar um cockpit de chassi tubular, com grade de proteção, pesando cerca de 700-735 kg, pode variar entre R$ 80 mil e R$ 150 mil, dependendo da tecnologia e preparação. Esses bólidos, mesmo em pistas de terra, podem ultrapassar facilmente os 160 km/h em retas curtas. O motor é Volkswagen AP 1.6 (aspirado), movido a etanol, com potência entre 150 a 160 cavalos.

 

O que o público não vê é a logística necessária para uma competição de âmbito nacional, afinal é preciso transportar todos ops carros, preparar as pistas do zero em poucos dias e montar toda a estrutura que envolve camarotes, arquibancadas, praças de alimentação, lounge com telão, sistema de som, climatizadores e banheiros químicos.

Receber uma etapa do campeonato significa muito para a economia local. Hotéis, restaurantes, oficinas, serviços de segurança e logística são movimentados. Além disso, produtores locais aproveitam o evento para mostrar suas marcas, produtos e até fechar negócios no paddock.

Não raro, feiras improvisadas surgem ao lado das corridas, com exposição de máquinas agrícolas, insumos e soluções financeiras. Isso transforma o autocross em uma plataforma de networking do agronegócio, além de entretenimento.
Por ser considerado o esporte do agro, o autocross atrai patrocinadores ligados ao campo: empresas de sementes, defensivos, fertilizantes, concessionárias de máquinas e até bancos especializados em crédito agrícola. Gian Pasquali pensa até em internacionalizar a modalidade, levando equipes brasileiras para fora do país.

Foi o crescimento desse esporte, por exemplo, que fez surgir em Cuiabá o Autódromo Internacional de Mato Grosso, inaugurado no ano passado, dentro das normas da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), outra evolução da terra para o asfalto!.

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Cepea: Soja, milho e boi gordo encerram semana com novas altas

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Soja, milho e boi gordo fecharam a sexta-feira (24) em alta, acumulando valorização também ao longo da semana e do mês

Os principais indicadores acompanhados pelo Cepea encerraram a sexta-feira (24) em alta. Soja, milho e boi gordo registraram valorização diária e também acumulam ganhos na semana.

Soja

No mercado da soja, o indicador Cepea/Esalq Paranaguá fechou a R$ 148,37 por saca de 60 quilos, alta de 0,61% em relação à quinta-feira (23). Ao longo da semana, o indicador avançou de R$ 142,65 na segunda-feira (20) para o valor atual, uma valorização de 4,01%. No acumulado do mês, a alta chega a 11,07%.

No Paraná, o indicador Cepea/Esalq encerrou o dia em R$ 140,26 por saca, com ganho diário de 0,70%. Na comparação com a segunda-feira, quando o preço era de R$ 135,73, a valorização foi de 3,34%. Em julho, o indicador acumula alta de 10,07%.

Milho

O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa fechou a sexta-feira cotado a R$ 65,74 por saca de 60 quilos, avanço de 0,29% frente ao dia anterior. Na semana, a cotação passou de R$ 65,22 para R$ 65,74, alta de 0,80%. No acumulado do mês, o ganho é de 3,40%.

Boi gordo

Já o indicador do boi gordo Cepea/Esalq encerrou o pregão em R$ 344,20 por arroba, valorização diária de 0,13%. Na comparação com a segunda-feira (20), quando o indicador estava em R$ 337,10, o avanço foi de 2,11%. Em julho, a alta acumulada é de 2,32%.

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Por que o brasileiro coloca tanto açúcar no café? Especialista explica hábito

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Foto: Pexels

Para quem acredita que tomar café é apenas uma forma de espantar o sono, uma pesquisa realizada pela Nestlé Cup 2025 Local Insights Report Brasil: Panorama Geral e Comportamento do Consumidor revela algo diferente: o principal motivo que leva os brasileiros a consumir a bebida é o prazer. 

O estudo destaca que 41% dos brasileiros afirmam beber café porque gostam da experiência, é um momento prazeroso, enquanto 33% o fazem por necessidade, como para despertar.

Segundo a Coffee Ambassador da Nespresso, Tatiana Nakamura, essa relação afetiva e relacionada à experiência do consumidor explica por que não existe uma maneira correta de consumir café. A especialista contou que é comum ouvir consumidores perguntando se é errado adoçar o café ou acrescentar leite. 

Para ela, essas escolhas são pessoais e não devem ser encaradas como um erro, o que realmente merece atenção é a qualidade do café servido na xícara. “Café é um momento de prazer, tem que ser do jeito que você gosta. Com açúcar, adoçante, leite, gelado ou quente, tudo bem, o importante é que seja um momento seu”, disse Nakamura. 

Ela relembrou o caso de uma cliente que visitou uma cafeteria e adicionou três sachês de adoçante no café. “Ela tomou aquele café como se fosse o melhor da vida. Para ela, estava perfeito. Era um café do jeito que ela gostava”, comentou.

Por que se coloca tanto açúcar no café?

Segundo Nakamura, o hábito de adoçar o café faz parte da cultura brasileira, muitas pessoas cresceram consumindo café coado com açúcar e mantiveram esse costume ao longo da vida.

No entanto, ela explica que esse comportamento também está relacionado à qualidade do produto consumido. Cafés de menor qualidade, como o tradicional e extraforte, costumam apresentar mais defeitos sensoriais, como amargor e sabores desagradáveis, o que leva o consumidor a recorrer ao açúcar para mascarar essas características.

Nakamura conta que o café é formado por diferentes camadas, o que chega à xícara é apenas a semente do fruto, enquanto casca, pergaminho e película são removidos ao longo do processamento.

Ela também destaca que existem duas principais espécies cultivadas comercialmente, o café arábica, conhecido pela maior complexidade sensorial e ampla variedade de cultivares, e canéfora (que inclui robusta e conilon), geralmente associada a bebidas de corpo mais intenso.

No caso da Nespresso, a seleção é feita com cafés especiais, escolhidos por apresentarem maior qualidade sensorial e menos defeitos. O café especial, explicou a especialista, é produzido com frutos maduros, que concentram maior teor de açúcares naturais e proporcionam uma bebida naturalmente mais doce.

Defeitos interferem diretamente no sabor

Outro ponto abordado foi a diferença entre cafés especiais e produtos classificados como tradicionais ou extrafortes.

Segundo a especialista, grãos com defeitos (verdes, pretos, mofados ou ardidos) podem comprometer significativamente o sabor da bebida. Esses grãos defeituosos, afirmou, ainda são encontrados em cafés de menor qualidade comercializados no mercado, enquanto os cafés especiais passam por uma seleção rigorosa para eliminar esse tipo de imperfeição.

Café/Fazenda Cachoeira da Grama, São Sebastião da Grama (SP)
Café da Fazenda Cachoeira da Grama, São Sebastião da Grama (SP). Foto: Canal Rural

Desperdício

Nakamura lembrou que é comum preparar uma garrafa inteira de café e descartar o restante horas depois, sem considerar todo o trabalho necessário para produzir aquele alimento. “A gente joga café na pia com muita facilidade, mas esquece que ele é uma fruta e que passou por um longo processo até chegar à nossa xícara”, destacou.

Para ela, enxergar o café como alimento é um passo importante para reduzir o desperdício. “Se fosse metade de uma garrafa de leite, talvez a gente pensasse duas vezes antes de jogar fora. Com o café, isso ainda não acontece”, comparou.

Maior dificuldade do produtor

Mais do que uma bebida presente na rotina dos brasileiros, o café é resultado de uma cadeia produtiva complexa, que envolve meses de trabalho no campo antes de chegar à xícara.

Segundo Nakamura, grande parte desse processo ainda depende da colheita manual, especialmente nas regiões montanhosas do sul de Minas Gerais, onde a mecanização é limitada por conta do grau de inclinação. “O principal desafio do produtor hoje é a mão de obra”, afirmou.

De acordo com ela, mesmo em propriedades mecanizadas há dificuldade para encontrar operadores qualificados, enquanto nas áreas de colheita manual a escassez de trabalhadores é ainda maior.

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