Agro Mato Grosso
Obra da Fico em Mato Grosso corre risco de atraso por entrave em terras indígenas

Relatório da CGU aponta que 72 km do traçado estão parados aguardando aval da Funai. Projeto crucial para ligar Água Boa à Ferrovia Norte-Sul está com 20% do cronograma comprometido.
A esperança de ver os trilhos da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) conectando o Araguaia ao restante do Brasil até 2028 sofreu um duro golpe. Um alerta emitido pela Controladoria-Geral da União (CGU) revela que as obras de um trecho de 72 quilômetros — o equivalente a 20% de todo o projeto — ainda não saíram do papel devido à falta de uma manifestação formal da Funai. Impasse indígena ameaça ferrovia entre Mato Grosso e Goiás | Foto: Divulgação
Embora a mineradora Vale esteja executando a obra como contrapartida de concessão, o licenciamento ambiental é responsabilidade da estatal Infra S.A. O impasse gira em torno do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI).
Atraso Histórico: O plano de trabalho foi protocolado na Funai em 2022, mas as consultas às comunidades indígenas ainda não foram concluídas quatro anos depois.
Área de Influência: Embora a ferrovia não atravesse diretamente as terras indígenas, o traçado passa pela chamada “área de influência”, exigindo medidas de compensação e mitigação que ainda não foram aprovadas pelas comunidades.
O Que já está Pronto?
Nem tudo é notícia ruim. A equipe da CGU percorreu 290 quilômetros do traçado e constatou que mais da metade da obra já foi concluída, com as atividades seguindo dentro das metas nos lotes que não dependem do aval indigenista. A Fico é considerada a “espinha dorsal” para reduzir a dependência de caminhões, permitindo que os grãos de MT cheguem aos portos do Arco Norte e do Sudeste com custos menores.
Leilão à vista e R$ 41 Bilhões em Jogo
O trecho travado faz parte do ambicioso Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol), que prevê ligar Caetité (BA) a Água Boa (MT). O governo federal planeja publicar o edital dessa concessão em maio, com leilão previsto para agosto de 2026. O investimento total estimado é de R$ 41,85 bilhões, tornando-o o projeto ferroviário mais caro e importante do país no momento.
Agro Mato Grosso
Valtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis

Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental.
Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel.
Etanol
Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028.
A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração.
Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.
Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional.
A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical.
Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas.
Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor.
Biometano
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/z/O/eF7mK2TXyxbwA6J1Nq2A/dsc-0554.jpg)
Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1
A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio.
É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização.

A Valtra apresenta a Série M5: a evolução de um dos tratores mais confiáveis do Brasil, agora com mais tecnologia, eficiência operacional e conforto para o campo.
Diesel verde
A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes.
Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado.
Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão.
Contexto
O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor.
Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade e redução de emissões tendem a ganhar espaço. Matheus Pintor, da Bosch, afirma que a possibilidade de gerar créditos de carbono, por exemplo, passa a ser um incentivo adicional para a adoção de soluções baseadas em biocombustíveis.
Por isso, o Brasil, com sua tradição na produção de biocombustíveis, aparece, na visão dos organizadores da feira, em posição estratégica para liderar esse movimento.
Agro Mato Grosso
Agro poderá usar linha de crédito do FAT para inovação

Conselho Monetário Nacional autorizou produtores a financiar máquinas e digitalização
Produtores rurais que quiserem investir em inovação poderão contar com uma linha especial de crédito. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na quarta-feira (20/5) uma mudança nas regras de financiamento à inovação e à digitalização com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A medida amplia o acesso ao crédito para empresários individuais e pessoas físicas que atuam no agronegócio, na produção florestal, na pesca e na aquicultura.
Na prática, produtores rurais e trabalhadores desses setores poderão contratar financiamentos para modernização tecnológica, compra de máquinas e equipamentos e digitalização das atividades produtivas.
Os recursos são repassados pelo FAT ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que empresta o dinheiro com juros subsidiados.
O que muda
Antes da decisão, as operações de crédito eram restritas a empresas organizadas formalmente. Com a nova regulamentação, pessoas físicas e empresários individuais também passam a ser reconhecidos como beneficiários das linhas de financiamento.
A mudança vale para trabalhadores residentes e domiciliados no Brasil que exerçam atividades econômicas ligadas aos seguintes setores:
- Agronegócio;
- Produção florestal;
- Pesca;
- Aquicultura e
- Serviços diretamente relacionados a esses segmentos
Como funciona
Os financiamentos usam recursos do FAT, fundo abastecido principalmente pelas contribuições do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). O dinheiro é transferido ao BNDES, que opera programas de crédito voltados ao investimento produtivo.
As operações utilizam a Taxa Referencial (TR) como base de remuneração, o que tende a tornar o crédito mais acessível em comparação a modalidades tradicionais de mercado.
Segundo o governo, os recursos poderão ser usados para:
- Aquisição de máquinas e equipamentos;
- Modernização tecnológica;
- Digitalização da produção;
- Aumento da produtividade;
- Melhoria das condições de trabalho e produção.
Impactos esperados
A avaliação do governo é que a medida pode estimular a produção e a comercialização de máquinas agrícolas e equipamentos tecnológicos, além de beneficiar fabricantes, distribuidores e prestadores de serviço. A expectativa também é de geração de empregos, aumento da renda e fortalecimento da atividade econômica nas regiões atendidas.
O governo argumenta ainda que a modernização tecnológica pode melhorar a eficiência da produção rural e ampliar a competitividade do setor.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT percorre municípios do Norte de MT com discussões sobre cenário internacional

A programação da próxima semana contempla encontros em seis cidades da região, reunindo produtores rurais e lideranças do setor
Com o tema “Geopolítica: como o mundo funciona?”, as palestras serão conduzidas pelo cientista político Professor HOC, que abordará assuntos ligados às relações internacionais, economia global e os impactos dessas movimentações no dia a dia do produtor rural.
A programação da semana começa em Itanhangá e segue pelos municípios de Porto dos Gaúchos, Sorriso, Nova Ubiratã, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. Os encontros serão realizados em sindicatos rurais e espaços parceiros, reunindo produtores, representantes do agro e comunidade em geral.
Confira a programação desta semana:
25/05 – Itanhangá, às 18h30
26/05 – Porto dos Gaúchos, às 18h30
27/05 – Sorriso, às 18h30
28/05 – Nova Ubiratã, às 8h30
28/05 – Lucas do Rio Verde, às 18h30
29/05 – Nova Mutum, às 18h30
Raiane Florentino
Agro Mato Grosso4 horas agoValtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis
Agro Mato Grosso20 horas agoVÍDEO: arara-canindé com suspeita de atropelamento é resgatada em MT
Featured22 horas ago‘Roraima tem potencial para chegar a 1,5 milhão de ha de soja’, aponta presidente da Aprosoja-RR
Sustentabilidade21 horas agoInicia período recomendado de plantio de trigo no RS – MAIS SOJA
Sustentabilidade23 horas agoPanorama do Trigo: Oscilações em Chicago, Alerta Climático e a Tendência de Alta para 2027 – MAIS SOJA
Sustentabilidade22 horas agoEntre a Guerra e o Clima: O Comportamento dos Preços da Soja e o Ritmo das Safras – MAIS SOJA
Business22 horas agoConab aponta melhora pontual no milho, mas seca mantém risco em áreas tardias
Sustentabilidade19 horas agoDe advogada a produtora rural: Flávia Garcia Cid transforma fazenda em referência nacional em óleos essenciais – MAIS SOJA


















