Sustentabilidade
RS: Volume de exportações de março se mantém estável, mas valores sobem – MAIS SOJA

A Farsul divulgou, nesta segunda-feira (13/04), os resultados das exportações gaúchas de março de 2026. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve um aumento de 9,1% no valor exportado – um total de US$ 1,10 bilhão em comparação com US$ 1,01 bilhão no mesmo período de 2025. O volume das exportações, entretanto, se mostrou estável, com uma leve alta de 0,2% na comparação com o mesmo período anterior. Em março de 2025, o estado havia exportado 1,95 milhões de toneladas. Este resultado é um reflexo de uma melhora da composição das exportações, com maior peso para produtos com mais valor por tonelada, e alta de segmentos como milho e trigo.
O valor total exportado pelo Estado no período foi de US$ 1,67 bilhão, com o agronegócio sendo responsável por 66,2% deste montante. Em termos de volume, o agronegócio representou 89,3% do total estadual no período.
Soja, celulose e madeira limitaram crescimento mais forte no período
A alta do valor exportado teve influência principalmente das vendas de fumo não manufaturado, carne suína, de frango e boi vivo, além de milho e trigo. A queda no volume, que teve perdas relevantes na soja em grão e derivados, além da celulose, acabou sendo compensada pelo volume do milho, arroz, trigo e celulose.
No setor de proteína, houve aumento de 41,6% no valor e 7,7% no volume das vendas de carne bovina na comparação com o ano anterior. O motivo é o retorno das exportações para a China, que não havia embarcado o produto no mesmo mês de 2025.
A carne de frango in natura teve alta de 21,9% no valor e 12% no volume, o que aponta uma recuperação do setor nas regiões da Ásia e da Europa, o que permite a absorção dos impactos geopolíticos no Oriente Médio.
As Filipinas reforçaram sua importância no mercado da carne suína, principal destino do produto, que teve alta de 74,7% em valor e 70% em volume, além de participação relevante em outros mercados como Malásia e Chile.
O volume de arroz cresceu muito mais do que o valor do produto no mercado (mais de 70% de aumento no volume contra menos de 20% no valor). É um sinal de que o mercado externo absorve bem o produto, mas não está disposto a pagar os preços de 2025.
O trigo teve altas de mais de 40% tanto no valor quanto no volume exportado. É um resultado positivo apesar de se encontrar em um mercado bastante competitivo no momento, com bastante oferta internacional e alta competitividade da Argentina no setor.
Na soja, o panorama é diferente daquele de 2025. Houve quedas de mais de 50% tanto no volume quanto no valor, com queda principalmente na soja em grão, e com o farelo perdendo mercado.
O fumo e seus derivados tiveram uma alta de 36,9% no valor e de 30,2% no volume, com os principais destinos sendo a Europa e a Ásia.
Os produtos florestais tiveram quedas fortes, de 28,1% no valor e 55,4% no volume, com perdas importantes na celulose devido a queda das exportações para Estados Unidos, china e Itália, além de ausência de embarques de madeira em estilhas e recuos na madeira serrada e painéis.
Sobre a guerra comercial com os Estados Unidos, as exportações do RS recuaram 53,7% em valor e 86,7% no volume.
Acumulado do ano é de quedas em preço e volume
No acumulado de janeiro a março de 2026, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 3,06 bilhões, queda de 6,5% frente aos US$ 3,27 bilhões de igual período de 2025. Em volume, o recuo foi de 9,3%, de 5,54 milhões para 5,02 milhões de toneladas.
A China segue sendo a principal parceria comercial do Estado, mas seu peso caiu em comparação com o ano de 2025. A participação do gigante asiático nos valores exportados caiu quase pela metade, de 20,2% para 11,8%.
O acumulado de 2026 difere de 2025 por uma pauta menos concentrada nos grandes destinos tradicionais de grãos e mais apoiada em proteínas animais e mercados alternativos.
Os principais parceiros comerciais do estado em março foram a Ásia (exceto Oriente Médio) que se manteve como o principal destino das exportações do agronegócio gaúcho, totalizando US$ 324,1 milhões e 393,3 mil toneladas. Em segundo lugar apareceu a África, com exportações de US$ 264,1 milhões e 989,8 mil toneladas, fortemente influenciada pelos embarques de milho. A Europa ocupou a terceira posição, com US$ 210,1 milhões, dos quais US$ 147,5 milhões destinados à União Europeia.
Quanto aos países, uma mudança no principal destino, o Egito assumindo a liderança, com US$ 160,4 milhões, representando 14,5% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho em março. Na sequência destacaram-se China (5,9%), Filipinas (5,6%), Bélgica (4,8%) e Estados Unidos (4,1%), quadro que reforça a diversificação geográfica da pauta, com peso simultâneo de África, Ásia, Europa e América do Norte.
O relatório completo pode ser acessado aqui
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
Sustentabilidade
El Niño pode encarecer insumos e frete das empresas em 2027 – MAIS SOJA

O impacto do El Niño na economia brasileira deve extrapolar o calendário meteorológico e pressionar os custos operacionais do setor produtivo ao longo de 2027. O quarto boletim do Painel El Niño 2026–2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. A previsão indica chuva acima da média no Sul e estiagem em faixas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Apesar de o pico climático ocorrer no fim deste ano, a transmissão do choque de oferta para a planilha das empresas será defasada. Estudo do Banco Central sobre episódios anteriores mostra que o impacto na alimentação no domicílio acumula mais de 11 pontos percentuais em quatro trimestres. Já relatórios do BC e estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) projetam alta média de até 5% nos preços internacionais das commodities agrícolas em 12 meses. No campo logístico, o desequilíbrio afeta a navegação nos rios do Norte e o tráfego rodoviário no Sul, encarecendo os fretes.
Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, a maior vulnerabilidade das companhias está no descompasso entre o evento climático e o reajuste das tabelas de suprimentos. “O clima muda primeiro, e o custo chega depois, quando a quebra de safra, o frete mais caro e o reajuste dos contratos se espalham pela cadeia. Quem olha só para o calendário do clima percebe o problema tarde”, afirma.
O executivo ressalta que o risco operacional raramente está restrito ao endereço da empresa, concentrando-se na cadeia estendida de suprimentos. A falta de visibilidade sobre a origem primária das matérias-primas expõe os negócios desafios imprevisíveis. “Muitas companhias conhecem bem o fornecedor direto, mas não sabem de onde vêm os insumos dele. É nesses elos mais distantes que a dependência de uma única região aparece. Um insumo agrícola que encarece, uma estrada comprometida ou uma matéria-prima mais difícil de repor chegam ao negócio como atraso, despesa extra e aperto no caixa, mesmo para quem opera longe das áreas atingidas”, explica.
Para conter riscos sem comprometer a liquidez, a orientação é mapear os insumos críticos, calcular o tempo de reposição (lead time) e buscar rotas e fornecedores alternativos. Formar estoques de segurança reduz a chance de parada de fábrica, mas imobiliza capital e eleva custos de armazenagem. Além disso, a recomendação é renegociar antecipadamente os contratos com transportadoras, fornecedores e seguradoras, ajustando cláusulas de reajuste e força maior antes que a volatilidade se consolide.
Na prática, a estruturação dessa blindagem operacional exige um plano de ação em três etapas imediatas. Primeiro, a auditoria da cadeia de suprimentos deve classificar os itens por grau de essencialidade e vulnerabilidade geográfica, identificando previamente matérias-primas substitutas com homologação técnica pronta para uso.
Em seguida, as empresas precisam estabelecer acordos operacionais flexíveis (SLA) e diversificar as rotas de escoamento, prevendo a migração do modal aquaviário para o rodoviário ou vice-versa em momentos de seca severa ou enchente. Por fim, recomenda-se a criação de um comitê multifuncional de gerenciamento de riscos que monitore mensalmente indicadores pluviométricos e índices de frete, permitindo acionar compras antecipadas de oportunidade antes das escaladas de preço.
“O que a empresa precisa saber é quais itens não podem ficar sem, quais são difíceis de substituir e quanto custaria, em dias parados e em margem, reagir só depois que o problema aparecer”, conclui o especialista.
Sobre a Goshen Land
A Goshen Land é uma empresa especializada em expansão de negócios. Fundada por Dema Oliveira, ex-executivo da Samsung e da TIM, desenvolveu a metodologia das “7 Inteligências da Expansão” para apoiar empresas em estratégias de crescimento sustentável. Apenas em 2025, mais de 600 organizações passaram por seus programas, que, segundo a empresa, contribuíram para a geração de R$ 3 bilhões em receitas entre os negócios atendidos. Entre as organizações que já participaram de suas iniciativas estão Unilever, Claro, TIM, Caixa Econômica Federal e Bradesco.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Glufosinato de amônio: atenção às condições de aplicação – MAIS SOJA

O uso do glufosinato de amônio tem se expandido nos sistemas agrícolas, impulsionado por seu amplo espectro de controle e pela eficácia no manejo de espécies daninhas de difícil controle, como buva e capim-amargoso. Essas características têm consolidado o herbicida como uma importante alternativa ao glifosato na dessecação pré-semeadura de culturas como soja e milho. Além disso, diante do avanço da resistência de plantas daninhas ao glifosato, o glufosinato de amônio assume papel estratégico no manejo de espécies como caruru, capim-pé-de-galinha e capim-amargoso, contribuindo para a diversificação dos mecanismos de ação empregados nos programas de controle.
Entretanto, para alcançar resultados satisfatórios de controle, é fundamental observar alguns cuidados relacionados ao posicionamento do herbicida e às condições de aplicação. Pesquisas demonstram que a eficácia do glufosinato de amônio é maior quando as aplicações são realizadas sobre plantas daninhas pequenas, nos estádios iniciais de desenvolvimento. Nessa fase, as plantas apresentam maior suscetibilidade ao herbicida, favorecendo o controle e reduzindo o risco de escapes.
Figura 1. Planta de caruru em período recomendado para o controle pós-emergente.
Quando inserido em programas de dessecação sequencial, o glufosinato de amônio desempenha um papel importante no manejo de espécies daninhas de difícil controle. Conforme observado por Bianchi, Sturmer e Somavilla (2018), o controle da trapoeraba, por exemplo, é mais eficiente quando são realizadas aplicações sequenciais de herbicidas. Nesse caso, a primeira aplicação é composta pela associação de glifosato + 2,4-D (1.458 g e.a. + 1.340 g e.a. ha⁻¹), seguida de uma segunda aplicação com glufosinato de amônio (500 g ha⁻¹). Além de atuar sobre plantas debilitadas e em fase de rebrote, a dessecação sequencial permite atingir plantas daninhas localizadas em camadas mais inferiores do dossel, que podem sobreviver à primeira aplicação em decorrência do chamado “efeito guarda-chuva”, exercido pelas plantas maiores, que limita a interceptação e a chegada do ingrediente ativo aos alvos.
Entretanto, para alcançar resultados satisfatórios com o uso do glufosinato de amônio na dessecação pré-semeadura, além do posicionamento adequado do herbicida em relação às espécies-alvo, é fundamental observar as condições ambientais no momento da pulverização. Fatores como intensidade luminosa, estádio de desenvolvimento das plantas daninhas, condições de crescimento e horário da aplicação podem interferir na resposta ao herbicida (HRAC-BR, 2026). Isso ocorre porque o glufosinato de amônio apresenta ação fotodependente, ou seja, sua eficácia está relacionada à presença de luz. Dessa forma, recomenda-se priorizar horários de aplicação que proporcionem maior exposição das plantas à radiação solar nas horas seguintes à pulverização, favorecendo a ação do herbicida (Braz et al., 2025).
Figura 2. Mecanismo de ação do glufosinato de amônio e fatores que influenciam sua eficácia no controle de plantas daninhas.

Quando aplicado em condições de baixa luminosidade, o glufosinato de amônio pode apresentar menor eficácia, uma vez que a inibição da enzima glutamina sintetase (GS) pode não desencadear o acúmulo expressivo de espécies reativas de oxigênio (EROs). Consequentemente, há menor comprometimento das membranas celulares e menor ocorrência de necrose dos tecidos foliares, reduzindo a eficiência de controle das plantas daninhas (Braz et al., 2025).
Vale destacar que o uso do glufosinato de amônio exige conhecimento técnico e atenção a diferentes aspectos do manejo, incluindo tecnologia de aplicação, monitoramento do desenvolvimento das plantas daninhas e avaliação das condições ambientais no momento da pulverização. Quando corretamente posicionado e aplicado sob condições adequadas, o herbicida constitui uma importante ferramenta para o manejo de espécies daninhas de difícil controle, contribuindo para diversificar as estratégias e os mecanismos de ação empregados nos programas de controle.

Referências:
BIANCHI, M. A.; STURMER, H.; SOMAVILLA, J. C. ESTRATÉGIAS DE CONTROLE PARA TRAPOERABA. CCGL. Boletim Técnica, n. 65, 2018. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/boletim_t%C3%A9cnico_65.pdf >, acesso em: 03/11/2026.
BRAZ, G. B. P. et al. CAPIM-PÉ-DE-GALINHA: FUNDAMENTOS E RECOMENDAÇÕES PARA MANEJO. FEPAF, Cap. 7, Cuidados com a tecnologia de aplicação para o êxito no controle químico de capim-pé-galinha, 2025. Disponível em: < https://www.fepaf.org.br/loja/fepaf/livro-virtual-e-book/capim-pe-de-galinha-fundamentos-e-recomendacoes-para-manejo/ >, acesso em: 03/11/2026.
HRAC-BR. GLUFOSINATO: MECANISMO DE AÇÃO E CONDIÇÕES AMBIENTAIS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicida, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/glufosinato-mecanismo-de-acao-e-condicoes-ambientais >, acesso em: 03/11/2026.

Sustentabilidade
Plantio de verão 26/27 de milho no Centro-Sul atinge 75,2% – Safras – MAIS SOJA

O plantio de milho da safra de verão 2026/27 no Centro-Sul do Brasil atingia 75,2% da área estimada de 3,561 milhões de hectares até sexta-feira (30), segundo levantamento de Safras & Mercado.
O cultivo de milho chegou a 97,8% da área prevista de 940 mil hectares no Rio Grande do Sul, a 96,3% dos 597 mil hectares estimados em Santa Catarina e a 92,9% dos 537 mil hectares projetados no Paraná. A semeadura atinge 56,8% da área prevista de 293 mil hectares em São Paulo, a 40,5% dos 24 mil hectares projetados em Mato Grosso do Sul, a 30,2% dos 282 mil hectares previstos em Goiás/Distrito Federal e a 49,5% dos 847 mil hectares projetados em Minas Gerais. No estado de Mato Grosso o plantio atinge 39% dos 10 mil hectares previstos.
No mesmo período do ano passado, o plantio estava concluído em 68,4% da área estimada de 3,608 milhões de hectares. Já a média de plantio dos últimos cinco anos é de 71,8%.
Fonte: Agência Safras
Autor:Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
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