Sustentabilidade
PRODES passa a ser critério para acesso ao crédito rural após a resolução do CMN nº 5.268/2025 – MAIS SOJA

A nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) classificou o Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) como critério de elegibilidade para o produtor acessar o crédito rural. Entretanto, o uso do sistema passou a ser um alerta para os agricultores, pois o Prodes é uma ferramenta de monitoramento de alteração do uso do solo e não tem a função de julgar se o desmatamento é legal ou ilegal.
Nesse contexto, podem ocorrer problemas quando o sistema capta essas alterações, já que elas não representam, por si só, um veredito de desmatamento ilegal. O ponto de atenção, portanto, está na forma como essas informações são utilizadas, o que pode induzir a interpretações equivocadas por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Preocupada com a nova resolução, que entrou em vigor no último dia 1º de abril, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) está promovendo ações para divulgar as informações e se disponibilizando para orientar os agricultores e os bancários. Buscando evitar o bloqueio de crédito rural por interpretações inadequadas do monitoramento, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, participou de reuniões com bancários de todo o estado para esclarecer sobre o uso do Prodes.
“Quando nos colocamos à disposição para dialogar com os bancários sobre o uso do sistema Prodes, estamos contribuindo diretamente para reduzir inseguranças e interpretações equivocadas que podem prejudicar o acesso ao crédito. Ao levar informação técnica e a realidade do campo para dentro das instituições financeiras, garantimos que as análises sejam mais justas, equilibradas e alinhadas com a legislação vigente. Nosso objetivo é assegurar que o produtor que trabalha dentro da legalidade não seja penalizado por inconsistências ou interpretações inadequadas, mantendo o fluxo de crédito essencial para a atividade agrícola”, destacou.
Além dos bancários, Bier também afirmou que os produtores rurais precisam ficar atentos. Ele explicou que é preciso manter toda a documentação da propriedade atualizada e sempre acompanhar as atualizações disponíveis sobre as áreas.
Com a Autorização de Supressão Vegetal (ASV), o Termo de Compromisso ou Ajuste de Conduta (TC ou TAC), Plano de Regularização Ambiental (PRA) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em mãos, o produtor consegue reverter o mais rápido possível a negativa no acesso ao crédito rural. Além disso, há ferramentas para contestar as possíveis inconsistências apontadas pelo sistema Prodes.
“Com esses documentos em mãos, é importante retornar à instituição financeira e solicitar uma reanálise do crédito, apresentando as evidências de que a propriedade está regular. Além disso, existe um canal oficial junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para contestação dos dados do Prodes. O produtor pode acessar esse canal e protocolar a contestação, apresentando informações técnicas que comprovem eventuais inconsistências no monitoramento. Esse é um passo importante, apesar de moroso, porque permite a correção da base de dados que muitas vezes está sendo utilizada pelos bancos”, finalizou.
Os dados do Prodes, do Inpe, estão sendo utilizados pelas instituições financeiras como critério em decisões que envolvem a liberação, manutenção e até a desclassificação de operações, após a Resolução CMN nº 5.268/2025. Como a leitura do monitoramento é feita por comparação de imagens de satélite, é fundamental que esses dados sejam interpretados de forma adequada, evitando que alterações no uso do solo sejam automaticamente associadas a irregularidades.
A superintendente do Banco do Brasil, Wanda Ribeiro, destacou a relevância da Aprosoja MT em esclarecer dúvidas dos bancários e atuar em defesa dos agricultores. Na última semana, os funcionários dos bancos participaram de treinamentos para compreender e orientar os produtores rurais diante de inconsistências relacionadas ao Prodes.
“O Banco do Brasil, assim como as demais instituições financeiras, estão aqui para a gente agir de acordo com o que a resolução rege. Trouxeram muitos conhecimentos para minha equipe por parte da Aprosoja MT, a gente fez até um treinamento virtual durante essa semana com o objetivo de trazer consultoria e orientação aos nossos produtores rurais, pois a preocupação trazida pela Aprosoja MT veio ao encontro da nossa preocupação também. Então o Luiz Pedro Bier trouxe para nós algumas questões que podem ser resolvidas de forma muito prática e tranquila”, disse.
Wanda Ribeiro também destacou que todos os integrantes receberam orientações sobre como lidar com as inconsistências apontadas pelo sistema de monitoramento. Ela agradeceu ao Luiz Pedro Bier pelas explicações e, principalmente, por apresentar a visão dos produtores rurais diante desta nova exigência.
Durante as reuniões, os participantes puderam entender melhor o funcionamento do Prodes e como proceder diante de possíveis inconsistências nos dados. Wanda reforça que, nesses casos, é fundamental manter a calma e reunir a documentação necessária.
“Eu acredito que nós não teremos problemas com relação à orientação e efetiva concessão do crédito. Porque, como a gente pode ver, a grande maioria, Luiz Pedro Bier, de forma muito otimista e até realista com a situação, trouxe que nós vamos nos deparar com cerca de 90% dos casos de inconsistência. Então, a inconsistência só precisa realmente de tranquilidade, calma e, na sequência, solução. Desta forma, convido os produtores a procurarem também o canal da Aprosoja MT, que foi quem nos procurou, se colocou à disposição para auxiliar”, finaliza.
O treinamento contribuiu para o preparo dos bancários diante das situações envolvendo o uso dos dados do Prodes. Para ampliar esse suporte, a Aprosoja MT permanece disponível para esclarecer dúvidas de produtores rurais e instituições financeiras por meio do Canal do Produtor – (65) 3027-8100.
Fonte: Aprosoja/MT
Sustentabilidade
Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.
Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.
Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).
Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.
Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).
Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.
Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.

Referências:
DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.
ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.
SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.
Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.
O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.
Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.
O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.
Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
Cuiabá
Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.
O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.
Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).
Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.
CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
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