Sustentabilidade
Preços do algodão em pluma disparam em março com demanda aquecida – MAIS SOJA

Após meses operando em faixa relativamente estreita, os preços do algodão em pluma ganharam força em março, impulsionados pela resistência vendedora, pelo aquecimento da demanda e pelo suporte do mercado externo. Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ voltou a superar a casa dos R$ 3,91/lp e registrou a maior alta mensal desde agosto de 2022.
Ao longo de março, vendedores se mantiveram firmes, atentos à valorização internacional, enquanto compradores – tanto os agentes da indústria doméstica quanto de tradings voltadas à exportação – ampliaram sua atuação.
O movimento de avanço nos preços internos também foi sustentado por fatores como a valorização externa do petróleo, o encarecimento do frete e o elevado comprometimento da safra 2024/25.
Em março, o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) acumulou expressivo aumento de 11,2%, encerrando a R$ 3,9173/lp no dia 31 – o maior valor nominal desde 22 de agosto de 2025 (R$ 3,9407/lp). Trata-se da maior variação mensal positiva desde agosto de 2022, quando o aumento foi de 12,08%. No mês, a cotação doméstica ficou, em média, 4,6% acima da paridade de exportação.
A média mensal do Indicador atingiu R$ 3,6587/lp em março/26, alta de 3,93% em relação a fevereiro/26. Em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/26), o valor, contudo, ainda é 11,05% inferior ao de março/25. Em dólar, a média doméstica foi de US$ 0,6972/lp, sendo 5% acima do primeiro vencimento na Bolsa de Nova York (ICE Futures), mas 9,4% abaixo do Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
MERCADO INTERNACIONAL
Entre 27 de fevereiro e 31 de março, a paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, avançou 6%, alcançando R$ 3,6114/lp (US$ 0,6957/lp) no porto de Santos (SP) e R$ 3,6219/lp (US$ 0,6977/lp) no de Paranaguá (PR). Esse movimento foi impulsionado pela alta de 4,91% do Índice Cotlook A, que atingiu US$ 0,8020/lp no dia 31 – maior valor nominal desde o dia 28 de abril de 2025 (US$ 0,8055/lp) –, além da valorização de 1,05% do dólar frente ao Real, cotado a R$ 5,191 também no dia 31.
Na Bolsa de Nova York, os contratos também registraram ganhos ao longo do mês. Entre 27 de fevereiro e 31 de março, o contrato Maio/26 avançou 6,69%, para US$ 0,70/lp; o Julho/26 subiu 7,14%, para US$ 0,7213/lp; o Outubro/26 teve alta de 7,99%, para US$ 0,7416/lp; e o Dezembro/26 se valorizou 6,66%, fechando a US$ 0,7434/lp.
Esse cenário externo mais firme, aliado às fixações de contratos em aberto, tem estimulado a negociação de novos contratos a termo, tanto para a pluma da temporada 2025/26 quanto para a 2026/27.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAIS
Segundo o USDA, em relatório divulgado em 10 de março, a produção mundial de algodão na safra 2025/26 deve alcançar 26,343 milhões de toneladas, aumentos de 0,9% frente ao mês anterior e de 2,1% em relação à safra passada. O destaque continua sendo o Brasil, cuja produção foi revisada para cima em 4% no comparativo mensal e pode atingir o recorde de 4,246 milhões de toneladas, 14,7% acima da temporada anterior.
O consumo global foi estimado em 25,817 milhões de toneladas, leves quedas de 0,1% frente ao relatório anterior e de 0,3% na comparação anual, mesmo diante de uma recuperação parcial da demanda chinesa. Assim, o consumo deve ficar cerca de 2% abaixo da oferta na safra 2025/26.
As transações globais foram revisadas para cima em 0,5% no mês, totalizando 9,56 milhões de toneladas. Em relação à safra 2024/25, são esperados aumentos de 2% nas importações e de 3,5% nas exportações, com o Brasil mantendo a liderança global.
Os estoques mundiais estão projetados em 16,631 milhões de toneladas, altas de 1,7% no mês e de 3,6% no ano. No caso do Brasil, os estoques foram novamente revisados para cima, podendo atingir um recorde de 1,094 milhão de toneladas, com expressivos aumentos de 17,6% frente a fevereiro e de 47% na comparação anual.
Quanto aos preços, o valor médio pago ao produtor norte-americano permanece estimado em US$ 0,60/lp, estável em relação ao relatório anterior.
CAROÇO DE ALGODÃO
A liquidez no mercado de caroço de algodão permaneceu enfraquecida ao longo de março. A menor disponibilidade na entressafra, aliada às chuvas favoráveis às pastagens, reduziu a movimentação.
Além disso, agentes priorizam o recebimento de cargas previamente negociadas. Quanto aos preços, dados do Cepea indicam que, em março, a média foi de R$ 939,98/t em Primavera do Leste (MT), leve alta de 0,6% frente a fevereiro/26, mas queda de 30,6% em relação a março/25. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média foi de R$ 811,76/t (-2,8% no mês e -36,3% no ano). Em Lucas do Rio Verde (MT), o valor médio atingiu R$ 763,67/t, com recuos de 4,9% no mês e de 41,2% no ano. Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.272,22/t, quedas de 4,6% no mês e de 13,9% no comparativo anual. Já em São Paulo (SP), a média ficou em R$ 1.379,53/t, com alta de 1,1% no mês, mas retração de 18,8% em relação a março/25.
Para a temporada 2025/26, mesmo após o encerramento da semeadura, a liquidez permanece limitada. A expectativa de boa oferta e as divergências entre as ofertas de vendedores e compradores continuam restringindo os negócios.
Segundo o Imea, até 9 de março, apenas 8,14% do caroço da safra 2025/26 havia sido comercializado em Mato Grosso, principal estado produtor. O percentual é bem inferior aos 38,49% registrados no mesmo período do ano passado e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 28,8%.
Fonte: Cepea
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
Sustentabilidade
Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.
Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.
Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.
Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.
Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)
N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.
CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.
SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.
S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.
Fonte: Conab

Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.
No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.
Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.
Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.
Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.
Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).
A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).
Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.
Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.
Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.
Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

Referências:
AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.
EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.
GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
Foto de capa: Alessandro Braucks.

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