Agro Mato Grosso
Trator falante? Valtra leva máquina que conversa com o produtor à Agrishow

Sistema da Valtra usa inteligência artificial para interpretar dados da máquina e apoiar decisões operacionais no campo
A Valtra aposta em uma nova forma de interação entre homem e máquina para ampliar a eficiência no campo. Durante a Agrishow 2026, a fabricante apresenta o Talking Tractor, um conceito de trator equipado com inteligência artificial capaz de responder, em tempo real, a perguntas sobre o desempenho da operação.
A proposta é transformar dados técnicos em respostas diretas para o operador, simplificando o acesso a informações que já existem na máquina, mas nem sempre são utilizadas no dia a dia.
“É IA no trator, onde você conversa com ele e ele responde com base na telemetria e nos manuais”, explicou Fabio Dotto, diretor de marketing de produto da Valtra, em entrevista a imprensa.
A demonstração na feira será feita na plataforma do trator Q5, modelo recente da marca.
Da telemetria à resposta
Na prática, o sistema funciona como uma inteligência artificial conectada à telemetria do trator.
Ele organiza essas informações e as disponibiliza em um tablet, permitindo que o operador faça perguntas e receba respostas com base nos dados da própria máquina.
“O trator é mais do que uma voz, ele conta com inteligência para a análise de dados em respostas visuais e práticas. É a tecnologia aplicada no campo, trazendo o futuro para hoje”, ressalta Fabio Dotto, Diretor de Marketing de Produto Valtra. Ele explica que o grande diferencial do Talking Tractor é a capacidade de traduzir informações técnicas, otimizadas para tablets e celulares compatíveis.
O sistema reúne telemetria, manuais técnicos e dados operacionais em uma única interface acessada por dispositivo móvel. A interação ocorre por voz ou texto, diretamente da cabine.
Na rotina, o operador pode consultar área trabalhada, consumo de combustível e emissões em determinado período. O sistema busca os dados na própria máquina e entrega a resposta de forma imediata.
“O trator pega toda a informação e transforma em resposta para o operador”, afirmou Dotto.
“Hoje o operador quer saber quanto consumiu, qual rota fez, como está a eficiência da máquina e do negócio”, acrescentou.
Além dos dados operacionais, o assistente acessa os manuais do equipamento e orienta o operador em procedimentos de uso e manutenção, reduzindo a necessidade de consultas externas.
Diagnóstico e operação em tempo real
Um dos diferenciais é a capacidade de interpretar dados da própria máquina para explicar falhas e interrupções durante a operação.
Em caso de parada, o sistema pode indicar o motivo com base nos códigos de erro registrados, como obstruções em filtros ou outros alertas operacionais.
Essa leitura da telemetria aproxima a tecnologia da rotina no campo ao transformar dados técnicos em diagnósticos compreensíveis.
Decisão mais rápida dentro da cabine
Segundo a Valtra, o conceito nasce da necessidade de tomada de decisão rápida no campo, especialmente dentro da cabine.
“O conceito nasceu da necessidade de decisão rápida dentro da cabine”, disse o executivo.
Hoje, o desafio não está mais na disponibilidade de dados, mas na capacidade de interpretá-los.
“Depende muito da pergunta. A informação está lá, o que muda é o que você pergunta”, destacou.
Uso offline e base tecnológica
O sistema pode operar mesmo sem conexão constante com a internet, utilizando dados já disponíveis na máquina e no aplicativo — um ponto relevante para regiões com conectividade limitada.
A solução funciona integrada ao aplicativo Valtra Coach e foi desenvolvida em parceria com uma empresa europeia de inteligência artificial. Para treinar o assistente, a fabricante utilizou manuais de operação, guias de agricultura inteligente, dados de telemetria e registros de sessões reais de trabalho.
Próximos passos: clima e recomendações
Embora ainda em fase de desenvolvimento, o conceito aponta para a integração de dados externos, como condições climáticas.
Em um cenário futuro, o operador poderá questionar se deve plantar em determinada semana e receber uma recomendação baseada na previsão do tempo — incluindo alertas para risco de chuva em períodos críticos.
Neste momento, no entanto, a tecnologia ainda está em validação e funciona como prova de conceito, com foco na operação dentro da cabine.
Tecnologia disponível, desafio é uso
A tecnologia foi apresentada inicialmente na Agritechnica 2025, na Alemanha, onde se tornou uma das principais atrações do estande da marca. O conceito também foi finalista do prêmio DLG-Agrifuture Concept Winner 2025.
Para Dotto, o nível tecnológico das máquinas no Brasil já é equivalente ao de outros mercados.
“O agricultor quer acesso simples, resposta rápida”, resumiu.
Sustentabilidade também entra na agenda
Além da inteligência artificial, a Valtra reforça sua estratégia em alternativas energéticas. Durante a feira, a empresa apresenta um trator movido a biometano, tecnologia que permite o uso de resíduos agrícolas como fonte de energia e contribui para a redução de emissões.
Outro destaque é o motor a etanol, alinhado à matriz energética brasileira e ao histórico da marca no desenvolvimento desse tipo de solução. A empresa também exibe motores remanufaturados, com foco na redução de custos e no reaproveitamento de componentes.
Sem data de lançamento
O Talking Tractor ainda não tem previsão de lançamento comercial no Brasil e será apresentado como prova de conceito na Agrishow.
“Mais do que uma nova ferramenta, o Talking Tractor é um exemplo de como a inteligência artificial pode humanizar a alta tecnologia e tornar ela acessível e prática para quem realmente importa, que é o agricultor. Estamos trazendo para a Agrishow, junto ao trator Q5, não apenas uma máquina que fala, mas um conceito que redefine a produtividade através de uma colaboração entre homem e inteligência de dados”, conclui Fabio Dotto.
Agro Mato Grosso
Grupo de teatro de MT leva Amazônia, Cerrado e Pantanal a festival internacional na África

Espetáculo Fubá Play mistura tecnologia, teatro e jogos interativos e será apresentado em evento realizado em Cabo Verde.
O grupo mato-grossense Tibanaré leva os três biomas de Mato Grosso ao palco de um festival internacional de teatro em Cabo Verde, na África. Com a Amazônia, Cerrado e Pantanal em foco, a companhia foi selecionada para apresentar o espetáculo infantojuvenil Fubá Play na 32ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact 2026), realizada entre os dias 2 e 7 de novembro, na ilha de São Vicente.
A montagem tem cenário inspirado na diversidade ambiental do estado e mistura teatro, tecnologia e jogos interativos. Durante a apresentação, as crianças participam de votações que definem os rumos da história e influenciam as ações do personagem, as imagens projetadas e a trilha sonora.
O espetáculo acompanha Fubá, protagonista que vive em uma casa-bolha tecnológica e enfrenta desafios ao longo da narrativa. As escolhas do público interferem diretamente no desenvolvimento das cenas.
A apresentação marca o retorno do grupo ao festival. Na edição anterior, o Tibanaré levou ao evento o espetáculo ‘Fiu Fiu – Um encontro entre pássaros’, que combina teatro e dança sem diálogos.
Trajetória internacional
Fundado em 2006, em Mato Grosso, o Grupo Tibanaré desenvolve trabalhos que misturam teatro, palhaçaria, dança e outras linguagens artísticas.
O Mindelact é um dos principais encontros de artes cênicas da África de língua portuguesa e reúne artistas e companhias de diferentes países. A seleção é resultado de uma articulação iniciada no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR) 2025, realizado em Fortaleza (CE).
O encontro reúne profissionais do setor cultural e cria oportunidades para a circulação de produções brasileiras no exterior. Além das participações no Mindelact, a companhia já esteve em feiras internacionais de artes cênicas no Chile e nos Estados Unidos e em festivais na Turquia, China, Chile e Angola.
A viagem conta com apoio do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), que custeou as passagens aéreas. O festival não cobre as despesas de deslocamento dos artistas.

Grupo Tibanaré encena ‘Tomara que Chova’ no palco do programa É Bem Mato Grosso, em 2015
Agro Mato Grosso
Seguro-Defeso: MT registra mais de 6,5 mil pedidos em dois meses

A procura pelo benefício cresceu 134,5% em um mês, período que coincidiu com o início do defeso da piracema no estado, em 1º de outubro.
Mato Grosso registrou 6.517 pedidos do Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal (SDPA), conhecido como Seguro-Defeso, entre 1º de setembro e 31 de outubro de 2026. Desse total, 5.905 pescadores já estão na condição de segurados, segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT).
Os números correspondem aos dois primeiros meses do prazo para solicitar o benefício referente à temporada 2026/2027.
A procura pelo benefício cresceu 134,5% em um mês, período que coincidiu com o início do defeso da piracema no estado, em 1º de outubro. No fim de setembro, Mato Grosso contabilizava 2.779 requerimentos. Em 3 de outubro, o número havia subido para 4.012 e, até o dia 31, chegou a 6.517, o que representa 3.738 novos pedidos em relação ao levantamento de setembro.
Segundo a SRTE-MT, o primeiro lote de liberações deve injetar R$ 7,79 milhões na economia estadual e beneficiar pescadores artesanais de 106 dos 142 municípios de Mato Grosso.
Para todo o período de defeso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estima que o valor destinado aos pescadores do estado ultrapasse R$ 42 milhões.
Prorrogação do Prazo de Solicitação
O prazo para solicitar o Seguro-Defeso foi prorrogado até 30 de dezembro de 2026. A mudança foi estabelecida pela Resolução nº 1.045 do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), publicada em 8 de outubro.
A prorrogação vale para o principal período de defeso em Mato Grosso, iniciado em 1º de outubro. Com a alteração, os pescadores artesanais que ainda não fizeram o pedido têm até o fim de dezembro para solicitar o benefício.
Quem pode receber
O Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal é destinado ao pescador profissional artesanal durante o período em que a pesca fica proibida. O benefício é de um salário mínimo mensal durante o defeso, desde que o trabalhador cumpra os requisitos previstos na legislação.
Entre as exigências estão:
- regularidade do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP);
- exercício da atividade pesqueira pelo período exigido;
- inexistência de fonte de renda incompatível;
- residência em município abrangido pelo defeso;
- apresentação do Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP 2025);
- inscrição no CadÚnico; e
- registro biométrico nas bases aceitas.
Desde novembro de 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é responsável pela gestão do Seguro-Defeso. O pedido pode ser feito pelo Portal Emprega Brasil ou pela Carteira de Trabalho Digital. Nesses canais, o pescador também pode acompanhar o processo, consultar pagamentos e apresentar recursos administrativos.
Informações e orientações também podem ser obtidas pela Central de Atendimento Alô Trabalho, pelo telefone 158. O próprio pescador pode fazer o requerimento e acompanhar o andamento do benefício pelos canais oficiais.
Agro Mato Grosso
Onça-pintada Ibaca morre após ser resgatada debilitada no Pantanal de MT e deixa filhote

Conhecida por turistas e acompanhada desde 2016, fêmea apresentou emagrecimento rápido. Causa da morte ainda é investigada.
A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores no Pantanal de Mato Grosso, morreu nesse sábado (31), após ser resgatada muito debilitada na noite anterior. A fêmea, que deixa um filhote de um ano, havia sido vista nos últimos dias com sinais de desnutrição, mas a causa da morte ainda não foi esclarecida.
Segundo o biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, Ibaca pesava pouco mais de 30 quilos quando foi resgatada, na sexta-feira (30). Ela teria sido transferida para Cuiabá para passar por exames, mas não resistiu.
De acordo com o biólogo, uma necropsia está sendo feita para identificar o que provocou a morte. Guias e observadores também estão reunindo vídeos registrados em diferentes datas para tentar entender como a onça emagreceu tão rapidamente.
🐆 Uma trajetória acompanhada por quase uma década
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O nome da onça-pintada Ibaca tem origem tupi-guarani e significa “um céu com estrelas” — Foto: Rodrigo Chavez Noriega
Também chamada de Tina, Ibaca era acompanhada na região desde 2016. Ao longo dos anos, foi fotografada e filmada em encontros com outros animais e ao lado dos próprios filhotes, tornando-se uma das fêmeas conhecidas por quem observa a vida selvagem no Pantanal.
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A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores no Pantanal de Mato Grosso, morreu nesse sábado (31) — Foto: Rodrigo Chavez Noriega
Segundo o Projeto Jaguar ID, ela foi observada em dez temporadas consecutivas, entre 2016 e 2025. O nome Ibaca tem origem tupi-guarani e, conforme o projeto, significa “um céu com estrelas”.
Os registros permitiram acompanhar diferentes momentos da vida da onça, especialmente a reprodução, os cuidados com os filhotes e as interações com outros animais.
Registros de diferentes gerações
O catálogo do projeto identifica Ibaca como filha da onça Overa e irmã de Saseka, Siriri e Cururu. Entre os filhotes dela registrados ao longo dos anos estão Ipepo, Jasy e Apejara. A documentação aponta filhotes identificados em temporadas como as de 2018, 2022 e 2025.
Também há registros da fêmea com parceiros reprodutivos como Xingu, Guassú, Bagua e Merlin.
Esse acompanhamento ajudou a estabelecer relações de parentesco e a documentar diferentes gerações de onças em vida livre no Pantanal.
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