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27 de maio de 2026

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‘Não dá para contar com alta nos preços da soja. É preciso estar sempre atento ao timing de venda’, alerta analista

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O mercado de soja vive um momento de contraste. Enquanto a produção brasileira avança para mais um recorde, o ambiente de preços segue desafiador para o produtor. No mais recente episódio do podcast Soja Brasil, o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, traçou um panorama detalhado da safra, do mercado internacional e das perspectivas para comercialização.

Segundo ele, o Brasil caminha para uma produção robusta, mesmo diante de adversidades climáticas em algumas regiões. A estimativa atual gira em torno de 177,7 milhões de toneladas. “Temos uma safra maior do que a de 2025”, afirmou. O desempenho positivo no Centro-Oeste e no Nordeste compensa perdas pontuais, como no Rio Grande do Sul.

No cenário internacional, o principal fator de volatilidade tem sido a geopolítica. As tensões no Oriente Médio impactaram diretamente o petróleo, o que, por consequência, impulsionou os contratos de óleo de soja e trouxe reflexos positivos para a Bolsa de Chicago. Ainda assim, esse movimento não se traduz automaticamente em melhores preços no mercado físico brasileiro.

Isso porque outros fatores entram na conta, como prêmios negativos e excesso de oferta. O Brasil vive um pico de colheita, com grande volume disponível, o que pressiona as cotações internas mesmo diante de momentos de alta na bolsa. “Não apenas o preço em Chicago vai refletir no físico aqui”, destacou.

Rafael chama atenção para um ponto crucial: o produtor precisa avaliar com cautela o custo de segurar a soja. Com juros elevados, armazenar o produto significa abrir mão de rentabilidade e assumir custos adicionais. “É um ano de abundância de oferta. Nesse contexto, esperar por altas expressivas pode ser uma aposta arriscada”, disse.

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O câmbio também entra na equação, mas com impacto limitado no cenário atual. Mesmo com oscilações recentes do dólar, o efeito positivo tem sido neutralizado por ajustes nos prêmios e pela grande oferta disponível. “O mercado acaba se ajustando em outras variáveis”, explicou.

No campo da demanda, o crescimento dos biocombustíveis surge como tendência relevante, podendo ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos. Ainda assim, a China segue como principal destino da soja brasileira e deve continuar liderando a demanda global.

Para a próxima safra, o maior desafio apontado é o crédito. O custo de produção segue elevado, e o acesso a financiamento se torna cada vez mais complexo. Isso pode influenciar decisões sobre área plantada e investimentos, além de exigir ainda mais precisão no momento de comercialização. “O produtor não pode errar o timing de venda”, concluiu.

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Avanço do greening deve provocar queda de 13% na safra 26/27 de citros

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Foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Capão Bonito

A nova estimativa da safra 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, principal região produtora de laranja para suco do planeta, mostram que o avanço do greening (HLB – Huanglongbing) coloca o setor em um dos momentos mais delicados de sua história recente.

Segundo anúncio do Fundecitrus, a produção deverá atingir 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 12,9% inferior à safra anterior, que somou 292,94 milhões de caixas, além de representar retração de 14,7% em relação à média da última década.

De acordo com o diretor-executivo da entidade, Juliano Ayres, a combinação entre adversidades climáticas e maior pressão do greening tem agravado o cenário nos pomares.

“Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos. Apesar de avanços no peso médio e no nível tecnológico dos pomares, o cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo”, afirmou.

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Os dados e análises foram divulgados no contexto da Expocitros 2026 e da Semana da Citricultura 2026, iniciadas esta semana no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico, em Cordeirópolis, São Paulo.

Incidência de quase 50%

incidência do greening por região
Foto: Divulgação

Para especialistas do setor, o avanço do HLB atingiu patamares alarmantes. O consultor em citros Gilberto Tozatti, fundador do Grupo de Consultores em Citros (GCONCI), afirma que a incidência média de plantas sintomáticas no principal cinturão citrícola brasileiro já alcança 47,6%, enquanto a severidade média da doença chega a 22,7%.

Segundo ele, o problema vai além da disseminação geográfica. “A severidade representa o nível de comprometimento da planta e está diretamente relacionada à redução da produção e aumento das perdas de frutos”, detalha. Tozatti ressalta ainda que o greening vem se expandindo gradativamente para outras regiões produtoras do país.

Os reflexos econômicos são severos. Tozatti estima que mais de 50% da queda prematura de frutos esteja atualmente relacionada ao greening. Além disso, a doença reduz significativamente o rendimento industrial e compromete a qualidade do suco, impactando diretamente a competitividade da cadeia citrícola brasileira.

Já o consultor Hamilton Rocha reforça que os prejuízos se acumulam há mais de duas décadas. “A produção e a qualidade dos frutos têm diminuído drasticamente ao longo desses mais de 20 anos”, afirma.

Manejo integrado ainda é principal estratégia

colheita de laranja
Foto: Bento Viana/CNA

Sem uma cura definitiva disponível no mercado, o controle do greening continua baseado em manejo integrado, monitoramento intensivo e controle rigoroso do psilídeo Diaphorina citri, inseto vetor da bactéria associada à doença.

Nas regiões com menor incidência, Tozatti destaca a importância da erradicação rápida de plantas contaminadas e do controle rigoroso do vetor para evitar a disseminação. Já nas áreas mais afetadas, os produtores têm concentrado esforços na manutenção da produtividade e da longevidade dos pomares.

“Nessas regiões, o foco tem sido melhorar fertilidade do solo, nutrição equilibrada e preservação do sistema radicular, uma das partes mais afetadas pelo HLB”, afirma o consultor.

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Rocha pondera que ainda não existe reversão efetiva da doença em plantas sintomáticas. “O que conseguimos atualmente é reduzir a velocidade de avanço da doença dentro do pomar”, contextualiza.

O engenheiro agrônomo PhD André Luis Teixeira Creste classifica o cenário como alarmante. Segundo ele, algumas regiões já apresentam índices superiores a 70% de plantas sintomáticas, o que pode levar a perdas ainda maiores dependendo das condições climáticas.

“Não existe uma bala de prata para o controle da doença. É necessário associar diferentes ferramentas, incluindo manejo de solo, controle do vetor, defensivos químicos e biológicos”, afirma.

Ele destaca ainda o uso de refletores solares como ferramenta complementar e aponta novas tecnologias em avaliação no mercado como alternativas promissoras para redução dos danos causados pelo HLB.

Entre as novas tecnologias de combate à doença, o sistema TreciseR, desenvolvido pela Invaio Sciences, está em processo de registro para uso comercial no Brasil. A solução utiliza um sistema de aplicação localizada diretamente no tronco das plantas, permitindo a administração de ingredientes ativos, incluindo bactericidas como a oxitetraciclina.

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Segundo a empresa, a inovação permite reduzir em até 90% a dose aplicada em comparação com outros métodos, além de minimizar a exposição de trabalhadores e os impactos ao meio ambiente.

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Entenda como é o projeto que autoriza a renegociação de dívidas rurais

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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O projeto de lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais (PL 5.122/2023) foi aprovado nesta quarta-feira (27) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O texto foi fruto de ampla negociação entre governo e Congresso e muito debate na comissão. O projeto segue agora para análise do Plenário, onde deve ser votado em junho, ainda sem data específica definida.

De autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), o texto previa originalmente o financiamento a produtores afetados por eventos climáticos — como o El Niño, por exemplo. Porém, em seu relatório, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ampliou o alcance da matéria para os produtores afetados por impactos econômicos negativos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. 

O Fundo Social do Pré-Sal (FS), previsto na Lei 12.351, de 2010, recebe dinheiro da exploração do petróleo, além de financiar projetos e programas em diversas áreas como educação, saúde pública, meio ambiente e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Segundo o texto, as receitas correntes do Fundo Social de 2026 e 2027, o superávit financeiro apurado no final de 2025 e 2026, o superávit financeiro de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda e outras fontes definidas pelo Poder Executivo poderão ser usadas para disponibilizar linha especial de financiamento para os produtores.

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Limites financeiros e condições

O crédito poderá ser usado para quitação de dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural (CPRs) contratados até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não. Os débitos serão recalculados sem multa, mora e outros encargos por inadimplência. 

Quanto às condições, os juros serão diferenciados por perfil do produtor:

  • 3,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e demais pequenos produtores;
  • 5,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais médios produtores;
  • 7,5% ao ano para os demais.

Os recursos poderão ser operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bancos e cooperativas de crédito. A linha especial de financiamento de crédito terá como limite global o valor definido futuramente pelo Poder Executivo.

Os financiamentos terão como limites o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e de R$ 50 milhões por associação, cooperativa de produção ou condomínio. O prazo para o pagamento poderá chegar a 10 anos, acrescidos de três anos de carência, dependendo do caso.

Quem serão os beneficiários

Os beneficiários são produtores rurais, associações, cooperativas de produção e condomínios que atendam critérios objetivos ligados a calamidade e perdas produtivas. Estas são algumas das condições previstas no texto:

  • que tenham registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram em redução de, no mínimo, 30% da renda bruta agropecuária esperada para a respectiva safra, comprovado por laudo emitido por profissional habilitado;
  • ter empreendimento localizado em município cujo estado ou o próprio município tenha declarado situação de emergência ou estado de calamidade pública, reconhecidos pelo Poder Executivo federal ou estadual, em pelo menos um ano entre 2019 e 2025; ou estar em município que tenha registrado pelo menos duas perdas de produção de, no mínimo, 20% do rendimento médio em pelo menos duas das três principais atividades agrícolas no período;
  • o percentual do somatório de dívidas de crédito rural com atraso superior a 90 dias e de dívidas de crédito rural renegociadas supere 10% do total da carteira de crédito rural do município em 31 de dezembro de 2025;
  • o beneficiário, no período analisado, comprove dificuldades de fluxo de caixa devido ao impacto acumulado de perdas de safra decorrentes de eventos climáticos adversos em safras anteriores ou devido aos impactos econômicos negativos decorrentes dos conflitos geopolíticos internacionais que lhe causaram perdas de receita e aumento de custos e consequente aumento do endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) e impossibilitaram o reembolso integral das operações de crédito rural.

Para beneficiários localizados na área da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o período de análise será de 2012 a 2025.

Fundos Constitucionais

O texto também autoriza que, dentro de suas disponibilidades e áreas de atuação, o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) sejam usados para implementar o financiamento especial para produtores.

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Se os recursos desses fundos se esgotarem em suas áreas de abrangência, o Fundo Social poderá assumir a implementação das medidas e os custos correspondentes. 

O projeto também autoriza as instituições financeiras a prorrogar por 180 dias os vencimentos das parcelas de principal e juros das operações abrangidas. Nesse período, ficam suspensas cobranças administrativas, execuções extrajudiciais, judiciais e fiscais, inscrição em cadastros negativos de crédito e respectivos prazos processuais.

Mudanças por emendas

O relator disse considerar a proposição urgente e adequada diante do aumento de eventos climáticos extremos e do impacto econômico sobre produtores rurais. No voto, Calheiros afirma que o uso do Fundo Social é compatível com as finalidades legais do fundo, especialmente no apoio a ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. 

Ele propôs mudanças ao texto por meio de emendas. Entre elas estão:

  • a ampliação da abrangência das dívidas para operações contratadas até 31 de dezembro de 2025 (o texto original registrava 30 de junho de 2025);
  • a autorização para uso de outras fontes de recursos, além do Fundo Social;
  • a criação de mecanismos adicionais de alongamento e composição de dívidas rurais; e
  • a ampliação, para a área da Sudene, do período de análise de calamidades e perdas produtivas para 2012 a 2025.

O relatório também busca impedir que normas infralegais restrinjam a aplicação da nova lei, especialmente por meio de exigências simultâneas de decretação de calamidade em nível estadual e municipal. 

Foram apresentadas 54 emendas no total. Em seu parecer, Calheiros propôs a aceitação parcial das emendas 2, 20,49, 51 e 53. Com base na emenda 2, da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ele acrescentou a autorização para a União ampliar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), exclusivamente para cobertura das operações de crédito destinadas à renegociação de dívidas rurais.

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A emenda 51, também de Tereza Cristina, busca ampliar a transparência dos dados sobre essas renegociações. Já as emendas 20, 49 e 53 foram aproveitadas parcialmente para ajustes de enquadramento, adequação de taxas de juros e correção de impactos fiscais. As demais emendas foram rejeitadas.

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Cooperativa da Paraíba recebe colheitadeira para reforçar produção de arroz vermelho

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Agricultores familiares da Cooperativa dos Produtores de Arroz do Vale do Rio do Peixe (Coopavale) receberam, nesta segunda-feira (25), uma mini colheitadeira em São João do Rio do Peixe, no Alto Sertão da Paraíba. O equipamento foi entregue pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio da Superintendência Regional da Paraíba (Sureg/PB), dentro do Programa Arroz da Gente. Segundo a companhia, a estrutura deve atender 72 cooperados que produzem cerca de 1 mil toneladas de arroz vermelho por ano.

A entrega faz parte de uma estratégia de apoio à estrutura produtiva da agricultura familiar em uma região onde o arroz vermelho tem peso na renda local. Além do reforço à etapa de colheita, a ação está inserida em um conjunto de políticas públicas voltadas ao cereal, com foco em produção, comercialização e segurança alimentar.

Durante o evento, o gerente de Operações e de Suporte Estratégico da Conab, Anderson do Nascimento, informou que 17 famílias do território estão com projetos em análise para receber fomento rural pelo programa. Segundo ele, a articulação entre o Arroz da Gente e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) amplia o alcance das ações para os produtores da região.

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No Vale do Rio do Peixe, a Conab também executa um projeto de R$ 146 mil para aquisição de arroz destinado a cozinhas solidárias e outro de R$ 137 mil para aquisição de sementes. Esses valores indicam que o apoio não se limita ao equipamento, mas inclui etapas de abastecimento e estruturação da produção.

De acordo com a Conab, os cooperados da região também acessam mercados institucionais para vender mel, leite, produtos beneficiados e hortifrutigranjeiros, como milho, feijão, banana, tomate, melancia e coco. Essa diversificação reduz a dependência de uma única cultura e amplia os canais de escoamento da produção.

O Programa Arroz da Gente é executado pela Conab com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A iniciativa prevê apoio à estruturação produtiva, acompanhamento técnico, armazenagem, processamento e comercialização do cereal.

Com a entrega da colheitadeira, a cooperativa passa a contar com um ativo operacional para a etapa de colheita do arroz vermelho. O efeito sobre produtividade, redução de custos ou ampliação de área não foi detalhado pela Conab no material divulgado, o que limita uma projeção técnica mais ampla neste momento.

Fonte: gov.br

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