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Café: a euforia dos preços está chegando ao fim?

O mercado de café viveu dois anos de euforia para quem produz. Entre quebras de safra e estoques críticos, vimos o arábica tocar patamares históricos de 440 centavos de dólar por libra-peso.
Mas o cenário de abril de 2026 é outro: o mercado já precifica a abundância. Com o grão girando em torno de 295 centavos, o ciclo de alta extrema terminou e a “normalização” chegou.
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O principal vetor da pressão negativa sobre os preços é, ironicamente, o sucesso do campo brasileiro. O Brasil, que detém 40% do mercado global, caminha para uma colheita que pode ser a maior da história.
Dados da StoneX revisaram a produção para 75,3 milhões de sacas, um salto de 20,8% sobre o ciclo anterior. Mesmo com números mais conservadores da Conab, a realidade mostra que os investimentos em tecnologia surtiram efeito.
O Brasil caminha para uma colheita que pode ser a maior da história.
Para o analista, o número que importa é o balanço global. Projeta-se uma produção mundial de 182 milhões de sacas para um consumo que estacionou na casa dos 172 milhões.
Esse superávit retirou o senso de urgência das torrefadoras internacionais. Elas não precisam mais “brigar” pelo grão verde; podem esperar a safra entrar. Isso deve empurrar as cotações para baixo até o fim de 2026.
A valorização do real agrava o cenário: com o dólar abaixo de R$ 5, a conversão resulta em menos reais no bolso. Você entrega a mesma saca e recebe menos para cobrir custos que continuam altos.
A pergunta recorrente no Canal Rural é: “Mas e se o clima virar?”. Sim, o clima pode rasgar os relatórios. Uma geada severa no segundo semestre pode sustentar os preços, mas esperar pelo desastre não é estratégia, é aposta.
O momento exige hedge e mercado futuro para aproveitar os repiques de preços. É preciso atenção ao câmbio, pois o dólar volátil pode anular os ganhos da queda externa ou salvar a receita em reais.
A qualidade também surge como diferencial. Em anos de superávit, o mercado se torna mais seletivo e os cafés especiais sofrem menos com a queda.
O cafeicultor brasileiro provou sua eficiência tecnológica; agora, precisa provar sua eficiência financeira. O cenário é de preços em busca de um novo piso, mais baixo que o atual.
O lucro se realiza na venda estratégica, não apenas na saca estocada no armazém.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Microrganismos da Caatinga podem ajudar agricultura a enfrentar seca e solos pobres

As condições extremas da Caatinga, marcadas por longos períodos de seca, temperaturas acima de 40°C e solos pobres em nutrientes, podem ajudar no desenvolvimento de uma nova geração de bioinsumos agrícolas voltados à resistência climática e à sustentabilidade no campo.
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Um estudo da Apoena Biotech realizado no semiárido brasileiro investiga microrganismos adaptados a esse ambiente hostil, capazes de sobreviver sob baixa disponibilidade hídrica e intensa radiação solar. Segundo os pesquisadores, essas características fazem da microbiota da Caatinga uma fonte promissora para aplicações biotecnológicas na agricultura.
A pesquisa aponta que muitos desses microrganismos desenvolveram mecanismos raros de sobrevivência, como capacidade de entrar em dormência durante meses, retomando a atividade após as primeiras chuvas, além de eficiência metabólica em condições extremas e produção de compostos de proteção celular.
O objetivo é utilizar essas propriedades no desenvolvimento de bioinsumos capazes de auxiliar culturas agrícolas em regiões afetadas pela seca e pela baixa fertilidade do solo.
Durante a primeira etapa da pesquisa, realizada entre janeiro e março, foram coletadas 98 amostras em diferentes áreas da Caatinga, incluindo solos próximos às raízes de plantas, crostas biológicas superficiais, tecidos vegetais, rochas e solos sob arbustos. A expectativa é de que novas coletas sejam realizadas durante o período seco, ampliando o número de cepas isoladas.
Segundo os pesquisadores, o interesse biotecnológico está concentrado em microrganismos capazes de induzir resistência à seca nas plantas, fixar nitrogênio, solubilizar fósforo e produzir substâncias relacionadas ao crescimento vegetal.
O estudo também utiliza técnicas de análise genética e molecular para identificar genes ligados a características agronômicas de interesse. Após essa triagem, os microrganismos passam por testes laboratoriais para avaliar o potencial de aplicação em sistemas agrícolas.
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, o avanço desse tipo de tecnologia pode contribuir para modelos de produção menos dependentes de insumos químicos e mais adaptados aos desafios climáticos do semiárido.
Além do potencial agrícola, os pesquisadores destacam que a Caatinga ainda é um dos biomas menos explorados do ponto de vista biotecnológico, apesar de ocupar cerca de 11% do território nacional e influenciar diretamente a vida de mais de 27 milhões de pessoas.
A expectativa é que os próximos estudos avancem para testes em condições reais de cultivo e ampliem o uso dessas cepas em soluções voltadas à agricultura sustentável e à adaptação às mudanças climáticas.
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Pecuária de Mato Grosso prevê prejuízo bilionário com fim da escala 6×1 aprovado na Câmara

O custo adicional com horas extras decorrente do fim da escala de trabalho 6×1 pode superar R$ 1 bilhão por ano para o setor agropecuário de Mato Grosso, segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em nota, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) afirma que o texto aprovado pelos deputados federais ignora a complexidade biológica e operacional da produção e traz risco real de inviabilizar pequenos produtores e microempreendedores rurais.
A proposta que decreta o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, mantendo o patamar salarial atual, foi validada na Câmara dos Deputados na noite da última quarta-feira, 27 de maio. O texto aprovado estabelece um cronograma de transição para a implementação total das novas regras em até 14 meses.
O projeto de mudança constitucional depende agora de análise e votação no Senado Federal para que as alterações passem a integrar de forma definitiva a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No cenário mato-grossense, os impactos estruturais da nova regra são severos e devem atingir diretamente 98% dos vínculos empregatícios formais vigentes no campo.
Discussão no Senado
Diante do cenário de forte elevação nos custos de produção, as lideranças dos pecuaristas concentram suas articulações na próxima etapa de tramitação da matéria. A associação defende que o Senado Federal promova um debate técnico amplo e aprofundado sobre os reflexos de uma jornada máxima de 40 horas semanais na economia do país.
O presidente da Acrimat, Luís Fernando Amado Conte, defende publicamente que o Congresso Nacional analise soluções alternativas que ofereçam dinamismo e segurança jurídica às atividades rurais. A categoria tem manifestado apoio a propostas substitutivas focadas em modelos de contratação mais flexíveis.
“Defendemos um diálogo mais aprofundado sobre os impactos da carga horária máxima proposta de 40 horas para economia do país no Senado Federal, e manifestamos nosso apoio à propostas que estão sendo discutidas sobre um modelo baseado no horário flexível e na prevalência dos acordos individuais sobre as imposições coletivas, a matéria moderniza a legislação brasileira nos moldes de economias globais dinâmicas”, afirma a Acrimat em nota.
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Risco de falta de sal mineral ameaça suplementação do maior rebanho bovino do país

Mato Grosso enfrenta o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, insumo indispensável para a fabricação de suplementos minerais voltados à alimentação bovina. O alerta foi emitido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) após um levantamento realizado junto a empresas de nutrição animal, fabricantes e produtores rurais. A escassez da linha de sal mineral deve atingir as propriedades nos próximos dias, ameaçando a produtividade de carne e leite no estado que detém o maior rebanho do país.
A falta do produto no mercado brasileiro decorre de uma combinação de fatores estruturais e geopolíticos. A produção nacional é insuficiente para atender a demanda interna, o que gera uma dependência crônica de importações, segundo a entidade. O cenário global agravou a situação por meio de restrições de oferta, impactos logísticos de conflitos internacionais e a decisão de países exportadores de reter o mineral para abastecer seus próprios mercados.
Além do fantasma do desabastecimento, o setor amarga um encarecimento expressivo nos concentrados para engorda e suplementos minerais, com projeção de novos reajustes. Essa escalada de preços eleva os custos operacionais em um momento em que os pecuaristas enfrentam margens espremidas e desvalorização nos valores pagos pelos frigoríficos.
Gargalo produtivo
A insuficiência e a carestia dos insumos fosfatados acendem o sinal de alerta também na agricultura, evidenciando a vulnerabilidade sistêmica do complexo agropecuário mato-grossense. Como o estado lidera a produção nacional de grãos, fibras e carne, falhas no fornecimento mineral comprometem o planejamento orçamentário e reduzem a competitividade regional.
Sem a suplementação mineral correta, os animais sofrem perdas no ganho de peso, queda na fertilidade e na imunidade, além da redução na produção de leite. O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, ressalta que o alerta ocorre tanto na pecuária quanto na agricultura.
“O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho, assim como os insumos fosfatados são estratégicos para a produção agrícola. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural, que já enfrenta aumento de custos e redução da margem da atividade, e pode chegar às prateleiras dos supermercados”.
Pressão no campo
O descompasso na nutrição se soma a outros entraves que desgastam a rentabilidade do produtor de corte e de leite. O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, aponta o acúmulo de dificuldades enfrentadas na fazenda.
“Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral atinge milhares de produtores. O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”.
A escassez recente de vacinas contra clostridioses, monitorada de perto pela federação, agrava o quadro. Para os técnicos da entidade, a sobreposição de entraves sanitários e nutricionais eleva significativamente o risco econômico da atividade neste ano.
Pleito de emergência
Como saídas imediatas para mitigar a crise, a Famato defende a redução temporária ou isenção de tarifas de importação sobre o fosfato bicálcico e o enxofre. A pauta inclui a desoneração tributária do sal branco e da ureia pecuária, a desburocratização alfandegária e a aproximação comercial com fornecedores estratégicos da América do Sul, como a Bolívia.
Em longo prazo, a entidade cobra celeridade na execução do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050 para reverter a submissão do mercado brasileiro ao cenário externo. O plano prevê investimentos em pesquisa mineral, estímulo à produção nacional e melhorias na infraestrutura de transporte.
“O Brasil não pode depender quase exclusivamente do mercado externo para garantir insumos essenciais à produção de alimentos. O Plano Nacional de Fertilizantes precisa avançar com mais efetividade. Garantir fertilizantes e insumos minerais acessíveis é uma questão de soberania, segurança alimentar e competitividade para o produtor rural”, finaliza Vilmondes.
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